ISSN 0798 1015

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Vol. 38 (Nº 21) Año 2017. Pág. 34

Aplicação do método MASP relacionado ao ciclo PDCA (Check-List) para acompanhamento de obras na construção civil

Application of the MASP method related to the PDCA (Check-List) cycle for monitoring construction works

Satya Andrade AGUIAR 1; Mauricio Johnny LOOS 2

Recibido: 05/12/2016 • Aprobado: 02/02/2017


Conteúdo

1. Introdução

2 Revisão da literatura

3 Procedimentos metodológicos

4 Apresentação e discussão dos resultados

5 Conclusões

Referências


RESUMO:

A busca pela qualidade tornou-se um dos fatores primordiais para a competitividade no mercado da construção civil, pois grande parte das construtoras/incorporadoras dependem das certificações para financiarem seus empreendimentos com as instituições de crédito, esquecendo as vezes do real benefício que é a melhoria da gestão dos processos. Este artigo apresenta a aplicação do método de análise e solução de problemas relacionado ao ciclo PDCA, no qual foi desenvolvido um check-list de monitoramento do sistema de gestão da qualidade em canteiro de obras. O check-list é baseado no ciclo PDCA, sendo os seus requisitos de inspeções as normas ISO 9001, PBQP-h, normas de segurança e requisitos legais da construção civil. Os resultados direcionam pela constante busca da melhoria continua, fator decisivo para manter a qualidade de produtos e serviços, garantindo a satisfação do cliente.
PALAVRAS-CHAVE: MASP, PDCA, Check-list, Construção Civil.

ABSTRACT:

The quest for quality has become one of the key factors for competitiveness in the construction market, since most of the builders depend on the certifications to finance their projects with credit institutions, sometimes forgetting the real benefit of improvement Management of processes. This article presents the application of the method of analysis and solution of problems related to the PDCA cycle, in which a checklist of monitoring of the system of quality management in construction site was developed. The check-list is based on the PDCA cycle, with your inspection requirements being ISO 9001, PBQP-h, safety standards and legal requirements for construction. The results are driven by the constant search for continuous improvement, a decisive factor in maintaining the quality of products and services, guaranteeing customer satisfaction.
KEYWORDS: MASP, PDCA, Check-list, Construction.

1. Introdução

O mercado da construção civil está cada vez mais exigente, sempre buscando a qualidade e o menor custo. Para que uma obra seja executada corretamente e gere lucros para a construtora e/ou incorporadora, necessita, antes de tudo, de um bom planejamento e gerenciamento de todas as suas etapas. Uma das áreas crescentes hoje nas construtoras, que auxilia no gerenciamento das obras, é a gestão da qualidade, que consiste em assegurar que os processos estão sendo seguidos de acordo com os critérios pré-estabelecidos, ou seja, garantir a execução do produto conforme os requisitos do cliente. Esse crescimento ocorreu a partir dos anos 90, com a implantação do sistema de gestão da qualidade fundamentado na série de normas ISO 9000.

MOURA (2003) considera que a revolução da busca pela qualidade motivou o surgimento de muitas técnicas e propiciou aperfeiçoamento nos conceitos de gestão da qualidade das organizações. Um exemplo, é que apesar do grande número de construtoras que adotaram a certificação em sistemas de gestão da qualidade, ainda há muito que trabalhar para que esses conceitos sejam ações constantes de resultados esperados. “O controle da qualidade se torna real quando está continuamente presente” (FEIGENBAUM, 1994, p. 3).

A busca pela melhoria na qualidade é um acontecimento que pode ser observado em diversas empresas, principalmente na indústria. A gestão da qualidade na construção civil ainda se trata de um fator decisivo na competitividade, porém, ao longo dos anos esse requisito, na imposição do mercado, tornou-se algo essencial, pois grande parte das instituições de crédito só permitem financiar a construção do empreendimento se a construtora e/ou incorporadora possuir algum certificado específico da qualidade. Essa exigência tornou-se necessária a partir do governo federal, onde identificou a necessidade no programa “Minha casa minha vida”, afim de proporcionar um padrão de qualidade dos empreendimentos, e essa exigência foi aderida por outras instituições privadas de crédito. As certificações exigidas são baseadas nas normas ISO 9001 destinadas ao sistema de gestão da qualidade e PBQP-h (Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade do habitat) que se trata de uma adequação da ISO 9001 para a construção civil.

Na construção civil, grande parte da execução das atividades são realizadas manualmente, e a qualidade da execução depende cem por cento dos funcionários, por esta razão é comum encontrar diversas falhas (não-conformidades) ao longo do dia. Dependendo do grau do problema, este pode resultar em retrabalho, o qual impacta diretamente no cronograma financeiro e de execução da obra. Com isso, surgiu a necessidade de utilização das ferramentas de gestão MASP (Método de Análise e Solução de Problemas) relacionadas com o PDCA, para corrigir os problemas encontrados, reduzindo sua reincidência.

A partir deste contexto, foi desenvolvido um “check-list” que auxilia na fiscalização dos canteiros de obras, em busca da melhoria contínua. Para cumprir seus objetivos, o trabalho primeiramente seguirá pelas definições do método MASP e Ciclo PDCA, bem como a relação entre os dois para a busca da melhoria contínua. Em segundo plano descreve-se o procedimento de identificação, análise e ação corretiva, que originou o modelo de check-list aplicado, descrevendo seus principais pontos avaliados e resultados.

2. Revisão da literatura

Na revisão da literatura, visando aprofundar o conhecimento sobre o assunto, serão abordadas questões como ciclo PDCA e o método MASP.

2.1 Ciclo PDCA

O ciclo PDCA é uma ferramenta de gestão que tem como objetivo controlar e aperfeiçoar os processos e produtos de uma forma constante, atuando como um processo ininterrupto. O ciclo PDCA é conhecido como ciclo de Deming ou ciclo de Shewhart. No ano 1930, Walter Shewhart apresentou um ciclo adequado sobre a qualidade, e este é o PDCA, porém, somente nos anos 50 no Japão, por meio de William Edwards Deming se tornou abrangente e conhecido no mundo, aí então, ficou também conhecido como o ciclo de Deming.

De acordo com SILVA (2006), o PDCA é um método para a prática do controle e segundo LIMA (2006) o Ciclo PDCA é uma ferramenta utilizada para a aplicação das ações de controle dos processos, planejamento da qualidade e manutenção de padrões, ou seja, implementar melhorias. Essas ações se segmentam em quatro etapas primordiais para todo processo de melhoria, que são repetidas continuamente, formando um ciclo. Tais etapas, são constituídas de estágios, conforme mostra figura 1.

Figura 1 – Ciclo PDCA.
Fonte: http://administrandoservicos.blogspot.com.br/2015/01/pdca-na-pratica.html.

2.1.1 Etapas do PDCA

Assim como a filosofia “Kaizen” (mudança para melhor) que vem do japonês, o ciclo PDCA tem como base principal a melhoria contínua. Seu propósito essencial é tornar os processos da gestão de uma organização mais eficientes, exatos e práticos. Pode ser aplicado em todo tipo de organização, como forma de atingir um nível excelente de gestão a cada dia, conseguindo grandes efeitos dentro do sistema de gestão da organização.

É notório que, quanto mais se aplica em análise e prevenção, maior será a recompensa pelas retenções dos custos de erros. “Um dólar de reclamação tem um impacto no mercado muito maior que um dólar de refugo" (FEIGENBAUM, 1991).

2.2 MASP (método de análise e solução de problemas)

O MASP é um processo estruturado e ordenado tendo em vista a solução de problemas e desenvolvimento de processo de melhoria nas operações das organizações. Essa metodologia é adotada para manter e controlar a qualidade de produtos, processos e serviços, e trata-se de um método para melhoria contínua.

O método MASP é de origem japonesa e apresenta 8 etapas, onde cada uma das etapas auxilia na identificação do problema e a elaboração de ações corretivas e preventivas para eliminá-los ou minimizá-los. Segue uma sequência lógica, começando pela identificação do problema, continuando pela análise e terminando com a tomada de decisão. Tais sequências são apresentadas por meio da figura 2.

Figura 2 – Etapas do MASP.
Fonte: http://www.totalqualidade.com.br/2010/10/como-usar-o-masp-metodo-de-analise-e_2523.html.

A seguir serão detalhadas cada uma das 8 etapas do MASP.

2.2.1. Etapas do MASP

1º passo - Identificação do problema: nessa etapa deve-se definir claramente o problema e reconhecer a sua importância, podendo ser utilizadas as técnicas do parâmetro G.U.T (Gravidade, Urgência e Tendência), geralmente utilizadas para priorizar os problemas mais significativos; e a técnica de folha de verificação, que auxilia na verificação da distribuição do processo de produção, verificação dos itens defeituosos, verificação da localização dos defeitos e verificação das causas dos defeitos.

2º passo - Observação: nessa etapa deve-se investigar as características do problema com uma visão ampla e sobre vários pontos de vista. São utilizadas ferramentas como:

3º passo - Análise das causas: nessa etapa deve-se identificar as causas principais. São utilizadas ferramentas como:

4º passo - Plano de ação: nessa etapa deve-se elaborar um plano para bloquear as causas fundamentais. Pode-se utilizar o método 5W1H que, de forma organizada, permite uma rápida identificação dos elementos necessários, por meio de perguntas como: o que será feito, como deverá ser realizada cada tarefa, por que deve ser executada a tarefa, onde cada etapa será executada, quando cada uma das tarefas deverá ser executada e quem realizará as tarefas.

5º passo - Execução da ação - nessa etapa deve-se propor data limite para ter o problema solucionado e executar. As ações corretivas são implementadas numa faze de teste.

6º passo - Verificação: verifica-se nessa etapa se o bloqueio foi efetivo.

7º passo - Padronização: nessa etapa deve-se então prevenir o reaparecimento do problema. É nesta etapa que a ação corretiva é efetivamente implantada.

8º passo - Conclusão: ao final, deve-se rever todo o processo de solução de problemas para aplicação em futuros trabalhos.

Tão correto quanto usar qualquer uma das duas ferramentas, é utilizar o método MASP relacionado diretamente ao PDCA, pois as duas se complementam, conforme demonstra a figura 3.

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Figura 3 – MASP relacionado ao PDCA.
Fonte: http://www.gestqual.com.br/novo/entendendo-o-modelo-masp.

 

3. Procedimentos metodológicos

Este trabalho usa como abordagem metodológica o estudo de caso, o qual, conforme Yin (2005) é um estudo de caráter empírico que investiga um fenômeno atual no contexto da vida real, geralmente considerando que as fronteiras entre o fenômeno e o contexto onde se insere não são claramente definidas.

3.1 A empresa

A empresa “Alfa” atua no ramo de construção e incorporação de empreendimentos diversos, encontra-se no mercado desde 1986. Sua sede foi fundada no interior do Ceará e após crescimento, mudou-se para a capital Fortaleza. Com atuação no Nordeste, a empresa “Alfa” é responsável por diversas obras, incluindo empreendimentos residenciais, comerciais, shoppings, hotéis, indústrias, revenda de automóveis, hospitais, ginásios, escolas e praças, com mais de 1.000.000m² de área construída e ultrapassando as 2.700 unidades habitacionais já entregues. Atualmente conta com 6 obras em andamento, edificações que são referências na construção civil em diferentes aspectos. Possui em seu quadro de funcionários mais de 800 colaboradores. A empresa segue um sistema de gestão da qualidade personalizado, voltado para as exigências de mercado de alto padrão. Esse sistema ajuda a empresa “Alfa” a manter certificações ISO 9001 e PBQP-h há 9 anos, em uma das mais exigentes empresas certificadoras do país.

3.2 Processo

Após verificação de diversas falhas reincidentes encontradas nos canteiros de obras, no qual estavam rendendo retrabalhos, desperdícios e impactando diretamente nas certificações da qualidade das obras, foi utilizado o método MASP relacionado ao PDCA para identificação da causa raiz, implantação da ação corretiva e padronização. Segue o processo estratificado, conforme pode-se notar na figura 4.

Figura 4 – Processo de implantação.
Fonte: Elaborada pela autora.

Os dados, predominantemente de caráter qualitativo, foram interpretados, buscando divergência e convergência, confrontando a teoria vigente com as informações práticas coletadas na empresa, através do qual o caso foi construído, conforme relatado a seguir.

4. Apresentação e discussão dos resultados

Após implantação do check-list de monitoramento do SGQ nas obras, foi possível identificar as diversas mudanças e os grandes resultados encontrados.

4.1. O Check-List

O check-list é aplicado mensalmente e é baseado no ciclo PDCA juntamente com os requisitos das normas ISO 9001:2008, PBQP-h nível A, normas de segurança do trabalho e meio ambiente e requisitos legais de obras no ramo da construção civil. O resultado de cada monitoramento realizado mensalmente gera um relatório e é enviado por e-mail para todos os envolvidos, gerando nota e ranking das melhores obras, e ao final de cada ano é feita uma premiação para a obra com melhores notas somadas ao longo do ano. O check-list é composto por 28 itens de inspeção, onde cada item informa o requisito normativo que está atendendo, quem é o responsável por atender ao requisito, as evidências e a pontuação de atendimento ao requisito, sendo os critérios:

3 pontos: Requisito totalmente atendido;

2 pontos: Requisito atendido em sua maioria;

1 ponto: Requisito atendido em sua minoria;

0 pontos: Requisito não atendido.

4.1.1. Itens inspecionados no check-list de monitoramento do SGQ (Sistema de Gestão da Qualidade):

4.2. Resultados

Após o primeiro ano de utilização do check-list de monitoramento do SGQ nas obras, houve uma melhoria de 81% em relação ao resultado da auditoria externa realizada pela mesma empresa certificadora há 9 anos. O número de não-conformidades caiu de treze (doze de grau menor e uma de grau maior) para apenas três (três de grau menor). No segundo ano de utilização do check-list de monitoramento do SGQ nas obras, foi realizada uma auditoria de recertificação, a qual é mais intensa e exigente e não houve nenhuma não-conformidade, ou seja, evolução de 100% desde a implantação da melhoria. Houve melhora também no resultado individual de cada envolvido, em cada obra conseguia-se compreender a importância do cumprimento aos requisitos, as pessoas estavam mais motivadas com suas atividades a partir dos feedbacks recebidos nos resultados mensais. A disputa pelo ranking tornou-se uma motivação saudável, onde os colaboradores das obras buscavam sempre fazer da melhor forma possível.

5. Conclusões

É possível identificar que as ferramentas de melhoria contínua aplicadas corretamente são primordiais para grandes mudanças e sucesso de uma organização. A delegação de atividades, alinhada a responsabilidade dada a cada envolvido, quando cobrada coerentemente, dando condições para que essas atividades sejam realizadas e reconhecendo a evolução de cada um, gera resultados extraordinários.

Para que a filosofia de melhoria contínua seja eficaz, primeiramente é necessário que os processos estejam bem implantados, que os envolvidos estejam treinados e saibam corretamente o que deve ser feito, como deve ser feito e o que será cobrado. Quando esses valores não são difundidos corretamente, as pessoas executam suas atividades por executar, sem saber os motivos, apenas “preenchendo papel”, caindo na falha de apenas realizar as atividades de gestão da qualidade para garantir a certificação e não para melhorar a gestão dos seus processos e dos seus resultados. Apesar de pouco valorizada no ramo da construção civil, a gestão da qualidade é um setor de grande importância na gestão de todos os processos e resultados de empresas de qualquer ramo.

Referências

CAMPOS, Vicente Falconi. TQC- Controle da Qualidade Total (no estilo japonês). Belo Horizonte, MG: Editora de Desenvolvimento Gerencial, 1999.

DEMING, William Edwards. Qualidade: a revolução da administração. Rio de Janeiro: Marques-Saraiva, 1990.

DEMING, W. E. Saia da crise: as 14 lições definitivas para controle de qualidade. São Paulo: Futura, 2003.

FEIGENBAUM, Armand V. Controle da qualidade total: gestão e sistemas. São Paulo: Makron Books, 1994. V. 1.

GARVIN, David A. Gerenciando a qualidade: a visão estratégica e competitiva.

Rio de Janeiro: Qualitymark, 2002.

GITLOW. Howard S. Planejando a qualidade, a produtividade e a competitividade. Rio de Janeiro: Qualitymark, 1993.

LIMA, Renata de Almeida - Como a relação entre clientes e fornecedores internos à organização pode contribuir para a garantia da qualidade: o caso de uma empresa automobilística. Ouro Preto: UFOP, 2006.

MOURA, Luciano Raizer. Qualidade simplesmente total: uma abordagem simples e prática da gestão da qualidade. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2003.

NBR ISO 9001. Sistemas de gestão da qualidade – requisitos. Associação brasileira de normas técnicas, 2008.

SiAC - Sistema de avaliação da conformidade de empresas de serviços e obras da construção civil. Brasília: Ministério das Cidades, 2012.

SILVA, Jane Azevedo da; Apostila de Controle da Qualidade I. Juiz de Fora: UFJF, 2006.

YIN R. K. Estudo de caso. Porto Alegre: Bookman; 2005.


1. Graduada em Tecnologia em Construção Civil pela Faculdades Nordeste - FANOR Devry (2014).  Especialista em Engenharia de Produção pela Faculdade Farias Brito - FFB (2016). Email: satya.andrade@gmail.com

2. Graduado em Administração de Empresas - Gestão Empresarial pela Universidade Regional de Blumenau - FURB (2007). Especialista em Engenharia de Produção pela Universidade Regional de Blumenau - FURB (2009).  Mestre em Engenharia de Produção pela Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC (2011). Doutor em Engenharia de Produção pela Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC (2016). Coordenador e Professor dos Cursos de Pós-Graduação em Engenharia de Produção e Engenharia de Produção & Lean Manufacturing da Faculdade Farias Brito - FFB. Email: mauricioloos@hotmail.com


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