ISSN 0798 1015

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Vol. 38 (Nº 11) Año 2017. Pág. 5

A racionalidade comunicativa na literatura internacional: Uma análise bibliométrica

The communicative rationality in international literature: A bibliometric analysis

Jéssica de Carvalho MACHADO 1; José Roberto PEREIRA 2; André Spuri GARCIA 3; Elaine Santos TEIXEIRA CRUZ 4; Gabriela Rezende DUARTE 5

Recibido: 10/09/16 • Aprobado: 29/09/2016


Conteúdo

1. Introdução

2 Referencial teórico

3 Procedimentos metodológicos

4 Resultados e discussão: Aspectos bibliométricos

5 Considerações finais

Referências Bibliográficas


RESUMO:

O presente trabalho tem como objetivo analisar como a racionalidade comunicativa, tem sido abordada na literatura internacional. Para atingir tal objetivo, realizou-se, de início, uma breve discussão teórica sobre a Racionalidade Comunicativa em Jürgen Habermas. Posteriormente, realizou-se uma revisão bibliométrica contando com os dez artigos mais citados quando se aborda a racionalidade comunicativa. Com base no número de artigos encontrados na análise geral (158 artigos) e na seleção dos mais citados, observa-se que esses estudos ainda são de pouca quantidade e que alguns desses tratam a racionalidade comunicativa, porém não referencia Habermas, o autor da teoria. Mesmo que alguns desses artigos não referenciem o autor e sua teoria, àqueles que a utilizam, empregam-na com qualidade e aplicada às diversas áreas. Como resultado da pesquisa bibliométrica e a análise dos artigos, a ação comunicativa é tratada na teoria de Habermas e consiste na comunicação entre atores sociais, por meio de decisões baseadas pela razão e em busca de um entendimento mútuo e consensual, desenvolvidas em áreas diversas, como organizações com bases administrativas, organizações do setor público, na política mundial, em teorias do planejamento, na área de saúde, em assuntos de interesse público, como por exemplo, criminalidade, a conversa cotidiana, e em ambientes que permitam uma relação sujeito-sujeito.
Palavras-chave: Racionalidade Comunicativa, Habermas, Bibliometria.

ABSTRACT:

This paper aims to analyze how the communicative rationality has been addressed in the literature. To achieve this goal, it was held, at first, a brief theoretical discussion of Communicative Rationality in Jürgen Habermas. Later, we made a bibliometric review relying on the ten most cited articles when dealing with the communicative rationality. Based on the number of articles found in the overall analysis (158 articles) and selection of the most cited, it is observed that these studies are still little amount and that some of these deal with communicative rationality, but did not refer to Habermas, the author of the theory. Even if some of these articles do not reference the author and his theory, those who use it, they employ it with quality and applied to several areas. As a result of bibliometric research and analysis of the articles, communicative action is treated in the theory of Habermas and consists of communication between social actors, through decisions based on looking for a mutual and common understanding developed in several areas, as organizations with administrative bases, public sector organizations, in world politics, planning theories, in health, in matters of public interest, such as crime, everyday conversation, and in environments that allow subject-subject relationship.
Keywords: Rationality Communicative, Habermas, Bibliometrics.

1. Introdução

A teoria da ação comunicativa de Jürgen Habermas se mostra relevante no cenário atual, pois se apresenta como uma resposta à crise do modelo democrático ao propor a utilização da linguagem para que ocorra a institucionalização dos processos dialógicos, por meio de modelos consensuais e democráticos de instituir a opinião e a vontade da sociedade nos processos decisórios.

A relevância do pensamento de Jürgen Habermas é observada desde o início de suas obras, como “Conhecimento e Interesse à Verdade e justificação, de Lógica das ciências sociais à Teoria da Ação Comunicativa”, Habermas fez com que suas leituras tornassem-se mais atuais e contemporâneas e propôs rígidos modelos teóricos. Diante das modificações que o autor realizou em suas obras, observa-se que a razão foi o único conceito que se manteve inalterado por todos esses anos.

 O projeto desenvolvido pelo autor Habermas é embasado em oposição entre duas relações com o mundo, sendo a primeira definida pela ciência e pela tecnologia e a segunda por meio da interação entre sujeitos constituídos de comunicação. Para Habermas, portanto, uma possível saída para a crise e polarização (elitistas x participacionistas) dos modelos democráticos e, no seu entender, para a tentativa de colonização do mundo da vida pelo sistema encontra-se no agir comunicativo.

Assim, para Habermas (1987a) a ciência se tornou escrava da racionalidade instrumental e como forma de banir esse tipo de razão busca subordiná-la à razão crítica, propondo outro tipo de racionalidade, apresentada como racionalidade comunicativa.  A ação comunicativa vem de forma gradual sendo substituída pelo sistema, por meio de mecanismos de poder e do dinheiro, ou seja, o mundo da vida tem sido “colonizado” por mecanismos de integração sistêmicos. Dessa forma, a teoria da ação comunicativa tem como objetivo principal denunciar esses processos de comunicação “sistematicamente distorcidos” seja de forma consciente ou não (Freitag, 2005).

Habermas analisa o conceito de racionalidade e suas relações com problemas de ação social, comunicação intersubjetiva e social, ou seja, por meio de uma mudança histórica. A entrada de Habermas para o palco do debate pós-moderno no início de 1980 representou a defesa de esquerda muito atrasada do modernismo e do ataque ao que Habermas vê como o antimodernismo destrutivo para Lyotard, Foucault, e outros. Assim, seu argumento básico é que o projeto emancipatório da modernidade não deve ser abandonado e sim, resgatado por meio da racionalidade comunicativa (Tewdwr-jones e Allmendinger, 1998).

Nesse sentido, a teoria da ação comunicativa de Habermas pretende resgatar na sociedade moderna a dimensão da razão comunicativa, afirmando que a sociedade é composta por sujeitos com capacidade de interação e de realizar acordos racionais. Diante disso, caminha-se de uma razão instrumental para uma razão comunicativa, pautada na relação sujeito-sujeito.

Portanto, esse estudo tem como objetivo responder a seguinte questão: Como a racionalidade comunicativa tem sido abordada na literatura internacional? Assim, pretende-se analisar como a racionalidade comunicativa, e mais precisamente, a teoria da ação comunicativa, tem sido abordada na literatura internacional. Com isso, realiza-se um levantamento de artigos na base Web of Science, para, posteriormente, analisa-los por meio de uma revisão bibliométrica.

O artigo é composto por essa introdução, por uma revisão teórica sobre a teoria da ação comunicativa de Jürgen Habermas. Posteriormente, apresentam-se os procedimentos metodológicos e no item quatro, as evidencias do conceito de ação comunicativa na literatura internacional são destacadas. Por último, são apresentadas as considerações finais, abordando toda análise realizada a partir dos dados coletados nessa pesquisa bibliométrica.

2. Referencial teórico

2.1 Racionalidade Comunicativa em Habermas: uma abordagem geral

Jürgen Habermas, ao apresentar a teoria da ação comunicativa, propõe uma distinção entre razão comunicativa, pautada pela busca de um consenso por meio do diálogo, e razão instrumental, baseada no poder e no dinheiro, reproduzindo o mundo material. Em uma situação comunicativa, onde o objetivo é chegar a um consenso, exige-se um nível mínimo de reciprocidade de capacidade comunicativa para questionar e alcançar pretensões de validade em um diálogo.

Nesse sentido, de acordo com Tenório (2008) e diante dos modelos de racionalidades propostas - a racionalidade instrumental, que visa alcançar objetivos pré-fixados, tendo um viés instrumentalista da ação social; a racionalidade substantiva, que analisa a percepção individual-racional – a racionalidade comunicativa seria encarada como a solução para as lacunas e divergências entre a racionalidade instrumental e substantiva, tendo como base a interação dialógica e intersubjetiva entre os atores de determinado grupo ou organização, em um processo de tomada de decisão burocrático, participativo e mediado diante do consenso.

Sendo assim, Jürgen Habermas, por meio da Teoria da Ação Comunicativa (TAC) estabelece formas de comunicação por meio da linguagem e de acordo com essa teoria, a evolução da linguagem está diretamente relacionada com a da sociedade e como consequência, das relações sociais (GONÇALVES, 1999).

Andrews (2011) afirma que para Habermas a racionalidade pode ser analisada como uma forma de compreender o processo pelo qual os indivíduos adquirem e usam o conhecimento e não como possuem esse conhecimento, sendo a racionalidade entendida como o processo pelo qual o conhecimento é testado. Nesse sentido, Rochlitz (2005) corrobora ao afirmar que a racionalidade é tratada por Habermas por meio da teoria da ação comunicativa, sendo as características da linguagem e da ação social como um conjunto de formas de racionalidade que não se fundamentam em uma ideia de meios para alcançar os fins, mas sim, sobre a possibilidade da crítica e da justificação recíprocas.

Assim, Andrews (2011) afirma que um indivíduo é considerado racional se: suas afirmações são consistentes com fatos e se as ações produzem resultados esperados no mundo objetivo; suas ações são consideradas compatíveis com as normas sociais; suas expressões simbólicas são compreensíveis e, se o indivíduo está livre do autoengano que guie suas ações. Com isso, o indivíduo racional atua de acordo com o conhecimento que foi adquirido e testado no mundo objetivo e para que qualquer reinvindicação de validade possua um status de verdade é necessário que todos os participantes envolvidos em determinada situação aceite.

Tendo em vista a relação teórica que Habermas realiza ao abordar os conceitos de racionalidade e legitimidade, o autor compreende que a ação comunicativa configura-se como meio, e a legitimidade é vista como o fim do processo de entendimento mútuo no mundo social (Andrews, 2011). Assim, a autora corrobora:

Habermas fundamenta a racionalidade no pragmatismo formal, argumentando que a racionalidade depende do sentido intersubjetivo sobre fatos, normas e estados subjetivos. Mais do que isso: o sentido é alcançado por meio de um processo de validação de reivindicações de validade. (Andrews, 2011, p. 50).

De acordo com Andrews (2011), somente quando os indivíduos participantes de um discurso buscam o entendimento mútuo é que se torna possível julgar uma reivindicação de validade, ou seja, a racionalidade só é possível quando se busca esse entendimento mútuo e quando os atores compartilham o mesmo sentido das expressões simbólicas da linguagem. Essas reivindicações de validade só podem ser aceitas a partir de três condições: verdade, adequação normativa e compreensibilidade por todos os participantes do discurso.

Assim, Marques (2009) afirma que o diálogo exerce um papel importante por permitir aos participantes diferentes pontos de vista do debate com o objetivo de que esses se coloquem sempre no lugar dos outros que estão em discussão e àqueles que não puderam/tiveram oportunidade de estar. De acordo com a autora, o diálogo, para que aconteça de fato, deve assegurar a liberdade e igualdade entre os indivíduos e deve permitir que os argumentos racionais sejam sustentados, tendo os indivíduos a possibilidade de convencer os outros e serem convencidos na busca pelo consenso.

Guimarães e Amorim (2013) também abordam a importância da liberdade de expressão para a racionalidade comunicativa ao proporem a superação do impasse dialógico, em que a liberdade de expressão é vista como parte da construção de um conceito, de uma linguagem da liberdade e de uma gramática que possibilite desenvolver e realizar a crítica e superar esse impasse dialógico.

Segundo Cohn (1993), para Habermas, o consenso advindo de um processo dialógico é um pressuposto do discurso e não uma meta, isso porque o consenso não pode ser definitivo. Portanto, o que se torna fundamental é a orientação para o entendimento mútuo que se torna possível se os atores envolvidos assumirem a possibilidade do consenso.  É importante observar que a “situação ideal do discurso” exige igualdade dos participantes, sendo que nesse discurso não é permitido a utilização da posição de poder para convencer as pessoas e exigir que sua visão seja aceita, sendo considerada apenas o conteúdo que envolve esse discurso.

Em sua teoria da Ação Comunicativa, Habermas (1987) apresenta dois ambientes de relações humanas apoiados nas interações sociais criadas diante dos objetivos coletivos e do que meio em que situa. O primeiro é conhecido como o “mundo da vida” regido pelas leis universais e interações espontâneas entre indivíduos, tendo como objetivo a troca de informações na busca por consensos. Sendo assim, Habermas (2012b, p. 218) afirma que o mundo-da-vida "[...] constitui um conceito complementar ao do agir comunicativo".

No segundo ambiente, as comunicações são baseadas na “ação estratégica” e o ambiente é constituído pelo poder (sistema político) e moeda (mercado). O ouvinte e o agente da fala possuem uma relação de desigualdade, sendo que um detém o domínio sobre o outro, pois o profissional está inserido no mercado e exige ações estratégicas (Almeida, 2005).

Habermas (1984) observa a vida moderna como uma tensão entre a racionalidade instrumental e comunicativa. Tenório (2004) afirma que a diferença entre essas racionalidades se deve ao fato de que o primeiro se desenvolve a partir de uma mediação entre a prática e a teoria e o segundo por meio de diálogo entre os atores sociais. De acordo com Machado de Melo et al. (2007), a interação entre sujeitos por meio do diálogo é mediada pela linguagem e ocorre dentro de um mundo da vida, entendido como um conjunto de saberes pré-teóricos e implícitos, e que, quando compartilhados pelos participantes, formam o ambiente da situação que vivenciam e proporcionam os recursos utilizados para que ocorra um entendimento em determinada situação e assim, relações intersubjetivas são estabelecidas e então mediadas pela linguagem, garantindo ações coletivas e coordenadas cooperativamente.

Habermas (1987) afirma que a comunicação mediada pela fala entre os sujeitos, aborda sempre o mundo objetivo (as coisas), o mundo social (normas e instituições) e o mundo subjetivo (experiências pessoais). Para satisfazer essas três esferas de mundo da realidade social, Habermas (1994) conceitua quatro pretensões de validade do ato da fala, sendo: a veracidade, cujo falante deve referir a algo verdadeiro no mundo; a sinceridade, cujo falante pode fazer-se conhecer suas intenções verdadeiras ao dizer algo; a retidão, onde as normas a que a ação está atendendo são legítimas; e a inteligibilidade, em que o falante e ouvinte chegam ao entendimento.

Dessa forma, as ações comunicativas proporcionam um consenso racional motivado, mediado por meio da fala cujos interlocutores se tornam participantes. Sendo assim, “o argumento é a razão que motiva os participantes a reconhecer as pretensões de validade de uma afirmação ou de uma norma, sendo a força do melhor argumento a motivação racional” (Habermas, 1984, p. 140).

Ao se entenderem entre si, os participantes da ação comunicativa reproduzem e modificam a cultura ao coordenarem de forma linguística a ação; reproduzem lealdades por incorporar valores sociais e desenvolver habilidades, sendo assim, a ação comunicativa tem as funções de reproduzir a cultura, ou seja, reproduzir e renovar o saber válido; deve garantir integração social e produzir a solidariedade e, portanto, a estabilidade das ordens sociais e promover, com isso, os processos de socialização ao formar sujeitos capazes da fala e da ação (Machado de Melo et al. 2007).

Com as ações de comunicação pautadas pela racionalidade comunicativa, abre-se um enorme espaço nas sociedades modernas para coordenar processos sociais, como por exemplo, a socialização, integração social e a socialização (Nogueira, 2007).

Portanto, Habermas aborda que a racionalidade também pode ser testada diante das ações dos indivíduos, ou seja, o conceito de ação comunicativa se refere à coordenação mútua da ação pelos atores sociais. Nesse sentido, é preciso observar que a ação comunicativa não é sinônimo de ação coletiva. Habermas (1993) afirma que a ação coletiva não leva necessariamente a um entendimento mútuo, pois a ação coletiva estratégica induz a ação de indivíduos sobre seus objetos e isso não significa que estão em concordância com a determinada ação, estando em controvérsia com a ação comunicativa que só se estabelece em relação sujeito-sujeito.

Nesse sentido, Andrews (2011) afirma que o que diferencia a ação comunicativa de outros tipos de ação é a harmonização de ações, ou seja, a maneira que todos os atores envolvidos estejam de acordo com as consequências dessas ações perante todos os outros atores.

3. Procedimentos metodológicos

A pesquisa acadêmica é fundamentada em revisões teóricas consistentes, em que seja realizada uma análise crítica dos trabalhos publicados sobre um determinado tema. Por meio dessa análise é possível abordar o que já foi publicado sobre o tema, mapear os autores e o que já foi desenvolvido, possibilitando uma maior sustentação e firmeza na realização de novos trabalhos (Muniz Jr., Maia e Viola, 2011). Nesse sentido, o uso da bibliometria é útil para a área acadêmica e pesquisas científicas e contribui para a tomada de decisão na produção do conteúdo e do conhecimento de determinada área, tendo em vista o auxílio na organização e sistematização das informações tecnológicas e científicas (GUEDES e BORSCHIVER, 2005).

De acordo com Cunha (1985), a bibliometria é conceituada como um método de pesquisa que possibilita encontrar uma restrita quantidade de periódicos considerados essenciais que supõe-se possuir artigos relevantes sobre um determinado assunto. Price (1965) apresenta como função da bibliometria a análise de citações que buscam um conjunto de referências bibliográficas incluídas em publicações, quais artigos e autores possuem maior influência em determinada área temática, análise esta que será realizada nesse artigo sobre a racionalidade comunicativa.

A bibliometria utiliza-se de técnicas quantitativas para analisar a produção acadêmica por meio das citações, co-citações, autoria, coautoria, palavras-chaves, periódicos, crescimento e distribuição da bibliografia (Macias-Chapula 1998; Vanti 2002; Francisco 2011; Pinto et al. 2014). Sendo assim, a revisão bibliométrica foi escolhida por ser um método planejado que pretende responder a uma pergunta específica, e que permite a coleta, a seleção e a análise crítica de estudos. Em estudos bibliométricos, os artigos são analisados e disponíveis em um banco de dados. Portanto, nesta pesquisa, a pergunta norteadora é: Como a racionalidade comunicativa tem sido abordada na literatura internacional?

O levantamento de dados desta pesquisa partiu-se da base de dados do sistema Web of Science da Thomson Reuters e a utilização de uma única base se deve a padronização das publicações acadêmicas, possibilitando, assim, análises comparativas e também por possuir mais de 12 mil periódicos e 148 mil anais de conferências compreendendo as áreas de ciências, ciências sociais, artes e humanidades que permite a busca por pesquisas de alta qualidade e impacto nas áreas de interesse citadas acima e também realiza a ligação entre pesquisas relevantes utilizando as referências citadas e explorando as inter-relações de assuntos entre artigos que são estabelecidas pelos pesquisadores de determinada área (Pinto et al. 2014; Hassan et al. 2014; Liu et al. 2014.

Diante da relação existente entre os trabalhos mais importantes e os mais citados, o método bibliometria é usado para identificá-los em uma pesquisa. Sendo assim, por meio da escolha da base de busca, foram escolhidos os termos que seriam usados para realizar a pesquisa. “Na base escolhida, utilizamos os termos “communicative action”, “communicative logic”, communicative rationality”, “communicative act”. Estes termos deveriam constar no título do artigo. Após essa etapa, foram encontrados 158 artigos que abordam esses termos em seus títulos. Desses, foram escolhidos para a análise os dez artigos mais citados no período de 1945 a 2015.

Após essa etapa e a análise de cada um dos dez artigos, o CiteSpace foi utilizado para construir redes da produção acadêmica, que tem como objetivo identificar tendências, crescimento das publicações, colaboração entre países, autores e citação de referências e periódicos (Chen 2004, 2006; Liu 2013; Barbosa e Reinert 2014).

Neste estudo, as redes foram utilizadas para visualizar o campo de publicações e suas principais tendências, por meio de tabelas e figuras que apresentam a racionalidade comunicativa em literatura internacional a partir da: análise dos artigos mais citados, análise de autoria, análise do volume das publicações, análise dos periódicos, país de origem dos artigos e análise das palavras-chaves e estudo das relações.

4. Resultados e discussão: Aspectos bibliométricos

Diante da coleta de dados realizada na base de dados Web of Science, os artigos mais citados dentre os 158 encontrados são: Risse (2000), Innes (1995), Bavelas et al. (1986), Tewdwr-Jones e Allmendinger (1998), Innes (2004), Risse (2004), Kim e Kim (2008), Yuthas, Rogers e Dillard (2002), Grin e VandeGraaf (1996) e Brown (2008). Os artigos estão dispostos na Tabela 1 abaixo:

Tabela 1: Artigos mais citados da busca

Título

Autores

Ano

Citações

Let's argue!'': communicative action in world politics

Risse, T.

2000

641

planning-theory emerging paradigm - communicative action and interactive practice

Innes, J.E.

1995

254

I show how you feel – Motor mimicry as a communicative act

Bavelas, J.B.; Black, A.; Lemery, C.R; Mullet, J.

1986

176

Deconstructing communicative rationality: a critique of Habermasian collaborative planning

Tewdwr-Jones, M; Allmendinger, P.

1998

108

Signal crimes and signal disorders: notes on deviance as communicative action

Innes, M.

2004

97

Global governance and communicative action

Risse, T.

2004

78

Theorizing dialogic deliberation: Everyday political talk as communicative action and dialogue

Kim, Joohan; Kim, Eun Joo

2008

43

Communicative action and corporate annual reports

Yuthas, K; Rogers, R; Dillard, J.F.

2002

41

Implementation as communicative action - An interpretive understanding of interactions between policy actors and target groups

Grin, J; VandeGraaf, H

1996

36

Trusting in the New NHS: instrumental versus communicative action

Brown, Patrick R.

2008

35

Fonte: Elaborado pelos autores.

Risse (2000) aborda em seu artigo um novo modo de interação e de ação social que vem sendo ignorado no debate das relações internacionais dos EUA entre a escolha racional e o construtivismo social, ou seja, além da racionalidade instrumental e de um comportamento de normas, o autor propõe um terceiro modo de ação social: discutir e deliberar sobre a validade inerente a qualquer declaração comunicativa sobre identidades, interesses, e o estado do mundo, possibilitando aos atores envolvidos, uma abertura a persuasão, desafios e dificuldades em se chegar a um consenso fundamentado.  Para isso, Risse (2000) utiliza a teoria crítica da Racionalidade Comunicativa de Jürgen Habermas e afirma que esta possibilita conceituar a lógica de argumentar e pode ser exercida para abordar questões empíricas na política mundial, como demonstrado já de antemão pelo título “Let's Argue!:Communicative Action in World Politics”. Com base no objetivo proposto pelo autor, esse artigo apresenta dois casos empíricos que ilustram como a argumentação fornece um mecanismo para a aprendizagem e normas de socialização em ambientes sociais, sendo que o primeiro refere-se às negociações que culminaram com o fim da Guerra Fria na Europa e com a unificação alemã no âmbito da NATO, e posteriormente, o autor observa e analisa os discursos públicos internacionais relativos à implementação interna das normas internacionais de direitos humanos em diversos países.

Diante de seu estudo, Risse (2000) conclui que as condições prévias para a racionalidade argumentativa e para o reconhecimento mútuo de alto-falantes como iguais em determinada relação considerada não-hierárquica são mais comuns em relações internacionais do que normalmente é assumido, pois as instituições internacionais permitem que os atores menos potentes (pequenos Estados ou atores não-estatais) possam construir modos de vida comuns por meio de narrativas realizadas durante as pré-negociações com o objetivo de estabelecer uma confiança mútua na autenticidade enquanto alto-falantes. Além da importância da racionalidade comunicativa apresentada pelo autor, esse artigo é relevante também por apresentar uma distinção clara entre as outras duas formas de racionalidades, evidenciando a importância da comunicativa para políticas internacionais, porém, é aplicável a diversos campos de análise. Tendo, portanto, a teoria da ação comunicativa de Habermas um papel fundamental no decorrer do artigo, Risse referenciou o autor da teoria por meio das seguintes obras: Theory Communicative Action Vol. 1 (1984); Philosophical Discourse of Modernity (1985); Structural change in public (1990); Facts and norms: Contributions to the discourse theory of law and the democratic rule of law (1992); e Responding to objections. In Habermas, preliminary studies and additions to the theory of communicative action (1995).

Innes (1995), em seu estudo realiza uma comparação entre o pensamento sistêmico do planejamento, em que os teóricos dessa abordagem, em sua maior parte, compartilham uma fé na racionalidade instrumental, tendo em vista as ideias de que a tecnologia e o conhecimento podem fazer o mundo funcionar melhor e que o planejamento pode ser uma ferramenta importante para o progresso social; e o pensamento comunicativo sobre o planejamento, em que o planejamento é mais do que tudo, uma atividade comunicativa interativa, sendo os planejadores atores no mundo e não apenas observadores. Segundo a autora, a ação comunicativa caracteriza-se como o paradigma emergente da teoria do planejamento, e por isso, Innes (1995) utiliza a teoria de Jürgen Habermas para demonstrar tal contexto.

Assim, a autora escolheu o termo ação comunicativa com o objetivo de caracterizar esse novo paradigma, tendo em vista a influência que o conceito possui ao confrontar diretamente as preocupações práticas e éticas sobre o conhecimento profissional. Após uma abordagem teórica sobre a perspectiva sistémica e comunicativa, Innes (1995) aborda uma experiência própria em que em uma determinada situação profissional, seu objetivo era descobrir como e em que circunstância as informações afetam as decisões, e como resultado, a autora concluiu que a informação é socialmente construída na comunidade onde ela é usada e a ação, muitas vezes, ocorreu uma vez que houve um acordo sobre o indicador e um entendimento comum do problema analisado. Diante desse confronto entre dois paradigmas e da importância que a racionalidade comunicativa possui em planejamentos, a autora referencia Habermas, porém cita apenas a Theory Communicative Action Vol. 1 (1984) como referencia do autor que, por meio de sua teoria, possibilita a emergência de um novo paradigma.

O terceiro artigo mais citado é de autoria de Bavelas et al. (1986) que tem como objetivo saber se o mimetismo é o resultado do sentimento elevado (como Darwin implícita) ou o resultado de uma intenção de se comunicar esse sentimento claramente para outro. De acordo com os autores, o mimetismo motor tem uma função social e não é apenas um comportamento não verbal, mas também uma comunicação não verbal, ou seja, seria um ato comunicativo e interativo compartilhado de tal forma a transmitir informações. Apesar de apresentar a comunicação como elemento importante, como pode ser observado, de início, pelo título “I Show How You Feel: Motor Mimicry as a Communicative Act” e no decorrer do texto, os autores não referenciaram a obra de Habermas em nenhum momento. Dessa forma, compreende-se que o artigo é um dos mais citados sobre a comunicação, mas não perante a racionalidade comunicativa que Habermas aborda.

O quarto artigo mais citado de Tewdwr-Jones e Allmendinger (1998) aborda uma questão interessante, tendo em vista o fato de a pesquisa criticar a racionalidade comunicativa quando aplicada ao planejamento colaborativa. De acordo com os autores, as críticas diante da racionalidade comunicativa devem-se ao dilema de analisar como os valores comuns podem ser forjados e aplicados em diferentes campos e jogos de poder, sendo caracterizada pelos autores como idealista e utópica. Tewdwr-Jones e Allmendinger (1998), para analisarem a teoria e a criticarem utilizaram como base a Theory Communicative Action Vol. 1 (1984) de Habermas.

Innes (2004) aborda em seu estudo os “crimes de sinal” que tem como objetivo desempacotar as relações existentes entre experiências de crime e desordem e as percepções de risco criminógenas. Essa ideia desenvolvida pelos autores incide sobre os processos de reação social e as formas em que as pessoas analisam e definem ameaças à sua insegurança. É uma lógica que tem se mostrado profundamente influentes sobre configurações de políticas públicas recentes, pois o medo do crime tem sido uma das ideias e preocupações dos últimos tempos mais influentes. A autora menciona no título do trabalho que a ação comunicativa será abordada, como de fato aconteceu, porém a autora não aborda as obras de Habermas, nem mesmo a que trata do referido tema. Assim, Innes (2004), ao optar por essa abordagem, afirma que a perspectiva de crimes de sinal interpreta comportamentos criminosos e antissociais como formas de ação comunicativa que são interpretados por indivíduos e coletivos como indicadores sobre níveis de segurança, risco e perigo. Ou seja, a ação comunicativa é analisada no decorrer do texto como uma abordagem que ajuda a explicar como e por que as pessoas apresentam essa preocupação sobre formas de desordem, e por que é que alguns incidentes assumem um significado profundo na formação da vida da comunidade.

Risse (2004) propõe discutir como a discussão e o agir comunicativo configuram-se como ferramentas importantes para modos de direção não-hierárquicas na governança global, ou seja, a autora discute como a discussão e processos deliberativos afetam a fixação de regras de implementação de processos de governança global. Nesse sentido, Risse (2004) cita Jürgen Habermas e sua teoria da ação comunicativa com o enfoque sobre a democracia deliberativa, tendo em vista o fato da argumentação e a persuasão estarem diretamente ligadas ao debate sobre a legitimidade da governança global. Porém, a autora afirma que devem ser abordadas as soluções institucionais na governação global para aumentar a qualidade da deliberação de enfrentar obstáculos de tomada de decisão e pra isso, no fim do artigo, a autora sugere que é o contexto social e institucional e não as motivações individuais que determinam se a discussão e a ação comunicativa podem exercer influência sobre os sistemas de negociação. Para abordar essa questão, Risse (2004) referencia Habermas a partir de suas obras:  Theory Communicative Action Vol. 1 (1984) e Facts and norms: Contributions to the discourse theory of law and the democratic rule of law (1992).

Kim e Kim (2008) abordam no estudo a democracia deliberativa a partir de dois níveis de deliberação: uma é a deliberação instrumental, uma ferramenta processual, pelo qual as pessoas negociam e tomam decisões; e o outro é a deliberação dialógica, ou o diálogo, por meio do qual as pessoas constroem o conceito do eu e do outro, o sentido de comunidade, e a razão pública. Para tal, os autores baseiam-se na teoria da ação comunicativa de Habermas, no conceito de diálogo de Buber e na teoria de Giddens da estruturação e propõem a conversa informal e não intencional como forma da prática de deliberação dialógica, sendo, portanto, a base fundamental da democracia deliberativa, pois a conversa política cotidiana possibilita aos cidadãos a construção de suas identidades, o alcance do entendimento mútuo, a produção de razão pública, a formação de opiniões consideradas, e a produção de regras e recursos para a democracia deliberativa. Nesse artigo, observa-se que as bases teóricas de Habermas são utilizadas de forma significativa e são consideradas influentes na análise do artigo, pois os autores utilizam as seguintes obras: Theory Communicative Action Vol. 1 (1984); The structural transformation of the public sphere: An inquiry into a category of bourgeois society (1989); The public sphere (1991); Between facts and norms:Contributions to a discourse theory of law and democracy (1996); Concluding comments on empirical approaches to deliberative politics (2005) e; Political communication in media society: Does democracy still enjoy an epistemic dimension? The impact of normative theory on empirical research (2006).

Yuthas, Rogers e Dillard (2002) discutem no artigo uma tentativa inaugural de investigar as características éticas do discurso encontradas nos relatórios anuais das empresas por meio de princípios da ação comunicativa de Habermas. Dessa forma, o estudo representa uma tentativa inicial de operacionalização dos princípios da ação comunicativa de Habermas e de empregar uma metodologia que facilita a sua aplicação a pesquisa dentro de um contexto de negócios. Para análise dessa pesquisa, os autores realizaram uma pesquisa empírica com essas empresas e como resultado observou-se que as empresas esperam boas e más surpresas de ganhos e exibem um nível mais elevado da ação comunicativa do que uma empresa média composta. Assim, os resultados sugerem que as empresas antecipando suas surpresas com ganhos, alto ou baixo, usam a parte narrativa do relatório anual como um veículo em que a comunicação de informações caracteriza-se com veracidade e fidedignidades administrativas, bem como a posição financeira da empresa. Para desenvolver o estudo de forma consistente com o objetivo proposto, os autores utilizam três obras de Habermas, sendo: Theory Communicative Action Vol. 1 (1984); Theory Communicative Action Vol. 2 (1987) e; Moral Consciousness and Communicative Action (1990).

O nono artigo foi desenvolvido pelos autores Grin e VandeGraaf (1996) com o propósito de apresentar um modelo para a implementação da política com base na ação comunicativa entre atores políticos e seus grupos-alvo. Os autores identificaram objetos para essa implementação e apresentaram uma descrição dos decisores políticos, implementadores e grupos-alvo como atores cujo comportamento é guiado por quadros profissionais de significado. Posteriormente, Grin e VandeGraaf (1996) tentaram lançar alguma luz sobre a forma como estes quadros de significado de comportamento de atores são guiados, como esse comportamento pode ser influenciado através da aprendizagem, e sobre as várias condições sob as quais os tipos de aprendizagem são mais ou menos provável de ocorrer. Neste artigo, a ação comunicativa é utilizada no decorrer do texto, porém os autores não apresentam como referência as obras de Habermas.

Brown (2008), em seu estudo, analisa a abordagem adotada pelos decisores públicos do Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido, com base na concepção instrumental de confiança que é predominante no país. Com isso, o autor discute as premissas e as limitações da racionalidade instrumental e diante disso, propõe uma compreensão comunicativa de confiança como alternativa. Assim, a racionalidade comunicativa de Habermas é utilizada como forma de resgatar a confiança e a relação paciente-médico e a prestação de cuidados de saúde mais justos. Para tanto, o autor utiliza algumas bases teóricas de Habermas para embasar sua análise, como: Toward a Rational Society: Student Protest, Science and Politics (1971); Theory and Practice (1974); Legitimation Crisis (1975) e; Theory Communicative Action Vol. 2 (1987).

Após essa análise dos artigos, a Figura 1 a seguir aborda a análise das categorias e permite observar como a racionalidade comunicativa é utilizada de forma multidisciplinar, sendo utilizada pela psicologia, estudos urbanos, administração pública, entre outras. Insta ressaltar que as categorias que mais utilizam racionalidade comunicativa (e os termos correlatos da busca) são: social science, philosophy, sociology, businnes & economics e public administration.

Figura 1: Categorias da WebOfScience – time zone
Fonte: Elaborado pelos autores.

O primeiro artigo da busca aparece na categoria Psychology, conforme se observa na figura 1. É o trabalho de Ronald Penny (1958) “Age and Sex Differences in Motivational Orientation to the Communicative Act”. Penny (1958) e destaca que os participantes de uma comunicação buscam sempre fazer inferências sobre a motivação do interlocutor. Ou seja, buscamos sempre entender as orientações motivacionais de nosso interlocutor. Ademais, destaca que uma comunicação interpessoal envolve a interação de forças sociais e individuais. Através de pesquisa empírica com crianças e adolescentes Penny (1958) mostra que as orientações motivacionais mudam entre as idades de 12 e 17 anos e esta mudança ocorre de forma diferente (em idades diferentes) para homens e mulheres. O autor mostra que com o avançar da idade nossa orientação motivacional tende a passar de narcisista (onde os participantes da comunicação buscam chamar atenção para si próprio) para uma orientação informacional (onde os participantes buscam conversar sobre diversos assuntos e pessoas).

O primeiro artigo da categoria Business & Economics é o trabalho de Janson, Woo e Smith (1993) “Information systems development and communicative action theory”. Os autores argumentam que sistemas de informação podem ser aprimorados através da relação/comunicação entre desenvolvedores e usuários. Segundo os autores, “estudos recentes indicam que mais de 50% dos profissionais consideram que o envolvimento e a participação ativa dos usuários são os principais fatores na construção de um sistema de informação” (Janson; Woo; Smith, 1993, p. 60, trad. nossa). Os autores utilizam Habermas para destacar os atos de fala e os aspectos performativos da linguagem. A teoria dos atos de fala ressalta que comunicar é um ato, ou seja, ao proferir uma sentença o orador “faz algo” (promessa, compromisso, expressa sentimentos, efetua uma mudança, solicitação, entre outros) (Janson; Woo; Smith, 1993).

O primeiro trabalho da categoria Public Administration é o artigo de Judith Innes (1995) “Planning Theory's Emerging Paradigm: Communicative Action and Interactive Practice”. Nele a autora destaca a importância da conversa entre diferentes autores para a construção de um paradigma. Neste sentido, destaca que os teóricos que trabalham com a teoria da ação comunicativa referenciam um conjunto de teóricos. Ademais, estes teóricos utilizam diversos métodos de investigação e padrões de evidência (Innes, 1995). Nesse sentido, “os teóricos da ação comunicativa são diversos, aprofundam-se em muitas questões de prática e usam uma variedade de lentes de intelectuais” (Innes, 1995, p. 184, trad. nossa). A autora destaca que “como qualquer novo paradigma, a abordagem da ação comunicativa é atraente porque responde a perguntas irrespondíveis nos pensamentos anteriores. Ao mesmo tempo, levanta novas questões que não pode responder e estabelece o cenário para a próxima geração de pesquisadores” (Innes, 1995, p. 183, trad. nossa).

Diante dos dez artigos encontrados na base Web of Science, a Tabela 2 abaixo relata quais foram às revistas utilizadas para o desenvolvimento da coleta de dados dessa pesquisa e quantas pesquisas sobre racionalidade comunicativa foram encontradas em cada periódico. A revista Journal of Planning Education and Research teve o maior número de artigos nessa busca, apresentando seis artigos publicados sobre o tema. É publicada trimestralmente com revisão por pares e configura-se como um fórum para o planejamento de educadores e estudiosos (da academia e da prática) para apresentar os resultados de ensino e pesquisa que promovam a profissão e melhorar a prática de planejamento. A revista abrange a teoria de planejamento, prática de planejamento e planejamento de pedagogia, bem como disciplinas desenhadas em cima pelos planejadores como a geografia urbana, economia de bem-estar, a política de grupos de interesse, e análise de políticas. As demais revistas apresentam o mesmo número de artigos e tratam de temas como: discurso filosófico internacional, Teoria da comunicação, Comunicação, Cultura e crítica, Pesquisa da Comunicação Humana, Cultura de massa, Cinema e outros meios de comunicação, Política e teoria social, entre outros, revelando a abrangência da utilização do conceito de racionalidade comunicativa.

 Tabela 2: Periódicos que mais publicaram

Periódico

Número de Artigos

Journal of Planning Education and Research

6

Deutsche Zeitschrift fur Philosophie

3

Journal of Communication

3

New German Critique

3

Philosophy Social Criticism

3

Voprosy Filosofii

3

Zeitschrift fur Philosophische Forschung

3

Fonte: Elaborado pelos autores.

O periódico Journal of Planning Education and Research, além de ser o que mais possui pesquisas sobre racionalidade comunicativa, também conta em suas edições com o segundo artigo mais citado da nossa busca “lanning Theory's Emerging Paradigm: Communicative Action and Interactive Practice”.

É importante ressaltar que alguns dos periódicos aqui analisados possuem um fator de impacto considerado excelente, como por exemplo Journal of Communication (3,16), New German Critique (1,803), Journal of Planning Education and Research (1,196).Em contrapartida, dois periódicos possuem o fator de impacto considerado baixo, sendo Deutsche Zeitschrift fur Philosophie (0,062) e Philosophy Social Criticism (0,158).

A Figura 2 aborda as obras mais citadas nos artigos analisados. É notório que as obras mais citadas são a de Habermas, justamente pelo fato de ser ele o autor da teoria da racionalidade comunicativa. Como termo central da pesquisa, Theory Communicative Action Vol. 1 (1984) é citada em quase todos os artigos sob diferentes perspectivas. Nesse sentido, a maioria dos estudos citam as obras de Habermas, sendo estas as obras mais citas: Theory Communicative Action Vol. 2 (1987); Communication and the Evolution of Society (1979); The Philosophical Discourse of Modernity (1987); Structural Change in Public (1990); Facts and norms: Contributions to the discourse theory of law and the democratic rule of law (1992); Responding to objections: In Habermas, preliminary studies and additions to the theory of communicative action (1995); The structural transformation of the public sphere: An inquiry into a category of bourgeois society (1989); The public sphere (1991); Between Facts and Norms: Contributions to a Discourse Theory of Law and Democracy  (1996); Concluding comments on empirical approaches to deliberative politics (2005); Political communication in media society: Does democracy still enjoy an epistemic dimension? The impact of normative theory on empirical research (2006).

Apesar das obras de Habermas prevalecerem nos artigos analisados, outras obras também foram referenciadas: Planning in the face of power (1990) do autor Forester, J.; Critical Theory Of Jürgen Habermas (McCarthy, 1978) e The Recent Work Of Jürgen Habermas (White, 1988).

Figura 2: Obras mais referenciadas.
Fonte: Elaborado pelos autores.

Após a abordagem das obras mais citadas nos artigos selecionados, a Figura 3 demonstra que o autor mais citado nos artigos abordados nessa pesquisa bibliométrica é Jürgen Habermas, como também relatado nas obras mais citadas. Porém outros autores também foram abordados no desenvolvimento das pesquisas, sendo: Mccarthy T.; Giddens A.; Forester J.; Weber M.; Healey P.; Innes J.E; Foucault; Austin J. L; White S.; Benhabib S.; Rorty R.; Apel K.O.; Elster J.; e Dewey J. Isso deve-se ao fato da teoria da ação comunicativa ser abordada em diversas áreas e campos de pesquisas empíricas e teóricas, cujos autores são comparados e/ou complementados com o Habermas.

Figura 3: Autores mais citados.
Fonte: Elaborado pelos autores.

Na figura 4 é possível observar as palavras-chave mais utilizadas. Observa-se que estas estão relacionadas com o conceito de democracia deliberativa de Habermas. A democracia exige participação e pode ser entendida como a passagem do poder comunicativo (oriundo do mundo da vida) em poder administrativo. O poder comunicativo, por sua vez, está relacionado com a racionalidade comunicativa que permeia os processos de discussão e comunicação cotidianas. Neste sentido, a legitimidade das decisões está ancorada em processos comunicativos.

a democracia deliberativa advoga que a legitimidade das decisões políticas advém de processos de discussão que, orientados pelos princípios da inclusão, do pluralismo, da igualdade participativa, da autonomia e do bem-comum, conferem um reordenamento na lógica de poder tradicional. (Luchmann, 2007, p. 143).

Figura 4: Palavras-chave mais citadas.
Fonte: Elaborado pelos autores.

Em relação aos países, observa-se (Figura 5) que grande parte dos trabalhos (40) foram produzidos nos EUA. Observa-se, ainda, que os EUA fazem redes com Holanda, Itália, Lituânia, Cingapura e Canadá. Isto significa que pesquisadores de universidades norte-americanas estão produzindo em parceria com pesquisadores de universidades de outros países. O primeiro trabalho publicado nos EUA é o artigo de Leonard Hawes (1976) “How writing is used in talk: a study of communicative logic-in-use”. Em seu trabalho Hawes destaca como a pragmática da conversação tem sido muito estudada, entretanto poucos estudos estão preocupados em analisar como a fala funciona socialmente, ou seja, a linguagem como ação. O autor busca demonstrar como membros de organização utilizam documentos escritos como recursos para falar. O autor sugere observar as organizações como “comunidades de fala” (speech communities). Segundo o autor, os membros das organizações podem usar documentos de diversas maneiras: para esclarecer as políticas, para repreender empregados, para     encobrir erros, etc. A Inglaterra também possui um grande volume de publicações (13) e conta com o quarto artigo mais citado, o trabalho de Tewdwr-Jones e Allmendinger (1998).

O Brasil apresenta quatro trabalhos, a saber: A teoria da ação comunicativa como paradigma para a formação ética dos profissionais da Educação Física (Ahlert, 2008); Habermas: da análise da Öffentlichkeit ao projeto de uma "teoria do agir comunicativo" (Ferraz, 2010); Educação no Trabalho na Atenção Primária à Saúde: interfaces entre a educação permanente em saúde e o agir comunicativo (Silva e Peduzzi, 2011); Política, gestão e participação em Saúde: reflexão ancorada na teoria da ação comunicativa de Habermas (Muller Neto e Artmann, 2012).

Figura 5: Frequência de artigos por países.
Fonte: Elaborado pelos autores.

5. Considerações finais

A "teoria crítica” tornou-se uma passagem obrigatóriapara os intelectuais contemporâneos que se dedicam a estudar diversos temas, como por exemplo, a racionalidade na sociedade moderna e as relações entre a ciência e o desenvolvimento social (Serva, 1997).  Diante disso, o tema “ação comunicativa” tem sido analisado e explorado por pesquisas empíricas há vinte e três anos em cerca de trinta artigos internacionais. A teoria da ação comunicativa é abordada a partir de uma análise multidisciplinar, pois relaciona-se com áreas, como: psicologia, estudos urbanos, administração pública, entre outras, abordando como categorias que mais utilizam racionalidade comunicativa (e os termos correlatos da busca), social science, philosophy, sociology, businnes & economics e public administration.

Analisando os periódicos encontrados a partir da coleta de dados, nota-se uma pequena quantidade de periódicos que publicaram artigos sobre a Racionalidade Comunicativa, sendo que apenas o primeiro periódico publicou mais que três artigos sobre o tema. Apesar do pequeno número de periódicos, alguns destes apresentam o fator de impacto bem relevante, como é o caso do Journal of Communication (3,16), New German Critique (1,803) e Journal of Planning Education and Research (1,196).

A partir da análise de todas as referências utilizadas para desenvolver os artigos, as obras de Habermas foram as mais citadas, sendo que algumas destas se destacaram por serem citadas mais vezes, tornando-as essenciais para o desenvolvimento de estudos que abordam como tema central a “racionalidade comunicativa”. Dessa forma, os dois volumes da obra “A teoria da ação comunicativa” são consideradas as referências mais relevantes, pois sintetizam de forma clara os objetivos e conceitos da teoria. Porém, a partir da análise dos dez artigos mais citados, observou-se que três desses artigos não citam as obras de Habermas, sendo que utilizam o conceito no decorrer dos textos, sendo, portanto, o artigo de Bavelas et al. (1986) o terceiro mais citado, o quinto artigo mais citado do autor Innes (2004) e do nono artigo mais citado de autoria de Grin e VandeGraaf (1996).

Tendo em vista o fato das obras de Habermas terem sido as mais utilizadas nos artigos, o autor também foi o mais citado entre diversos autores abordados nas pesquisas, devido a possibilidade da teoria da ação comunicativa ser abordada em diversas áreas e campos de pesquisas empíricas e teóricas. Já em relação aos países, grande parte dos trabalhos (40) foram produzidos nos EUA, o que demonstra que pesquisadores de universidades norte-americanas estão produzindo em parceria com pesquisadores de universidades de outros países. Porém, o Brasil apresenta apenas quatro trabalhos, necessitando, portanto, de maiores pesquisas e abordagens da racionalidade comunicativa no contexto brasileiro.

Ao analisar as palavras-chave mais citadas nos artigos, observa-se que estas estão relacionadas com o conceito de democracia deliberativa de Habermas. Isso é evidenciado devido ao fato da democracia exigir a participação e ser entendida como a passagem do poder comunicativo em poder administrativo, tendo em vista a relação existente entre a racionalidade comunicativa que permeia os processos de discussão e comunicação cotidianas. Neste sentido, a legitimidade das decisões está ancorada em processos comunicativos.

Nesse sentido, a racionalidade comunicativa abordada nos estudos nos mostram que quando a prática discursiva é desenvolvida no grupo, seja ele de qualquer natureza, os indivíduos acabam se tornando conscientes e motivados a participar por acreditarem que conhecem o assunto, que possuem forma igualitária de participação e por acreditarem na validade da fala dos sujeitos envolvidos em decisões como um todo. Sendo assim, a emancipação dos indivíduos como objetivo final de Habermas, avança e abrange cada vez mais os indivíduos, buscando a concretização dessa prática em todos os níveis da sociedade.

Diante da relevância de pesquisas relacionadas ao termo “racionalidade comunicativa” na literatura internacional, nota-se a necessidade do tema ser ainda mais difundido e trabalhado, principalmente em artigos que abordam a racionalidade comunicativa, mas não referenciam Habermas e suas obras.

Como pretensões futuras, propõe-se que novos estudos sejam realizados com o objetivo de analisar como a racionalidade comunicativa tem sido tratada na literatura nacional, para, posteriormente, serem complementadas e/ou confrontadas com a literatura internacional.

Conforme sugere a pesquisa bibliométrica e a análise dos artigos, a ação comunicativa é tratada na teoria de Habermas e consiste na comunicação entre atores sociais, por meio de decisões baseadas pela razão e em busca de um entendimento mútuo e consensual, desenvolvidas em áreas diversas, como organizações com bases administrativas, organizações do setor público, na política mundial, em teorias do planejamento, na área de saúde, em assuntos de interesse público, como por exemplo, criminalidade, a conversa cotidiana, e em ambientes que permitam uma relação sujeito-sujeito. Colaborando com essa análise, Silva e Cruz (2004) afirmam que o sujeito, como membro de um grupo e, portanto, um ator social, participa do processo de comunicação em busca de uma compreensão mútua e consensual e, dessa forma, torna-se produto dos processos de aprendizagem e socialização que o molda.

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1. Universidade Federal de Lavras

2. Universidade Federal de Lavras

3. Universidade Federal de Lavras. Email: andrespurigarcia@gmail.com

4. Universidade Federal de Lavras

5. Universidade Federal de Lavras


Revista ESPACIOS. ISSN 0798 1015
Vol. 38 (Nº 11) Año 2017

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