ISSN 0798 1015

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Vol. 38 (Nº 09) Año 2017. Pág. 26

Empreendedorismo no setor de farmácias e drogarias de Santa Rosa/RS

Entrepreneurship in the sector of pharmacies and drugstores of Santa Rosa/RS

Claudio Edilberto HÖFLER 1; Bruna Gabriela WARMBIER 2; Lidiéli Neves dos SANTOS 3; Luiz Ariel de Oliveira TIBOLA 4; Marco Antônio da Costa MALHEIROS 5; Sérgio Guilherme SCHLENDER 6

Recibido: 09/09/16 • Aprobado: 29/09/2016


Conteúdo

1. Introdução

2. Embasamento teórico

3. Metodologia

4. Resultados e análises

5. Conclusões

Referências


RESUMO:

Este estudo teve por objetivo verificar o empreendedorismo predominante nas micro e pequenas empresas no setor farmácias e drogarias da cidade de Santa Rosa/RS, considerando o perfil do empreendedor, a viabilidade do negócio, bem como as particularidades do setor. Foi aplicado um questionário semiestruturado a 12 empreendedores do setor durante o mês de junho de 2016. Os estabelecimentos cujos proprietários foram entrevistados estão localizados em bairros e no centro da cidade. Visando dar profundidade a pesquisa foi utilizada no método de investigação às cinco forças de Porter (2004). Como resultados verificou-se que a maioria dos empreendedores investidores no setor são do sexo feminino. Muitos, ao decidir pela abertura do negócio, visualizaram como uma oportunidade de mercado. São 42 os estabelecimentos que comercializam medicamentos no município. A maioria dos empreendedores tem idade entre 25 e 40 anos com formação no ensino superior. Para a abertura do negócio houve a necessidade de investimentos de recursos financeiros, em média, de até R$ 100.000,00 por estabelecimento. Para manter-se no negócio há a necessidade da dedicação, persistência, comprometimento, atualização constante sobre novos produtos, novos procedimentos, legislações e especialmente controles e gestão do negócio.
Palavras-Chave: Empreendedorismo. Farmácias e Drogarias. Setor de Negócios.

ABSTRACT:

This paper had to verify the predominant entrepreneurship in micro and small companies in the pharmacies sector of the city of Santa Rosa / RS, considering the entrepreneurial profile, the viability of the business and the industry peculiarities. a semi-structured questionnaire was applied to 12 entrepreneurs in the sector during the month of June 2016. The establishments whose owners were  interviewed are located in neighborhoods and in the city center. Aiming to give depth research was used in the investigation method to the five forces of Porter (2004). As a result it was found that most investors entrepreneurs in the sector are female. Many, when deciding the opening of business, viewed as a market opportunity. There are 42 establishments that sell drugs in the city. Most entrepreneurs have aged between 25 and 40 with training in higher education. For the opening of the business was necessary investment funds on average, up to R $ 100,000.00 per establishment. To stay in business for the need for dedication, persistence, commitment, constant update on new products, procedures, laws and especially controls and business management.
Keywords: Entrepreneurship. Pharmacies and Drugstores. Sector Business.

1. Introdução

Nos últimos anos, a economia mundial se transformou e a globalização gerou mudanças que afetaram desde as grandes corporações até as micro e pequenas empresas. Segundo Sarturi et al. (2013), a busca por uma independência profissional resulta em um índice crescente no surgimento de novas empresas. Assim, as micro e pequenas empresas prestam contribuições singulares na economia. Geram novos empregos necessários para força de trabalho em crescimento (LONGENECKER et al., 1998).

O processo de empreender necessita de recursos financeiros e tecnológicos visando garantir sua continuidade e a sustentabilidade. No entanto, a competição acirrada faz com que as vantagens competitivas adquiridas são rapidamente assimiladas e implementadas pela concorrência.

Percebe-se que as pessoas ao empreenderem, fazem com que suas empresas se insiram no mercado a partir de uma oportunidade de negócio, ou talvez porque necessitam aumentar a renda familiar. Conforme Aidar (2007), a maioria dos negócios são constituídos pelas pessoas por necessidade, denominado também de empreendedorismo por necessidade, ou mesmo por falta de oportunidade no mercado de trabalho.

O ramo farmacêutico é um setor em crescimento no Brasil, ocupando um lugar de destaque na economia. Em muitas cidades este setor se assemelha com a abertura do número de padarias, bares e restaurantes. Segmento este, que com o passar do tempo tem agregado outros serviços além da venda única de medicamentos. Drogarias e farmácias desde os tempos mais remotos sempre foram um negócio em ascensão. Para Radaelli (2006) este setor tem muitas empresas centenárias com faturamento que supera US$ 20 bilhões, costuma parecer à primeira vista um ambiente fechado, dotado de inúmeras barreiras para impossibilitar o ingresso de pequenas empresas com recursos limitados.

Em decorrência do aumento do número de novos estabelecimentos que iniciam suas atividades, o mercado torna-se extremamente competitivo e cada vez mais são buscadas estratégias de sobrevivência. Diante disso, este estudo tem por objetivo realizar uma análise do ambiente e seus impactos na sobrevivência do negócio no segmento de farmácias e drogarias do município de Santa Rosa/RS.

2. Embasamento teórico

2.1 Micro e pequenas empresas

As micro e pequenas empresas são um dos principais pilares de sustentação da economia brasileira, quer pela sua enorme capacidade geradora de empregos, quer pelo infindável número de estabelecimentos desconcentrados geograficamente (KOTESKI, 2004).

Além disso, essas empresas estão presentes em todos os setores, bem como em todas as regiões do país. Longenecker et al. (1998, p. 43) destacam que “as pequenas empresas prestam contribuições singulares na nossa economia. Fornecem a todo momento uma parte de novos empregos necessários para uma força de trabalho que está em crescimento”.

O tipo de mercado que as pequenas empresas estão inseridas possuem peculiaridades em relação às demais. Contudo, para que ocorra sua sobrevivência neste mercado competitivo, Carvalho (2012) defende que a informação é o fator de sucesso para as pequenas empresas. Ainda na visão do autor, “a nova forma de gestão dos negócios, na qual a informação é o insumo básico para a tomada de decisão, significa a porta de entrada para o mundo de mercados globalizados”.

De acordo com o SEBRAE (2010), há duas maneiras de definir as Micro e Pequenas Empresas (MPEs): a primeira é pelo número de funcionários na empresa, até 9 colaboradores. A segunda entre 10 e 49 colaboradores. No setor industrial são consideradas microempresas aquelas com até 19 colaboradores, e como empresas de pequeno porte com 20 e 99 colaboradores. Outra forma de análise pode ser realizada pela receita. Para ser micro e pequena empresa devem apresentar um faturamento anual de até R$ 3.600.000,00.

Essa definição dá uma abordagem diferenciada ao analisar essas empresas, sobretudo

devido “a dimensão da organização para a micro e pequena empresa gera um enfoque totalmente particular, por possuírem seus próprios problemas, suas próprias limitações e seu próprio contexto social” (BILESSIMO, 2002, p. 27).

Estas empresas apresentam uma significância no ambiente dos negócios, pois somadas são grandes geradoras de empregos. Apresentam características peculiares e de acordo com a oscilação econômica são capazes de se adaptar à realidade.

2.2 Empreendedorismo

Desde os tempos mais remotos, o mercado de trabalho sempre foi dinâmico e desafiador. Uma prova disso é que em cada profissão ou segmento de trabalho as exigências estão cada vez mais acentuadas, demandando novas competências, exigindo das pessoas domínio e postura de novas atitudes.

Longenecker, Moore e Petty (2007) acreditam que para empreender, o profissional deve escolher algo em que possa ser criativo e inovador, levando assim a melhores resultados. De acordo com Timmons (1994), a ideia, produto desse processo criativo e inovador, é um instrumento na mão de um empreendedor, e que depende de quem a possui e como é utilizada para conseguir transformá-la em sucesso.

Empreender entende-se como o ato de substituir e inovar, produtos ou serviços, já existentes. Para Dolabela (2006) as pessoas nascem empreendedoras, sendo este um tema que não é novo, existe desde a primeira pessoa inovadora. Aidar (2007) salienta que o empreendedorismo existe desde as primeiras negociações e invenções da humanidade.

O empreendedor apresenta algumas características, sendo assim, alguns autores complementam estas afirmações. Schumpeter (1947) já defendia a visão de que empreendedores eram identificados como aqueles que fazem descobertas, são determinados, possuem diferentes habilidades em relação a maioria das pessoas, assim como levam a concretizar os projetos nas empresas. A habilidade empreendedora inclui, também, a capacidade de operacionalizar acordos.

Operacionalizar acordos entre todas as partes interessadas, tais como o inventor do processo, os parceiros, o capitalista, os fornecedores de peças e serviços, os distribuidores, [...] de garantir a cooperação de agências governamentais [...], de manter relações bem-sucedidas com os trabalhadores e o público. (HIRSCHMAN, 1958, p. 17,).

Segundo Dolabela (1999) a denominação do empreendedor é alguém que tem visão e sabe induzir sócios, investidores colaboradores e terceiros apostarem na sua ideia. Ainda para o autor, esta pessoa tem capacidade de identificar oportunidades e também buscar recursos para transformá-las em negócios lucrativos.

Para Filion (1997) as características do empreendedor variam de acordo com as atividades executadas e em que situação a empresa se encontra, está relacionado com seu desenvolvimento. Ângelo (2003) destaca que as empresas estão cada vez exigindo e procurando pessoas qualificadas, inovadoras e criativas. Pessoas com perfil empreendedor são valorizadas, possuem um diferencial competitivo.

Por fim, Stevenson e Gumpert (1985) descreveram empreendedores como indivíduos orientados para a ação, enérgicos, tolerantes a ambiguidades e autoconfiantes, com um forte controle pessoal e forte necessidade por auto realização. Dentro dessas características, a motivação é um aspecto comum e pode, portanto, ser ressaltada como um traço claro do empreendedor.

2.2.1 Empreendedorismo por Necessidade

As necessidades podem ser entendidas como um desequilíbrio interno do indivíduo, uma determinada carência; surgidas a partir de um estado de insatisfação, desconforto, tensão e desequilíbrio (LEZANA, 2004).

A maioria dos negócios abertos por necessidade, de acordo com Aidar (2007), é por falta de oportunidade no mercado. Segundo GEM (2009), empreendedores por necessidade são indivíduos movidos para a atividade autônoma, dada a inexistência ou insatisfação com outras formas possíveis de ganhar a vida.

Birley e Westhead (2004) realizaram uma pesquisa com intuito de descobrir as necessidades que motivam os empreendedores a iniciarem o seu negócio, mais de mil empresários em 11 países foram entrevistados quanto às necessidades que caracterizavam suas personalidades. Como resultado da pesquisa foi verificado as seguintes necessidades:

- Aprovação: busca a aprovação por seus comportamentos, com isso deseja conquistar alta posição na sociedade, ser respeitados pelos amigos, pela família, ser reconhecido;

- Independência: o empreendedor busca na independência impor seu próprio enfoque no trabalho, flexibilidade na vida pessoal e profissional, controlar seu tempo, etc.;

- Desenvolvimento pessoal: um novo empreendimento oferece inúmeras situações

para que o empreendedor desenvolva seus conhecimentos e habilidades, inove, transforme ideias em produtos, aprenda continuamente;

- Segurança: necessidades do empreendedor de se proteger de perigos reais ou imaginários, físicos ou psicológicos; geralmente espera que sua empresa lhe permita rendimentos.

Em boa medida, estes fatos ajudam a explicar as motivações que levam as pessoas a buscar um negócio próprio. Necessitam analisar e pesquisar o que for necessário para o bom desempenho das funções no setor empreendido.

2.2.2 Empreendedorismo por Oportunidade

O conhecimento está na base de toda a atuação empreendedora, imprescindível para estes tempos em que se fala de oportunidades. Para Saks e Gaglio (2002), o reconhecimento de oportunidades de mercado é a principal ação do processo de empreendedorismo para alcançar o progresso econômico e seu desenvolvimento. Aidar (2007) coloca que as oportunidades de negócios surgem de situações relacionadas a novos conhecimentos, transformações tecnológicas, mudanças de preferências dos clientes, inconsistências deixadas pelo mercado. Para iniciar um negócio por oportunidade, na visão de Sarason, Dean e Dillard (2006, p. 8), significa que “oportunidades são um processo incomum para o indivíduo”.

Conforme Timmons (2004), o diferencial em produtos e serviços, tanto na forma de agir como na maneira em que são prestados, que tenha uma real importância para o cliente, resolvendo problemas de forma nova, e mais eficaz, e que sejam proporcionais às capacidades, habilidades, experiências e conhecimentos dos empreendedores, são sólidos surgimentos de oportunidades.

Nixdorff e Solomon (2005) definem o reconhecimento de oportunidades como um processo cognitivo que pode ser realçado com treinamento, e também com educação. Para os autores, reconhecer oportunidades é uma ação que parece estra recebendo mais atenção nos últimos anos. Para Aidar (2007), o desenvolvimento econômico é mantido por negócios inovadores em produto e procedimento com capacidade de crescimento e continuidade.

Baron (2004) argumenta que o reconhecimento de oportunidades está intimamente ligado às estruturas de conhecimento dos empreendedores. Dolabela (1999) afirma que a oportunidade tem algo de novo e atende a uma demanda dos clientes, representando um nicho de mercado, aproveitando uma demanda de um segmento, produto ou serviço inexistente.

Para Sipilä (2006) o reconhecimento de oportunidades pode ser pensado como um processo em que empreendedores buscam identificar oportunidades para explorá-las. Entretanto, para ser capaz de visualizar uma oportunidade é necessário reconhecê-la, o que não é uma habilidade muito fácil de desenvolver.

Dolabela (1999) destaca que a oportunidade é atrativa, e assim, tem alto potencial para gerar lucros. Para o mesmo autor, as oportunidades devem ser ajustadas às capacidades, experiências e habilidades dos empreendedores, surgem em um momento adequado em relação a quem irá aproveitá-la.

2.3 Ramo farmacêutico

Ao analisar seu impacto econômico, segundo a Federação Brasileira da Indústria Farmacêutica (Febrafarma), em 2003 o mercado farmacêutico brasileiro ocupava a 11ª posição no ranking do mercado farmacêutico mundial (varejo farmacêutico), com 1,498 bilhão de unidades (caixas) vendidas, 7,2% inferior em relação a 2002, e valor nominal de vendas de R$ 16,9 bilhões. Segundo Sociedade Brasileira de Controle de Contaminação (SBCC), o Brasil em 2013 ocupava a 6º posição no ranking internacional. Era esperado que, nos próximos dois ou três anos, o Brasil chegasse à 4ª posição, mas caiu uma posição, passando para a 7ª.

Segundo Bastos (2005) a indústria farmacêutica desenvolveu-se junto ao progresso da medicina e ao avanço da pesquisa médica, química, biológica e farmacológica, a partir do século XIX.

O setor químico-farmacêutico caracteriza-se em pesquisa e desenvolvimento, produção industrial e comercialização com investimentos elevados e estratégia de competição fundamentada na diferenciação (CANONGIA, 2002).

Segundo Capanema (2006), a cadeia farmacêutica tem se destacado como uma das mais inovadoras entre os setores produtivos, com empresas multinacionais de grande porte capazes de estimular e incorporar aos seus produtos os principais avanços de ponta, ocorridos nas ciências biomédicas, biológicas e químicas.

Bastos (2005) coloca que a competitividade nesse ramo, não se caracteriza apenas por preços baixos, pois os laboratórios aderem a fórmula de fixação de preço. A competição se dá através da introdução de inovações de processo redutoras de custos e que refletem economias de escala.

Nesse sentido, para Radaelli (2006), o fato da demanda na indústria farmacêutica ser um pouco inflexível o preço não significa que a estrutura de mercado para produtos farmacêuticos seja o monopólio. Cada produto tende a apresentar uma curva de demanda descendente com a possibilidade de que a diferenciação conduza a poder de mercado.

Todavia, num mercado onde nem o tomador de decisão e nem o consumidor está ciente do preço, medicamentos baratos se tornam um pré-requisito de entrada, necessário, porém, nem sempre suficiente para sustentação de vendas e de competitividade (RADELLI, 2006).

No que tange as farmácias e drogarias, que comercializam os produtos das indústrias farmacêuticas, essas possuem uma estrutura de trabalho e cultura, devido a competitividade buscam aprimorar suas estratégias, ao mesmo tempo buscam outras formas de aprimorar suas estratégias buscando novas alternativas para sobrevivência com o objetivo de reduzir custos, oferecer novos serviços, como pagamento de contas de luz, telefone, comercialização de biscoitos, balas, sorvetes, representando uma oportunidade para alavancar o negócio.

3. Metodologia

Este estudo é de caráter qualitativo, exploratório e descritivo, que procura analisar os desafios das organizações do ramo de farmácias e drogarias que atuam de forma independente (não organizadas em rede) no município de Santa Rosa. Segundo Gil (2002) o caráter qualitativo busca explicar o motivo dos acontecimentos relacionados a modelos que geram determinados resultados. É classificada como uma pesquisa descritiva, por identificar, registrar e analisar as características, que se relacionam com o tema proposto.

Foram entrevistados 12 gestores proprietários de farmácia e drogarias a partir de um questionário semiestruturado, aplicado durante o mês de junho de 2016. As organizações pesquisadas são todas micro e pequenos negócios localizados nos bairros e centro da cidade.

Após os dados coletados os mesmos foram tratados e tabulados permitindo realizar análises do ambiente e seus impactos na sobrevivência do negócio no segmento de farmácias e drogarias do município de Santa Rosa/RS.

A pesquisa também analisou a atratividade do setor de farmácias e drogarias com base nas cinco forças de Porter, como, barganha dos fornecedores, barreiras de entrada, estratégias genéricas, rivalidade entre os concorrentes e barganha dos clientes. Este modelo identifica o conjunto de forças que afetam a competitividade, dentre as quais uma das forças está dentro do próprio setor e as demais forças são externos à organização.

4. Resultados e análises

Nesta seção estão descritas as principais características dos empreendedores, a viabilidade do negócio no momento da abertura e as particularidades do setor.

4.1 Características dos empreendedores

O setor de drogaria e farmácias sempre esteve presente ao longo da trajetória e evolução do município de Santa Rosa/RS. Conforme pesquisa realizada por estes autores, são 42 os estabelecimentos que fazem parte deste segmento no município. Santa Rosa conta com uma população de 71.961 habitantes, conforme dados do IBGE (2014), perfazendo em média de 1(uma) farmácia para cada 1.713 habitantes. Muitas delas funcionando associadas em formas de rede. Esta pesquisa teve por preocupação e buscou entrevistar apenas empreendedores que possuem seus negócios de forma isolada (não participante em rede).

O município de Santa Rosa conta ainda com 17 Unidades Básicas de Saúde vinculadas a Fundação Municipal de Saúde do município, as quais distribuem gratuitamente medicamentos aos usuários do Sistema Único de Saúde – SUS, não contabilizados nesta pesquisa.

Ao ser avaliado o setor, percebeu-se que 90% dos empreendedores investidores no ramo de farmácias e drogarias são do sexo feminino. Destes, 17% dos entrevistados apresentam faixa etária entre 40 e 49 anos; 33% dos empreendedores informaram que tem acima de 50 anos; enquanto a maioria 50% tem faixa etária entre 25 e 39 anos.

Gráfico 1: Escolaridade

Fonte: Dados da pesquisa 2016.

Os entrevistados foram perguntados quanto à escolaridade, 8% apresentam ensino médio completo; 8% apresentam curso superior incompleto; 17% informaram que possuem algum tipo de especialização; 17% apresentam ensino médio incompleto, enquanto que. 50% a maioria, apresentam ensino superior completo. Durante a entrevista percebeu-se que a maioria dos empreendedores possui formação na área em que trabalham. Outros estão buscando profissionalização voltada aos negócios de seus empreendimentos. Esse maior nível de escolarização e busca por aperfeiçoamento nesse tipo de negócio pode estar atrelada a um empreendedorismo que valoriza o reconhecimento de oportunidades. Conforme Baron (2004) e Sipilä (2006) esse reconhecimento é diretamente ligado às estruturas de conhecimento dos empreendedores, o que não é uma habilidade muito fácil de desenvolver, e assim, exige constante qualificação.

Diante da análise, percebe-se que a maioria dos empreendedores édo sexo feminino, com faixa etária entre 25 e 39 anos e cujos empreendedores estão buscando maior grau de escolaridade, procurando se aperfeiçoar e qualificar seus negócios. Esse constante aperfeiçoamento está relacionado à necessidade de desenvolvimento pessoal descrito por Birley e Westhead (2004), e percebe-se nesta necessidade como primordial na abertura desses negócios.

4.2 Viabilidade do negócio

Os empreendimentos foram pesquisados quanto ao tempo de abertura de seus negócios.

Gráfico 2: Tempo da empresa

Fonte: Dados da pesquisa 2016.

Percebe-se que as empresas do ramo de farmácias, de micro e pequeno porte, se apresentam em sua maioria com mais de 5 anos no ramo, (92%), e apenas 8% se apresentam constituídas até 5 anos. A manutenção da maioria dessas empresas por mais de 5 anos torna-se uma boa notícia, sobretudo por se tratar de uma cadeia produtiva que exige constante inovação e foca a competição na diferenciação (CAPANEMA, 2006; CANONGLIA, 2002).

Dos empreendimentos com mais de cinco anos de atuação, 75% não realizaram nenhum tipo de estudo de viabilidade ou plano de negócios para a abertura do empreendimento, enquanto 25% realizaram algum tipo de estudo superficial, como de localização ou de prospecção. Considerando o contexto competitivo do setor, esse resultado denota que a maioria dos riscos assumidos pelos empreendedores na abertura do negócio que poderia ter sido minimizado com um planejamento.

Para início das atividades no setor de farmácias e drogarias, a maioria, 56% dos empresários, investiu capital entre R$ 50.001,00 a R$ 100.000,00. Outro percentual investiu de R$ 20.001,00 a R$ 50.000,00, enquanto que apenas 7% dos entrevistados afirmaram que investiram valor superior a R$ 100.001,00.

Aprofundando a investigação, os empreendedores foram perguntados sobre a origem do capital para a abertura do negócio. A sua maioria, 58% dos empresários possuíam capital próprio para investir no início das atividades do empreendimento. Os demais, 48%, não possuíam capital necessário para o início das atividades, buscaram o acesso de capital, através da captação de recursos de terceiros. Destes,17% buscaram a contratação de empréstimo bancário, 33% tomaram empréstimo com amigos, enquanto a sua maioria 50% realizaram empréstimos com familiares.

Gráfico 3: Ao abrir o negócio, foi identificado?

Fonte: Dados da pesquisa 2016.

Os empresários empreendedores foram perguntados sobre o que os levou a iniciar o empreendimento, 25% afirmaram que simplesmente resolveram apostar no negócio, enquanto que 75% dos entrevistados visualizaram uma oportunidade de mercado. Destes, 63% destacaram que sempre almejaram ter um negócio próprio, enquanto 38% informaram que abriram o estabelecimento por necessidade. De acordo com Birley e Westhead (2004), enquanto os que sempre almejaram abrir o seu negócio como oportunidade de mercado são motivados por um senso de independência, enquanto aqueles que simplesmente resolveram apostar foi identificado a necessidade de segurança como motor.

Gráfico 4: Quais eram os esclarecimentos de gestão

Fonte: Dados da pesquisa 2016.

Na sequência da entrevista, os empreendedores foram perguntados, quando no momento da abertura do negócio, se os mesmos tinham conhecimento de gestão. Destes, 8% informaram que possuíam alguma noção superficial; 8% não tinham nenhum tipo de esclarecimentos; 17% possuíam informações a partir de estudos que haviam realizado sobre o assunto; enquanto que a maioria 67% declarou que já tinham experiências a partir de trabalhos anteriores em outras empresas. Isso corrobora com o grande nível de exigência que é necessário para abrir o negócio em relação a experiência e conhecimentos do setor.

Visando dar profundidade a pesquisa, os empresários do ramo de farmácias e drogarias foram perguntados sobre as motivações que levaram a iniciar suas atividades. Na sequência os resultados são apresentados a partir de tabelas com escalas de importância (1 a 5; sendo que 1 não houve influência, 2 pouca influência, 3 não se aplica, 4 teve alguma influência, 5 grande influência).

Quadro 1: Possibilidades do empreendimento

Possibilidades

1

2

3

4

5

Possibilidade de aumentar a renda

8%

8%

17%

17%

50%

Possibilidade de usar meus conhecimentos e contatos na área

33%

0%

17%

33%

17%

Apresentava insatisfação com o emprego

75%

8%

8%

8%

0%

Fui influenciado por outras pessoas

75%

0%

0%

0%

25%

Estava desempregado

100%

0%

0%

0%

0%

Persistência

0%

0%

0%

8%

92%

Comprometimento com o negócio

0%

0%

0%

8%

92%

Exigência de qualidade e eficiência

0%

0%

0%

0%

100%

Correr riscos calculados

17%

8%

42%

0%

33%

Estabelecimento de metas

8%

8%

8%

25%

50%

Busca de informações

8%

8%

0%

17%

67%

Planejamento e Monitoramento sistemático

0%

0%

0%

17%

83%

Persuasão e redes de contato

17%

25%

17%

17%

25%

Interdependência e autoconfiança

0%

0%

8%

25%

67%

Fonte: Dados da pesquisa 2016.

Na análise da tabela anterior percebe-se que grande parte dos entrevistados abriram seus empreendimentos com uma clara visão de aumentar seus rendimentos familiares.

Dos entrevistados, 92% informaram que para manter-se neste negócio há a necessidade da dedicação, persistência e comprometimento constante, no sentido de estarem cada vez mais informados sobre novos produtos, novos procedimentos, legislações sobre medicamentos e especialmente controles e gestão do negócio. Isso corrobora com o tipo de competitividade do setor, no qual conforme Bastos (2005), não se caracteriza por preços baixos, mas na inovação dos processos.

E isso se confirma quando a totalidade dos entrevistados informam que para se manter neste ramo o meio conjuntural exige que os mesmos atuem em seus empreendimentos com destacada qualidade e eficiência em diversos aspectos, como: atendimento, presteza, alocação de produtos de qualidade, ambiente e atmosfera de loja, conhecimento sobre os produtos e suas indicações.

Além disso, um grande percentual dos entrevistados informou que para a sua manutenção no negócio, é necessário ainda dedicação com planejamento e monitoramento. Assim, considerando o que foi levantando em respostas anteriores, é que mesmo os empreendedores terem dado importância ao planejamento e monitoramento, a maioria não realizou alguma dessas atividades na abertura do negócio. Percebe-se também que as exigências advindas pelas mudanças ocorridas no próprio setor fizeram esses empreendedores a dar mais valor ao planejamento e monitoramento do que ocorre em seus negócios. 

Outra análise percebida, referindo-se sobre a ampla maioria dos entrevistados é que no momento da abertura do negócio os mesmos não se encontravam insatisfeitos com seu trabalho anterior e tampouco estavam desempregados. Fatos estes que permitem realizar uma interpretação um pouco mais criteriosa percebendo que houve um momento, uma oportunidade, uma tomada de decisão, algo que fez com que essa decisão fosse implementada. Isso corrobora com a necessidade ligada ao desenvolvimento pessoal descrito por Birley e Westhead (2004).

Na sequência foi analisado as respostas dos entrevistados a partir das do modelo das cinco forças de Porter, o qual permitiu analisar o grau de atratividade do setor de farmácias e drogarias. Onde foram identificados os fatores que afetam a competitividade no ambiente interno e externo, iniciando pela força da Barganha dos Fornecedores, Barreiras de Entrada de Concorrentes; Estratégias Genéricas; Rivalidade entre Concorrentes e Barganha dos Clientes.

Quanto a Barganha dos Fornecedores, os mesmos têm poder de barganha quando o setor é dominado por poucas empresas fornecedoras; os produtos são exclusivos, diferenciados, e o custo para trocar de fornecedor é muito alto. O setor de negócios em questão não tem representatividade no faturamento deste fornecedor. O quadro 2 apresenta e sistematiza as respostas apresentados pelos entrevistados do setor.

Quadro 2: Barganha dos fornecedores

BARGANHA DOS FORNECEDORES

1

2

3

4

5

Havia poucos fornecedores

42%

0%

8%

17%

33%

Fornecedor era facilmente substituído por outro

17%

8%

25%

0%

50%

Não surgiam tantos produtos novos no mercado

8%

33%

50%

8%

0%

Fornecedores apresentavam produtos muito diferentes uns dos outros

8%

42%

33%

8%

8%

Você relutava em trocar de fornecedor devido aos altos custos que isso implicaria

0%

17%

8%

17%

58%

Fornecedores tinham capacidade de comprar a empresa

17%

8%

50%

8%

17%

Fonte: Dados da pesquisa 2016.

Nas respostas dos empreendedores percebe-se que no momento da abertura do empreendimento havia muitos fornecedores que apresentavam produtos muito semelhantes e que eram de certa forma facilmente substituídos, porém, os empreendedores relutavam na sua substituição devido ao custo da mudança e provavelmente exigindo mudança de produtos e consequentemente suas marcas. Esse custo da mudança está diretamente relacionado à fixação de preços adotados por laboratórios, conforme descrito por Bastos (2005).  

No quadro 3 é apresentada a síntese sobre as Barreiras de Entrada de concorrentes. Em qualquer momento do ciclo de vida de uma empresa é necessário observar as atividades das empresas concorrentes, a ameaça da entrada de novos participantes depende das barreiras existentes contra sua entrada, além do poder de reação das organizações já constituídas.  Para Serra, Torres & Torres (2004), estas barreiras são os fatores que atrapalham o aparecimento de novas empresas para concorrerem em determinado setor. Algumas das principais barreiras são: Economia de Escala; Capital Necessário e Acesso aos canais de distribuição.

Quadro 3: Barreiras de entrada

BARREIRAS DE ENTRADA

1

2

3

4

5

Você operava com altos custos e margem de lucro baixa.

8%

0%

25%

33%

33%

Quando entrou, foi difícil identificar a marca da empresa no mercado (diferenciação).

17%

17%

8%

25%

33%

Quando entrou, havia necessidade de se investir em muitos recursos financeiros (necessidade de capital).

0%

17%

42%

33%

8%

Quando houve ou fez-se necessário mudar de fornecedor, custava muito com treinamento, equipamentos, e relacionamento com o fornecedor.

25%

17%

33%

17%

8%

Quando entrou, o meio de entrega dos produtos era dominado pela concorrência.

42%

17%

25%

8%

8%

Quando entrou, concorrentes se apresentavam em local privilegiado.

33%

17%

8%

17%

25%

Quando entrou, concorrentes tinham direitos sobre algumas marcas.

58%

25%

0%

17%

0%

Fonte: Dados da pesquisa 2016.

Quanto às barreiras de entrada (quadro 3) no início das atividades, muitos dos entrevistados alegaram que operavam com altos custos e baixa margem de lucros. Destacaram ainda que a sua identificação da marca no mercado foi um processo lento e dificultoso o qual exigiu investimentos. Percebe-se que no setor de farmácias e drogarias os concorrentes não possuíam direitos sobre as marcas. Outro destaque é que muitas farmácias concorrentes não praticavam a entrega de produtos/medicamentos a domicilio. Isso confirma a competição descrita por Radaelli (2006), em que o preço não influi na estrutura de mercado e sim a possibilidade de diferenciação, que é lenta e demorada, devido principalmente ao fato da demanda ser um pouco inflexível.

Produtos Substitutos, no quadro 4, são aqueles que não são os mesmos produtos que os das empresas em questão, mas atendem à mesma necessidade. Mesmo assim é necessário avaliar este tipo de produto. Geralmente surgem em mercados que permitem sua inserção e após certo tempo estes se estabilizam.

Quadro 4: Estratégias genéricas– Produtos Substitutos

ESTRATÉGIAS GENÉRICAS

1

2

3

4

5

Quando entrou, houve aceitação do produto do consumidor devido à diferenciação do produto/serviço.

0%

0%

0%

8%

92%

Quando entrou, houve aceitação do produto do consumidor por preço baixo do produto/serviço.

0%

8%

0%

8%

83%

Quando entrou, houve aceitação do produto do consumidor por escolher um determinado segmento de mercado.

8%

0%

8%

33%

50%

Na época, a rivalidade com os concorrentes por diferenciação do produto/serviço era alta.

17%

25%

8%

8%

42%

Na época, a rivalidade com os concorrentes por preço baixo do produto/serviço era alta.

17%

17%

0%

0%

67%

Na época, a rivalidade com os concorrentes por segmento de mercado do produto/serviço era alta.

17%

17%

33%

8%

25%

Fonte: Dados da pesquisa 2016.

Na análise do quadro 4 percebe-se que, quando da entrada no mercado por parte das empresas em estudo, muitas tiveram boa aceitação por parte do consumidor devido aos preços praticados, sua diferenciação no atendimento e na presteza e devido a sua localização situadas nos bairros e periferias da cidade, assim como a oferta de novos tipos de produtos.

Rivalidade entre os Concorrentes, apresentado no quadro 5, é outra força citada por Porter. Nesta dimensão, foi considerada a atividade e agressividade dos concorrentes diretos para a análise. Aqueles que vendem um mesmo produto num mesmo mercado que as organizações em estudo.

Quadro 5: Rivalidade entre os concorrentes

RIVALIDADE ENTRE OS CONCORRENTES

1

2

3

4

5

A ameaça de novos produtos era alta.

67%

0%

25%

0%

8%

A influência do governo (tributação, legislação) na abertura do negócio era alta.

33%

17%

17%

8%

25%

Havia uma quantidade muito grande de concorrentes.

8%

25%

42%

17%

8%

Os concorrentes apresentavam produtos diferenciados (diferenciação).

25%

33%

33%

8%

0%

Os concorrentes adotavam diversas estratégias de marketing no mercado (diversidade das empresas).

8%

8%

58%

17%

8%

Os concorrentes tinham uma grande quantidade de clientes.

0%

0%

58%

25%

17%

Os concorrentes tinham grandes recursos financeiros.

0%

8%

58%

25%

8%

Fonte: Dados da pesquisa 2016.

Conforme o quadro 5 os empreendedores ao serem indagados sobre a rivalidade entre os concorrentes, afirmaram que na época em que o negócio iniciou suas atividades a ameaça de entrada de novos produtos era pouca. Havia concorrentes, mas a rivalidade entre os mesmos não era expressiva. Alguns deles adotavam estratégias de marketing visando realizar a persuasão e atrair a atenção dos clientes.  Os entrevistados informaram que a quantidade de clientes dos concorrentes era bem considerada, assim como os concorrentes tinham disponibilidade de recursos financeiros para investir e aumentar seus negócios.

Outra parcela dos entrevistados informou que a concorrência por preços baixos era alta necessitando a utilização de novas abordagens e estratégias para fidelizar sua clientela. Isso confirma a competição descrita por Bastos (2005), relacionada a introdução de inovação de processos ligados à atividade operacional dessas empresas.

Outra força descrita por Poter é a Barganha dos Clientes, conforme quadro 6. Os clientes exigem mais qualidade por um menor preço de bens e serviços. Também competindo com a indústria, forçando os preços para baixo. Jogando os concorrentes uns contra os outros.

Neste caso, os clientes têm a capacidade de colocar a empresa sob pressão, e também afetar os clientes com a sensibilidade da evolução dos preços.

Quadro 6: Barganha dos clientes

BARGANHA DOS CLIENTES

1

2

3

4

5

Quando abriu a empresa, cliente pesquisava muito preço com os dos concorrentes.

0%

8%

33%

0%

58%

Quando abriu a sua empresa, cliente comparava qualidade dos produtos.

0%

8%

33%

8%

50%

Quando abriu a sua empresa, cliente valorizava atendimento e o pós-venda.

0%

0%

8%

0%

92%

Fonte: Dados da pesquisa 2016.

Referente à barganha dos clientes, quadro 6, pode-se destacar que, ao iniciar as atividades, os clientes pesquisavam preços dos produtos entre os concorrentes, fato esse percebido na atualidade, pois os mesmos buscam os produtos necessários com preços acessíveis. Muitas vezes os próprios estabelecimentos não conseguem dar destaque de uma diferenciação de seu ponto de venda ou de seus produtos, permitindo que os clientes façam compras comparadas.

Diante disso, os clientes comparam a qualidade dos produtos ofertados, seus preços, sendo esses os critérios decisivos para a compra. Os entrevistados informaram que os clientes valorizavam muito o pós-venda no período da abertura do empreendimento. Porém, esta estratégia era pouco utilizada, devido ao pouco conhecimento e tempo disponível. Para a realização do pós-venda as estratégias podem ser variadas, dependendo dos recursos e da criatividade disponível. Também é importante observar que nem sempre essa ação depende de muitos investimentos. Um bom planejamento pode economizar os custos e trazer excelente custo/benefício. Conforme visto anteriormente, isso mostra uma contradição dos empreendedores entre o reconhecimento do diferencial no setor e sua execução nas atividades da empresa.

            Os empreendedores foram perguntados sobre as condições que afetavam a atividade no momento da sua abertura, conforme o quadro 7, destacam-se algumas variáveis de interferência.

Quadro 7: Condições que afetam a atividade empreendedora

PERCEPÇÕES

1

2

3

4

5

Econômicas e Financeiras

8%

0%

17%

17%

58%

Legislativas / Tributárias / Regulatórias

17%

0%

0%

0%

83%

Mudanças / Inovações Tecnológicas

25%

25%

0%

8%

42%

Cenários Políticos

17%

0%

8%

8%

67%

Fonte: Dados da pesquisa 2016.

Conforme o quadro 7, os empresários entrevistados informaram que a situação econômica e financeira do país afetava diretamente os seus negócios, mudanças constantes nas leis, nos tributos e nas ações regulatórias tinham expressivas influencia no negócio. Assim como a venda de muitos medicamentos somente sob prescrição médica.  Muitos destes empreendimentos estavam emergindo justamente neste período de turbulência econômica, alta do dólar, cenário político incertos, fazendo com que os mesmos se mantivessem precavidos em relação às compras e manutenção de seus estoques de mercadorias.

As mudanças e inovações tecnológicas também eram fator de necessidade de investimentos, como notas eletrônicas, maquinas de cobrança para cartões de crédito, novas gondolas para apresentação dos produtos, guichês modernos, etc. Isso confirma uma atualização das empresas frente às mudanças no mercado farmacêutico.

4.3 Particularidades do setor

Os empreendimentos pesquisados são de características individuais, não mantendo filiais, nem participação em redes de empresas. Muitas vezes, por serem sozinhos e pequenos, não alcançam avanços conforme outras empresas do mesmo segmento.

Os empresários ao serem indagados sobre os motivos que levaram os mesmos a continuar suas atividades, percebeu-se que os fatores impulsionadores foram à qualidade do serviço, a clientela fidelizada, a persistência, o preço, a qualidade do produto e a confiança dos clientes, e todos esses fatores foram intimamente atrelados à necessidade de desenvolvimento pessoal de Birley e Westhead (2004).

Oura percepção foi à estratégia do atendimento diferenciado, importante para a continuidade e manutenção do empreendimento, assim como a persistência, comprometimento com o negócio, ética, percebidos como diferencial para sua prosperidade. O bom relacionamento com clientes e com os fornecedores, a credibilidade da marca, a diversidade dos produtos, a localização fez com os estabelecimentos tivessem crescente número de clientes.

Com o avanço da inovação, sobretudo por exigências oriundas do próprio setor, forçou uma modernização dos estabelecimentos, e que permitiu um maior número de clientes fidelizados e a abertura para novos nichos de mercado.

5. Conclusões

O principal objetivo deste trabalho foi analisar as formas de empreendedorismo predominante nas micro e pequenas empresas do ramo farmacêutico, no município de Santa Rosa/RS, analisando o perfil do empreendedor e a viabilidade do negócio, além das particularidades do setor.

Evidenciou-se que o setor de farmácias de micro e pequeno porte estão presentes, em sua maioria com mais de 5 anos de atividade. A escolaridade foi um fator que chamou a atenção, diferente de outros setores, neste a maior parte apresenta um nível maior de escolaridade, como ensino superior e vários empresários com pós-graduação. Para a abertura dos empreendimentos foram necessários investimentos, em sua maioria, entre R$ 50.000,00 a R$ 100.000,00, cuja origem dos recursos foi dos próprios empreendedores.

 Ao analisar sobre o perfil do empreendedor, percebeu-se que a grande maioria, ao abrir o negócio, visualizou uma oportunidade de mercado, fazendo desta percepção um momento para análise e a consequente tomada de decisão para investir no ramo de farmácias e drogarias, mesmo percebendo um número de empreendimentos significativos já em atividade no mercado local.

Os motivos que levaram a maioria a empreender se deve ao fato de terem a satisfação em ter o próprio empreendimento, e vincula-se à necessidade de desenvolvimento pessoal descrito por Birley e Westhead (2004). Os principais fatores que permitiram a continuidade dos seus negócios deram-se devido à localização estratégica, a gama de clientes fidelizados, o preço dos produtos e principalmente o atendimento que foram os principais fatores determinantes para a empresa seguir no negócio.

Nos últimos anos, houve uma crescente ampliação dos locais de venda e distribuição de medicamentos, perfumarias e higiene pessoal, sobretudo por uma pressão atrelada às inovações impostas pelo setor. Ao realizar nova análise destes 42 estabelecimentos comerciais, além das 17 unidades básicas de saúde que também distribuem medicações, somam-se 59 locais que desempenham esta atividade no município.

Quanto às limitações encontradas para a realização deste estudo, a pesquisa exigiu a seletividade, pois basicamente são estas as empresas que atuam de forma individual no mercado de drogarias e farmácias do munícipio de Santa Rosa. O intuito de avaliar o microempreendedor individual remete a análise completa das reais motivações que o levaram abrir o seu empreendimento. Como o propósito foi o de analisar apenas os empreendimentos individuais, sem estar vinculado a redes, percebeu-se que dos 42 estabelecimentos apenas estas 12 empresas trabalham de forma não vinculadas.

Como estudos futuros, sugerem-se realizar análises sobre a viabilidade do negócio de alguns empreendimentos, devido ao número expressivo de estabelecimentos atuando neste segmento, bem como a verificação da utilização de planejamento, comparando o ciclo de vida das empresas possuidoras de planejamento com as demais que não utilizam esta prática, até porque ainda existem 58% dessas empresas com menos de 10 anos de mercado, ou seja, ainda não atingiram suficiente maturidade, correndo risco de fecharem suas portas.

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1. Doutor em Administração e Mestre em Gestão Pública pela Universidade Nacional de Misiones – AR. Professor, Pesquisador e Coordenador do Bacharelado em Administração do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Farroupilha - Câmpus Santa Rosa. claudio.hofler@iffarroupilha.edu.br

2. Bolsista PAIC –ES. Acadêmica do Curso de Bacharelado em Administração do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Farroupilha – Câmpus Santa Rosa. bruna.warmbier@hotmail.com

3. Bolsista PAIC –ES. Acadêmica do Curso de Bacharelado em Administração do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Farroupilha – Câmpus Santa Rosa. lidieli.n@gmail.com

4. Bolsista PAIC –ES. Acadêmica do Curso de Bacharelado em Administração do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Farroupilha – Câmpus Santa Rosa. luiz-ariel-oliveira@hotmail.com

5. Mestre em Administração pela Universidade de Santa Cruz do Sul. Professor e Coordenador do Eixo Tecnológico Gestão e Negócios do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Farroupilha - Câmpus Santa Rosa. marco.malheiros@iffarroupilh.edu.br

6. Mestre em Administração pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e Professor do Eixo Tecnológico Gestão e Negócios do Instituto Federal de     Educação, Ciência e Tecnologia Farroupilha – Câmpus Santa Rosa. sergio.schlender@iffarroupilha.edu.br


Revista ESPACIOS. ISSN 0798 1015
Vol. 38 (Nº 09) Año 2017

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