1. Introdução
As organizações estão inseridas em um ambiente competitivo, constituído de
clientes cada vez mais exigentes e concorrentes mais aguerridos. A busca por um desempenho melhor, num
cenário como este, se faz necessária a todos aqueles que pretendem se manter e evoluir no
mercado. Por isso, o gerenciamento financeiro é primordial para a saúde das empresas e
peça chave para dar subsídio para o administrador ter a capacidade de tomar decisões
corretas e rápidas no momento certo sem fugir das metas estabelecidas. A incorporação de
técnicas contábeis e modelagens matemáticas auxiliam gestores a aprimorar a gestão
financeira e produtiva permanecendo inovadores e atuais frente ao mercado cada vez mais tecnológico
(TELÓ, 2001).
Um dos principais instrumentos para a análise financeira de qualquer empresa é o fluxo de
caixa, pois possibilita um gerenciamento adequado dos recursos financeiros, evita a falta de liquidez e o
não cumprimento dos compromissos, ou seja, disponibiliza a independência financeira da empresa
(SILVA; SANTOS; OGAWA, 1993). A tomada de decisão por parte do proprietário precisa ser baseada
na realidade do fluxo de caixa da empresa para que não haja descontrole entre receita e despesa. Ao
fazer a sua projeção devem ser consideradas as entradas de recursos - como as contas a receber,
os empréstimos e o capital investido pelos sócios - e as saídas de recursos - como:
contas a pagar, despesas gerais da administração, que são os custos fixos da empresa,
compras à vista e pagamento de empréstimos (FERRAZA; RAUBER, 2008).
O resultado em uma atividade significa se o empreendimento esta dando ao produtor lucro ou prejuízo.
Serve para o produtor analisar sua empresa no longo prazo. Para calcular o resultado da atividade utiliza-se a
seguinte expressão: Resultado: receita bruta – custo total (FUGI, 2004). É comum a
utilização do diagrama de fluxo de caixa para tornar o processo visualmente mais fácil e
entendível, já que, dá a noção do valor no tempo. O diagrama é
composto por uma escala de tempo, uma reta horizontal, em intervalos contínuos e flechas verticais
representando as saídas e entradas de recursos. O resultado da operação desses valores
pode ser considerado uma série temporal. Série temporal é um conjunto de
observações dispostas ao longo do tempo (MORETTIN, TOLOI, 1986).
A análise dessas séries tem por objetivo estudar sua trajetória ao longo do tempo, suas
características, causas, efeitos e formas de controle. De posse dessas informações
é possível modelar o fenômeno considerado. Buscando auxiliar o gerenciamento das
informações financeiras o presente artigo utiliza a análise estatística descritiva
para explorar as contas de uma empresa X do ramo gráfico, bem como estudar o comportamento das
séries de receitas e despesas através da metodologia Box Jenkins e realizar previsões.
2 Histórico da Gráfica
A Gráfica foi fundada em 2004 e possui 14 funcionários, está localizada na região
noroeste do estado do Rio Grande do Sul. Os serviços oferecidos são criação,
design e diagramação de materiais comerciais, editoriais e industriais,
pré-impressão, impressão em todos os tipos e gramaturas de papéis, acabamentos
como corte, vinco, dobra, colagem, plastificação, grampo, intercalação, dentre
outros.
Os produtos impressos na gráfica são revistas, livros, jornais, calendários, convites
diversos, cartões, panfletos, sacolas de papel, cartazes, caixas de papel, blocos e materiais diversos.
As máquinas utilizadas são computadores com softwares variados, CTP (Computer top late)
pré-impressão, máquinas impressoras off set, impressoras digitais, guilhotinas,
dobradeira, caldeira, corte e vinco, grampeadeira, plastificadora, serrilhadeira e seladora para embalagens.
A gráfica apresenta papel importante para a região e comunidade local e regional, na
geração de renda, empregos e tributos, respeito ao meio ambiente, produtos e serviços
oferecidos com tecnologia de ponta, mão de obra qualificada, prazo e preços justos.
É uma das poucas empresas do ramo com certificação de preservação do meio
ambiente (selo verde), e atualmente está ampliando e diversificando os produtos oferecidos, com
impressão em materiais flexíveis e bobinas para atender a demanda de rótulos e embalagens
em diversos substratos.
Possui como diferencial das demais gráficas locais e regionais a tecnologia avançada à
preservação do meio ambiente, formatos de impressão diferenciados, preços
compatíveis e justos, em relação à qualidade dos produtos e serviços
oferecidos.
3 Metodologia
Este estudo utiliza 49 dados mensais do balanço financeiro de uma empresa do ramo gráfico, do
período compreendido entre os meses de março de 1998 a março de 2012. As séries
utilizadas são referentes as receitas e despesas obtidas no período, com a finalidade de
proporcionar subsídios que auxiliem na gestão e na tomada de decisão. De posse das
informações coletadas junto a empresa é possível uma análise
estatística descritiva e a aplicação do modelo estatístico de Box Jenkins com o
auxílio dos softwares SAS 9.1. e Eviews 8 SV.
Para a análise estatística descritiva são realizadas as médias mensais dos anos,
sendo que cada mês representado corresponde à média de 4 anos. Após a
análise descritiva os dados são submetidos à aplicação da metodologia de
números índices de base fixa, tendo como base março de 2008 à fevereiro de 2009,
nesta etapa as variáveis foram consideradas isoladas, sem se calcular as médias dos meses em
relação aos anos. Os procedimentos estatísticos foram realizados pelo programa SAS
9.1.
Os dados obtidos da empresa foram às receitas e às despesas, divididos por:
1. Receitas
1.1. Receita de vendas (RV)
1.2. Outras receitas (OR)
Obtendo um total de receitas = (RV+OR) e as despesas:
2. Despesas
2.1. Despesas de administração (DADM)
2.2. Despesas pessoais (DP)
2.3. Despesas comerciais (DC)
2.4. Despesas impostos (DI)
2.5. Despesas financeiras (DF)
2.6. Despesas produção (DPR)
2.7. Despesas não operacionais (DÑO)
Obtendo um total de Despesas = (DADM+DP+DC+DI+DF+DPR+DÑO)
O Lucro conforme relata Fugi (2004) é obtido através da subtração entre as
receitas e as despesas.
Através do uso do software Eviews 8 SV é aplicada aos dados a metodologia de Box Jenkins. Esta
metodologia é frequentemente usada para analisar modelos paramétricos. O procedimento consiste
em um modelo matemático que capta o comportamento e a autocorrelação da série para
realizar previsões futuras.
O modelo de Box e Jenkins (1994) tem como estratégia para a seleção do melhor modelo a
ser aplicado à série o ciclo iterativo (SOUZA, CAMARGO, 1996). Este ciclo parte de duas ideias
fundamentais, a parcimônia e a iteração entre suas fases. A parcimônia consiste na
utilização do menor número de parâmetros possíveis para estabelecer o modelo
matemático, e a iteração é a repetição da ação tantas
vezes quanto necessário.
As fases do ciclo podem ser descritas na Figura 1, segundo Box, Jenkins e Reinsel (1994):
Figura 1: Etapas da abordagem interativa para a construção do
modelo

Fonte: Adaptado de Box, Jenkins e Reinsel (1994, p.17)
A iteratividade deste inicia a partir do item 4 do ciclo, pois ao ser diagnosticado que o modelo não
é o melhor a ser utilizado é necessário retornar ao item dois e recomeçar a
atividade (MORETTIN, TOLOI, 1986).
A identificação do modelo pode ser feita através da análise da
função de autocorrelação – FAC e da função de
autocorrelação parcial – FACP, a estimação dos parâmetros é
feita após a identificação do modelo e efetua-se a avaliação dos
resíduos gerados.
A modelagem Box Jenkins significa o ajuste dos modelos auto-regressivos de médias móveis
ARIMA(p,d,q) em um conjunto de dados. A vantagem da utilização destes modelos é a
parcimônia do método e a precisão das previsões em relação a outros
modelos. No entanto, a desvantagem da aplicação é a necessidade de um conhecimento
inicial da técnica por parte do aplicador, além do uso do pacote do computador.
Para o desenvolvimento de um ARIMA(p,d,q) são necessária, em torne de, 50
observações de uma série temporal yt, com mesmo intervalo de tempo entre as
observações e esta deve ser estacionária. E estacionariedade de uma série se
dá a medida que a média, a variância e a covariância se apresentam constantes ao
longo do período. Para séries não estacionárias a aplicação do
processo de diferenciação pode excluir os processos de não linearidade ou altamente
explosivos. Segundo Macerau (2009) a maioria das análises de séries temporais pressupõe
que as mesmas sejam estacionárias, no entanto, séries financeiras não apresentam esse
comportamento.
A aplicação desta diferença consiste na diminuição da segunda
observação pela primeira conforme a fórmula ∆dy = yt – yt-1, o valor diferenciado
é igual ao valor de y no período t – 1, representado por d. A segunda diferença
é dada por ∆dy = yt-1 – yt-2, d = 2. Tornar a série estacionária significa garantir
que ela será estável ao longo dos períodos observados e assim o modelo estimado se torna
representativo (SOUZA, CAMARGO, 1996). A diferenciação representa a parte I(d) do modelo ARIMA e
deve ser evitada a sua aplicação mais de duas vezes na mesma série.
A parte auto-regressiva AR(p), de ordem p é explicada por yt = φ1 yt-1 + φ2 yt-2 + ... +
φp yt-p.+ εt, na qual φ indica os parâmetros reais e εt o ruído branco. O
ruído branco é um conjunto de variáveis aleatórias distribuídas de forma
idêntica e possui a média dos valores é igual a zero, e a variância constante. O p
pode ser conseguido através da análise do gráfico da FACP, a quantidade de
parâmetros que estiver acima do intervalo de confiança determinado será o valor
máximo.
O processo de médias móveis MA(q) segue a equação yt = εt –
θ1 εt-1 –...– θq εt-q. O θ sugere as constantes reais e
εt o ruído branco. A parte q, por sua vez, consegue-se pela análise do gráfico da
FAC e assim como a parte p, a quantia de valores que estiver acima do intervalo irá determinar o
máximo valor.
A equação completa do modelo ARIMA(p,q,d) é obtida através da
composição das equações das partes AR(p) e MA(q) conforme segue: ∆dy = φ1 yt-1
+ φ2 yt-2 + ... + φp yt-p.+ εt – θ1 εt-1 –...– θq
εt-q (MORETTIN, 2008). Dos modelos encontrados para a ordem (p,q,d) passa-se à
estimação da combinação dos possíveis. Os critérios que devem ser
obedecidos são, por exemplo, o nível de significância inferior a 5%, p<0,05, a
presença de ruído branco, Akaike (AIC – Akaike Information Criteria) e Bayes (BIC –
Bayesian Information Criteria), os dois últimos servem para verificar qual modelo é
aceitável através das equações AIC= lnσe2 + (2(p + q))/n e BIC = lnσe2
+ ((p + q)lnn)/n; em que p e q são os parâmetros conhecidos, n é o tamanho da amostra, ln
é o logaritmo neperiano e σe2 a variância estimada dos erros.
Os valores de AIC e BIC, obtidos dos diferentes modelos encontrados, são confrontados com o intuito de
encontrar respectivamente os menores. Ou seja, quanto menor for o resultado do cálculo destes
critérios mais adequado será o modelo para a projeção dos valores futuros da
série em estudo.
4 Resultados e Discussões
Nas tabelas 1 (A) e 1 (B) é apresentado um resumo estatístico descritivo, contendo as
principais medidas de onde se tomará base para fazer as analises.
Tabela 1 (A): Estatística descritiva do balanço financeiro no
período de março de 2008 a março de 2012.
|
Variáveis
|
Média
|
Mínimo
|
Q1
|
Mediana
|
Q3
|
Máximo
|
|
RV
|
56190,0
|
7096,0
|
30361,0
|
53452,0
|
69005,0
|
214841,0
|
|
OR
|
28718,0
|
2,0
|
1631,0
|
19345,0
|
36327,0
|
280000,0
|
|
DADM
|
3847,0
|
42,0
|
1049,0
|
2823,0
|
5407,0
|
16172,0
|
|
DP
|
15242,0
|
2479,0
|
10025,0
|
13238,0
|
18623,0
|
40663,0
|
|
DC
|
1770,0
|
74,0
|
430,0
|
770,0
|
2113,0
|
10818,0
|
|
DI
|
1693,0
|
0,0
|
202,0
|
289,0
|
953,0
|
25655,0
|
|
DF
|
18178,0
|
35,0
|
6719,0
|
13089,0
|
25312,0
|
118465,0
|
|
DPR
|
24968,0
|
1079,0
|
12939,0
|
19707,0
|
31308,0
|
73094,0
|
|
DÑO
|
20221,0
|
300,0
|
6377,0
|
8027,0
|
16710,0
|
245145,0
|
Em que: RV = Receita de vendas; OR = Outras receitas; DADM = Despesas de administração; DP =
Despesas pessoais; DC = Despesas comerciais; DI = Despesas impostos; DF = Despesas financeiras; DPR = Despesas
produção; DÑO = Despesas não operacionais; n= número de
observações (meses); Q1 = primeiro quartil; Q3 = terceiro quartil; CV%= coeficiente de
variação em porcentagem.
Tabela 1 (B): Estatística descritiva do balanço financeiro no
período de março de 2008 a março de 2012.
|
Variáveis
|
Assimetria
|
Curtose
|
CV%
|
Desvio padrão
|
N
|
|
RV
|
1,75
|
5,84
|
65,6
|
36864,0
|
49
|
|
OR
|
3,91
|
16,94
|
172,8
|
49619,0
|
49
|
|
DADM
|
1,49
|
2,20
|
99,0
|
3806,0
|
49
|
|
DP
|
1,17
|
1,77
|
51,5
|
7851,0
|
49
|
|
DC
|
2,53
|
7,26
|
128,4
|
2274,0
|
49
|
|
DI
|
4,45
|
20,20
|
272,3
|
4611,0
|
49
|
|
DF
|
3,17
|
14,95
|
105,5
|
19176,0
|
49
|
|
DPR
|
1,03
|
0,75
|
72,6
|
18119,0
|
49
|
|
DÑO
|
4,55
|
23,97
|
192,6
|
38940,0
|
49
|
Em que: RV = Receita de vendas; OR = Outras receitas; DADM = Despesas de administração; DP =
Despesas pessoais; DC = Despesas comerciais; DI = Despesas impostos; DF = Despesas financeiras; DPR = Despesas
produção; DÑO = Despesas não operacionais; n= número de
observações (meses); Q1 = primeiro quartil; Q3 = terceiro quartil; CV%= coeficiente de
variação em porcentagem.
Conforme observado na Tabela 1, as medidas de dispersão expressas pelo coeficiente de
variação de Pearson e pelo desvio padrão, na variável despesa com impostos foi
obtido um valor extremamente alto de 272,3, o que mostra que a média das despesas com impostos
não é representativa. Esta variável apresentou um desvio padrão de 4611,0, esta
variabilidade é corroborada por um valor mínimo de despesas com impostos no valor igual a 0.
Analisado as despesas não operacionais por meio dos mesmos critérios obteve-se um coeficiente de
variação de 192,6 e um desvio padrão de 38940,0.
A analise descritiva por meio da Figura2, que representa o "boxplot" referente as receitas médias ao
longo dos quatro anos (por mês) evidenciou que os meses de maior receita no período dos quatros
anos avaliados foram obtidos nos meses de julho e dezembro de todos os anos.
Figura 2: receitas mensais no período de março de 2008 a
fevereiro de 2012.

Porém verifica-se que nos meses de março, julho e dezembro de todos os anos são os meses
que possuem maior variabilidade, correspondente a conta "outras receitas", conforme apresentado na Tabela 1.
Figura 3: despesas mensais no período de março de 2008 a
fevereiro de 2012.

As despesas médias mensais no período correspondente ao mês 4 observadas na Figura 3
representada pelo "boxplot", vê-se que nos meses de março, julho e dezembro alcançou em
média os maiores valores correspondendo a valores nominais de R$140.562,60, R$122.229,30 R$ 130.450,50;
respectivamente. Entre as sete variáveis analisadas como despesas, os que tiveram maior variabilidade
foram às despesas com impostos (DI) e despesas não operacionais (DÑO).
Figura 4: Boxplot do Lucro líquido mensais no período de
março de 2008 a fevereiro de 2012.

A análise descritiva da Figura 4, observa-se que a empresa possui o seu maior prejuízo no
mês de março. Esta queda pode estar associada ao mês em que paga-se mais impostos.
Há uma oscilação entre lucro e prejuízo, tendendo esta diferença a se
estabilizar entre um período e outro, começando a ter um lucro médio a partir do
mês de setembro.
Figura 5: distribuição de porcentagem em
função do lucro líquido no período de marco de 2008 a fevereiro de 2012.

A Figura 5, referente a distribuição de porcentagem em função do lucro
líquido, de acordo com o resumo estatístico avaliando as medidas de tendência central,
verifica-se que através da mediana a empresa esta tendo no período considerado um lucro de R$
3.058,00 ao mês, em oposição quando avaliado através da média a mesma possui
um prejuízo de R$ 1.012,46.
A distribuição da função lucro líquido é assimetria à
negativa com valor de-1,32913 e apresenta valores para a curtose de 4,08, a análise também
indicou que a distribuição é platicúrtica. Analisando-se o excesso de curtose k -
3 = 4,08 – 3 = 1,08, indicaria que há uma volatilidade implícita nos dados, o que no
futuro quando se proceder uma modelagem destas variáveis, deve-se investigar a presença de
modelos heteroscedásticos, também esta modelagem deve ser considerada dado que o desvio
padrão do lucro líquido é de 29012,37, o que é considerado elevado.
Figura 6: Comportamento dos números índices mensal usando como
referência o primeiro ano
da empresa gráfica (marco de 2008): (a) Receitas; (b) Despesas; (c) Lucro líquido.

De acordo com a Figura 6 (a), onde foram calculados os números índices mensais tomando como
base o primeiro ano do balanço da empresa (2008), com o intuito de verificar o desempenho destas
variáveis ao longo do tempo. O ano de 2009 foi o que apresentou maior oscilação, sendo
que nos anos posteriores houve um comportamento semelhante. Os meses que tiveram picos máximos foram os
meses de abril (2009 e 2011), julho e dezembro (2009), fevereiro (2010) e o mês de março teve uma
proporção do índice quase nula em todos os períodos.
Os números índices calculados para as despesas são mostradas na Figura 6 (b), onde
observa-se um alta variabilidade (em torno de 300%) com ano base 2008.
Tomando como base o ano de 2008 a empresa no primeiro semestre manteve-se na sua maioria em prejuízo,
a partir do segundo semestre a maioria dos meses apresentaram lucro, exceto no mês de setembro de 2009.
O estudo da metodologia Box Jenkins foi dividido em duas partes, a primeira refere-se a
aplicação do modelo Box e Jenkins na série que representa as Receitas (R) obtidas pela
gráfica durante os quatro anos observados. A segunda parte recebe o mesmo tratamento, mas para a
série das Despesas (D01). Na Figura 7 é possível observar o gráfico da
série original (R) das receitas e a mesma após uma diferenciação (D(R)).
Figura 7 – Gráfico da Série original das Receitas e
Série diferenciada

Analisando a Figura 7 é possível identificar que a série original varia bastante em
relação a média, por isso, foi aplicada uma diferenciação que a tornou
estacionária.
Após tornar a série estacionária foram feitos os gráficos da FAC e FACP da
série R para proceder à análise. De acordo com a FAC, há até dois lags que
chegam ao limite do intervalo de confiança indicando a possibilidade da existência da parte de
médias móveis – q. Na FACP identifica-se um lag acima do intervalo de confiança
demonstrado a possibilidade do valor 1 para a parte autoregressiva - p, ou seja, de acordo com a
análise prévia destes gráficos o provável modelo poderá ser ARIMA(1,1,1) ou
ARIMA(1,1,2).
A partir das informações obtidas, a próxima etapa é a definição do
modelo. Dentre os modelos aplicados, e através da análise dos critérios AIC e BIC, aquele
que melhor representa a série R é o ARIMA(1,1,1) que é significativo ao nível de
5% (p<0,05).
O estudo dos resíduos comprova a validade do modelo, já que, apresenta ruído branco e os
resíduos quadráticos indicam que o modelo não é ARCH. A Figura 8 representa a
previsão estipulada pelo modelo, que pode ser expressa pela equação: ARIMA(1,1,1): ŷt = -
0,312157. yt-1 – 0,924307.εt-1 + εt.
Figura 8 – Previsão do modelo ARIMA(1,1,1)

Na Tabela 2 têm-se as previsões de receitas para o próximo semestre da gráfica.
Tabela 2 – Previsões de Receitas
|
Mês
|
yt
|
Previsão
|
|
Abril/12
|
50
|
121420,0
|
|
Maio/12
|
51
|
92701,2
|
|
Junho/12
|
52
|
101870,1
|
|
Julho/12
|
53
|
98942,8
|
|
Agosto/12
|
54
|
99877,4
|
|
Setembro/12
|
55
|
99579,0
|
A segunda etapa do artigo segue a mesma metodologia e organização da primeira entretanto a
série a ser estudada é das Despesas da empresa – D01. Na Figura 9 pode-se observar o
gráfico da série original das despesas (D01) e uma diferenciação (D(D01)).
Figura 9 – Gráfico da Série original das Despesas e
Série diferenciada

Como ficou evidenciado na Figura 9 a série ficou estacionária após a
aplicação de uma diferenciação. Nos gráficos referentes a FAC e FACP,
pode-se notar que há respectivamente um lag indicando a parte q de médias móveis e um lag
para a parte p de autocorrelação. Ou seja, há o indício de que o modelo ideal seja
ARIMA(1,1,1).
Todavia o modelo que apresentou melhor desempenho em relação a série foi o ARIMA(1,1,0)
a um nível de confiança de 95% (p<0,05).
O modelo apresentou ruído branco e do mesmo modo que a série R, não há
aplicação do modelo ARCH, já que, foi feita a análise do correlograma
quadrático dos resíduos a série D01 diferenciada. Na Figura 10 tem-se a
previsão da série D01.
Figura 10 – Previsão do modelo ARIMA(1,1,0)

Essa previsão pode ser efetuada pela equação: ARIMA(1,1,0): ŷt = - 0,611491.yt-1 +
εt ao nível de 5% de significância. As despesas da empresa para o próximo semestre
estão descritas na Tabela 3.
Tabela 3 – Previsões de Despesas
|
Mês
|
yt
|
Previsão
|
|
Abril/12
|
50
|
28973,60
|
|
Maio/12
|
51
|
30632,36
|
|
Junho/12
|
52
|
29528,85
|
|
Julho/12
|
53
|
30262,98
|
|
Agosto/12
|
54
|
29774,59
|
|
Setembro/12
|
55
|
30099,49
|
5 Conclusão
A empresa em estudo encontra-se no primeiro semestre estável, obtendo um lucro no segundo semestre,
possivelmente em decorrência do volume de serviços realizados no mês de outubro, sendo
identificado como evento externo a ocorrência do período eleitoral.
De acordo com os resultados obtidos pela analise estatística a empresa encontra-se no negativo alguns
meses do ano e outros meses com um lucro baixo. Levando em consideração o risco em que a empresa
esta exposta e a alta competitividade no meio gráfico a mesma deve observar detalhadamente o seu plano
de negócios e suas atividades gerenciais, principalmente no setor financeiro.
Foi possível verificar que as séries R (Receitas) e D01 (Despesas) adequaram-se a modelos
diferentes devido ao comportamento distinto das séries ao longo do tempo. A série R segue as
características do modelo ARIMA(1,1,1), enquanto a série D01 o modelo ARIMA(1,1,0). Efetuadas as
previsões dos modelos aceita-se a aplicação da equação do lucro, que
é representada por Lucro = Receita – Custo. Na Tabela 3 estão descritas as
previsões de lucro para o próximo semestre da empresa.
Tabela 4 – Previsões de Lucro
|
Mês
|
Receita prevista
|
Despesa Prevista
|
Lucro previsto
|
|
Abril/12
|
121420,0
|
28973,60
|
92446,4
|
|
Maio/12
|
92701,2
|
30632,36
|
62068,84
|
|
Junho/12
|
101870,1
|
29528,85
|
72341,25
|
|
Julho/12
|
98942,8
|
30262,98
|
68679,82
|
|
Agosto/12
|
99877,4
|
29774,59
|
70102,81
|
|
Setembro/12
|
99579,0
|
30099,49
|
69479,51
|
Após realizar a análise financeira da empresa e através do balanço financeiro,
considerando o período de março de 2008 a fevereiro de 2012, recomenda-se para a empresa
gráfica, buscar alternativas que viabilizem economicamente sua existência principalmente no
primeiro semestre. Também se sugere que a empresa realize uma análise criteriosa de quais
despesas possam ser reduzidas para obter maior lucratividade.
Existe uma infinidade de instrumentos que podem ser aplicados para facilitar a estruturação das
contas e produção das empresas. Por isso, sugere-se que sejam desenvolvidos outros estudos nos
processos internos da gráfica para torná-la mais eficaz e competitiva, ainda mais considerando
que, com quatro anos de existência, a mesma pode ser avaliada nova no mercado.
Referências
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New Jersey: Printice Hall, 1994.
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