1. Introdução
Diante da dinâmica que o mercado apresenta, com constantes mudanças tecnológicas e um
comércio voltado para a inovação tornou-se um dos fatores determinantes no sucesso das
organizações. O consumidor busca constantemente o que tem de mais atual no mercado,
porém, quando o tema é alimentos a inovação tem outro foco, pois a
motivação da compra de alimentos está baseada na tradição, segurança
alimentar e preço, o que faz com que os consumidores aceitem com facilidade apenas mudanças
gradativas e pouco radicais, transformando num desafio a inovação na área de alimentos
(QUEIROZ; MACHADO; BOUROULLEC, 2008).
No Brasil o Valor Bruto da Produção Agropecuária em 2010 foi de 257,6 bilhões de
reais, tendo o setor lácteo participado de forma expressiva com 22,4% deste montante, o que equivaleu a
22 bilhões de reais (PEDROSO et al., 2014). O Paraná por sua vez, é um dos estados que
vem se destacando em nível nacional, ocupando a terceira colocação entre os principais
estados produtores de leite do Brasil, ficando atrás somente de Minas Gerais e Rio Grande do Sul
(EMBRAPA, 2013). E, segundo dados do Ipardes (Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e
Social) (2010), no estado do Paraná três bacias se destacam na produção de leite,
Centro-Oriental, Oeste e Sudoeste, concentrando 48,5% dos produtores de leite do Estado e 53% da
produção estadual de leite. Dessas três regiões, é no Sudoeste que existe a
maior concentração de laticínios de micro e pequeno porte e sob o SIP (Serviço de
Inspeção Paranaense).
O sistema SIP, segundo o IPARDES (2010), concentra principalmente laticínios de micro e pequeno porte,
estabelecimentos que possuem capacidade produtiva ociosa e que podem ser aproveitadas a fim de fomentar o
crescimento das agroindústrias individualmente e, consequentemente do setor. Queiroz, Machado e
Bouroullec (2008) citam que os laticínios de pequeno porte sofrem forte pressão em seu campo de
atuação e que a sobrevivência das agroindústrias do setor lácteo está
profundamente ligada à segurança do consumidor em relação ao consumo e à
redução de desperdícios na cadeia de produção. Sendo assim, devem ficar
atentas à gestão tecnológica, com uma visão estratégica de marketing,
buscando identificar os desejos e as necessidades dos consumidores.
Estudos que contribuem para o desenvolvimento tecnológico de novos processos e produtos, que
favoreçam o aumento da produtividade e o crescimento dos pequenos laticínios, são de
grande relevância.
Kachba e Hatakeyama (2013) afirmam que o baixo investimento em pesquisa e desenvolvimento (P&D) das
pequenas e médias empresas reduz a capacidade de inovações radicais. E, Francis e Bessant
(2005) afirmam que desenvolver a capacidade de inovação é uma importante
estratégia, uma vez que a inovação desempenha um importante papel para a
sobrevivência e o crescimento das empresas.
Diante do exposto, o objetivo do estudo é apurar o panorama da inovação de produtos em
laticínios do Sudoeste do Paraná sob o sistema SIP (Serviço de Inspeção
Paranaense), através de questionário estruturado com perguntas discursivas e optativas,
classificada como pesquisa descritiva.
2. Inovação
De acordo com a redação da Lei nº 10.973/2004 (Lei da Inovação) em seu
artigo 2º, inciso IV, considera-se inovação a "introdução de novidade ou
aperfeiçoamento no ambiente produtivo ou social que resulte em novos produtos, processos ou
serviços". A correta compreensão do termo é importante para a gestão da
inovação, Drucker (1998, apud Danilevicz e Ribeiro, 2013, p. 61) cita que "[...]
inovação não é invenção, nem descoberta. Ela pode requerer qualquer
das duas – e com frequência o faz. Mas o seu foco não é o conhecimento, mas o
desempenho – e numa empresa isso significa desempenho econômico".
Francis e Bessant (2005) citam a inovação como o reconhecimento de uma oportunidade de
mudança que otimize a rentabilidade, sendo que essas oportunidades devem ser buscadas, adotadas na
prática e geridas de forma estratégica. Em complemento, Domingues e Paulino (2009) citam que a
inovação está intimamente ligada à criação de vantagens competitivas
e à elevação dos padrões competitivos da indústria.
Lima (2004) por sua vez, afirma que, a inovação resulta em aprendizagem organizacional
desenvolvimento regional, aumento da competitividade das empresas e aumento da participação das
mesmas no seu setor de atuação.
Percebe-se, que a inovação vai além da novidade ou melhoria, sendo indispensável
que esses fatores resultem em retorno financeiro e economico para as empresas, ou seja, as invençoes,
descobertas, novidades e melhorias devem ser comercializáveis. Além disso, é importante
considerar que os processos de inovação são dependentes das pessoas, tornando relevante a
existência na organização de um ambiente que promova a inovação, e por isso,
"é impossível ignorar a relevância de fatores ligados ao modo como essas pessoas se
relacionam entre si, com os projetos e com a organização, às configurações
de poder que permeiam a empresa e às formas com que as diferentes funções interagem"
(STEFANOVITZ; NAGANO, 2013, p. 5).
A inovação pode acontecer em três categorias diferentes: inovação de
produto, inovação de processos e inovação organizacional. Segundo a OCDE (2005) a
inovação de processo compreende métodos de produção ou
comercialização totalmente novos ou significativamente aprimorados. Já a
inovação organizacional conforme a OCDE (2005, p. 21), compreende "introdução de
estruturas organizacionais significativamente alteradas; implantação de técnicas de
gerenciamento avançado; implantação de orientações estratégicas
novas ou substancialmente alteradas". Contudo, pela recomendação da mesma, a mudança
organizacional somente é considerada como inovação se apresentar mudança nos
resultados da empresa, como aumento de produtividade ou de vendas.
A inovação de produto, por sua vez, compreende a produção ou
comercialização de produtos com desempenho aprimorado que ofereçam ao consumidor
serviços novos ou aprimorados (OCDE, 2005). Ou seja, a inovação de produto trata da
apresentação de novidades ao portfólio da empresa a fim de promover a
manutenção no mercado.
Neste contexto, Takahashi e Takahashi (2007) diferencia inovação tecnológica de
inovação de produtos, onde a primeira compreende um conjunto ordenado de conhecimentos
empregados no desenvolvimento, na produção, comercialização e
utilização de bens ou serviços enquanto a segunda compreende o resultado da
aplicação de uma tecnologia com vistas ao atendimento das necessidades do mercado.
As possibilidades de se introduzir inovação de produto podem partir de quatro dimensões:
"(1) advento de novas tecnologias capazes de oferecer novas soluções e benefícios; (2)
mudanças no macro ambiente capazes de influenciar realidades setoriais específicas; (3) novas
tendências de consumo e necessidades por parte de consumidores/clientes; e (4) movimentos da
concorrência que alimentem novas estratégias de mercado" (STEFANOVITZ; NAGANO, 2013).
Onoyama et al. (2006) afirmam que a inovação de produtos é bastante complexa, pois,
envolve, dentre outros, as necessidades e desejos dos consumidores, que muda grande frequência, as
constantes mudanças tecnológicas e alterações na legislação,
exigindo a cooperação dos mais diversos setores de uma organização a fim de uma
gestão de inovação que seja congruente.
Francis e Bessant (2005) também afirmam que a gestão do desenvolvimento de novos produtos
é um processo complexo, que oferece incertezas e riscos, contudo, é de fundamental
importância para o sucesso da mesma. Citam ainda que uma empresa pode planejar várias
gerações de produtos, incluindo produtos derivados, assim a inovação estaria
orientada a estratégia da mesma, podendo inovar, inclusive no próprio processo de
desenvolvimento de novos produtos. Neste sentido, Wu et al. (2010) em seu estudo avaliaram justamente a
inovação baseada no risco da tomada de decisão, onde através de modelagem,
verificaram que as decisões tomadas por uma equipe de gestão de inovação
são mais seguras que as decisões tomadas por apenas um gestor.
3. Inovação na agroindústria
Apesar da relevância da inovação para o sucesso empresarial, a gestão
tecnológica ainda deixa a desejar no setor de laticínios, principalmente nos que agregam pouco
valor aos seus produtos, talvez o fator de maior relevância para a baixa estruturação
gerencial e tecnológica do setor lácteo do Brasil seja o baixo preço pago aos produtores
rurais, que se comparado com o de outros países de tradição na produção
leiteira, estão aquém do desejado (QUEIROZ; MACHADO; BOUROULLEC, 2008).
Ainda segundo Queiroz, Machado e Bouroullec (2008) o setor da indústria alimentícia geralmente
não modifica radicalmente seus produtos, justificando que isso se deve a motivação de
compra do consumidor estar centrada na tradição, que aceita apenas mudanças gradativas e
poucos radicais nos seus hábitos alimentares.
Lima (2004) em seu estudo sobre a inovação nas agroindústrias alimentícias do
Paraná identificou que a maior parte das agroindustrias paranaenses são de micro e pequeno
porte, e que, em sua maior parte, são constituídas de capital totalmente nacional. As quais
apresentam dificuldades de possuir sistêmicos programas de inovação tecnológica.
Além disso, as agroindústrias paranaenses apresentam ainda fortes limitadores da capacidade
inovativa como questões financeiras, recursos humanos despreparados e falta de fonte de
informações.
Considerando o contexto da agroindústria paranaense, os princípios de inovação
que se destacam são inovação nas máquinas e ferramentaria mais usadas e
inovação de processos, tendo como base de informações o mercado. A maioria das
agroindústrias do Paraná, não possui um programa de inovação
contínuo, apesar de ser perseptível a necessidade de inovação tecnológica
(LIMA, 2004). Além disso, Lima (2004) verificou que quanto menor a agroindústria, menos
indicadores de inovação são encontrados e maior é a resistência com
relação aos aspectos de inovação, e que, mesmo as grandes agroindústrias,
por mais que apresentem processos de inovação tecnológica mais amadurecidos, os mesmos
ainda são conservadores.
Em dados levantados pelo Ipardes (2010), nos últimos cinco anos, aproximadamente 35% dos
laticínios paranaenses lançaram algum tipo de novo produto. Porém, considerando o porte
das empresas, aproximadamente 90% dos laticínios de micro porte e pouco mais de 60% dos de pequeno
porte não diversificaram a sua produção, revelando uma elevada limitação
inovadora nesse grupo de produtores industriais. Além disso, nos casos em que houve
inovações de produto, foram resultado de tentativas de mudança via
alterações em produtos já existentes, como por exemplo, alteração de sabor,
sem necessariamente representar uma mudança ou incorporação de nova tecnologia ou de uma
pesquisa específica para tal. Pelo contrário, o Ipardes (2010) afirma que a base de
informação para o lançamento de novos produtos na indústria láctea
são os fornecedores de máquinas, equipamentos e de insumos.
Outro fator importante é o relato de apenas uma grande empresa da indústria láctea
paranaense possuir um departamento formalizado de P&D encarregado de atuar com vistas à
inovação de produtos e processos (IPARDES, 2010). Percebe-se, portanto, que o setor
lácteo do sudoeste do Paraná, devido ao fato de ser formado principalmente por micro e pequenas
agroindústrias tende a apresentar o baixo nível de inovação.
4. Procedimentos metodológicos
Segundo definições de Vasconcelos (2002) esta pesquisa classifica-se quanto ao objeto, como
temática ou focal simples; quanto à natureza dos dados, como mista, pois é composta de
dados qualitativos e quantitativos e a análise classificada como descritiva.
A coleta dos dados foi realizada a partir da aplicação de um questionário aos gestores
das agroindústrias de produtos lácteos do Sudoeste do Paraná sob o sistema SIP. O
instrumento divide-se em dois blocos: bloco I – Caracterização da dos laticínios e,
bloco II – panorama da inovação de produtos. No bloco I questionou-se sobre o volume de
processamento de leite, número de funcionários e produtos processados. No bloco II questionou-se
quanto ao processo atual de desenvolvimento de novos produtos, quanto aos novos produtos lançados nos
últimos quatro anos, quanto as características das inovações apresentadas (novos
produtos ou novas variedades) e, em caso de existência de lançamento de novos produtos, quanto a
origem dos recursos investidos nessas inovações.
A elaboração do instrumento de pesquisa teve por base o instrumento utilizado por Alves (2010).
O questionário, neste estudo, teve como função descrever as características da
amostra selecionada com vistas ao alcance do objetivo de apresentar um panorama da inovação de
produtos nos laticínios sob o sistema SIP (RICHARDSON, 2011). O questionário foi aplicado entre
os meses de novembro e dezembro de 2013 em nove dos quatorze laticínios sob responsabilidade do SIP. A
escolha desta amostra deu-se pela representatividade da agroindústria láctea do sudoeste do
Paraná, na economia do Estado e também pelo fato de que a maioria dos laticínios sob o
sistema SIP estão classificados como pequeno e médio porte (IPARDES, 2010). A identidade dos
laticínios pesquisados foi preservada, sendo identificados neste artigo por números
arábicos.
5. Caracterização dos laticínios
pesquisados
Com relação ao volume de leite processado, pode-se verificar na Figura 1 que quatro
laticínios (3, 4, 5 e 8) possuem processamento inferior a 10 mil litros de leite por dia enquanto
apenas o laticínio 2 tem o processamento superior a 90 mil litros de leite dia. Percebe-se que o volume
de processamento de leite é diferenciado de laticínio para laticínio, contudo, a maior
parte processa um volume abaixo de 30 mil litros de leite por dia. Porém, considerando a média
do volume de processamento de leite dos laticínios pesquisados obteve-se o número de 28.277,77
litros de leite por dia (± 31.113,81).

Figura 1 - Volume de processamento de leite (litros/dia)
Todos produzem queijos de diferente variedades, 22,22% produzem manteiga ou creme de leite.
A Figura 2 apresenta o tipo de queijo mais produzido pela empresas.

Figura 2 - Tipo de queijos produzidos
O queijo ricota é o tipo mais produzido pelas empresas (77,78%) seguido do mussarela (66,67%),
colonial (44,44%), prato (33,33%), provolone (22,22%) e por últimos os tipos: asiago, cacciotta,
colonical fracionado, colonial temperado e pecorrino (11,11%).
Quanto ao porte dos laticínios, verificou-se com base na classificação do Sebrae (2012),
e no número de funcionários (Tabela 1), que os laticínios 1, 3, 5, 8 e 9, (55,56%)
classificam-se como de micro porte e os laticínios 4, 6 e 7 (33,33%) classificam-se como de pequeno
porte e apenas o laticínio 2 (11,11%) classifica-se como de médio porte e nenhum dos
laticínios pesquisados está na categoria de grande porte. Dessa forma 88,89% das
agroindústrias lácteas pesquisadas são de micro e pequeno porte. A média de
funcionários nos laticínios pesquisados foi de µ =26,89 (± 30,97).
Tabela 1 - Classificação de empresas de acordo com número
de funcionários
|
Porte da empresa
|
Número de funcionários
|
|
Micro
|
Até 19
|
|
Pequeno
|
20 à 99
|
|
Médio
|
100 à 499
|
|
Grande
|
Mais de 500
|
Fonte: SEBRAE (2012)
Quanto aos produtos processados identificou-se que o principal produto é o queijo mussarela,
não constando no portfólio de produtos de apenas três laticínios (3, 5 e 8).
Contudo, os laticínios pesquisados além do queijo mussarela ainda produzem o queijo prato, o
queijo colonial, queijo provolone, queijo asiago, queijo cacciotta, queijo pecorino, queijo colonial
fracionado, queijo parmesão, creme industrial, manteiga industrial, queijo ricota, creme de leite e
manteiga.
Além disso, as variedades de produtos também são diferentes em cada
agroindústria. Enquanto o laticínio 3 produz apenas um tipo de produto, o laticínio 2
produz 7 produtos diferentes, como pode-se confirmar a partir da tabela 2. Também se verificou
correlação significativa (p<0,001) entre o volume de processameto e o número de
funcionarios (r=0.8867), ou seja, quanto maior o volume de processamento maior o número de
funcionários empregados no processo.
Tabela 2 - Caracterização dos laticínios pesquisados
|
|
Laticínio
|
|
Identificação
|
1
|
2
|
3
|
4
|
5
|
6
|
7
|
8
|
9
|
|
Funcionários
|
8
|
104
|
8
|
27
|
4
|
29
|
35
|
8
|
19
|
|
Porte
|
Micro
|
Médio
|
Micro
|
Pequeno
|
Micro
|
Pequeno
|
Pequeno
|
Micro
|
Micro
|
|
Processamento em litros de leite/dia
|
11.000
|
95.000
|
5.000
|
6.000
|
2.000
|
56.000
|
30.000
|
10.000
|
40.000
|
|
Produtos Processados
|
Número
|
1
|
7
|
1
|
3
|
5
|
2
|
5
|
4
|
3
|
|
Tipo
|
Mussarela
|
Mussarela,
Prato,
Colonial,
Provolone,
Ricota
creme de leite, manteiga
|
Colonial
|
Mussarela,
Prato,
Ricota
|
Colonial,
Asiago,
Cacciotta,
Pecorino
Ricota
|
Mussarela,
creme industrial,
Ricota
|
Mussarela, Parmesão,
Provolone,
Ricota,
Manteiga
|
Colonial,
Ricota,
colonial fracionado
|
Mussarela,
Ricota,
manteiga industrial
|
|
Pesquisa e Inovação
|
Desenvolveram
ou
estão desenvolvendo novos produtos
|
Sim
|
Não
|
Não
|
Sim
(3)
|
Não
|
Não
|
Não
|
Não
|
Não
|
|
Lançamento de
produtos nos últimos 4 anos
|
0
|
1
|
1
|
1
|
4
|
1
|
0
|
1
|
2
|
Diante do exposto percebe-se que os laticínios da região Sudoeste do Paraná, sob o
sistema SIP, caracterizam-se como laticínios de micro e pequeno porte, onde a maior parte está
com volume de processamento inferior a 30 mil litros de leite por dia e tendo como principal produto o queijo,
em suas diversas variedades.
6. Panorama da inovação de produtos
No bloco II do instrumento de pesquisa, que trata do panorama da inovação de produtos,
primeiramente questionou-se aos laticínios se os mesmos desenvolvem ou estão desenvolvendo novos
derivados lácteos, onde percebeu-se que apenas o laticínio 1 e 4 afirmam que desenvolvem ou
estão desenvolvendo novos produtos, o que representa o percentual de 22,22% do total dos
laticínio pesquisados. Os demais laticínios pesquisados afirmaram que atualmente não tem
desenvolvido novos produtos, o que leva a crer que a capacidade produtiva pode não estar sendo
totalmente aproveitada, pois dados do Ipardes (2010) afirmam que há ociosidade da capacidade produtiva
nos laticínios do Sudoeste do Paraná, principalmente nos de micro e pequeno porte, que
são a grande maioria das agroindústrias pesquisadas.
A pergunta 2 questionou se a empresa lançou novos produtos nos últimos 4 anos e, se
lançou, quais foram os produtos lançados. Obteve-se como resposta do laticínio 1 que
nenhum novo produto foi lançado neste período, mas que estão em processo de
liberação para lançamento de requeijão do norte e de queijo quali. O
laticínio 2 afirmou ter lançado apenas um produto nos últimos 4 anos, o creme de leite,
assim como o laticínio 3 que lançou apenas o queijo colonial temperado. O laticínio 4
afirmou que lançou o queijo prato e estão em processo de liberação para
lançamento de três novos produtos, dos quais o mesmo manteve sigilo. O laticínio 5 por sua
vez afirmou ter lançado 4 produtos nestes últimos 4 anos, sendo eles o queijo colonial, o queijo
cacciotta, o queijo pecorino e a ricota. O laticínio 6 afirmou ter lançado apenas o creme
industrial e o laticínio 7 afirma que nos últimos 4 anos não lançou novos
produtos. O laticínio 8 afirma ter lançado neste período o queijo colonial fracionado,
enquanto o laticínio 9 afirma ter lançado dois novos produtos, a ricota e a manteiga industrial.
Diante disso, percebe-se que, nos últimos 4 anos,dos laticínios pesquisados, apenas 33,33%
(laticínios 4, 5 e 9) lançaram mais de um novo produto, que 22,22% (laticínios 1 e 7)
não lançaram produtos novos e a grande maioria, 44,45% (laticínios 2, 3, 6 e 8)
lançaram apenas um novo produto. Novamente, fica evidente que a capacidade de consumo da região
pesquisada, assim como sua capacidade produtiva ociosa podem não estarem sendo aproveitadas como
poderiam. Além disso, os laticínios pesquisados não apresentam alto grau de
inovação. Contudo, não se pode deixar de considerar que, apesar de serem
agroindústrias de micro e pequeno porte, apenas dois laticínios não lançaram novos
produtos no período pesquisado.
Em seguida questionou-se sobre as características dos produtos lançados, se são novos
produtos ou alteração em produtos que já fazem parte do portfólio da empresa, e em
caso de alteração de produto classificar se é novo rótulo, nova variedade, nova
embalagem ou novo método. Nesta questão apenas os laticínios 3 e 8 (28,57%) afirmaram que
as características dos novos produtos lançados são alteração de produto,
classificada como nova variedade, os demais laticínios que lançaram novos produtos (71,43%)
afirmaram ser um novo produto, porém, verifica-se que são novos para a empresa, mas não
para o mercado. Percebe-se que as inovações apresentadas não são radicais, pois,
até mesmo as classificadas como novos produtos não são novidade para o mercado
consumidor, são novidade somente no portfólio de produtos da empresa.
Com relação à origem dos recursos investidos para o desenvolvimento dos novos produtos
lançados, seja ele classificado como novo produto ou nova variedade, todos afirmaram ser de origem
própria. Dessa forma, pode-se inferir que as agroindústrias pesquisas, preferem investir na
inovação de produtos sem os riscos que um financiamento com capital de terceiros oferece, e
possivelmente, também pelos riscos que a inovação por si só oferece.
A partir do exposto acima, pode-se perceber que as agroindústrias sob o SIP apresentam certo grau de
inovação, contudo, pode ser considerado baixo diante do pesquisado, sem um processo estruturado
com vistas a desenvolver produtos a partir das necessidades ou desejos dos consumidores.
7. Considerações finais
Os dados levantados mostraram que as agroindústrias lácteas sob o sistema SIP da região
Sudoeste do Paraná são principalmente de micro e pequeno porte, com nível de
inovação em produtos que pode ser considerado baixo e que produz em sua maioria, queijo de
diversas variedades, tendo como principal produto o queijo mussarela.
Neste sentido, verificou-se que apenas dois laticínios estão em processo de lançamento
de novos produtos, e que, apesar de nos últimos 4 anos apenas dois laticínios não
lançarem novos produtos, percebe-se que foram poucos os produtos lançados e que são
novidades apenas para a empresa e não para o mercado. Além disso, constatu-se que nenhum dos
laticínios pesquisados apresenta um processo estruturado para o desenvolvimento e lançamento de
novos produtos.
Outro dado relevante da pesquisa é a origem dos recursos investidos para o lançamento de novos
produtos, que em sua totalidade, sao providos pelos próprio laticinios. Percebe-se que as
agroindustrias de micro e pequeno porte que se arriscam a lançar produtos novos, não querem
assumir também os riscos de um financiamento com capital de terceiros, tornando-se um fator que
colabora para o nível de inovação em produtos ser insuficiente Lima (2004). Além
disso, de acordo com Queiroz, Machado e Bouroullec (2008), por se tratar de produtos alimentícios,
há dificuldades em apresentar inovações radicais, como pode-se verificar pelos novos
produtos lançados pelas empresas pesquisasdos serem novos apenas para o portfólio das empresas e
não para o mercado consumidor.
Assim, considerando os estudos apresentados no referencial deste artigo, verifica-se que os dados
apresentados estão em consonancia aos apresentados por Lima (2004), Queiroz, Machado e Bouroullec
(2008) e Ipardes (2010), confirmando que os laticínios de micro e pequeno porte, mantém baixo
nível de inovação em produtos, constatando inclusive falta de investimento em um processo
estruturado de desenvolvimento de produto. Este contexto pode ser resultado de uma cultura conservadora
presente nos empreendimentos de pequeno porte, do receio de assumir os riscos que os investimentos em
inovação apresentam, do baixo investimento em P&D, da falta de recurso para investimento em
uma estrutura que comporte um processo de inovação continuo, dentre outros fatores.
8. Referências
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2010. 117 f. Dissertação (Mestrado em Administração) UFRS, Porto Alegre, 2010.
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