1. Introdução
A preocupação com fatores climáticos e seus efeitos nas mais diversas áreas
têm crescido consideravelmente. Estudos voltados a compreender seu comportamento vêm ganhado
importância nos últimos anos, onde temas como aquecimento global, emissão de gases na
atmosfera, índices pluviométricos, impactos da constante poluição principalmente
nas grandes cidades, qualidade do ar, índices de poluentes, raios solares, efeito estufa etc., vem
sendo constantemente debatidos e podem ser vistos em diversos trabalhos publicados na literatura.
Em Fortaleza, MAGALHÃES E ZANELLA (2011) buscaram entender o comportamento das variáveis
climáticas: temperatura do ar e índices pluviométricos. Verificando uma tendência
crescente de chuvas e um comportamento heterogêneo espacial e temporalmente, porém similar a cada
ano, podendo causar chuvas excessivas em curtos períodos acarretando sérios problemas a
população. O estudo da temperatura do ar apresentou pouca variabilidade temporal com 2ºC
entre a temperatura máxima e mínima. Subsidiando informações necessárias
para se compreender a dinâmica dos mesmos para a região.
Os impactos ambientais no ecossistema urbano foram analisados em estudo desenvolvido por MUCELIN E BELLINI
(2008). Estes autores concluíram que a inadequada utilização dos ambientes urbanos nas
cidades do Brasil acena para um comportamento comumente observável e implicam em danos ambientais
graves e inconsequentes.
Por meio do ajuste de modelos matemáticos ESPINOSA et al. (2010) buscaram prever os focos de
calor do Mato Grosso do Sul. Concluindo que previsões são importantes, pois permitem medidas
preventivas para a diminuição desses números e, dessa forma, ajudam a diminuir os danos
causados, não só ao meio ambiente, mas na saúde e na economia desse Estado.
Para ASSIS (2000), as cidades, devido à quantidade de energia que utilizam, constituem as maiores
fontes indiretas de gases causadores do efeito estufa relacionados ao aquecimento global.
CONTI (2005) discute as principais questões climáticas que vem sendo estudadas com especial
interesse aos trabalhos que se dedicam às ciências da natureza e da sociedade. Segundo o autor a
questão das mudanças climática precisa passar por uma apreciação mais
refinada a fins de que se possa determinar o papel da natureza e o da ação do homem no processo,
mesmo porque as duas esferas podem causar influências.
CHECHI E SANCHES (2013) utilizaram a análise de séries temporais aplicada a dados
climatológicos de Erechim – RS com a finalidade de modelar os índices médios
mensais pluviométricos. E concluíram que as diferenças encontradas nos extremos
pluviométricos estão associadas à participação do fenômeno ENOS no
período estudado tanto na sua fase positiva (El Niño) como na fase negativa (La Niña). Os
mesmos autores analisaram o comportamento do fenômeno ENOS no Alto Uruguai utilizando-se de dados de
precipitação dos municípios do Rio Grande do Sul de Erechim, Quatro Irmãos e
Erebango, demonstrando que em anos enquadrados como muito úmidos estão relacionados com
fenômeno (El Niño) já nos anos considerados secos ou extremamente secos apresentam baixa
correspondência com o fenômeno (La Niña).
Ainda, segundo GIODA E GIODA (2006), em grandes cidades, elevados níveis de poluição
oriundos da circulação de automóveis, caminhões/ônibus, indústrias e
outras fontes, associadas às constantes alterações entre níveis máximos e
mínimos na temperatura e umidade relativa do ar, potencializam a concentração de
poluentes causando danos à saúde, que podem variar desde mudanças bioquímicas e
fisiológicas a episódios de sinusite, hipertensão, ardência nos olhos, estresse,
escamação da pele, perda dos sentidos, dificuldade de respirar, tosse e agravamento de
doenças respiratórias e cardíacas.
O conhecimento da umidade relativa do ar e suas interações com outros elementos
meteorológicos, segundo DELGADO (2007), ajudam no planejamento, manejo e gestão dos recursos
hídricos. E, a sua medição ou estimativa é fundamental em diversas áreas do
conhecimento, como em estudos bioclimatológicos e agrometeorológicos.
Algumas áreas podem se beneficiar diretamente de estudos climatológicos, como o setor
primário (agricultura) e a área da saúde. BARCELLOS et al. (2009) destacam que o
clima da Terra esteve, desde sempre, sujeito a mudanças produzidas por ciclos longos ou curtos, que
estão registrados na história da humanidade. Além disso, destacam que ainda são
necessários estudos mais detalhados no nível regional para verificar o impacto destes eventos na
dinâmica de doenças infecciosas.
Da mesma forma, BARCELLOS et al. (2009) recomenda que novas metodologias devem ser buscadas, o que
inclui a análise de extensas séries temporais em fatores climáticos, considerando que
diversas doenças, principalmente as transmitidas por vetores, são limitadas por variáveis
ambientais como temperatura, umidade, padrões de uso do solo e de vegetação.
Assim, é importante testar modelos estatísticos para dados climatológicos que podem,
posteriormente, ser utilizados em outras regiões apenas modificando as séries históricas.
Apesar de um número crescente de trabalhos abordando modelagens estatísticas aplicadas a
séries históricas em diversas áreas, existem poucas pesquisas de séries temporais
aplicadas para a varável Umidade Relativa do Ar (UR). Com isso, se destaca a contribuição
deste estudo, devido à grande influência que a variável em estudo pode ter em diversas
áreas (econômicas, climatologia, epidemiologia, entre outras).
Assim, o objetivo deste trabalho é realizar uma comparação entre o desempenho de duas
classes de modelos utilizados para ajuste e previsão em séries temporais: modelos de alisamento
exponencial Holt-Winters e modelos Autorregressivos Integrados de Médias Móveis sazonais
(SARIMA) aplicados à série histórica de Umidade Relativa do Ar de Santa Maria –
RS..
2. Metodologia
Os dados em análise referem-se à série histórica de 147 observações
da média mensal da Umidade Relativa do Ar (UR), coletados diariamente, no período compreendido
entre outubro de 2001 a janeiro de 2014 na Estação Climatológica de Santa Maria - RS
(OMM: 83936), obtidos junto ao Banco de Dados Meteorológicos para Ensino e Pesquisa (BDMEP) mantido
pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INMET).
Inicialmente foram calculadas algumas medidas descritivas da variável (média, mediana,
desvio-padrão, coeficiente de variação, mínimo e máximo) com o objetivo de
caracterizá-la.
Posteriormente foi ajustado um modelo SARIMA à série histórica, considerando a
presença da componente sazonal.
Conforme MORETTIN E TOLOI (2004), uma série temporal é qualquer conjunto de
observações ordenadas no tempo. E segundo BATISTA (2009) o objetivo da análise de
séries temporais é construir modelos com propósitos determinados, tais como: descrever o
comportamento da série, investigar o mecanismo gerador da série, fazer previsões de
valores futuros e procurar periodicidades relevantes nos dados.
Ainda de acordo com BATISTA (2009) dentre os modelos paramétricos a classe de modelos ARIMA vem sendo
largamente utilizado.
O modelo proposto por BOX E JENKINS (1976) consiste em ajustar modelos ARIMA (p,d,q) a um conjunto de dados.
Onde p é o número de parâmetros da parte autorregressiva (AR), d é o número
de diferenças sucessivas que devem ser aplicadas à série e q é o número de
parâmetros da parte de médias móveis (MA).
A construção do modelo é fundamentada em um ciclo interativo, onde a escolha da
estrutura do modelo é baseada nos próprios dados.
Segundo BOX et al. (1994), para a construção do modelo são consideradas
três etapas:
1) Identificação: consiste em descobrir qual dentre as várias
versões dos modelos de Box-Jenkins, sejam eles sazonais ou não, descreve o comportamento da
série. A identificação do modelo pode ser realizada analisando-se o comportamento das
funções de autocorrelações (ACF) e das funções de
autocorrelações parciais (PACF).
2) Estimação: consiste em estimar os parâmetros do modelo ajustado.
3) Verificação: consiste em avaliar se o modelo ajustado é adequado
para descrever o comportamento dos dados.
Os estágios do ciclo interativo estão representados na Figura 1.

Figura 1- Fluxograma do ciclo iterativo de Box e Jenkins
Fonte: Adaptado de BOX et al. (1994).
O modelo ARIMA é um caso geral dos modelos propostos por BOX E JENKINS (1976), para o ajuste de
séries temporais estacionárias. Entretanto, geralmente, as séries encontradas apresentam
tendência e (ou) sazonalidade.
A não-estacionariedade de uma série implica que: a) há inclinação nos
dados e eles não permanecem ao redor de uma linha horizontal ao longo do tempo e/ou b) a
variação dos dados não permanece essencialmente constante sobre o tempo, isto é,
as flutuações aumentam ou diminuem com o passar do tempo, indicando que a variância
está se alterando, segundo WERNER E RIBEIRO (2003).
Para tornar a série estacionária, pode-se recorrer ao processo de transformações
dos dados. Segundo MORETTIN E TOLOI (2004), a transformação mais comum consiste em tomar
diferenças sucessivas da série original até obter uma série estacionária.
A primeira diferença de Zt é definida por:

A segunda é dada por:

Em situações normais, ainda segundo os autores citados, será suficiente tomar uma ou
duas diferenças para que a série se torne estacionária. O número d de
diferenças necessárias para tornar a série estacionária é denominado ordem
de integração.
Assim, a inclusão do termo de ordem de integração permite que sejam utilizados a classe
geral dos modelos ARIMA (p,d,q) dados pela equação:

em que os parâmetros , são os parâmetros referentes à parte autorregressiva e ,
são os parâmetros de médias móveis, é erro que não pode ser estimado
do modelo, d representa o número de diferenças aplicadas na série.
No caso em que há presença da componente sazonal nos dados, a classe de modelos é
denominada SARIMA (p,d,q)(P,D,Q), dado por:

em que (P,D,Q) são referentes às ordens do modelo da parte sazonal. Os parâmetros ,
são os parâmetros referentes à parte autorregressiva sazonal e , são os
parâmetros de médias móveis, é erro que não pode ser estimado do modelo e D
indica o número de diferenças sazonais realizadas na série para estacionarizá-la.
Para um bom ajuste do modelo de Box e Jenkins, é necessário utilizar técnicas em que a
estrutura residual seja um ruído branco, isto é, que o resíduo seja uma variável
aleatória independente e identicamente distribuída, JUNIOR (2007).
Além disso, quando se tem por objetivo gerar previsões de valores futuros da série, os
critérios ACI e BIC são utilizados para determinar a eficiência dos modelos ajustados.
Os critérios de AIC (Akaike Information Criteria) proposto por AKAIKE (1974), e o BIC
(Bayesian Information Criterion) desenvolvido por AKAIKE (1978) e dados por:

Estes critérios penalizadores levam em conta a variância do erro, o tamanho da amostra e os
valores dos parâmetros estimados. Recomenda-se o ajuste de vários modelos concorrentes e, a
partir dos valores dos critérios citados, escolher o modelo mais adequado para realizar
previsões h-passos à frente. Quanto menores forem estes valores melhor o ajuste do
modelo e, por consequência, melhores serão as previsões.
Para efeito de comparação de previsões, foi ajustado um modelo de alisamento exponencial
de Holt-Winters, que pode ser de dois tipos: multiplicativo e modelo aditivo, de acordo com o comportamento
das componentes da série.
Cada um dos procedimentos (aditivo ou multiplicativo) requer a determinação de três
constantes de alisamento (A, C e D), associadas a cada uma das componentes para sazonalidade, nível e
tendência.
Os valores das constantes (A, C e D) são obtidos de modo que se obtenha a mínima soma dos
quadrados dos erros de ajustamento das constantes de suavização.
Uma das vantagens do método é a facilidade de manuseio, sendo também recomendados para
séries que apresentam tendência e sazonalidade.
O modelo aditivo é apresentado pela seguinte equação:

para t=1,...,N onde N é tamanho da série.
As três equações de suavização são apresentadas abaixo:

onde A, C e D são as constantes de alisamento exponencial.
A equação de previsão(h) para o modelo aditivo é dada por:
com h = 1, 2,...,s.

com h = s+1, ....,s.
O modelo multiplicativo é representado pela seguinte equação:

para t=1,...,N onde N é tamanho da série.
As três equações de suavização são apresentadas abaixo:

Onde: A, C e D são as constantes de suavização, que são determinados pelos
vetores (A, D, C), que minimiza os erros quadráticos de previsão, s corresponde ao valor de
sazonal e N o número de observações.
A equação de previsão do modelo multiplicativo é dada por:

com h = 1, 2, ......s.

com h = s+1, ......s.
Para escolha do melhor modelo serão reservadas as últimas cinco observações da
série histórica para fins de comparação com os valores previstos pelos modelos
ajustados, além dos critérios AIC e BIC.
Os dois critérios de avaliação da qualidade das previsões utilizados foram: MAD
(mean absolute deviation) e SSE (sum of square for forecast error), apresentados a seguir:

onde: é o valor da série no instante t;
é o valor previsto para o
instante t;
n é o número
período de tempos.
O MAD representa a diferença absoluta média entre o valor atual e o valor previsto, enquanto
que o SSE é a soma dos quadrados destas diferenças.
Para o ajuste e estimação dos parâmetros dos modelos SARIMA e de Holt-Winters foi
utilizado o Software livre R.
3. Resultados
Para um melhor entendimento da variável UR são apresentadas, na Tabela 1, algumas medidas
descritivas.
Tabela1 - Medidas descritivas da Umidade Relativa de Santa Maria – RS,
2001 a 2014
|
Medida Descritiva
|
Resultado
|
|
Média
|
0,77996
|
|
Mediana
|
0,78713
|
|
Desvio Padrão
|
0,06044
|
|
Coeficiente de variação
|
7,75346%
|
|
Valor máximo
|
0.60882
|
|
Valor mínimo
|
0.89675
|
Inicialmente, pode-se observar, na Figura 2, o comportamento da série original buscando identificar
suas componentes, como tendência e/ou sazonalidade.

Figura 2 - Série Original da Umidade Relativa em Santa Maria - RS
Analisando-se a Figura 2, verifica-se que a série possui um padrão de sazonalidade com
períodos bem definidos, não demonstrando presença de tendência, o que indica
não ser necessário aplicar diferenciações na série original.
A decomposição da série original também permite identificar componentes
importantes da série e confirmar se há presença de sazonalidade e/ou tendência.
Considerando-se as Figuras 3a e 3b, pode observar, respectivamente, que a série não possui
tendência mas que tem sazonalidade.

Figura 3 - (3a) Decomposição da série temporal em
componentes de sazonalidade,
de tendência e de aleatoriedade, (3b) Subséries mensais de sazonalidade
As médias mensais plotadas dentro de seus meses formam as subséries (Figura 3), demonstrando a
presença de sazonalidade e os períodos onde se concentram as altas e baixas (UR), demostrando
haver um comportamento definido ao longo do tempo e, portanto, que podem ser ajustadas num modelo de
série temporal. Além disso, observa-se que as altas concentrações de umidade
ocorreram de abril a agosto, considerado período de inverno, e as mais baixas estão concentradas
nos meses de dezembro e janeiro.
Após esta etapa inicial foram construídos os gráficos das funções de
autocorrelação amostral (ACF) e de autocorrelação parcial amostral (PACF), que
estão apresentadas na Figura 4.

Figura 4 - Função de Autocorrelação (ACF) e
Autocorrelação Parcial (PACF)
Os correlogramas apresentam as correlações seriais no domínio do tempo. Com base em suas
frequências estimadas é possível verificar sazonalidades e ciclos na série. Na
Figura 4 apresenta-se os correlogramas das séries, sem diferença, diferença de ordem 1 e
diferença de ordem 12. Os gráficos das ACF e PACF da série em nível apresentam
maior correlação do quando comparadas às ACF e PACF amostrais da série com uma
diferença de ordem 1 indicando não ser necessária a aplicação desta
diferença. O pico de correlação significativa na defasagem sazonal (1.0) que pode ser
observada nas ACF e PACF amostrais com diferença de ordem 12 revela a presença de sazonalidade,
o que indica que um modelo do tipo SARIMA deve ser considerado.
Ao se analisar os ACF e PACF com diferença de ordem 1, percebe-se características de um modelo
estacionário, autorregressivo de ordem 2 e de médias móveis de ordem 1 ou 2. Essa
análise é sumária para dar início ao processo de modelagem, embora vários
modelos de ordem diferentes aqui serão considerados.
Na Tabela 2 estão apresentados alguns modelos concorrentes ajustados para a série UR, com os
respectivos valores de AIC e BIC.
Tabela 2 - Modelos concorrentes SARIMA e os respectivos critérios
|
SARIMA
(p,d,q)(P,D,Q)
|
AIC
|
BIC
|
|
(2,0,0 )(1,0,1 )12
|
-502,26
|
-484,52
|
|
(2,0,0)(2,0,0) 12
|
-485,28
|
-467,44
|
|
(1,0,0)(1,0,1) 12
|
-504,54
|
-489,76
|
|
(2,0,0)(1,0,1) 12
|
-503,91
|
-486,18
|
|
(1,0,0)(2,0,1) 12
|
-502,93
|
-485,20
|
|
(2,0,1)(2,0,1) 12
|
-501,02
|
-477,37
|
|
(2,0,0)(2,0,2) 12
|
-502,68
|
-481,99
|
|
(2,0,0)(1,0,2) 12
|
-502,45
|
-481,72
|
Os parâmetros do modelo SARIMA ajustado para a série histórica UR estão na Tabela
3, com um parâmetro autorregressivo na parte ordinal e um parâmetro autorregressivo e de
médias móveis na parte sazonal.
Tabela 3 - Parâmetros do modelo selecionado
|
Modelo
|
Parâmetros
|
|
(1,0,0)(1,0,1)12
|
: 0,4606
|
|
: 0,9993
|
|
: -0,9692
|
Após selecionado o modelo SARIMA (1,0,0)(1,0,1)12, por meio dos critérios de
seleção AIC e BIC, analisou-se a condição de ruído branco (média
zero, variância constante, erros descorrelacionados) do modelo.
Considerando-se a análise dos resíduos observou-se que média zero e variância
constante. Nos gráficos de autocorrelação dos resíduos (Figura 5), é
possível perceber que não há autocorrelação significativamente diferente de
zero em nenhuma defasagem, indicando que os resíduos são independentes, concluindo-se que os
pressupostos de ruído branco foram atendidos.

Figura 5 - Função de autocorrelação (ACF) e
autocorrelação parcial dos resíduos (PACF)
Nesta etapa do trabalho foram traçadas previsões da UR para um horizonte de cinco passos
à frente, ou seja, meses que não foram considerados no ajuste do modelo. Na Figura 6 é
demonstrada a série ajustada e os valores previstos para os limites de previsão com intervalo de
confiança de 95%.

Figura 6 - Série ajustada (linha vermelha) dentro do período observado, e previsões com
cinco períodos à frente (linha azul) e série observada (linha preta)
As previsões para o modelo ajustado SARIMA (1,0,0)(1,0,1)12 podem ser observadas na Tabela 4.
Tabela 4 - Valores Previstos (h=5)
|
Período
|
Valores Previstos
|
|
Agosto (2013)
|
0,81853
|
|
Setembro (2013)
|
0,80408
|
|
Outubro (2013)
|
0,77372
|
|
Novembro (2013)
|
0,71800
|
|
Dezembro (2013)
|
0,70668
|
Considerando o modelo de alisamento exponencial de Holt-Winters, os valores das constantes de
suavização que melhor se ajustaram para o modelo aditivo foram: A= 0,268; C=0,0001 e D=0,0025.
E, para o multiplicativo, foram A=0,5171; C=0,0938 e D=0,0001.
Os resultados da comparação entre o modelo aditivo e multiplicativo estão na Tabela 5,
além dos respectivos valores para a série real.
Tabela 5 - Valores Previstos (h=5)
|
Período
|
Modelo Aditivo
|
Modelo multiplicativo
|
Série real
|
|
Agosto
|
0,84284
|
0,84781
|
0,83113
|
|
Setembro
|
0,83348
|
0,84451
|
0,77983
|
|
Outubro
|
0,81596
|
0,82026
|
0,73967
|
|
Novembro
|
0,75130
|
0,75588
|
0,72708
|
|
Dezembro
|
0,74747
|
0,74571
|
0,70064
|
Na Figura 7 podem ser observados os valores reais e previstos no caso de modelo aditivo (7a) e multiplicativo
(7b).

Figura 7 - (7a) Holt-Winters aditivo e (7b) Holt-Winters multiplicativo
O modelo aditivo indicou um melhor ajuste para a série histórica em análise UR conforme
os critérios considerados.
Um dos objetivos de uma modelagem de séries temporais é fazer previsões de valores
futuros. Para tanto, se faz necessário verificar a eficiência e o bom ajuste do modelo. Conforme
proposto na metodologia foram reservados os últimos cinco valores da série original para
verificar a qualidade do ajuste do modelo e comparar os modelos propostos dentro de cada classe considerada.
Tabela 6 - Resultados das previsões obtidas dos modelos ajustados (h=5)
|
Período
|
Holt-Winters
aditivo
|
Modelo SARIMA (1,0,0)(1,0,1)12
|
Série real
|
|
Agosto (2013)
|
0,84284
|
0,81853
|
0,83112
|
|
Setembro (2013)
|
0,83348
|
0,80408
|
0,77983
|
|
Outubro (2013)
|
0,81596
|
0,77372
|
0,73967
|
|
Novembro (2013)
|
0,75130
|
0,71800
|
0,72708
|
|
Dezembro (2013)
|
0,74747
|
0,70668
|
0,70064
|
Considerando os critérios MAD e SSE propostos, o modelo ajustado foi um
SARIMA (1,0,0)(1,0,1)12.
4. Conclusões
Ao final deste estudo observou-se que a série histórica de Umidade Relativa do Ar em Santa
Maria – RS apresentou sazonalidade, com elevados valores de umidade no período de abril a agosto
e, reduzidos valores, nos meses de dezembro e janeiro. Estas oscilações podem ocasionar
sérios problemas respiratórios e representam um grande problema para a conservação
de alimentos e sementes. Em estudos futuros pretende-se verificar a relação entre os problemas
respiratórios ocasionados em períodos de altas UR.
Em relação aos modelos utilizados para comparação, observou-se que a classe
SARIMA, proposta por Box e Jenkins permitiu melhor ajuste e produziu valores de previsão mais
eficientes do que os modelos de Holt-Winters.
Apesar destas duas classes de modelos serem aqui utilizadas e comparadas apenas para dados de uma
variável climatológica, destaca-se a ampla possibilidade de utilização destas (e
de outras) técnicas adequadas a séries temporais nas mais diversas áreas em que se tem
por objetivo descrever um processo temporal ou quando se deseja fazer previsões, podendo ser utilizadas
como ferramenta de apoio nas tomadas de decisão.
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