Introdução
Considerada uma ferramenta de gestão da tecnologia, a avaliação do meio ambiente tem como propósito inserir a
questão ambiental no processo de gestão e tomada de decisão das organizações.
O autor Braun (2008) considera a avaliação ambiental um dos instrumentos mais relevantes para tornar
justificável a implementação do desenvolvimento sustentável. Esta ferramenta tem se tornado destaque
considerável devido à sua capacidade potencial de contribuir no alcance das práticas mais sustentáveis de
desenvolvimento.
Várias ferramentas foram desenvolvidas para analisar os impactos ambientais de diferentes sistemas. Para cada
uma delas, apresentam-se diferentes características e aplicações em diferentes situações (FINNVEDEN E MOBERG,
2005). Entretanto, ambas possuem o bjetivo de fornecer informações relevantes e estruturadas em processos
decisórios (HÖJER et al, 2008).
Dentre estas ferramentas a ACV apresenta-se como a mais importante metodologia na gestão ambiental industrial
moderna (LÖFGREN, TILLMAN, E RINDE, 2011). A ACV é uma ferramenta técnica de abordagem
analítica e caráter gerencial que contribui para a avaliação dos aspectos ambientais e impactos potenciais
associados a um produto ou atividade durante seu ciclo de vida (GARRAÍN, 2010; LOFGRE, TILLMAN, RINDE, 2011;
CHAUHAN et al; 2011 e ABDALLAH et al, 2012).
Em termos gerais de acordo Lofgren, Tillman e Rinde (2011) o objetivo com relação ao uso da ACV é satisfazer
os pedidos dos clientes e ao mesmo tempo conseguir um equilíbrio ideal entre o produto e o meio ambiente.
Diante disso, o objetivo deste trabalho é verificar através da literatura a contribuição da ACV dentro do
processo de Planejamento e Desenvolvimento de Produto.
1. Avaliação do meio ambiente
A avaliação do meio ambiente é uma das ferramentas de gestão da tecnologia empregada com o objetivo de
incluir a questão ambiental no processo de gestão e tomada de decisão das organizações. De acordo com Loiseau
(2012) o conceito de avaliação do meio ambiente foi introduzido na década de 70 para atender a vários
desafios, ou seja, além de integrar o componente ambiental nos processos de decisão, possibilitar ganho de
conhecimentos ambientais mais profundos e formalizados e, aumentar a consciência dos cidadãos sobre questões
ambientais.
Atualmente, conceitos do desenvolvimento sustentável estão sendo amplamente discutidos, e a consciência
ambiental é mais evidente, notando-se assim uma crescente conscientização em relação à importância da proteção
ambiental e dos impactos associados aos produtos. Devido a isso, cada vez mais as empresas estão sendo
pressionadas a inserir a questão ambiental no planejamento estratégico e gestão da organização.
A importância destes temas vem recebendo maior destaque desde a publicação do Relatório de Brundtland (Nosso
Futuro Comum), elaborado pela Comissão Mundial do Meio Ambiente e Desenvolvimento (1991, p.9) que define o
desenvolvimento sustentável como “atender as necessidades da geração presente sem comprometer a
habilidade das gerações futuras de atender a suas próprias necessidades”.
De acordo com Curi (2012) com o referido relatório fica esclarecido que não seria necessário abrir mão do
desenvolvimento econômico para proteger o meio ambiente. Assim, as empresas começaram a entender que o
cumprimento de requisitos ambientais não era importante somente para cumprir com a legislação, mas ajudaria a
conquistar o mercado, aumentando a competividade da organização.
Para Braun (2008), a avaliação ambiental é um dos instrumentos mais importantes para apoiar a implementação
do desenvolvimento sustentável e tem recebido ênfase considerável quanto à sua capacidade potencial para
ajudar a alcançar formas mais sustentáveis de desenvolvimento. Segundo kova´cs (2006) é amplamente aceito
que a avaliação ambiental deve ser tão integrada quanto possível com o processo de tomada de decisão e com os
outros tipos de conhecimento que é usado neste processo.
Assim, a avaliação ambiental não é apenas uma técnica. Este tipo de avaliação requer que uma empresa estude
cuidadosamente seu enfoque global e sua atitude diante das questões ambientais, e identificar como responder,
não só para cumprir a legislação e mudanças de expectativas sociais e econômicas, mas também como reagir para
desenhar uma estratégia empresarial viável (COTEC, 1999).
Diate disso, os aspectos relacionados à questão ambiental podem se tornar um fator de diferenciação para as
empresas e fazer parte do planejamento estratégico da organização. De acordo com Lustosa (2003) na medida em
que as questões relacionadas a preservação do meio ambiente vem se tornando um fator de diferenciação para as
empresas, surge a possibilidade de inclusão das preocupações ambientais nas estratégias da empresa, por meio
de práticas ecologicamente mais adequadas.
Atualmente o nível de competitividade de uma empresa não está apenas relacionado a custos, qualidade dos
produtos e serviços, capital humano, tecnologia e capacidade de inovação. Nos últimos anos, a competitividade
vem sendo fortemente influenciada pela gestão ambiental devido aos benefícios que traz ao processo produtivo
como um todo (DIAS, 2009). Assim, além da avaliação do meio ambiente é importante se ter uma boa gestão
ambiental.
De acordo com o Cotec (1999) o principal ingrediente para a gestão ambiental de sucesso é uma cultura
empresarial que esteja ciente dos problemas ambientais e torne-se sensibilizada para eles, e em que as
considerações ambientais são incluídas automaticamente em todas as decisões ou ações da empresa.
A gestão ambiental eficaz de uma empresa é influenciada por uma serie de elementos que impulcionam a inserção
da questão ambiental na organização. Alguns destes elementos podem ser observados no Quadro 1. Cada um destes
elementos apresenta um tipo de pressão diferente que serve de motivação para a gestão ambiental dentro das
organizações.
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Elemento
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Tipo de pressão
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Legislação
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Cada vez mais rigorosa requer seu cumprimento.
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Pressão dos clientes
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Gestão da atual oferta ambiental, remoção da lista de fornecedores.
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Oportunidades de mercado
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Crescente preocupação social; mercado pra produtos ecológicos.
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Concorrentes
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Podem responder melhor a pressão dos clientes ou a demanda ecológica.
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Investidores
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Tentam minimizar o risco de problemas ecológicos, fundos de investimento éticos e
ecológicos.
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Companhias de seguro
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Tentam minimizar o risco de acidentes que afetam o meio ambiente, etc.
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Funcionários
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Preferem trabalhar para empresas ambientalmente responsáveis
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Grupos de pressão
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Podem realçar os problemas ambientais perante a opinião pública, pode solicitar ação
judicial, ação direta.
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Quadro 1: Elementos que impulsionam a avaliação ambiental
Fonte: COTEC (1999)
Estes fatores forçaram as empresas a incorporar conceitos ambientais e de sustentabilidade no planejamento de
negócios, estratégias de design de produto, manufatura e gestão (PHAAL, 2006; KOVA´CS, 2006). De acordo
com kova´cs (2006) atualmente para as empresas sobreviverem no mercado terão que satisfazer a três desafios
que levaram a novas regras no mercado:
a) atender às exigências dos clientes: não é suficiente produzir o produto necessário, mas, o mais
importante é a produção de serviços pós-venda que satisfazem ou, em alguns casos, preveem, também, as
necessidades dos clientes, cumprindo com as regras decretadas de proteção do meio ambiente.
b) reduzir o tempo de colocação de seus produtos no mercado: reduzir o período de tempo de colocação
do produto e serviços no mercado, fornecidos como parte integrante da entrega, com a devida preocupação sobre
a sustentabilidade tecnológica dos bens transacionados.
c) fabricação de produtos com menor impacto ambiental: não apenas os bens
devem ser desenvolvidos para satisfazer as demandas de baixo custo e eco-consistente e de qualidade, mas que
acompanha os serviços serão, assim, satisfazer essas demandas, ainda proporcionando visibilidade total dos
impactos sobre o ambiente natural humano.
A inclusão de questões ambientais na estratégia da empresa pode resultar em vantagens competitivas ou
benefícios ligados ao processo, produto ou na gestão da organização. De acordo com Dias (2009), algumas das
vantagens competitivas da gestão ambiental dizem respeito a:
- Melhora no desempenho ambiental da empresa, abrindo possibilidades de maior inserção num mercado cada vez
mais exigente em termos ecológicos, resultando em melhoria da imagem mediante os clientes e comunidade;
- Redução do consumo de recursos energéticos com melhora na gestão ambiental e consequente redução dos
custos de produção;
- Redução dos custos de matérias-primas e do consumo de recursos com a redução da quantidade de material
utilizada por produto.
- Melhoria da imagem da organização com a utilização de materiais renováveis, empregando-se menos energia
devido a facilidade de reciclagem;
- Melhoria da capacidade de inovação, redução das etapas de processo produtivo com a minimização dos
impactos ambientais devido a otimização das técnicas de produção;
- Otimização do uso de espaço nos meios de transporte, com redução do consumo de combustível e emissão de
gases no ambiente.
Para a integração dos aspectos ambientais no planejamento social e organizacional, há uma necessidade de
ferramentas poderosas e eficientes para compreender e avaliar sistemas econômicos, tecnológicos e ambientais
(HÖJER et al, 2008). Neste caso, alguns métodos de avaliação ambiental têm sido usados para fornecer dados
confiáveis para a tomada de decisão (BRAUN, 2008).
1.1 Técnicas Específicas para Avaliação do Meio Ambiente
Uma série de ferramentas diferentes para analisar os impactos ambientais de diferentes sistemas foram
desenvolvidas. Cada uma destas ferramentas apresentam características diferentes, e são adequadas a diferentes
situações (FINNVEDEN E MOBERG, 2005). O principal objetivo destas ferramentas é fornecer informações
relevantes e estruturadas em processos decisórios (HÖJER et al, 2008). No Quadro 2 são apresentadas algumas
das técnicas que podem ser empregadas na avaliação do meio ambiente com a finalidade de reduzir o impacto
ambiental causados pelas atividades industriais. Estas técnicas podem ser relacionadas ao processo, produto e
apoio a tomada de decisão.

Figura 1: Relação de países e número de patentes requeridas, relacionando as
classificações de pedidos de patentes do Japão.
Fonte: Autoria própria (2013)
Dentre estas ferramentas a ACV apresenta-se como a mais importante metodologia na gestão ambiental industrial
moderna (LÖFGREN, TILLMAN, E RINDE, 2011). Uma ACV muitas vezes visa produzir informação que é relevante para
os gestores, geração de ideias para as decisões, ou avaliar os aspectos ambientais de uma decisão. Ela
pode fornecer uma parte da base para uma variedade de decisões: a escolha entre diferentes produtos
concorrentes, componentes ou materiais diferentes de um produto, de fornecedores diferentes de um produto,
componente ou materiais, processos de produção diferentes, diferentes processos para a gestão de resíduos, e
assim por diante. Os resultados de uma ACV também podem ser utilizados para a identificação de partes e
aspectos de um ciclo de vida em que as melhorias no desempenho ambiental são importantes (HÖJER et al, 2008).
2. Avaliação do Ciclo de Vida – Visão Geral
A ACV é uma ferramenta técnica de compilação, avaliação e interpretação das entradas, saídas e dos impactos
ambientais de um sistema de produto ao longo do seu ciclo de vida, que vai desde a aquisição da matéria-prima,
passando pela produção, uso e disposição final, isto é, do “berço ao túmulo” (ABNT, 2009a). Sua
abordagem analítica e caráter gerencial contribuem para a avaliação dos aspectos ambientais e impactos
potenciais associados a um produto ou atividade durante seu ciclo de vida (GARRAÍN et al, 2010; LOFGRE,
TILLMAN, RINDE, 2011; CHAUHAN et al, 2011).
Os dados quantificados relacionados ao desempenho ambiental, fornecem a empresa vantagem competitiva e ainda
ajuda a expandir a vida de seus produtos, a ACV vem a contribuir para esse quesito. Em seu estudo devem-se
analisar os passos da produção, o impacto ecológico das matérias-primas, a energia utilizada na fabricação de
produtos e dos seus componentes, a montagem dos produtos, a geração de poluentes durante o processo, o sistema
de transporte e distribuição, uso, tratamento e disposição final (SEIFFERT, 2010).
Satisfazer os pedidos dos clientes e ao mesmo tempo conseguir um equilíbrio ideal entre o produto e o meio
ambiente é considerado o objetivo da ACV (LOFGRE, TILLMAN, RINDE, 2011). Ainda segundo os autores, tais
benefícios qualificam a ACV como a mais importante metodologia na gestão ambiental industrial moderna.
Em termos gerais o objetivo com relação ao uso da ACV é satisfazer os pedidos dos clientes e ao mesmo tempo
conseguir um equilíbrio ideal entre o produto e o meio ambiente. Tais benefícios qualificam a ACV como a mais
importante metodologia na gestão ambiental industrial moderna (LOFGREN, TILLMAN, RINDE, 2011). A estrutura
metodológica para a ACV é apresentada nas próximas seções.
2.1. Estrutura metodologia DA ACV
A ISO 14040 inclui quatro fases para a avaliação do ciclo de vida: definição de objetivo e escopo, análise de
inventário, avaliação de impactos e interpretação de resultados. A iteração entre estas fases pode ser
observada na Figura 2.

Figura 2: Fases da avaliação do ciclo de vida.
Fonte: ISO 14040 (ABNT, 2009).
A metodologia de aplicação de um estudo de ACV pode ser entendida como o conjunto de procedimentos
necessários para que o estudo atinja aos objetivos propostos. As fases metodológicas da ACV podem ser
descritas individualmente nos quatro subtópicos a seguir.
2.1.1. Definição de Objetivo e Escopo
De acordo com a primeira fase da ACV compreende a definição do objetivo e escopo. O objetivo de um estudo ACV
deve declarar a aplicação pretendida, as razões para execução do estudo, público-alvo (aquele a quem se
pretende informar os resultados do estudo) e se há a intenção de utilizar os dados obtidos na aplicação
pretendida para análise comparativa a serem divulgadas publicamente. A definição do objetivo compreende a
finalidade do estudo (ABNT, 2009a e ATHENA SUSTAINABLE MATERIALS INSTITUTE, 2009).
Já o escopo compreende a abrangência do estudo. De acordo com os autores, Sherwani, Usmani, Varun (2010); Pieragostini,
Mussat, Aguirre (2012); Zhou, Chang, Fane (2011), devem ser demonstrados claramente no escopo o sistema de
produto a ser estudado, as fronteiras do sistema, a unidade funcional e os limites do sistema, conforme
apresentados a seguir:
- Sistema de produto: a função do sistema é a finalidade de uso do produto;
- Fronteiras do sistema: Interface entre um sistema de produto e o meio ambiente ou outros sistemas de
produto;
- Unidade funcional: um dos propósitos principais de uma unidade funcional é fornecer uma referência em
relação à qual os dados de entrada e saída são normalizados. Para tanto, a unidade funcional deve ser
claramente definida e mensurável afim de assegurar as comparações entre sistemas com base nas mesmas funções
quantificadas pelas mesmas unidades;
- Limites do sistema: estabelecem o que será considerado no âmbito do estudo e o que será excluído;
Além destes itens, outros elementos que compõe o escopo devem ser considerados se julgados necessários para
garantir a qualidade do estudo.
Depois de definido os objetivos e escopo do estudo a próxima fase da ACV consiste na análise do inventario do
ciclo de vida.
2.1.2 Análise de Inventário
A definição do objetivo e escopo de um estudo provê o plano inicial para a condução da fase de inventário do
ciclo de vida de uma ACV. Esta fase compreende um extenso banco de dados de materiais envolvidos no produto ou
sistema incluindo o levantamento, a coleta e a análise dos dados necessários para a ACV (JIJAKLI, 2012; OLSEN
et al, 2001; GUINNÉ et al, 2011). Esses dados podem ser interpretados, dependendo do objetivo do escopo da ACV
e também constituem a entrada para a avaliação do impacto do ciclo de vida, envolvendo a
compilação e quantificação de entradas e saídas para um sistema de determinado
produto durante todo seu ciclo de vida (ABNT, 2009a; SUH e HUPPES, 2005).
O inventário nada mais é, do que a coleta de dados e os procedimentos de cálculo, medidos em termos
energéticos ou de massa, onde tudo o que entra no sistema em estudo deve ser igual ao que sai relacionando às
categorias de impacto as fronteiras e os dados à unidade funcional (SHERWANI, USMANI E VARUN, 2010; ABNT, 2009a ;
ZHOU, CHANG e FANE, 2011).
Convém que, durante a execução do plano para a análise de inventário do ciclo de vida, sejam seguidos os
passos operacionais, a ABNT (2009b) define essa sequencia de passos para análise do inventário. Assim a
análise de inventário deve incluir principalmente: preparação para coleta dos dados, coleta, validação e
agregação dos dados.
Esses dados são apresentados ao final desta fase de forma quantificada, que após o tratamento dos dados
poderão então ser avaliados para obtenção dos impactos ambientais associados ao ciclo de vida do produto em
questão através da próxima fase da ACV, a Avaliação de Impactos.
2.1.3 Avaliação de Impactos do ciclo de vida
A etapa de avaliação do impacto do ciclo de vida (AICV) consiste em estudar a significância dos impactos
ambientais, a partir dos dados do inventário. Isso é feito por meio da análise dos potenciais impactos
ambientais associados aos aspectos ambientais identificados na etapa de análise de inventário (JÚNIOR e
DEMSJOROVIC, 2010).
A Norma ISO 14044 (ABNT, 2009b) indica que esta fase consiste em elementos obrigatórios: seleção das
categorias de impacto, classificação e caracterização e opcionais: a normalização, agrupamento, ponderação e
análise adicional da qualidade dos dados.
O primeiro elemento, etapa de seleção das categorias de impacto, identifica as preocupações ambientais, as
categorias e os indicadores que o estudo utilizará. A seleção dessas categorias devem estar relacionadas ao
sistema de produto em estudo, levando em consideração o objetivo e escopo do estudo.
A classificação correlaciona dados do inventário com as categorias de impacto ambiental. Deve-se declarar
explicitamente qual categoria de impacto será levada em consideração. Nesta fase são as entradas e saídas do
inventario que contribuem para causar impacto sobre o meio ambiente e são classificadas de acordo com o
problema.
O terceiro e último elemento obrigatório da avaliação de impacto consiste na caracterização, nesta etapa de
acordo com Myllyviita et al (2012), as contribuições para cada problema ambiental são quantificadas, os
resultados dos indicadores (caracterização) envolvem a conversão dos resultados do inventário para unidades
comuns e a agregação dos resultados convertidos dentro a mesma categoria de impacto.
Ao final da avaliação de impacto do ciclo de vida, tem-se como resultado final um perfil ambiental do sistema
de produto em estudo, conforme definido no objetivo e escopo. Esses resultados serão interpretados na última
fase da estrutura metodológica da avaliação do ciclo de vida.
2.1.4 Interpretação
A última fase da estrutura da avaliação do ciclo de vida compreende a interpretação dos resultados. Nesta
fase todas as constatações da análise do inventário e avaliações do impacto são consideradas em conjunto. Os
resultados a serem interpretados devem ser consistentes com o objetivo e escopo definidos no início do estudo
(ABNT, 2009a). As interpretações devem levar a conclusões, explicitar limitações que podem tornar os objetivos
iniciais inalcançáveis e fornecer recomendações (JIJAKLI, 2012; PIERAGOSTINI, MUSSAT e AGUIRRE, 2012).
A fase de interpretação compreende três etapas (ABNT, 2009b; CHEHEBE, 2002).
- Identificação das questões significativas;
- Avaliação pela verificação da integridade, sensibilidade e consistência;
- Conclusões, limitações, recomendações e relatório.
Após a análise e interpretações dos resultados as conclusões obtidas permitirão a identificação de pontos
críticos que necessitam de melhorias, inovação nos produtos ou processos de fabricação, visando à preservação
ambiental.
A ACV segundo Benetto e Jirí (2009) é uma ferramenta conhecida para análise de impactos ambientais no
planejamento e desenvolvimento de produtos, em uma perspectiva ampla, com referência a um sistema de produto e
aos impactos ambientais e economicos relacionados.
Assim, evidencia-se a importância da ACV como ferramenta para gestão. Neste sentido, sua aplicação pode
colaborar significativamente para identificar oportunidades para melhorar o desempenho ambiental dos produtos,
processos e serviços em vários pontos do seu ciclo de vida servindo como prática para a gestão de negócios
sustentáveis dentro das organizações.
3. A ACV no processo de desenvolvimento do produto
O conhecimento abrangente dos impactos ambientais dos materiais e processos associados a um setor produtivo é
um fator chave a fim de melhorar um produto e seu processo de produção, bem como a gestão da empresa para a
produção de mercados verdes (BOVEA; VIDAL, 2004).
O crescente interesse na aquisição de produtos com manufatura ambientalmente sustentável tornou desta prática
a preocupação dos países desenvolvidos, o que resultou em regulamentações mais rígidas sobre o impacto dos
produtos durante sua fabricação, utilização e fim de vida. Neste sentido, o conhecimento dos impactos
ambientais dos materiais e processos adquiridos ainda nas fases inicias do projeto do produto é o fator chave
na melhoria dos processos focando mercados verdes (GONZÁLEZ-GARCÍA et al, 2011). Baumann; Tillman (2004)
apontam a Avaliação do Ciclo de Vida (ACV) como uma adequada e valiosa ferramenta para avaliar o impacto
ambiental dos materiais, produtos e serviços durante o seu ciclo de vida e parte do processo de tomada de
decisão para a sustentabilidade. A ACV é uma ferramenta cada vez mais proeminente de avaliação de impactos
(RIBEIRO; SILVA, 2010).
A ACV pode ser utilizada para apoiar tomada de decisões em projetos de desenvolvimento de produtos,
auxiliando no planejamento do desenvolvimento e implementação das atividades (TILLMAN, 2000; LIAMSANGUAN;
GHEEWALA, 2008; BORGHI et al., 2007). O conceito de ciclo de vida não é apenas uma forma de examinar os
impactos ambientais das atividades, mas também uma forma de compreender e visualizar um conjunto mais amplo de
consequências a montante e a jusante de decisões no planejamento do desenvolvimento e implementação (THABREW;
RIES, 2009).
A utilização da ACV no projeto de desenvolvimento para um produto sustentável considera o aspecto ambiental
antes iniciar o processo, integrando assim, exigências ambientais em todos os estágios do desenvolvimento de
produto, além das exigências tradicionais de custo e lucro (VINODH; RATHOD, 2010). Quando usada para o projeto
de eco-produto, avalia-se ideias inovadoras para projetar produtos ecológicos, a avaliação do novo projeto é
realizada para verificar se este é mais eficaz do que os disponíveis atualmente ainda em fase de concepção do
conceito (YANG; CHEN, 2012).
De modo geral, segundo Guinée (2001) A ACV pode ser aplicada ao PDP tendo em vista os seguintes objetivos
para tomada de decisões em diferentes situações:
- Inovação: a ACV é realizada para avaliar o impacto ambiental de melhorias de produtos, desenvolvimento de
produtos ou inovações técnicas.
- Planejamento estratégico: O estudo de ACV é realizado para avaliar o impacto ambiental de cenários
estratégicos;
- Comparação: O estudo de ACV é realizado para avaliar se um produto ou sistema atende certos padrões
ambientais, ou se é ambientalmente mais correto do que outro produto ou sistema;
- Afirmação comparativa divulgada ao público: O estudo de ACV tem como objetivo fornecer uma declaração
ambiental a respeito da superioridade ou equivalência de um produto versus um produto concorrente que
realiza a mesma função;
- Promover a concepção de novos produtos;
- Analisar as origens dos problemas relacionados a um determinado produto e propor melhorias
A fim de identificar e melhorar o desempenho ambiental de um produto González-García et al, (2011) constaram
que a fase de montagem é o contribuinte mais importante para traçar o impacto ambiental e com a aplicação de
critérios ambientais no PDP pode-se chegar a uma redução de emissões e a melhoria do meio ambiente ao longo de
todas as etapas envolvidas no processo. Com relação ao eco-design do produto, o ponto de vista tecnológico,
econômico e social são vistos por uma equipe interdisciplinar de pesquisadores e trabalhadores que atuam no
PDP mostrando estratégias com maior viabilidade, redesenho de produtos para a redução ou substituição de
materiais utilizados.
O conhecimento abrangente dos impactos ambientais dos materiais e processos associados a um setor produtivo,
é um fator chave, a fim de melhorar o processo de produção, a fim de minimizar o dano ambiental (BOVEA e
VIDAL, 2004; GONZÁLEZ-GARCÍA et al, 2011). A área de desenvolvimento será incentivada a procurar novas
alternativas de produção e inovações. Nesse aspecto, as novas inovações servem como estratégia competitiva
tanto em liderança de custo como em diferenciação de produtos.
Hoje, a maioria das pessoas envolvidas com a comunidade de engenharia industrial (consultores, fabricantes,
pesquisadores e atores institucionais) afirmam que a Avaliação do Ciclo de Vida (LCA) é a ferramenta de maior
sucesso para avaliar questões ambientais no processo de desenvolvimento do produto. As indústrias podem
utilizar a ACV como ferramenta de suporte para o desenvolvimento de produtos, de modo que seu impacto
ambiental global seja minimizado. Neste sentido, a ACV contribui para que o processo de decisão seja bem
sucedido através de técnicas que conduzam projetos de melhor qualidade, produtos e serviços (MIETTINEM,
1997).
Novas orientações em termos de eco-design e do desenvolvimento sustentável estão pressionando por reformas em
termos de serviços prestados, desmaterialização e eco-inovações como fontes de métodos e meios para reduzir os
impactos do produto sobre o meio ambiente. Contribuindo para que isso aconteça a avaliação do meio ambiente
contitui a ferramenta ACV que vem a auxiliar no processo e desenvolvimento do produto, fazendo com que as
funções dos produtos sejam alcançadas e projetadas a fim de minimizar seus impactos sobre o meio ambiente.
4. Considerações finais
Através do estudo realizado, percebe-se que a ACV tem grande potencial para auxiliar dentro do PDP nas
organizações. Visto que, em um estudo de ACV, são gerados indicadores referentes às entradas e saídas do
sistema do produto e indicadores referente às categorias de impactos que possibilitam uma visão do sistema
como um todo.
As indústrias podem utilizar a ACV como suporte para o processo de desenvolvimento de produtos, fazendo com
que as funções dos produtos sejam alcançadas e projetadas a fim de minimizar seus impactos sobre o meio
ambiente. Essa consciência ambiental está mais evidente devido as exigências regulamentais e o crescente
interesse do consumidor em produtos com menor impacto ambiental. Devido a isso, cada vez mais as empresas
estão sendo pressionadas a inserir a questão ambiental no planejamento estratégico e gestão da organização a
fim de cumprirem com estas exigencias e ao mesmo tempo manterem-se competitivas.
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