1. Introdução
Com a atual competição que vem acontecendo no mercado, as empresas têm buscado a cada
dia mais atualizar os seus processos produtivos e aprimorar seus equipamentos para garantir uma boa qualidade
de seus produtos e, por consequência, diminuir gradativamente seus custos de produção,
assim podendo obter maiores vantagens competitivas no mercado. Conforme Almeida (2010), na maioria dos casos o
atendimento às exigências e padrões determinados pelos órgãos competentes e
pelo mercado consumidor traduzem-se no sucesso que o fabricante busca para seu produto. Processos produtivos e
desempenho de equipamentos são de suma importância nas indústrias. Já que produzir
cada vez mais em menor tempo, tendo alta qualidade no produto final e ao mesmo tempo maximizando os recursos
disponíveis passou a ser não só uma vantagem competitiva, mas sim uma questão de
sobrevivência para as empresas (ROLDAN et al., 2013). É com esse pensamento que a cada dia faz-se
cada vez mais necessária à aplicação de ferramentas que auxiliem no controle e
otimização dos processos industriais.
Nos últimos anos, várias foram as ferramentas e metodologias propostas para assegurar a
fabricação de produtos sem defeitos e também controlar os processos produtivos. Nesta
linha de pensamento, tem-se como um dos métodos mais utilizados o CEP (Controle Estatístico de
Processos), que serve como uma ferramenta de gestão, a qual pode ser aplicada tanto para melhorar e
controlar os processos como para monitorar os mesmos (REBELATO, 2008). Sendo, os gráficos de controle
ou cartas de controle, como também são conhecidos, as formas de se detectar os defeitos e
aumentar a produtividade. As cartas de controle auxiliam a evitar ajustes desnecessários, além
de auxiliarem no diagnóstico do processo e a mensurar a capacidade produtiva da empresa ou equipamento
em análise (PEDRINI, 2008).
Segundo Camargo (2010) existem pelo menos cinco razões para a utilização das cartas de
controle: (i) são técnicas comprovadas de melhoria da produtividade, (ii) são eficazes na
prevenção de defeitos, (iii) evitam ajustes desnecessários em processos, (iv) fornecem
informações confiáveis para diagnóstico do desempenho de processos e (v) fornecem
informações sobre a capacidade de processos, bem como permitem avaliar se o comportamento do
processo, em termos de variação, é previsível. Os gráficos de controle
permitem o monitoramento da média, assim como da variabilidade dos dados inerentes às
características de qualidade avaliadas em qualquer produto ou processo realizado. Cabe também
resaltar que, independente do processo, dificilmente será obtido a variabilidade nula. Esse fato se
dá em função de que na natureza não existem dois exemplos exatamente iguais, sendo
assim, sempre haverá uma pequena variação. Mesmo em processos industriais, os quais nos
dizem que todos os exemplares produzidos são iguais, sempre há um percentual muito pequeno de
variabilidade, essa ocorre devido a um somatório de pequenas causas aleatórias ou não que
agem sobre o processo produtivo (IDE et al., 2009).
Tendo em vista que processos produtivos e desempenho de equipamentos são de suma importância nas
indústrias, verificamos em uma indústria química do Rio Grande do Sul a existência
um equipamento que não apresenta eficiência satisfatória no processo produtivo. Tendo em
vista esse problema foi realizado um estudo de verificação da capacidade do processo realizado
por esse equipamento através do CEP. O artigo está organizado conforme segue: a
seção dois apresenta o referencial teórico, a seção três a
metodologia, a seção quatro o desenvolvimento, a seção cinco faz a
discussão dos resultados e seção na seção seis são feitas as
conclusões.
2. Referencial teórico
2.1 Controle estatístico de processos (CEP)
O CEP é uma ferramenta utilizada para identificar as variabilidades do processo, através de
algumas técnicas estatísticas ele quantifica e qualifica as variações do processo
(MOURA, 2008). Conforme Paese (2001), o CEP é utilizado na maioria dos casos para realizar o
monitoramento de processos produtivos em tempo real, o que possibilita que as tomadas de ações
corretivas sejam realizadas muito rápido, evitando grandes perdas de matéria prima e tempo em
investigações de problemas. Além disso, com o CEP é possível monitorar a
variabilidade do processo produtivo e a partir dos dados fornecidos por este, adotar as medidas corretivas com
maior eficiência. Segundo Almeida et al. (2010) com o uso desta ferramenta é possível que
sejam realizadas ações corretivas antes de ocorrerem às não conformidades, assim
como saber se o processo está funcionando como deveria ou se está fora das
especificações de qualidade e ainda o CEP executa ações apropriadas para obter e
manter um estado de controle estatístico. Através do histograma por exemplo, é
possível visualizar o modelo estatístico da amostra de uma população. Um
histograma é uma relação de intervalos dispostos no eixo X e suas respectivas
frequências no eixo Y (SOUZA, 2002). O histograma mostra a distribuição de probabilidade
dos dados, para processos industriais, a distribuição normal de dados é a mais desejada
(NETO, 2004). Conforme Medeiros (2012) há diferença entre os histogramas e os gráficos de
controle. Essa diferença é comprovada já que os gráficos de controle mostram o
comportamento de uma variável ao longo do tempo, enquanto os histogramas fornecem uma fotografia da
variável num determinado instante, representando uma distribuição de frequência.
2.2 Gráficos de controle
Os gráficos de controle são utilizados para fazer a análise dos dados obtidos,
através da análise dos mesmos é possível identificar as causas especiais
existentes em um processo. A partir dos dados obtidos na análise destes gráficos pode-se tomar
decisões preventivas e controlar possíveis desvios de variabilidade no processo produtivo
(MICHEL, 2002). Conforme Mayer (2004), os gráficos de controle, também chamados de cartas de
controle permitem entender e visualizar resultados/saídas de processos. Caso os processos estejam fora
de controle, as cartas ajudam na atuação sobre o processo para estabilização do
mesmo. Um dos pontos fortes das cartas de controle é que elas podem ser monitoradas e acompanhadas
pelos próprios operadores dos processos, dando a eles a oportunidade de atuarem imediatamente sobre as
causas especiais, contribuindo para o ajuste e a estabilização do processo. Existem basicamente
cinco tipos de cartas de controle, conforme estão descritas na Tabela 1, onde podemos observar que cada
tipo de carta de controle se aplica melhor a determinadas situações.
Tabela 1: As cartas de controle, definições e
objetivos.
|
Cartas
|
Definição
|
Objetivos
|
|
Carta de Controle das
Médias das Amplitudes
(x – R)
|
Valores médios. Suas faixas e limites de controle. Usada para
valores contínuos, tais como cumprimento, largura ou concentração
|
- Determinar se as características dos processos se aproximam dos limites
extremos de controle.
- Determinar se um processo está sob ou fora de controle.
- Identificar tendências ascendentes ou descendentes nas características
dos processos.
- Separar as variações decorrentes de causas comuns e as decorrentes de
causas especiais.
|
|
Carta de Controle np
|
Números discretos de unidades não conformes em amostras
de mesmo tamanho.
|
|
Carta de Controle e
|
Número discretos de não conformidades em amostras de
mesmo tamanho.
|
|
Carta de Controle p
|
Número discreto de não conformidades por unidades, as
amostras podem ser de tamanho variável.
|
|
Carta de Controle u
|
Número discreto de não conformidades por unidade, as
amostras podem ser de tamanho variável.
|
Fonte: Mayer, (2004, p. 31)
Segundo Ferreira (2004), as cartas de controle utilizadas no controle estatístico de processo podem
ser classificadas como gráficos de controle para variáveis ou atributos. Para a escolha adequada
do gráfico de controle, é necessário considerar o tamanho da amostra a ser analisada.
Para amostras onde n > 1 utiliza-se média e amplitude ou média e desvio padrão,
porém para amostras onde n > 10 é imprescindível empregar gráficos de
média e desvio padrão, pois na medida em que n aumenta, a amplitude se torna cada vez mais
ineficiente para estimar a variabilidade do processo (FERREIRA, 2004). De acordo com Hernández (2010),
ao medir uma variável é necessário monitorar o valor médio ou centralidade, e a
variabilidade. Para monitorar a centralidade utiliza-se a carta dos valores médios, e carta de
amplitude amostral, variância e o desvio padrão para monitorar a dispersão. No presente
estudo, foi utilizada a carta de controle das médias e de amplitudes.
2.3 Interpretação das cartas de controle
Quando o processo possui somente causas comuns, diz-se que ele está sob controle. Estas causas podem
estar relacionadas com o meio ambiente, matérias primas entre outras, e são de difícil
controle. Eliminar ou minimizar os efeitos das causas comuns requer investimento em equipamentos,
substituição de algumas matérias primas e treinamento de operadores (PIRES, 2000).
Já as causas especiais estão relacionadas a equipamentos e instrumentos desregulados,
método de trabalho, entre outros. A identificação e o monitoramento das causas especiais
geralmente são simples de ser realizadas, e uma vez que as mesmas sejam identificadas, deve-se atuar
sobre elas buscando a estabilização do processo (PIRES, 2000).
De acordo com Pedrini (2008), para verificar se o processo está sob controle estatístico
existem 8 testes para a detecção de pontos fora de controle: (i) teste 1: O ponto está
localizado acima do LSC ou abaixo do LIC; (ii) teste 2: Presença de nove pontos consecutivos
localizados acima ou abaixo da LC; (iii) teste 3: Seis ou mais pontos consecutivos crescentes ou decrescentes;
(iv) teste 4: Catorze pontos alternados em uma linha; (v) teste 5: Dois de três pontos localizados no
mesmo lado a dois desvios-padrão acima ou abaixo da LC; (vi) teste 6: Quatro de cinco pontos
localizados no mesmo lado a um desvio-padrão acima ou abaixo da LC; (vii) teste 7: Quinze pontos
consecutivos localizados, em qualquer lateral, a menos de um desvio-padrão da LC; (viii) teste 8: Oito
pontos consecutivos acima ou abaixo, em qualquer lateral, a mais de um desvio-padrão da LC. Ao
analisarmos os gráficos de controle podemos identificar claramente quais são os pontos fora do
limite superior e inferior, assim podendo identificar os tipos de causas especiais existe no processo.
2.4 Análise de Capacidade do Processo
Se as causas especiais responsáveis pela variação do processo forem eliminadas, e o
mesmo apresentar uma distribuição normal, então pode-se considerar que o processo
está sob controle estatístico, ou seja, é um processo estável. Porém, mesmo
assim, o processo ainda produz itens defeituosos, então é imprescindível avaliar a
capacidade do processo em atender as especificações estabelecidas de acordo com as necessidades
dos clientes (GONÇALEZ, 2009).
De acordo com Gonçalez (2009), para avaliar a capacidade do processo podemos utilizar o índice
de Capacidade Potencial do processo (Cp), que considera que o mesmo está centrado no valor nominal de
especificação. Muitas vezes o processo não está centrado no valor nominal,
então a avaliação do índice Cp pode levar a conclusões erradas, para evitar
isto, deve-se avaliar o índice de desempenho real do processo (Cpk). O índice Cpk mede a
capacidade real do processo, e um índice Cpk > 1, é condição essencial para uma
fração de itens defeituosos de no máximo 0,27% (NETO, 2004). Os índices Cp e Cpk
são dados pelas seguintes equações 1 e 2:


Onde: LSE é o limite superior de especificação, LIE é o limite inferior de
especificação, σ é o desvio padrão e µ é a média do
processo (GONÇALEZ, 2009).
Tabela 2 - Referência para Análise do Índice Cp
|
Cp
|
Itens não-conforme (PPM)
|
Interpretação
|
|
Cp < 1
|
Acima de 2.700
|
Processo Incapaz
|
|
1 ≤ Cp ≤ 1,33
|
64 à 2.700
|
Processo Aceitável
|
|
Cp ≥ 1,33
|
Abaixo de 64
|
Processo Capaz
|
Fonte: Gonçalez (2009).
3. Materiais e métodos
Uma pesquisa pode ser classificada de diversas formas, a utilizada neste estudo será
de natureza básica, pois através da aplicação do CEP, busca-se conhecer o
comportamento estatístico do processo em estudo. Segundo Jung (2004), o conhecimento resultante deste
tipo de pesquisa pode em um primeiro momento apresentar-se desagregado do contexto cotidiano, mas,
posteriormente, tornar-se-á vital a aplicação em pesquisas tecnológicas. Quanto
aos objetivos a pesquisa teve por finalidade ser descritiva, pois o resultado da mesma servirá de fonte
de dados para o planejamento de futuras alterações no processo com o objetivo de melhorar o
mesmo. Uma pesquisa descritiva visa identificar, registrar e analisar as características, fatores e
variáveis que se relacionam com o processo (JUNG, 2004). Os dados utilizados na pesquisa são
oriundos do processo produtivo estudado, desta forma, a mesma teve uma abordagem quantitativa e quanto ao
método, foi realizada uma pesquisa bibliográfica.
3.1 Descrição do processo analisado e coleta de dados
Mensalmente a empresa produzia 19.000 caixas do produto estudado, e uma quebra de matéria prima em
torno de 1,2%. Parte desta quebra era atribuída ao descontrole do processo, o que gerava produto com
peso acima do necessário e consequente desperdício de matéria prima. O processo produtivo
tem início com a fabricação de um gel utilizado para aglutinar os compostos do repelente,
posteriormente este gel é colocado em um misturador onde são acrescentadas as demais
matérias primas para a obtenção da massa que será utilizada na moldagem do produto
final.
Depois de finalizado o processo de mistura, a massa é transportada até uma extrusora para ser
transformada em lâminas, então estas serão moldadas com o auxílio das matrizes para
a obtenção do repelente. A extrusora dispensa uma tira de aproximadamente 1.000 mm que é
posicionada abaixo das matrizes, em seguida as sete matrizes são acionadas em conjunto e realizam a
moldagem das peças simultaneamente. As matrizes possuem um tamanho pré-determinado, então
para ajustar o peso das unidades moldadas, o operador regula a espessura da lâmina na saída da
extrusora. A cada 30 minutos o operador realiza a pesagem de uma peça e ajusta o equipamento de acordo
com a especificação do produto que estiver em máquina. Após a moldagem, as
peças são acondicionadas em bandejas com 14 unidades cada, estas bandejas são empilhadas
em “pallets” e levadas a estufa onde passam por uma secagem de aproximadamente 4 horas,
após este processo, o produto segue para embalagem final.
Para o estudo em questão, ficou definida a utilização das cartas de média e
amplitude, pois as amostras foram coletadas em subgrupos de n=3. A Figura 1 facilita o entendimento do
processo de decisão do tipo de carta a ser utilizada.

Figura 1: Fluxograma para seleção das cartas de
variáveis. Fonte: Nath, Volkart e Unterleider (2011).
O equipamento em estudo possui um bloco com sete matrizes. Porém, diante da
impossibilidade de realizar a coleta de amostras nas sete matrizes e por existir a possibilidade de haver uma
diferença significativa no peso das peças oriundas de matrizes diferentes, ficou definido que
seriam utilizadas apenas duas matrizes: a que resulta em produto final com maior peso e a que resulta em
produto final com menor peso. Antes do início da coleta, foi necessário eleger as matrizes que
seriam utilizadas na mesma, para tanto foi realizada a pesagem de trinta peças consecutivas produzidas
em cada uma das sete matrizes do equipamento. O resultado da média desta pesagem pode ser verificado na
Tabela 2.
Tabela 2: Verificação Geral das Peças
|
Matriz
|
1
|
2
|
3
|
4
|
5
|
6
|
7
|
|
Peso (g)
|
40,1
|
39,2
|
39,4
|
39,5
|
39,5
|
39,3
|
40,4
|
Após a verificação das médias apresentadas na Tabela 2, ficou definido que para o
estudo, seriam utilizadas as matrizes dois e sete por produzirem peças com menor e maior peso
respectivamente no bloco de matrizes do equipamento.
4. Desenvolvimento
A coleta de dados ocorreu durante três dias, no mesmo equipamento e as amostras foram retiradas sempre
das matrizes 2 e 7. A coleta foi realizada a cada 30 minutos e em subgrupos de três amostras. A cada 30
minutos o operador retirava da linha três peças em sequência produzidas pela matriz 2, e
três peças em sequência produzidas pela matriz 7, pesava as mesmas individualmente e
registrava o peso na planilha de coleta de dados. No primeiro dia, foram realizadas 13 coletas, 15 no segundo
dia e 14 no terceiro e último dia, totalizando 42 coletas e 126 amostras. Para a pesagem das amostras
foi utilizada uma balança eletrônica com precisão de 0,1g. A coleta de dados segue nas
Tabelas 3, 4 e 5.
Tabela 3: Dados coletados no primeiro dia nas matrizes 2 e 7
|
Matriz 2
|
Matriz 7
|
|
Hora
|
Amostra
|
Hora
|
Amostra
|
|
1
|
2
|
3
|
1
|
2
|
3
|
|
07:00
|
39,2
|
39,3
|
39
|
07:00
|
40,3
|
40,2
|
40,5
|
|
07:30
|
39,4
|
39,8
|
39,5
|
07:30
|
40,5
|
40,2
|
40,1
|
|
08:00
|
39,7
|
39,5
|
39,4
|
08:00
|
40,2
|
40,3
|
40,1
|
|
08:30
|
39,2
|
39,2
|
39,3
|
08:30
|
40,2
|
40,5
|
40,3
|
|
09:00
|
39,6
|
39,4
|
39,6
|
09:00
|
40,3
|
40,1
|
40,3
|
|
09:30
|
39,6
|
39,6
|
39,8
|
09:30
|
40,4
|
40,6
|
40,5
|
|
10:00
|
39,7
|
39,5
|
39,5
|
10:00
|
40,6
|
40,6
|
40,5
|
|
10:30
|
39,6
|
39,4
|
39,3
|
10:30
|
39,9
|
39,9
|
39,9
|
|
11:00
|
39,3
|
39,4
|
39,3
|
11:00
|
39,8
|
40
|
40,1
|
|
11:30
|
39,6
|
39,4
|
39,4
|
11:30
|
40,2
|
40,4
|
40,4
|
|
12:00
|
39,6
|
39,6
|
39,5
|
12:00
|
40,3
|
40,3
|
40,1
|
|
12:30
|
39,3
|
39,4
|
39,4
|
12:30
|
39,9
|
40
|
39,9
|
|
13:00
|
39,4
|
39,5
|
39,4
|
13:00
|
40,4
|
40,6
|
40,3
|
----
Tabela 4: Dados coletados no segundo dia nas matrizes 2 e 7
|
Matriz 2
|
Matriz 7
|
|
Hora
|
Amostra
|
Hora
|
Amostra
|
|
1
|
2
|
3
|
1
|
2
|
3
|
|
07:00
|
39,7
|
39,7
|
39,7
|
07:00
|
40,4
|
40,2
|
40,4
|
|
07:30
|
39,9
|
39,7
|
39,9
|
07:30
|
40,5
|
40,4
|
40,3
|
|
08:00
|
39,6
|
39,7
|
39,6
|
08:00
|
40,4
|
40,4
|
40,5
|
|
08:30
|
39,8
|
39,8
|
39,6
|
08:30
|
40,3
|
40,3
|
40,4
|
|
09:00
|
39,7
|
39,7
|
39,6
|
09:00
|
40,3
|
40,3
|
40,1
|
|
09:30
|
39,5
|
39,6
|
39,6
|
09:30
|
40,2
|
40,4
|
40,4
|
|
10:00
|
39,9
|
39,7
|
39,7
|
10:00
|
40,1
|
40,0
|
40,0
|
|
10:30
|
39,8
|
39,7
|
39,7
|
10:30
|
40,3
|
40,3
|
40,0
|
|
11:00
|
39,4
|
39,7
|
39,6
|
11:00
|
40,1
|
40,0
|
40,2
|
|
11:30
|
39,7
|
39,5
|
39,3
|
11:30
|
40,0
|
40,0
|
39,8
|
|
12:00
|
39,4
|
39,5
|
39,2
|
12:00
|
40,2
|
40,1
|
40,0
|
|
12:30
|
39,2
|
39,4
|
39,5
|
12:30
|
39,9
|
39,8
|
39,9
|
|
13:00
|
39,1
|
39,2
|
39,0
|
13:00
|
39,8
|
39,8
|
39,9
|
|
13:30
|
39,4
|
39,6
|
39,4
|
13:30
|
39,8
|
39,9
|
40,0
|
|
14:00
|
39,7
|
39,9
|
39,9
|
14:00
|
40,4
|
40,5
|
40,4
|
-----
Tabela 5: Dados coletados no terceiro dia nas matrizes 2 e 7
|
Matriz 2
|
Matriz 7
|
|
Hora
|
Amostra
|
Hora
|
Amostra
|
|
1
|
2
|
3
|
1
|
2
|
3
|
|
07:00
|
39,5
|
39,6
|
39,6
|
07:00
|
40,4
|
40,3
|
40,3
|
|
07:30
|
39,4
|
39,5
|
39,5
|
07:30
|
40,1
|
40,1
|
39,9
|
|
08:00
|
39,8
|
39,8
|
39,9
|
08:00
|
40,6
|
40,6
|
40,4
|
|
08:30
|
39,6
|
39,6
|
39,7
|
08:30
|
40,4
|
40,3
|
40,1
|
|
09:00
|
39,4
|
39,4
|
39,3
|
09:00
|
40,4
|
40,4
|
40,2
|
|
09:30
|
39,9
|
39,5
|
39,4
|
09:30
|
40,5
|
40,3
|
40,1
|
|
10:00
|
39,6
|
39,6
|
39,6
|
10:00
|
40,3
|
40,4
|
40,4
|
|
10:30
|
39,7
|
39,8
|
39,6
|
10:30
|
40,6
|
40,6
|
40,5
|
|
11:00
|
39,7
|
39,7
|
39,7
|
11:00
|
40,4
|
40,5
|
40,4
|
|
11:30
|
39,8
|
39,6
|
39,6
|
11:30
|
40,6
|
40,5
|
40,6
|
|
12:00
|
39,6
|
39,4
|
39,6
|
12:00
|
40,6
|
40,6
|
40,7
|
|
12:30
|
39,9
|
39,7
|
39,5
|
12:30
|
40,4
|
40,4
|
40,5
|
|
13:00
|
39,9
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39,7
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39,5
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13:00
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40,4
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40,4
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40,1
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13:30
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39,9
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39,8
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39,7
|
13:30
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40,5
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40,7
|
40,5
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5. Discussão e síntese dos resultados
Após a coleta de dados, foram criados os histogramas para melhor entendimento e análise das
informações referentes ao estudo realizado. Conforme pode ser observado nos histogramas da
Figura 2 e Figura 3, o processo produtivo realizado tanto com a matriz 2 quanto com a matriz 7 não
segue uma curva normal quanto a distribuição das frequências.

Figura 2: Histograma dos dados coletados da matriz 2. Fonte:
Autores (2013).
Dando sequência na análise dos histogramas da Figura 2 e Figura 3, pode-se observar que existe
uma diferença entre os dados coletados da matriz 2 e 7. Como as amostras foram sempre coletadas em
pares, isto confirma a hipótese apontada de que existe diferença no tamanho das matrizes,
originando no mesmo acionamento peças com peso diferente entre as matrizes.

Figura 3: Histograma dos dados coletados da matriz 7. Fonte:
Autores (2013).
A partir dos dados coletados também foram elaborados os gráficos de controle para a
média e a amplitude. Na sequência, as Figuras 4 e 5 mostram as cartas de controle das
médias dos pesos, e das amplitudes das amostras coletadas na matriz 2.
Figura 4: Gráfico das médias da matriz 2.
Fonte: Autores (2013).
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Figura 5: Gráfico das amplitudes da matriz 2.
Fonte: Autores (2013).
Através da análise das cartas de controle da matriz 2 (Figuras 4 e 5) é possível
observar que o processo está fora de controle estatístico, pois apresenta pontos acima do limite
superior de controle, pontos abaixo do limite inferior de controle, nove pontos em sequência acima do
limite de controle, sete pontos consecutivos decrescentes, entre outras características que o
classificam como fora de controle.
Figura 6: Gráfico das médias da matriz 7.
Fonte: Autores (2013).
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Figura 7: Gráfico das amplitudes da matriz 7.
Fonte: Autores (2013).
Na sequência, as Figuras 6 e 7 apresentam as cartas de controle das médias dos pesos, e das
amplitudes das amostras coletadas na matriz 7. A análise das cartas de controle da matriz 7 (Figuras 6
e 7), também indica que o processo está fora de controle estatístico, pois apresentam
pontos acima do limite superior de controle, pontos abaixo do limite inferior de controle, oito pontos
consecutivos crescentes, entre outras características. Após a análise do histograma e das
cartas de controle, calculamos o Cp e o Cpk para este processo, o qual demonstrou nas análises
anteriores que não é um processo estável, tendo causas especiais ou comuns para serem
trabalhadas. A seguir as equações 3, 4 e 5 apresentam os índices de Cp e Cpk para a
matriz 2 e as equações 6, 7 e 8 demonstram os cálculos de Cp e Cpk para a matriz 7, para
posteriormente podermos fazer uma análise dos índices obtidos nas amostras coletadas:






Processos com 1 ≤ Cp ≤ 1,33 possuem uma taxa de 64 à 2.700 (PPM) de itens não conformes e
são classificados como aceitáveis. Considerando o Cp obtido na matriz 2 que foi de 1,25 e o Cp
da matriz 7 que foi de 1,22, ambas podem ser consideradas aceitáveis para o processo em questão,
desde que o mesmo esteja centrado no valor nominal de especificação, e isto somente é
possível após a eliminação das causas comuns. Considerando que a análise do
Cpk deve ser feita considerando o pior caso, ou seja, o menor valor, foi possível verificar a partir
dos valores para a matriz dois com Cpk igual a 0,49 e para a matriz sete com Cpk igual a -0,21, que o processo
está amplamente deslocado do valor nominal e pode ser melhorado.
Para que seja possível realizar uma avaliação adequada da capacidade do processo,
é imprescindível que o mesmo esteja sob controle estatístico e possua uma
distribuição normal de suas frequências. Como nenhum destes pré-requisitos foi
atendido, não é possível fazer qualquer tipo de inferência quanto à
capacidade do processo. A seguir, nas Figuras 8 e 9, estão os gráficos da capacidade do processo
nas matrizes 2 e 7 respectivamente, através destes gráficos podemos dizer se o processo é
incapaz, satisfatório, ou capaz. Estes gráficos são uma
correlação entre os limites especificados e as amostras coletadas, levando em
consideração o índice de Cpk o processo estudado é incapaz. Os gráficos
foram elaborados através do software Minitab versão 16.2.4.

Figura 8: Gráfico da capacidade do processo na matriz
2
-----

Figura 9: Gráfico da capacidade do processo na matriz
7
6. Conclusão
Este artigo apresentou uma aplicação de CEP, onde o objetivo foi conhecer a
variabilidade das matrizes de um processo de moldagem levando em consideração o peso das
peças moldadas. Com a finalização do estudo e de posse dos dados coletados, realizou-se a
análise dos dados através de cartas de controle e de histogramas, onde foi possível
identificar que o processo não possuía uma distribuição normal de suas
frequências em nenhuma das duas matrizes estudadas.
A análise dos dados indicou que existiam causas comuns atuando no processo, e estas causas impediam
que o processo apresentasse um comportamento adequado do ponto de vista estatístico, dificultando o
gerenciamento do processo e onerando o processo produtivo e por consequência o produto final.
Para atender as especificações do produto quanto ao limite mínimo de peso de cada
peça, será necessário que o equipamento opere com a regulagem que determina o peso das
peças ajustado acima do necessário. Porém isto irá gerar um consumo
desnecessário de matéria prima, ou seja, um gasto acima do desejado, aumentando os custos de
produção. Com base no presente estudo, sugere-se uma avaliação detalhada do
processo com o objetivo de identificar as causas comuns que atuam no mesmo, a fim de eliminá-las e por
consequência melhorar a eficiência do processo de moldagem que foi objeto deste estudo. Para
melhorar o processo produtivo, uma vez que foram mapeada as causas críticas, o estudo de Pacheco
(2012), Pacheco et al. (2012), Pergher, Rodrigues e Lacerda (2011) e Pacheco (2010).
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