1. Introdução
A competitividade industrial obriga as empresas e motiva pesquisadores, a buscar mecanismos organizacionais
que promovam e garantam o crescimento empresarial, a qualidade e inovação de produtos e
processos de negócio. Neste sentido, diferentes pesquisas nacionais e internacionais realizadas no tema
de redes de empresas demonstram que as organizações podem organizar redes empresariais para
fortalecer os fatores: competitividade, qualidade e inovação, entre outros (LUI, CHEN, 2012;
LIBARES, MEYER, 2011; PETTER, CERANTO, RESENDE, 2011; KAJIKAWA et al., 2010; CANTNER, MEDER, WAL;
2010; CARDOZA GALDÁMEZ, CARPINETTI, GEROLAMO, 2009).
Redes de empresas são ambientes organizacionais no qual as empresas podem utilizar para
iniciar/desenvolver/melhorar os processos de inovação contínua de produtos e
operações industriais, garantido com isso o desempenho nas seguintes dimensões: social,
ambiental e industrial (DIEZ-VIAL, 2011; DELGADO, PORTER, STERN, 2010; JUNQUERA, PAOLA, 2010; SOUZA, ARICA,
2006a).
A literatura específica vem propondo, com base no conceito de redes de empresas, novas tipologias que
descrevem diferentes ambientes organizacionais e relações (industriais, comerciais,
políticas e/ou sociais) entre os diferentes atores (empresas, associações, fornecedores,
prestadores de serviço etc.) que participam e tem interesses coletivos ou comuns.
A análise e classificação das tipologias permitem identificar afinidades,
diferenças e descrever as características como, por exemplo, o papel da governança,
interação com o ambiente social, competição, cooperação, entre
outras. Além disso, caracterizar o ambiente organizacional em função do próprio
desempenho ou situação da característica. Também ajuda a identificar as
relações empresarias e interpretar os fenômenos das redes de empresas, contribuindo para o
fomento e eficiência dos programas políticos e econômicos que visam o desenvolvimento
industrial/regional.
Desta forma, o objetivo do trabalho é identificar as tipologias de rede de empresas descritas na
literatura e determinar as principais características organizacionais das tipologias que são
semelhantes e que podem caracterizar a evolução de uma rede de empresas.
No próximo item é descrito o método científico seguido para planejar e executar a
pesquisa. No terceiro item são destacados os principais conceitos abordados na área do trabalho
científico: rede de empresas. As tipologias de redes de empresas identificadas e analisas são
destacadas no quarto item. O quinto item descreve as principais conclusões e limitações
do trabalho.
2. Metodologia Científica
A abordagem proposta neste trabalho científico é de caráter teórico/conceitual
(MIGUEL et al., 2010). Isto é, discute e analisa as tipologias de redes de empresas e
identifica as características semelhantes e evolutivas das tipologias a partir de uma abordagem baseada
na literatura nacional e estrangeira, contribuindo com o avanço científico e
consolidação da área de pesquisa.
O trabalho foi desenvolvido a partir de uma pesquisa de Portfólio Bibliográfico. O procedimento
para a pesquisa de portfólio bibliográfico foi baseada no método proposto por Ensslin
et al. (2010), denominado de Proknow-C (Knowledge Development
Process–Constructivist). Método que foi selecionado porque permite planejar, executar e
realizar a análise dos dados (bases de dados científicas) de uma forma eficaz, eficiente e
ágil, conforme comprovam trabalhos científicos teóricos/conceituais conduzidos por outros
pesquisadores (BORTOLUZZI et al., 2011; LACERDA, ENSSLIN E ENSSLIN et al., 2011).
2.1. Planejamento e Execução da Pesquisa Teórica/Conceitual
A primeira fase de planejamento (Seleção do Banco de Artigos Brutos) da metodologia foi
dividida em três etapas: i) pesquisar artigos de redes de empresas de forma aleatórias e
desses artigos utilizar as palavras-chave como inputs para buscar os artigos do portfólio;
ii) identificar as bases de dados ou banco de dados para realizar a pesquisa; e iii) buscar
artigos brutos no banco de dados e selecionar a partir do título. Detalhes do protocolo
científico – Fase 1, baseado na metodologia Proknow-C, são destacados na Figura
1.
Figura 1. Etapas da fase seleção do banco de artigos bruto
do método Proknow – C
Na segunda fase do trabalho proposta e intitulada de Filtragem do Banco de Artigos foram identificados e
definidos os artigos do Portfólio Bibliográfico. O resultado decorre do seguinte procedimento
(etapas): eliminar artigos repetidos; alinhar pela leitura do título e quanto ao reconhecimento
científico e alinhar pela leitura do resumo e pela leitura integral do artigo, conforme detalhado na
Figura 2. Outro aspecto da publicação e utilizado como critério de qualidade do artigo
selecionado é que o periódico deveria possuir um índice de impacto JCR (Journal
Citation Reports).
Figura 2. Etapas da fase filtragem do banco de artigos do método
Proknow – C
Um resumo dos resultados alcançados durante a execução da pesquisa é ilustrado
pela Figura 3. A seleção do banco de artigos brutos se iniciou de forma aleatória, foram
selecionadas publicações científicas nacionais e internacionais no período de 2008
até setembro de 2011, pois teriam artigos recentes e atualizados, resultando em 30 artigos nacionais e
internacionais e a partir da leitura foram relacionadas 36 palavras-chave. A partir da avaliação
de três pesquisadores do tema de redes de empresas foram selecionadas 26 palavras-chave de pesquisa,
conforme listadas no Quadro 1.
As palavras-chave não selecionadas foram aquelas que os termos são utilizados amplamente e
dificultam a definição de estudos específicos sobre redes de empresas e aquelas que
indicam tamanhos de empresas, pois restringem o trabalho ao tamanho ou especificidades das empresas e a
pesquisa analisa o desenvolvimento das redes, entendendo que existem empresas de diversos tamanhos na rede.

Figura 3. Resultados das etapas da fase seleção do banco de
artigos bruto - método Proknow – C
---
Quadro 1. Palavras-chave Selecionadas para a Pesquisa

Para a pesquisa foi selecionado o Banco de Dados/Domínio Periódicos Capes, na área de
Engenharias, subárea: Engenharia de Produção, Higiene e Segurança do trabalho.
Além disso, foram pesquisadas todas as bases indexadas na área e subárea estudada que
estavam disponíveis para a instituição de ensino, conforme relacionadas no Quadro 2.
Quadro 2. Relação da Base de Dados Pesquisadas*
*Área: Engenharia/Sub-área: Engenharia de
Produção, Higiene e Segurança do Trabalho
A Figura 4 demonstra os resultados que foram alcançados para o período selecionado de
publicações - 2008/2012 (Setembro) - foram obtidos 1824 artigos. A base de busca da Capes
disponibilizou 3.914,821 artigos referentes as 26 palavras-chave, onde foram analisados 57.598 artigos mais
relevantes para as bases de dados (a base considera mais relevantes aquelas mais acessadas) . A partir deste
volume de publicações foram selecionados 33.041 artigos, utilizando como critério os anos
de 2008 a setembro de 2012. No final desta fase da pesquisa foram selecionados no total 1.824 artigos,
formando o Portfólio Bibliográfico da pesquisa. A Figura 5 ilustra a distribuição
dos artigos selecionados por palavra-chave. Pode-se observar que as palavras-chave Industrial
Cluster/Industry Clusters representa o termo mais utilizado nas publicações e
demonstra a importância para a área de Rede de Empresas.

Figura 4. Seleção do portfólio
bibliográfico
-----

Figura 5. Número de artigos selecionados por palavras
chaves
Os artigos selecionados na pesquisa das palavras-chave no banco de dados foram importados para o programa
Mendeley 15.2, software que permite organizador os documentos. Uma das principais
funções utilizadas é a organização dos documentos por títulos em
ordem alfabética, mecanismos que permiti excluir artigos repetidos.
Após essa seleção por ano, foi realizada uma seleção por título e
resumo dos artigos, sendo que os títulos e resumos selecionados deveriam ter relação com
o tema de redes de empresas. Os artigos também foram avaliados a partir do índice JCR e foram
formados dois grupos: aqueles que possuíam a classificação acima ou igual a B2, pelo
critério Qualis/Capes e aqueles que não entravam nesse critério. Os artigos acima ou
igual a B2 foram lidos primeiramente e se caso necessário, por insuficiência de materiais
teóricos, seriam lidos os demais artigos. Porém, na leitura dos artigos, foi constatado que a
teoria descrita nos artigos com JCR não pertencentes ao critério apresentavam aspectos
importantes para a pesquisa, pois proporcionavam conteúdos novos e complementares aos artigos do outro
grupo.
2.2. Análise do Portfólio Bibliográfico
A Figura 6 destaca o procedimento e os resultados da segunda fase do método de pesquisa utilizado e
baseado na proposta do Proknow-C. Com a ajuda do Mendeley foi possível excluir 565
artigos repetidos. Após realizou-se a leitura dos títulos não repetidos, foram
selecionados 530 títulos de artigos. Também foram selecionados os artigos que apresentaram
resumos alinhados com o tema de pesquisa de redes de empresas, representado 301 artigos.

Figura 6. Filtragem do Banco de Artigos Baseado no Método
Proknow – C
Foram selecionados e avaliados 117 artigos publicados em periódicos com JCR. No final desse processo
86 artigos foram selecionados para a base na pesquisa bibliográfica de tipologias das redes de
empresas: 25 artigos publicados em 10 periódicos considerados >= B2 e 61 artigos publicados em 37
periódicos que não pertencem ao grupo >= B2, conforme destacado na Figura 7.

Figura 7. Distribuição dos Artigos Selecionados por
Periódico
A Figura 8 destaca a distribuição das publicações/ano pelo tipo de
classificação dos periódicos. Observa-se que no grupo com Qualis/Capes >=B2, o ano que
concentrou maior número de publicações é 2010. Pode ser estabelecida uma
relação que o surgimento de publicações em periódicos considerados com um
nível de impacto maior estimulou pesquisadores a investigar o tema e conseqüentemente aumentar o
número de publicações em outros periódicos, conforme aparece no ano de 2011.

Figura 8. Distribuição das Publicações/Ano pelo
Tipo de Classificação dos Periódicos
3. Tipologias de Rede de Empresas
Redes de empresas é um conjunto ou uma série de unidades interconectadas por
relações bem definidas. Presutti, Oari e Majocchi (2011) e Majocchi e Presutti (2009) destacam
que as redes de empresas focam principalmente a coletividade geográfica – como a
relação entre as empresas, a cooperação e a competição entre
companhias do mesmo setor e fornecedores especializados (WHEELER, 2009; DELGADO, PORTER, STERN, 2010).
Jofre-Monseny (2009), Junquera e Paola (2010) e Diez-Vial (2011) destacam que as rede de empresas surgem como
conseqüência da soma dos efeitos externos de cada companhia (julgamentos dos clientes e
fornecedores das indústrias individualmente) e da interação das empresas localizadas na
mesma região geográfica (coletividade, competição e cooperação). As
principais definições do tema são destacadas, a seguir.
De acordo com Casarotto Fillho e Pires (2001), Camisón e Forés (2011), Molina-Morales et
al. (2012), Uyarra (2010), Munari, Sobrero e Malipiero, (2011), Boix e Trullén, (2010) e
Majocchi e Presutti (2009), os Distritos Industriais Italianos, são considerados sistemas locais de
pequenas e médias empresas. Geralmente são especializados em um setor, reconhecidos como um
modelo distribuidor de renda e altamente competitivo, onde existe grande interação entre as
empresas e também com o ambiente social territorial.
Madsen e Andersen (2010), Libares e Meyer (2011), He, Rayman-Bacchus e Wu (2011) e Porter (2000) consideram o
Cluster Industrial como uma concentração geográfica de empresas e
instituições interligadas em uma determinada área, existindo um grande número de
empresas, indústrias e instituições ligadas uma ás outras, bem como outras
entidades importantes para a competição. As ações inerentes ao processo existente
dentro de um Cluster Industrial são as de competição e também de
cooperação, a um nível mais verticalizado e em diferentes patamares.
Para Casarotto Filho e Pires (2001) e Martin, Mayer e Mayneris (2011), o Sistema Produtivo Local (SPL)
também conhecido como Sistema econômico local (SEL), é considerado como uma região
estruturada, com alta interação de órgãos públicos e privados, se relaciona
de forma livre com o mundo, existindo uma forte concentração de interesses sociais.
Cainelli (2008), Liu e Chen (2012), o Milieu Inovador ou ambiente inovador é uma
formação geográfica limitada que intensifica a capacidade inovativa local por meio dede
processos contínuos de aprendizagem. Onde existe um conjunto de elementos imateriais (conhecimento),
materiais (empresas, firmas, indústrias) e instituições (sindicatos, institutos,
universidades) que são indispensáveis para a inovação.
Engel e Del-Palacio (2009), Freeman, Engel (2007), Florida (2008) Cluster de Inovação
(CIN) é definido como um aglomerado de indústrias especializadas no desenvolvimento e
inovação de produtos. São concentradas organizações interconectadas como
fornecedores, prestadoras de serviços, universidades e associações comerciais.
A comissão Europeia (EUROPEAN COMMISSION, 2002) desenvolveu três tipologias:
i) Cluster Regional: é uma concentração de firmas interdependentes
dentro de um mesmo ou adjacente setor industrial em uma limitada área geográfica (KAJIKAWA
et al., 2010); ii) Rede Regional de Inovação: é uma
concentração mais organizada, com cooperação entre as empresas, estimulada pelas
normas, princípios, confiança, encorajando assim as empresas para executarem atividades de
inovação (FRITSCH, KAUFFED-MONZ, 2010); iii) Sistema Regional de
Inovação: é uma rede de empresa mais desenvolvida se comparada a Rede Regional de
Inovação, com a cooperação entre as empresas de diferentes
organizações visando a difusão e o desenvolvimento do conhecimento (CANTNER, MEDER, WAL,
2010; TAKEDA et al., 2008; LUNDVALL, 2007; JOHNSON, 2008; FRITSCH, SLAVTCHEV, 2009; FRITSCH,
KAUFFELD-MONZ, 2010; LIU, CHEN, 2012; MADSEN, ANDERSEN, 2010).
Para Cantner, Meder e Wal (2010) Regional Innovator Networks (RIN) é um aglomerado de
Innovators (empresas comprometidas com a inovação) e localizadas em um mesmo local.
Visa principalmente à inovação, à cooperação formal e o aprendizado
coletivo.
Conforme Zelbst, Frazier e Sower (2010) as Concentrations of Local Industry Clusters (CLIC)
são caracterizadas por serviços e produtos que são consumidos localmente, focando
internamente a rede de empresa. Nesse tipo de rede a inovação é considerada baixa, pois
existem poucas oportunidades para entradas de novas organizações.
Os Resource Dependent Concentrations (RDC) são criados por meio dos recursos imóveis.
Zelbst, Frazier e Sower (2010) relatam que como esse tipo de rede de empresas é baseado na imobilidade
dos recursos, tem um nível mais elevado de especialização do que a Concentration of
Local Industry Cluster. A inovação nessa rede de empresas é considerada baixa,
porque as oportunidades de entradas de novos negócios são limitadas.
Para Lee, Lee e Lee (2007), Zelbst, Frazier e Sower (2010), as redes de empresas tipos Traded Industry
Concentrations (TIC) buscam a eficiência da produção e dos serviços com o
menor custo por meio de ganhos na transferência do conhecimento. As organizações tendem a
localizar-se nesses aglomerados, pois buscam maiores ganhos em eficiência por meio da
transferência de conhecimento.
Government Anchored Concentrations (GAC) é construída em áreas pertencentes ao
governo federal ou estadual, que focam na capacidade de realizar os requisitos governamentais (ZELBST, FRAZIER
e SOWER, 2010). As entidades pertencentes às redes são bases militares e institutos de
pesquisas.
Nos Balanced Concentrations (BC) o processo de inovação também é
considerado alto. Segundo Zelbst, Frazier e Sower (2010), essas redes de empresas requerem uma grande
variedade de produtos e serviços, e também promovem um ambiente de cooperação e de
competição.
Arikan e Schilling (2011), Tan, Shao e Li (2009), as redes de empresas Low Centralization - Low
Coordination Archetype (LCLC) são compostas por pequenas e médias empresas. A rede
é caracterizada por uma única empresa ou indústria dominante, com baixa tecnologia e
frequente trabalho intensivo. A LCLC, é predominantemente verticalizada, os contratos são entre
a rede e seus fornecedores e seus clientes e existe uma baixa cooperação. Outras
definições relacionadas são:
- Low Centralization - High Coordination Archetype (LCHC) é composta principalmente por
pequenas, médias e grandes empresas, sendo que nenhuma delas tem poder no mercado fora da rede.
Ocorrem principalmente relacionamentos verticais (contratos entre empresas da rede com seus fornecedores e
clientes), porém as relações horizontais também são comuns
(particularmente entre empresas de tecnologia) (ARIKAN E SCHILLING, 2011).
- High Centralization - High Coordination Archetype (HCHC) a rede é composta por uma ou
poucas empresas poderosas (Hub) onde estão cercadas por pequenas empresas, sendo essas
pequenas empresas fornecedoras e clientes do Hub (ARIKAN E SCHILLING, 2011). O Hub
são empresas de grande porte que tem controle de todo o processo sobre um produto de alta
complexidade tecnológica (KLEPPER, 2007).
- High Centralization – Low Coordination Archetype (HCLC) é formada pela
combinação de pequenas, médias e grandes empresas. Os membros dessa rede são
normalmente filiais de grandes empresas que tem sedes fora da rede. Existem mínimas
interações horizontais entre as empresas, instituições, governança e
indústrias da rede (ARIKAN, SCHILLING (2011); MARKMAN, SIEGEL, WRIGHT (2008), WEI et al.
(2009)).
4. Identificação e Análise das Tipologias de Rede de
Empresas
A análise das características evolutivas das tipologias encontradas na literatura foi baseada
no levantamento teórico do portfólio bibliográfico que descreviam as tipologias de redes
de empresas. Para descrever as tipologias de rede de empresas foram consideradas as seguintes
características: papel da governança; interação com o ambiente social;
competição; cooperação vertical; cooperação horizontal; poder de
inovação; porte das empresas e tipo de setor (Quadro 3). Para a análise das tipologias
foram selecionadas quatro características: competição, cooperação vertical,
cooperação horizontal e inovação, consideradas por Kajikawa, Mori e Sakata (2012),
Cambra-Fierro et al. (2011), König et al. (2011), Huber (2011), Cambra-Fierro et
al. (2011), essenciais para o surgimento e desenvolvimento das redes de empresas. É preciso que
as empresas da rede tenham um ambiente competitivo, pois assim inovam seus produtos e processos, melhorando a
qualidade da rede. Além disso, é necessário que busquem elementos de
cooperação horizontal e vertical.
Quadro 3. Características das Tipologias de Rede de Empresas

A relação das tipologias com as características das redes de empresas foram indicados
pelos níveis de intensidade: inexistente (não existe nenhuma interação das
características na tipologia), rara (a interação existente é bem pouca), baixa
(tem pouca interação das características na tipologia), média (existe uma
intensidade mediana das características na tipologia) e alta (existe uma forte interação
das características nas tipologias), e as características que os autores não citaram nas
tipologias, são demonstradas no trabalho como ‘–’. Os níveis de intensidade
das características considerados para caracterizar as tipologias são detalhados no Quadro 4.
Quadro 4. Níveis de Intensidade das Características

O critério de análise das quatro características (cooperação horizontal,
cooperação vertical, competição e inovação) é demonstrado no
Quadro 5 e foi determinado pelo grau de intensidade (inexistente, raro, baixo, médio e alto) da
própria característica da tipologia e considerado essencial para o desenvolvimento conceitual do
tema de rede de empresas. Especificamente, as tipologias foram divididas em 8 níveis de
semelhanças. Isto é, o Quadro 5 também demonstra que existe uma evolução
nas características das tipologias, no primeiro nível é inexistente as
características analisadas, no segundo existem raras e baixas intensidades e no oitavo nível
todas as características analisadas tem uma alta intensidade.
Quadro 5. Critérios de Análise das Características
Essenciais para as Tipologias

O Quadro 6 apresenta uma síntese das principais características de redes de empresas, suas
tipologias e as características comum. É possível observar que várias tipologias
apresentam características próximas e que representam uma evolução dos conceitos.
Quadro 6. Síntese das Principais Características das
Tipologias

O agrupamento de tipologias com características semelhantes é visualizado no Quadro 7, onde
cada nível está sendo representado por cores diferentes e apresentam a(s) tipologia(s) com as
características descritas no Quadro 5.
Quadro 7 – Tipologias Semelhantes

A Figura 9 é uma estrutura que apresenta seis blocos, e em cada bloco estão as tipologias que
contêm características similares. Além disso, representam características
evolutivas das tipologias (Quadro 5), pois as características existentes nas tipologias de um bloco
são características evolutivas do bloco anterior. Isto é, o primeiro bloco tem duas
tipologias, o bloco seguinte irá conter nas características das suas tipologias,
características que desenham uma evolução dos elementos descritos no primeiro bloco.

Figura 9. Características evolutivas e características
semelhantes das tipologias
Para o estudo foi considerado que rede de empresas é um conjunto de empresas, indústrias e
instituições que detém algum tipo de interação, podendo ser
interação de cooperação horizontal, cooperação vertical,
competição e/ou de inovação entre as empresas. Dessa forma, também foi
considerado para o estudo que as tipologias necessitam ter algum tipo de interação e/ou
intensidade sobre as quatro características essenciais para o desenvolvimento da rede.
Portanto, todas as tipologias estudadas são consideradas tipologias de redes de empresas, detêm
algum tipo de interação e/ ou intensidade sobre as características essenciais.
Porém, se tivesse tipologias classificadas no primeiro nível de critério de
análise (Quadro 5), essa tipologia não seria considerada de redes de empresas, pois as
intensidades são inexistentes.
5. Considerações Finais
O objetivo deste trabalho foi analisar as tipologias das redes de empresas por meio da
identificação de suas características semelhantes e evolutivas. Verificou-se que as
tipologias podem ser classificadas conforme as suas características essências, sendo consideradas
para esse estudo como: competição, cooperação vertical, cooperação
horizontal e inovação. A classificação possui oito níveis, onde cada
nível foi identificado conforme a intensidade das características.
O nível seis de classificação foi aquele que demonstrou um maior número de
tipologias com características semelhantes. Pode-se constatar que a maior parte das tipologias
estudadas está no nível seis de classificação, assim a maior parte das redes
estudadas pelos pesquisadores estão na fase intermediária da evolução das redes,
se for considerada que a evolução mais avançada é o nível oito.
A pesquisa desenvolvida demonstra que tipologias que têm baixos níveis de intensidade sobre a
característica cooperação horizontal e que as empresas pertencentes às redes com
esse perfil de tipologia têm uma grande dificuldade em cooperar entre si. Uma forma de diminuir essa
dificuldade seria as entidades governamentais, sindicatos, empresas e universidade desenvolverem projetos para
incentivar a coletividade entre as companhias, demonstrando que se as empresas comprassem, produzissem e
treinassem seus funcionários de forma coletiva teriam um menor custo, seus produtos e serviços
teriam melhor qualidade e melhor competitividade.
As empresas pertencentes às redes com perfis de tipologias que detêm um nível
médio de intensidade sobre a cooperação vertical, e baixo nível de poder de
inovação, apresentam uma grande deficiência de inovação em seus produtos e
processos. Para diminuir a dificuldade de inovação as empresas pertencentes às redes,
sindicatos e universidades poderiam desenvolver feiras de inovação, palestras e cursos sobre
criatividade, incentivar visitas nas principais feiras de inovação nacionais e internacionais.
Essas empresas também passam por dificuldades em relação à
cooperação vertical (fornecedores e clientes). Uma forma de minimizar essa deficiência
é incentivar e desenvolver parcerias entre os fornecedores e clientes, assim melhorando seus produtos e
fazendo com que as empresas permaneçam competitivas.
A tipologia é uma forma de descrever como uma rede se comporta. Existem diversas tipologias que tem
características semelhantes e essas características evoluem, demonstrando que as redes de
empresas sofrem um desenvolvimento. Também pode-se identificar as dificuldades e necessidades das redes
de empresas por meio da analise das características tipológicas. Assim, encontradas essas
dificuldades é possível promover o desenvolvimento industrial e científico por meio de
projetos fomentados pelo governo e instituições não governamentais que estimulem o
desenvolvimento regional e nacional.
As diversas tipologias propostas pela academia para denominar redes de empresas, na maioria das vezes,
são analisadas de um modo genérico e suas características são consideradas como
sendo iguais umas as outras. Porém, é possível analisar as terminologias individualmente
e observar que existem diferenças e semelhanças nas características das tipologias.
Futuros trabalhos podem considerar que as tipologias se diferenciam pelo estágio de desenvolvimento da
rede de empresas. O processo de desenvolvimento da rede de empresas depende do desenvolvimento industrial, do
gerenciamento dos recursos disponíveis, das atividades desenvolvidas internamente na gestão
estratégica e da produção (práticas de produção) nas empresas
pertencentes à rede.
Agradecimentos
Agradecimentos à CAPES pelo apoio financeiro dado ao desenvolvimento das atividades
científicas.
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