1. Introdução
O termo empreendedor é utilizado desde a idade média. A priori, serviu para identificar o
indivíduo que gerenciava grandes projetos de construção, sem a assunção de
riscos. É traduzido como aquele que assume riscos e começa algo novo e tem seu possível
surgimento registrado em meados do século XVII, na França. A criação desse termo
é atribuída, segundo estudiosos, ao escritor e economista Richard Cantillon, que possivelmente
foi o primeiro a realizar a diferenciação do empreendedor e do capitalista. Sobre o
empreendedorismo ainda no contexto internacional, vale destacar a criação, em 1997, do projeto
GEM – Global Entrepreneurship Monitor, que almejava segundo Dornelas (2008), medir a atividade
empreendedora dos países e o relacionamento com o crescimento econômico. O autor enfatiza ainda
que o termo no Brasil ganhou relevância a partir da década de 1990, com a criação
de entidades como o SEBRAE (Serviço Brasileira de Apoio a Micro e Pequenas Empresas) e Softex
(Sociedade Brasileira para a Exportação de Software) dentre outras.
A inovação do processo tecnológico abriu maior espaço ao desenvolvimento do
empreendedorismo e a ocorrente e atual internacionalização das empresas requer do profissional
uma formação intelectual eclética, sendo necessário assim o domínio de
outras línguas no intuito de participar do processo de globalização. Com isso, os cursos
de idiomas estrangeiros como o inglês e o espanhol são importantes para acompanhar e participar
desse processo de desenvolvimento globalizado.
Nesse contexto, onde a globalização se caracteriza como um processo de integração
mundial com repercussão nos diversos setores de comunicação, finanças e economia
(BASSI, 1997), pode-se mencionar o caso particular do município de Parintins, em que, diante do contato
direto com turistas estrangeiros no período do Festival Folclórico, bem como em outros momentos
de visitas de navios estrangeiros e também dos iminentes eventos esportivos de caráter mundial,
a Copa do Mundo 2014 e as Olimpíadas 2016, a realizar-se no país, verifica-se a necessidade do
domínio de línguas estrangeiras, principalmente do inglês como a língua universal,
com compreensão do idioma e habilidade oral que permita comunicação,
recepção e comercialização de serviços e produtos com visitantes
estrangeiros.
E mediante tal conjuntura, verifica-se a necessidade de estudar a oportunidade de empreender um ensino
especializado das línguas inglês e espanhol no município de Parintins. Assim, esta
pesquisa tem por objetivo identificar a atratividade para o desenvolvimento de novos negócios no setor
de ensino de idiomas no município de Parintins.
2. Metodologia
Quanto aos aspectos metodológicos, foi realizada, a priori, uma pesquisa bibliográfica sobre o
referido tema, possibilitando ao pesquisador uma proximidade mais estreita com o assunto, o que segundo
Trujilo apud Lakatos (2009), representa “o reforço paralelo na análise de sua pesquisa ou
manipulação de suas informações”
A pesquisa também assume caráter qualitativo-exploratório, tanto por se tratarem de
informações abstratas e não numéricas, quanto pela escassez de
informações sobre o setor, pois não existem informações sobre o setor na
região (Vergara, 2010). A partir dos dados obtidos na coleta de dados no ambiente, por meio de
questionários - fechados para os consumidores e semi-estruturados para as empresas – foi
realizada uma análise no intuito de averiguar a demanda existente para o ensino de línguas no
município de Parintins e correlacioná-los com a atratividade para o desenvolvimento de novos
negócios no respectivo setor.
Essa pesquisa abrangeu todas as cinco empresas prestadoras particulares desse serviço e 384
possíveis consumidores, segundo o cálculo estatístico de acordo com a
população do município, considerando uma margem de erro de 5% para um intervalo de 95% de
confiança. Para tanto, foi realizada uma pesquisa de campo, que segundo Vergara (2010)
“constitui-se em uma investigação empírica realizada no local onde ocorre ou
ocorreu um fenômeno ou o que dispõe de elementos para explicá-lo. Pode incluir
entrevistas, aplicações de questionários, testes e observações
participantes ou não”. Juntamente com aplicação dos questionários, foi
realizada uma entrevista informal com os prestadores de serviços.
Na pesquisa foi utilizado o método de abordagem dedutivo, que de acordo com Lakatos(2009) permite a
conjectura da ocorrência de fenômenos particulares a partir das leis e teorias. Assim, será
possível inferir algumas verdades com base nos dados verificados na coleta.
Utilizou-se como método de procedimento o método estatístico, uma vez que foram
quantificadas as respostas e opiniões dos possíveis consumidores, projetando números e
avaliando aspectos relacionados com a oferta de ensino de línguas estrangeiras.
O município de Parintins, foco dessa pesquisa, é composto por aproximadamente 68.000 habitantes
na área urbana e 38.000 na área rural totalizando 106.000 habitantes. No contexto relacionado
com ao poder aquisitivo da população, vale ressaltar que essa apresenta um baixo PIB per
capita estimado em cerca de R$3.900,00 por habitante. (IBGE, 2010).
3. Referencial teórico
O empreendedorismo tem sua origem remontada à Idade Média quando o termo empreendedor
expressava a ideia do indivíduo que administrava negócios, utilizando para tanto os recursos
disponíveis na ocasião. Tem-se conhecimento na literatura que um dos primeiros autores a abordar
empreendedorismo, Richard Cantillon, no século XVII, distinguiu a figura do empreendedor, caracterizado
pela assunção de riscos, da figura do capitalista, indivíduo fornecedor de capital. Em
seguida, é feita a diferenciação entre os indivíduos administrador e empreendedor,
cuja equiparação entre os dois termos perdurou até o início do século XX.
Filion (1997) os diferencia afirmando que “o gerente é voltado para a organização
de recursos, enquanto o empreendedor é voltado para definição de contextos”. O
autor ainda argumenta que
Foi Schumpeter (1928) que realmente lançou o campo do empreendedorismo, associando-o claramente a
inovação: ‘a essência do empreendedorismo está na percepção e
no aproveitamento das novas oportunidades no âmbito dos negócios (...) sempre tem a ver com criar
uma nova forma de uso dos recursos nacionais, em que eles sejam deslocados de seu emprego tradicional e
sujeitos a novas combinações.
Com o avanço tecnológico, o empreendedorismo conquista maior espaço, uma vez que a ordem
em que esse processo acontece exige também uma quantidade maior de profissionais com
características empreendedoras.
Segundo Souza e Anjos (2012) A presença do empreendedorismo em empresas, sociedades e grupos é
um importante fator que fomenta inovações, tornando os seus atores mais aptos para competir num
mercado com mudanças tão rápidas e contínuas.
No mesmo período em que a globalização ganhou relevância, o empreendedorismo
começa a se tornar mais visível. Uma das causas desse fator são principalmente os
avanços tecnológicos. Porém, quando tais avanços passaram a ocorrer de maneira
rápida, o empreendedorismo ganhou relevância significativa. Afirma Dornelas (2008) que “a
ênfase em empreendedorismo surge muito mais como consequências das mudanças
tecnológicas e sua rapidez, e não é apenas um modismo (…)”.
Na conjuntura atual, é possível dizer, baseado ainda no autor, que vivenciamos a era do
empreendedorismo, onde é notório observar a superação de barreiras
econômicas, sociais e culturais, onde se depara com a produção de riquezas e as complexas
relações de trabalho, e ainda a eclosão da internet, que por sua vez, acelera o processo
de desenvolvimento econômico-social.
Esses acontecimentos são oriundos do processo de globalização que tem sua ênfase
exatamente nesse século, como justificativa desses acontecimentos revolucionários. Nesse
contexto, houve a necessidade de ter profissionais adequados a todo esse processo de mudanças,
principalmente na área tecnológica. Por isso, o estudo do empreendedorismo começa a se
destacar e qualificar indivíduos para se tornarem empreendedores.
A origem do processo de globalização é possível situar, segundo Santana (1999),
no momento em que “a Europa, saindo do Feudalismo, estendeu suas conquistas territoriais a várias
partes do planeta, dentro da expansão comercial iniciada no final da Idade Média, fundamentada
na iniciativa da burguesia e no financiamento do Estado (...)” Nesse processo onde a
integração econômica e a expansão de mercados começam a florescer,
observa-se mudanças de caráter tanto social como político, que por sua vez alteram a
forma habitual das pessoas e organizações se relacionarem.
No final do século XX, o processo de globalização começa a integrar
vários setores mundiais, o que antes eram acontecimentos locais e nacionais passam a ser acontecimentos
mundiais. Como consequência desse novo mundo “sem barreiras”, amplia-se a necessidade do
conhecimento de línguas estrangeiras, para uma melhor interação com esses novos mercados
globalizados.
Segundo Degen (2009), Joseph Schumpeter afirma que uma empresa com anos de existência no mercado pode
ser ultrapassada por uma empresa inovadora de pequeno porte, contanto que essa atenda melhor às
necessidades dos consumidores. Este é o processo de destruição criativa.
De acordo com as pesquisas do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) de 2002, as
pequenas e médias empresas ofertam 57 % do total de empregos, 26 % do total da massa salarial,
representando 99 % do total das empresas formais. O problema encontrado é que 60 % dessas empresas
encerram suas atividades antes dos quatro anos de funcionamento. O estudo do empreendedorismo se faz
necessário para prover uma solução para diminuição deste índice,
visto que a atividade empreendedora se embasa em diversas ferramentas para análises, planejamentos e
administração de negócios.
Wright (etall, 2010) afirma que “as tendências sociais também incluem mudanças
demográficas”. Eventos esportivos de proporções mundiais promovem uma
migração momentânea de turistas de diferentes nacionalidades. O aumento da oferta de
produtos e serviços para esse turista será proporcional à demanda. Essa demanda por
produtos e serviços gera uma demanda por profissionais que dominem uma língua estrangeira para
exercer funções básicas que antes não exigiam tal nível de
qualificação e atender esse novo perfil de cliente. Então surge a oportunidade de
desenvolver empreendimentos na área de ensino de línguas em todo o país, especificamente
no município de Parintins, local da pesquisa.
O surgimento dessa demanda implica em uma possível oportunidade de negócio no que se refere ao
ensino de idiomas no município de Parintins. Por se caracterizar como uma atividade empreendedora
existe a possibilidade de franquias a serem implantadas nesse ramo no município, uma vez que esses
empreendimentos têm crescido e obtido êxito em todo país.
No município de Parintins é possível observar a presença de um espaço
empreendedor perceptível na existência de pequenos e médios empreendimentos, nos diversos
setores como, alimentício, varejo, confecções, supermercados, farmácias,
açougues, lanhouses, escolas de ensino de línguas, objeto da pesquisa em
questão. Degen (2009) afirma que:
É com criatividade que [o empreendedor] começa a associar as observações sobre os
mais diversos tipos de empreendimentos. A criatividade fará com que ele visualize adotar a
fórmula de sucesso de um negócio em um outro. São essas associações
criativas que podem transformar uma simples oportunidade de negocio em um grande sucesso empresarial.
Assim, portanto, o desenvolvimento dessa criatividade pelo empreendedor é oriundo das constantes
observações dos negócios, o que possibilita maiores chances de percepção de
uma oportunidade para empreender.
4. Análise e discussão dos dados
4.1 Empresas
Para a coleta de dados pretendidos pela pesquisa foi realizada a aplicação de
questionários e entrevista informal com cinco empreendedores do ramo de serviço de ensino de
línguas do município de Parintins, com o intuito de verificar o perfil do empreendedor
parintinense, sua visão de negócio e aspectos inerentes ao processo empreendedor realizados
pelos mesmos.
Mediante a pesquisa realizada nos empreendimentos voltados para o ensino de idiomas no município de
Parintins, pode-se constatar que todas as escolas pesquisadas atuam na formalidade e estão localizadas
na área central do município onde há um fluxo populacional mais acentuado. Do total
pesquisado, a maioria atua no mercado a menos de 05 anos e o restante das empresas possui experiência
superior a 10 anos de atuação, o que nos possibilita inferir a existência da viabilidade
do negócio de ensino de idiomas no município de Parintins. Quanto ao número de
professores, as escolas apresentam de 01 a 05 profissionais, que na grande maioria, são os
próprios empreendedores, fazedores do processo, que segundo Degen (2009) “(...) todo empreendedor
que deseja ter sucesso precisa estar disposto a, no início, desenvolver ele mesmo, todas as atividades
necessárias para empreender o negócio e fazer sua empresa crescer”.
A maioria das empresas participantes da pesquisa disponibiliza apenas o ensino de uma língua
estrangeira, o inglês, ao passo que a minoria oferece o ensino de espanhol, cuja demanda é
significativamente menor.
No que se refere ao oferecimento da modalidade de intercâmbio, foi identificado que apenas duas escolas
oferecem esse tipo de serviço. Uma empresa disponibiliza anualmente uma bolsa integral de estudo para a
Escola de Inglês de Oxford, na Inglaterra e a outra empresa oferece uma bolsa de estudos em Miami,
Canadá ou Estados Unidos, para o aluno que obter maior grau de rendimento no processo de aprendizagem
do idioma e grau de fluência na língua.
Em relação aos cursos oferecidos pelas empresas, foi possível encontrar peculiaridades
no sentido do direcionamento do curso mediante a faixa etária. Das empresas que oferecem cursos
voltados para o público infantil (3-5 anos), a mensalidade fica em torno de R$80,00 (oitenta reais) a
R$ 120,00 (cento e vinte reais), enquanto a mensalidade para o público adulto fica em torno de R$100,00
(cem reais) a R$200,00 (duzentos reais). Das demais empresas que oferecem cursos voltados apenas para o
público infanto-juvenil e para o público adulto, a mensalidade gira em torno de R$ 60,00
(sessenta reais) a R$ 270,00 (duzentos e setenta reais). Diante dos valores mencionados é
possível inferir que o mais caro custa cerca de 450% a mais que o mais barato.
As escolas pesquisadas possuem a quantia de 60 a 327 alunos devidamente matriculados nos cursos de idiomas,
divididos entre os públicos infantil, infanto-juvenil e adulto.
Ao serem questionados sobre qual o idioma mais procurado, foi observado que o inglês é o curso
mais demandado pelos clientes.
Grande parte dos empreendedores pesquisados, quando indagados se a oferta de cursos satisfaz a necessidade
local do município, confirma que a oferta está a contento da demanda existente, ou seja, na
visão destes, não existe demanda de diferenciação desses serviços, e que o
mercado está estável, visão positivista. Frente à teoria pode-se perceber que essa
visão de frágil satisfação da estrutura do mercado apresenta uma relevante
dificuldade de identificação das necessidades dos clientes.
Ao que diz respeito à qualidade do ensino de idiomas, grande parte dos empreendedores acredita que
esta atividade apresenta um nível satisfatório de qualidade.
Pode-se notar que a motivação inicial para a implantação do empreendimento de
ensino de línguas se constitui como satisfação pessoal para a maioria dos entrevistados,
seguida da necessidade financeira e experiência no ramo, sendo que um dos entrevistados foi motivado
pela identificação de uma viável oportunidade de negócio.
Quanto à realização de um planejamento específico voltado para a
implantação do empreendimento de ensino, pode ser identificado que apenas um dos empreendedores
franqueados realizou um plano de negócios enquanto o restante não elaborou esse planejamento
específico, contudo, realizaram ações que Dornelas (2008) afirma serem fatores
importantes na avaliação de uma oportunidade de negócio, a saber, análise de
mercado, onde é possível verificar clientela, custo, crescimento, estrutura; análise
econômica, onde é possível averiguar o retorno financeiro, viabilidade econômica,
valor oferecido aos clientes, entre outras.
Na entrevista, foi perguntado aos empreendedores se os mesmos possuíam conhecimento e/ou
experiência no ramo que se propuseram a investir. Em resposta, foi possível verificar que a
totalidade possuía conhecimento ou experiência na área, o que condiz com Dornelas (2008)
quando sugere ao empreendedor criar negócios em área que tenha conhecimento, domínio ou
alguma experiência. Este fator favorece maiores possibilidades de êxito no negócio, uma vez
que o conhecimento teórico auxilia a prática.
Os 05 empreendedores entrevistados apresentam características favoráveis à
atuação no ramo do ensino de línguas. Nesse contexto, pode ser mencionado que um dos
empreendedores possui experiência na área de gestão; outro possui conhecimento oriundo da
prática cotidiana devido à naturalidade inglesa. Outro empreendedor entrevistado apresenta
característica particular face à sua denominação como autodidata e o último
ainda pelo fato de ter realizado intercâmbio em países estrangeiros, como Canadá e
Inglaterra.
Ao serem inquiridos a respeito das abdicações feitas em prol da implantação e
desenvolvimento da escola de ensino de idiomas, foi obtida como resposta da maioria, a renúncia das
horas de lazer por parte dos empreendedores, considerando também num caso particular, a
substituição de um emprego fixo em face a atividade empreendedora. Os mesmos argumentam ainda
que essa abdicação é necessária tendo em vista o sucesso almejado, o que se pode
relacionar com Degen (2009) quando diz que “a vontade dos empreendedores em vencer todas as dificuldades
para desenvolver seu negócio, pagando o preço do sacrifício pessoal para ter sucesso,
é função direta de sua necessidade de realizar”. Assim, essa
dedicação assume caráter imprescindível no êxito da atividade proposta a ser
empreendida.
Foram inquiridos aos entrevistados quais os mais usados veículos informativos que utilizam como meio
de atualização quanto ao conhecimento, considerando a ideia de Dornelas (2008) , quando a
expõe nas palavras, de que:
Novas ideias só surgem quando a mente da pessoa está aberta para que isso ocorra (...). Assim,
qualquer fonte de informação pode ser um ponto de partida para novas ideias e
identificação de oportunidade de mercado. Informação é a base de novas
ideias. Estar bem informado é o dever de qualquer empreendedor.
Assim, pode-se notar a internet como o principal meio usado pelos empreendedores. Essa escolha está em
concomitância com as palavras do autor, quando diz que a “internet é um celeiro de
oportunidades jamais visto na história da humanidade”.
Diante da ideia de empreender uma escola de ensino de línguas, a priori, os empreendedores
entrevistados em sua totalidade, estudaram o mercado, analisando a viabilidade financeira e demanda por tal
serviço, e a minoria buscou informações com pessoas que já possuíam alguma
espécie de conhecimento e experiência no ramo.
Ao que diz respeito às ações mercadológicas que as empresas focos da pesquisa
realizam para atrair novos alunos, fora identificadas como as mais utilizadas pela maioria dos empreendimentos
de ensino, o marketing informal, o popular boca-a-boca, cujos principais benefícios, segundo Kotler
(2000), são:
As fontes de boca a boca são convincentes: o boca a boca é o único método de
promoções de consumidores, feito por consumidores e para consumidores. (...) Clientes
satisfeitos não só comprarão novamente como também são anúncios
ambulantes e falantes de sua empresa.
Assim, uma vez que se o cliente é satisfeito com a prestação de serviços é
bem provável que este influencie e encaminhe outros clientes para usufruírem do mesmo
serviço. Além dessa estratégia, os empreendedores utilizam ainda a
distribuição de panfletos, sorteio de notebook para os alunos que efetuarem ou renovarem sua
matrícula, faixas em locais de grande circulação, anúncios em TV e parcerias com
escolas, e outros recursos da mídia.
Quando questionados sobre a qualificação dos professores que ministram as aulas na escola de
idiomas, foi identificado que metade dos empreendimentos contém professores capacitados na área
de graduação em licenciatura em Língua Inglesa, enquanto que o restante das escolas
possui professores graduados na área de Licenciatura em Letras, Administração e
Pedagogia, com cursos na área de inglês.
Ao serem questionados sobre os problemas que se deparam no cotidiano do empreendimento, a maioria dos
entrevistados identificou a evasão escolar como maior dificuldade do negócio. Um dos
entrevistados acredita que a falta de professor qualificado na área de ensino é o maior problema
encontrado atualmente no setor, pois tal fato se torna um limitador de crescimento, devido à
inexistência dessa mão-de-obra dotadas desses tributos. Outro ainda acredita que a falta de
capital de giro vem ser o maior problema de seu empreendimento.
Quanto ao aperfeiçoamento de seus serviços, identificou-se que a totalidade dos empreendedores
entrevistados busca constantemente o conhecimento para melhoria de suas atividades. Os empreendedores afirmam
que realizam cursos voltados para a área, participam de palestras, comparecem à feiras. Um
empreendedor ainda relatou que planeja viajar com todos os professores de sua escola para realizar um curso no
exterior. Um franqueado relatou também que anualmente todos os funcionários realizam cursos na
matriz, além de cursos em instituições locais como o SEBRAE, que segundo Dornelas (2008)
“é a principal entidade que apóia os empreendedores brasileiros”. Todos os aspectos
abordados remontam à ideia de Dornelas (2008), quando diz que “[o empreendedor] deve ainda
planejar bem os passos a serem dados e estar capacitados para atuar na área pretendida, fazendo cursos,
participando de eventos, treinamentos, feiras, etc., tendo certeza de que conhece o solo onde está
pisando”. Assim, destaca-se a importância desse órgão fomentador de
qualificação de empreendedores, tendo em vista sua atuação mais eficaz e
rentável no mercado.
Quando indagados a respeito do seu diferencial competitivo, foi identificado que a totalidade dos
entrevistados acredita que a qualidade de ensino oferecida é a sua maior vantagem. Metade dos
empreendedores diz ainda que o renome da escola, devido à atuação no mercado há
vários anos, também é um importante diferencial que influencia a escolha do cliente por
seus serviços frente a seus concorrentes. Os dois empreendedores franqueados afirmam que a bandeira da
franquia agrega um diferencial competitivo no curso oferecido.
4.2 Clientes
Outro enfoque da pesquisa realizada se constitui na análise da opinião dos clientes em
potencial no setor de serviços de ensino de línguas. Para tanto, foram aplicados 384
questionários semi-estruturados em praças públicas, escolas e nas vias públicas
centrais com acentuado fluxo de pessoas.
O intuito da aplicação dos questionários consistia na obtenção das
opiniões dos clientes em relação a aspectos inerentes ao serviço de ensino de
línguas no município de Parintins, bem como na identificação da atratividade do
setor.
Do total pesquisado, cerca de 53,1% são do sexo feminino, e os 46,9%, do sexo masculino. A faixa
etária dos entrevistados foi classificada em intervalos, sendo 59,1% de 14 a 20 anos, 19,5% dos
entrevistados de 21 a 26 anos, 10,9% do total entre 27 e 33 anos, 7,3% na faixa etária de 34 a 40 anos
e 2,9% dos entrevistados com idade acima de 41 anos.
Em relação à localização de residência dos entrevistados, pode-se
dizer que 21,1% dos mesmos residem no centro da cidade, 19,8% estão distribuídos uniformemente
nos bairros Itaúna I e Itaúna II, em seguida, 14,1% residentes no Palmares, 6,5% no bairro de
São Benedito, 6% no bairro do Paulo Correa, 5,2% no bairro de Santa Rita, e o restante, concentrados em
menor proporção, nos demais bairros da cidade, conforme a Figura 1.

Fonte: Elaborado pelos autores com base na pesquisa de campo
Figura 1 - Bairros dos entrevistados
A pesquisa abrangeu cerca de 90% do total dos bairros de Parintins, fato que possibilita uma coleta de dados
mais diversificada.
Quanto ao estado civil dos entrevistados, 87% são solteiros, 12,2% casados e apenas 0,8%,
divorciados.
Em relação à escolaridade dos entrevistados, pode-se constatar que 58,1% possuem ensino
médio incompleto, 26,6% já concluíram o ensino médio, 6,3% possuem nível
superior completo, sendo que 7,6% dos entrevistados ainda não concluíram tal nível e
ainda, 1% possuem ensino fundamental completo e apenas 0,5% possuem ensino fundamental incompleto.
Quanto ao vínculo empregatício dos entrevistados, 56% afirmam que possuem
ocupação trabalhista, seja formal ou informal, enquanto o restante, não possui.
Ao que diz respeito à renda familiar, 70,1% dos entrevistados afirmam possuir uma renda de 1 a 2
salários mínimos, enquanto 21,1% possuem renda entre 3 e 4 salários e ainda 8,9%
encontram-se na faixa de 5 a 6 salários. A maioria dos entrevistados, ou seja, os 70,1%, disponibilizam
custeio para a realização de curso de línguas no valor de R$ 50,00 (cinqüenta reais)
a R$80,00 (oitenta reais).
Em face a essa diversidade da renda financeira, as empresas pesquisadas oferecem cursos a valores distintos,
o que por sua vez possibilita aos clientes de renda inferior, acesso a um curso de língua estrangeira.
Do total entrevistado, 71,1% não possuem filhos, e o restante de 28,9% responderam que possuem, sendo
80,2% deste valor a quantidade de 1 a 2 filhos, 16,2% de 3 a 4 filhos e 3,6% afirmam possuir acima de 4
filhos.
Foi inquirido ainda a respeito da assunção da responsabilidade pelos gastos com
educação, e foi obtido como resposta de 47,1% dos entrevistados assumem eles mesmos tal
obrigação, enquanto 49,7% dizem que os pais são os facilitadores para sua
educação, 1,8% dizem ainda que os consortes são os responsáveis por estes gastos e
apenas 1,3% afirmam que recebem ajuda de outros familiares.
Em relação ao interesse de aprender uma língua estrangeira, 94,8% dos entrevistados
responderam que possuem interesse em assimilar no mínimo uma língua estrangeira, enquanto apenas
5,2% dos entrevistados afirmam não possuir nenhum interesse em aprender uma nova língua.
Informação que demonstra o anseio dos entrevistados em alargar suas fronteiras
lingüísticas, tendo em vista aspectos como a ascensão social, bem como profissional, uma
vez que o mercado atual, embebido do processo de globalização, exige tal fator como aspecto
relevante no ato da contratação e até mesmo subsistência no ambiente
organizacional.
Ao que diz respeito à prévia realização de um curso de língua estrangeira,
59% dos entrevistados responderam que ainda não realizaram curso algum de idiomas, enquanto 41% afirmam
que já o fizeram, cujo 24% deste percentual o cursaram em escolas públicas e 17% em escolas
particulares, conforme Figura 2.

Fonte: Elaborado pelos autores com base na pesquisa de campo
Figura 2 - Realização de curso de idiomas
Desta informação é possível verificar da porcentagem daqueles que já
realizaram curso de línguas, que a maior parte destes o fizeram em escolas públicas devido
à vantagem em não custear as despesas com o referido curso.
Quanto aos fatores que influenciam os entrevistados no ato de optar por uma escola de idiomas para
realização de um curso frente a seus concorrentes, 68,8% responderam que a qualidade de ensino
é o fator decisivo para a escolha e diferenciação das escolas, o que por sua vez pode ser
associado à colocação dos empreendedores pesquisados, que também acreditam que a
qualidade de ensino oferecida é a sua maior vantagem competitiva. Na sequência, tem-se 14,3% dos
entrevistados afirmam que o preço é a particularidade com maior relevância, e ainda 13,8%
dos entrevistados relatam que a opção de cursos oferecidos é o fator que mais influencia
a escolha pelo estabelecimento de ensino de idiomas, e apenas 0,5% responderam que outros fatores influenciam
sua decisão, conforme pode ser visualizado na Figura 3.

Fonte: Elaborado pelos autores com base na pesquisa de campo
Figura 3 - Fatores de influência na escolha do estabelecimento de ensino
Mediante a análise gráfica acima, é notório observar que os clientes demandam
maior primazia aos cursos que oferecem um nível mais elevado de qualidade, ainda que estes apresentem
um custo mais elevado, tal fator não influencia na decisão por tal escolha, uma vez que o
quesito qualidade sobrepõe o quesito custo.
Quando questionados sobre a preferência na realização de um curso de idiomas, 68% da
totalidade responderam que a língua inglesa seria sua primeira opção, enquanto 19%
afirmam ser o espanhol, 5,5% ainda dizem ter preferência pelo francês e apenas 3,1% da amostra
responderam que o japonês seria sua primeira opção
Diante do constatado, pode-se verificar que a língua inglesa possui prioridade de aprendizagem por
parte dos entrevistados, uma vez que tal língua representa quesito indispensável no
currículo profissional, bem como a viabilidade na ascensão acadêmica, organizacional e
pessoal.
Em relação aos fatores motivadores para a realização do curso, verificou-se que
a maioria, 80,5%%, é estimulada tendo em vista a qualificação profissional, enquanto
10,4% visa à satisfação da necessidade individual, 6,3%, o hobby, e 2,9% tem como fonte
motivadora a necessidade organizacional, conforme a Figura 4.

Fonte: Elaborado pelos autores com base na pesquisa de campo
Figura 4 - Fatores motivadores para a realização de um curso de
língua estrangeira
De acordo com a figura acima, é possível verificar que a qualificação
profissional é o fator que mais exerce influência para a realização de um curso de
língua estrangeira, isso devido à exigência acentuada do mercado de trabalho globalizado.
Em se tratando da disponibilidade financeira para custeio do curso de línguas, é
possível dizer que 60,4% dos entrevistados se predispõem a pagar de R$50,00 (cinqüenta
reais) a R$ 80,00 (oitenta reais) 20,1% dos entrevistados pagariam de R$ 81,00 (oitenta e um reais) a R$
110,00 (cento e dez reais), 5,7% pagariam de R$ 111,00 (cento e onze reais) a R$ 140,00 (cento e quarenta
reais), 4,7% pagariam de R$ 141,00 (cento e quarenta e um reais), a R$ 170,00 (cento e setenta reais),
enquanto 9,1% estão dispostos a pagar entre R$ 171,00 (cento e setenta e um reais), a R$ 200,00
(duzentos reais),. Assim é possível aferir que existe uma demanda, em menor quantidade, disposta
a investir um valor mais elevado na aprendizagem de língua estrangeira, contradizendo a visão
errônea de que não existem clientes propensos a financiar o estudo de línguas a um custo
maior.
No que diz respeito à importância creditada na aprendizagem de uma língua estrangeira, a
maioria dos entrevistados, contabilizando um total de 99,2% julgam importante, enquanto apenas 0,8% dizem
não achar importância em aprender outra língua. Assim, verifica-se que quase a totalidade
do universo pesquisado afirma que a aprendizagem de uma língua estrangeira é vital no processo
de ascensão profissional, organizacional e pessoal.
Foi indagado ainda dos entrevistados se a oferta do ensino de língua estrangeira satisfaz a
necessidade local do município de Parintins, sendo possível constatar na opinião dos
clientes, que pouco mais da metade, ou seja, 59,6% afirmam que sim, enquanto 40,4% afirmam que a oferta
não satisfaz a demanda local. Dos que seguem esse raciocínio, 25% apontam como justificativa a
falta de qualificação dos professores, 23,2% apontam a ausência de cursos
específicos, e 20,6% afirmam que a quantia reduzida de escolas justifica essa
insatisfação.
Para finalizar o questionário, foi perguntada aos entrevistados sua análise a respeito da
qualidade do ensino de línguas oferecido no município de Parintins, e foi constatado que 44,8%
consideram regular o referido ensino, 42,4% definem como bom, 6,8%, ruim, enquanto apenas 4,7% consideram o
ensino excelente, conforme mostra a Figura 5.

Fonte: Elaborado pelos autores com base na pesquisa de campo
Figura 5 - Análise a respeito da qualidade do ensino de idiomas
5. Considerações finais
Mediante a pesquisa realizada, foi possível identificar que o ensino de línguas devido à
necessidade imposta pela conjuntura atual oriunda do processo da globalização representa uma
oportunidade de negócio no município de Parintins, onde foi possível verificar por meio
dos dados coletados a existência da demanda e a atratividade do referido setor.
Esta demanda por sua vez, é caracterizada principalmente pela faixa etária de 14 a 20 anos, que
são os clientes em potencial que apresentam maior interesse e necessidade emergente, devido ao anseio
pelo ingresso no nível superior, qualificação profissional e preparação
para o mercado de trabalho. Esses fatores intensificam a busca por parte dos clientes por um ensino de idiomas
de maior qualidade e que possua capacidade de atender a quantidade demandada.
Foi possível verificar ainda, de acordo com a concepção da maioria dos clientes em
conformidade com a dos empreendedores, que a oferta do ensino de idiomas está a contento da demanda
local, com ressalva de uma expansão no desenvolvimento deste setor de ensino, no que diz respeito a
cursos oferecidos, qualificação de profissionais, ambiente formalizado, aumento no número
de escolas, entre outros.
É possível inferir também, mediante os resultados da pesquisa, que há a
viabilidade desse negócio, considerando a carência do mercado local, sendo que as cinco escolas
de ensino de idiomas existentes atualmente no município de Parintins abarcam um universo de apenas 327
alunos devidamente matriculados. Além do mais o município apresenta condições
favoráveis à aceitação de franquias nesse setor ou até mesmo
empreendimentos próprios que venham a oferecer tais serviços.
Assim, cabe ao candidato a empreendedor, ser criativo, conseguindo visualizar essa oportunidade de
negócio, considerando ainda os eventos esportivos de caráter mundial, que provocarão um
estímulo na demanda local por tal tipo de serviço, tendo em vista que o empreendedor possui
caráter criativo, ou seja, consegue realizar e desenvolver projetos e ideias sob uma nova perspectiva,
constituindo-se esta como uma das suas principais características para a concretização do
processo empreendedor.
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