1. Introdução
Cada vez mais as questões ambientais, juntamente com as de cunho social, pressionam as
ações de marketing das organizações rumo à união de
benefícios mútuos para os consumidores e para o aumento de competitividade da empresa. Segundo
Lopes, Silva Bonduqui, Bonin e Kümpel (2008), “a observância das questões
socioambientais tornou-se fonte de vantagem competitiva para as organizações”. Para
Paço e Raposo (2010), as últimas décadas têm assistido um considerável
aumento de campanhas centradas em temas relacionados à proteção e
conservação ambiental que já vêm exercendo fortes influências sobre as
atitudes e comportamentos do consumidor.
Barros, Tucci e Costa (2010) afirmam que, apesar dos crescentes níveis de consumo, especialmente no
mundo ocidental, movimentos de resistência ou anti-consumo vêm se tornando mais populares ao
apresentarem “novas” formas de consumo que estariam mais de acordo com uma necessária
consciência ecológica e social. Assim, segundo Kozinets e Handelman (2004), o consumo torna-se um
grande articulador da vida social uma vez que a organização sente-se obrigada a enquadrar em uma
imagem pré-estabelecida a fim de alcançar vantagem competitiva sobre seus concorrentes.
Para Gurau e Ranchhod (2005), recentemente,
omovimentoverdetornou-sesucessonaarenapolíticademuitospaíseseuropeus.Nesse sentido, Polonsky,
Roserberger, e Ottman (1998) afirmam que a introdução de normas mais rigorosas provenientes de
governos nacionais possui papel determinante em uma nova tomada de conduta.Dessa forma, a demanda por produtos
verdes ou atividades de negócios sustentáveis tem se elevado em virtude de uma maior
conscientização do consumidor no que diz respeito ao meio ambiente.
Embora existam numerosos estudos sobre comportamento do consumidor em relação a produtos
ecológicos, são escassas as sugestões de estratégias para o marketing voltado para
as denominadas eco-empresas (Gurau & Ranchhod, 2005). Nesse sentido desenvolveu-se o conceito de marketing
verde que visa satisfazer necessidades e desejos humanos causando o menor impacto possível ao meio
ambiente.
Este artigo tem como objetivo a identificação de segmentos distintos de mercado baseado em
comportamentos de consumo influenciados pela questão ambiental. Ele inicia apresentando a
evolução das questões ambientais, bem como o conceito de marketing verde. Em seguida,
faz-se uma revisão do perfil de consumidores verdes encontrados e dos critérios de
segmentação de mercado utilizados para identificá-los. Por fim, são apresentados
os aspectos mais relevantes da metodologia de pesquisa, bem como os resultados empíricos e as
respectivas conclusões acerca do trabalho.
2. Referencial Teórico
2.1. O Marketing Verde
Para Polonsky (1994), o marketing verde consiste no conjunto das atividades com objetivo de produzir e
facilitar a comercialização de produtos ou serviços com a intenção de
satisfazer necessidades e desejos humanos, porém causando impacto mínimo ao meio ambiente. O
marketing verde envolve modificação de produtos e embalagens, bem como mudanças em
processos de produção e publicidade. Gonzaga (2005) aponta que sua importância se deve ao
fato de as pessoas utilizarem recursos limitados para satisfazerem desejos ilimitados. É baseado no
pressuposto de que os consumidores querem um meio ambiente mais limpo e estão dispostos a pagar por
isso.
Jöhr (1994) explica que o marketing verde acontece quando os termos ecológicos são
inseridos nos objetivos de marketing. Para Gonzaga (2005) a conseqüência é o desenvolvimento
de produtos ecologicamente orientados e menos agressivos ao meio ambiente, que gastem menos energia, produzam
menos resíduos, consumam menos matéria-prima, apresentem maior facilidade de
manutenção, possuam embalagens mais adequadas, sejam distribuídos sem riscos e permitam
descarte sem resíduos.
Ottman (1998) aponta que embora o conceito de produto “ecológico” seja relativo a fatores
como tipo de produto, tipo de mercado, cultura do consumidor, disponibilidade de informação
científica, etc., os produtos aos quais se podem aplicar o conceito de marketing verde tendem a serem
duráveis, não-tóxicos, feitos de materiais reciclados e com o mínimo de embalagem.
Nesse sentido, para produzi-los, são consideradas cada fase do seu ciclo de vida, incluindo
questões como conservação de recursos naturais não-renováveis,
eficiência energética e proteção de habitats e de espécies ameaçadas
de extinção. São produtos com vantagens ambientais para o consumidor, já que
oferecem à perspectiva de mais saúde, vida mais completa e a oportunidade para transformar o
mundo em um lugar melhor, o que representa uma vantagem do marketing verde sobre o marketing convencional.
Gonzaga (2005) aponta dois desafios para as organizações que querem adotar o marketing verde
como estratégia:
O primeiro diz respeito à empresa conseguir operar com práticas ambientais adequadas sem
deixar de ofertar qualidade, conveniência e preço adequado aos consumidores. Para o autor isso
pode requerer a definição de nichos específicos de mercado para produtos
ecológicos, investimento em técnicas de comunicação para ampliar o nível de
informação do público quanto às características ambientais dos produtos,
reforço das campanhas ambientalistas para aumentar a sensibilização dos consumidores em
relação ao meio ambiente, investimento na imagem da empresa para que seja percebida como
comprometida com a preservação ambiental, participação e apoio institucional em
ações ambientalistas da comunidade, utilização de transporte menos poluidor, maior
eficiência no uso de energia, articulação de rede de contatos e articulação
para facilitar a redistribuição de materiais reutilizáveis ou recicláveis.
Já o segundo desafio apontando pelo autor é conseguir fazer com que as políticas
ambientais organizacionais sejam valorizadas por todos os níveis hierárquicos. Para isso, a
comunicação interna deve ser coerente com o planejamento estratégico e com as
ações empreendidas. A habilidade para formar coalizões com formadores de opinião
(crianças, governo, ambientalistas, mídia, varejistas) e a capacidade para gerenciar as etapas
de marketing em colaboração com fornecedores e distribuidores tornam-se essenciais. Nesse
sentido, Gonzaga (2005) destaca ainda que às vezes, para alcançar metas ambientais
estratégicas, pode ser necessário à organização pressionar fornecedores a
modificar suas atividades, para que ofereçam produtos com menor impacto ambiental embutido e que
minimizem o impacto de seu uso sobre o meio ambiente.
Por outro lado, apesar dos desafios, as empresas podem obter diversos benefícios ao adotar
estratégias de marketing verde. Alguns destes benefícios são apontados por Castro (2009):
- Os stakeholders sentem-se melhor por estarem associados a uma organização
socioambientalmente responsável.
- Processos ineficientes geram poluição, além de aproveitamento inadequado dos insumos.
Nesse sentido, a organização poderá obter a redução dos custos pela
eliminação dos desperdícios.
- Existe maior facilidade na obtenção de recursos de bancos e de organizações de
fomento ao desenvolvimento, os quais oferecem linhas de crédito com condições especiais
para projetos que visam a reduzir os impactos da produção sobre o meio ambiente natural.
Além disso, a maior parte dos bancos analisa o desempenho socioambiental das
organizações no momento de conceder financiamento. Dessa forma, organizações
mais agressivas ao meio ambiente natural poderão pagar juros mais altos, ou até mesmo
não receber financiamento.
- Cada vez mais estão sendo utilizadas leis para punir as práticas das
organizações que tenham impactos socioambientais significativos. As legislações
estão se tornando cada vez mais rigorosas na busca pelo “impacto socioambiental zero”
(Nascimento, Lemos, & Mello, 2008, p.41)
Em vista esses benefícios, Félix (2004) destaca que muitos profissionais de marketing
já vêm orientando em seus planos e ações produtos e serviços com linha de
produção de menor impacto ambiental. Aquelas empresas, porém, de menor impacto, continuam
paradas, adiando uma nova postura empresarial. Cabe a seus administradores e profissionais de marketing
estimularem essa nova postura, planejando o retorno do investimento em suas propostas de trabalho.
2.2. Consumidores Ecologicamente Conscientes: Perfil e Critérios de Segmentação
Segundo Roberts (1996), consumidores ecologicamente conscientes são aqueles que adquirirem produtos e
serviços que eles percebem ter um impacto positivo
(ou menos negativo) sobre o meio ambiente.
Rex e Baumman (2007) afirmam que, após pesquisar sobre marketing verde ao longo dos anos, a maioria
dos esforços sobre o tema têm sido relacionados às características dos
indivíduos, em termos de consumidores "verdes", se existem, quantos são, como
identificá-los, e como eles se comportam.
Numerosos estudos foram feitos na tentativa de atribuir um perfil aos consumidores verdes. Diamantopoulos,
Schlegelmilch, Sinkovics e Bohlen (2003) fizeram um levantamento sobre estudos
sócio-demográficos feitos entre 1966 e 1994 para descrever o consumidor verde e encontrou, entre
outros, 39 estudos utilizando educação, 31 utilizando sexo, 35 utilizando idade e 21 utilizando
classe social para segmentar o mercado verde.
Sendo assim, muitos estudos anteriores fizeram tentativas para identificar variáveis
demográficas que se correlacionassem com atitudes ecologicamente conscientes de consumo. Por exemplo,
mulheres, jovens e pessoas com educação e renda relativamente elevadas foram identificados como
os mais propensos a se envolver em comportamentos ambientalmente corretos (Straughan & Roberts, 1999). No
entanto, no conjunto das pesquisas feitas, muitas opiniões contraditórias dos prováveis
consumidores verdes foram apresentadas (Peattie, 2001).
Para Roberts (1996), apesar da inconsistência das conclusões relativas às
correlações demográficas do comportamento ecologicamente correto, os profissionais de
marketing adotaram um perfil de luxo do consumidor ecologicamente consciente (alta renda, mais
educação e ocupação de prestígio), assim como defendem alguns estudos
acadêmicos (Anderson & Cunningham, 1972; Cornwell & Schwepker, 1992). No entanto, para o mesmo
autor, o consumidor verde não pode ser restringido dessa maneira. Os níveis crescentes de
preocupação ambiental e consciência social tornam provável que a quantidade e o
perfil das pessoas socialmente responsáveis mudaram dramaticamente em relação às
pesquisas anteriores. Sendo assim, devemos esperar mudanças de opiniões nas bases
demográficas. Além disso, a potêncial diferença entre atitude e comportamento
requer um olhar mais atento ao papel que a demografia pode desempenhar na identificação do
consumidor ecologicamente consciente.
Segundo Roberts (1996), o uso de uma medida comportamental em pesquisas da área foi essencial por
causa da potencial diferença entre as atitudes ambientais e o real comportamento dos consumidores. Com
isso, buscou-se utilizar no questionário deste artigo questões comportamentais, tentando se
aproximar o mais próximo possível da realidade de comportamento dos respondentes.
As características demográficas foram incluídas no presente estudo porque elas
são comumente usadas como critérios de segmentação de mercado e podem auxiliar
empresas que pretendem posicionar seus produtos de acordo com os consumidores verdes identificados.
O fator idade tem sido explorado por um número significativo de investigadores
(Afonso, 2010; Anderson & Cunningham, 1972; Anderson, D’souza, Taghian, Lamb, & Peretiatkos,
2007; Henion & Cox, 1974; Kinnear, Taylor, & Ahmed, 1974; Jain & Kaur, 2006; Paço &
Raposo, 2010; Roberts, 1996; Roberts & Bacon, 1997; Samdahl & Robertson, 1989; Straughan &
Roberts, 1999; Zimmer, Stafford & Stafford, 1994). Segundo Straughan e Roberts (1999), a crença
geral é de que os indivíduos mais jovens tendem a ser mais sensíveis às
questões ambientais, já que eles cresceram em um período em que as
preocupações ambientais têm sido uma questão bastante discutida.
Porém, como acontece com muitas variáveis demográficas, não há um consenso
sobre a idade dos consumidores mais conscientes ecologicamente. Alguns pesquisadores têm encontrado
correlações não-significativas (Afonso, 2010; Kinnear et al., 1974). Outros
têm encontrado correlação significativa e negativa (Anderson, Henion & Cox, 1974;
Zimmer et al., 1994). Outros, ainda, têm encontrado correlação significativa,
porém positiva (Roberts, 1996).
Uma segunda variável demográfica bastante examinada é o sexo (Afonso,
2010; Laroche, Bergeron, & Barbaro-Forleo, 2001; Macdonald & Hara, 1994; Paço & Raposo,
2010; Roberts & Bacon, 1997; Roberts, 1996; Samdahl & Robertson, 1989; Stern, Dietz, & Kalof,
1993). A maioria dos pesquisadores argumenta que as mulheres são mais propensas que os homens em manter
atitudes coerentes com o movimento verde (Mostafa, 2007). Uma justificativa teórica para isso vem de
Eagly (1987), que sustenta que as mulheres consideram mais cuidadosamente o impacto de suas
ações sobre os outros.
Uma pesquisa conduzida pela Roper Organization (1992) descobriu que os consumidores ecologicamente
conscientes, além de serem mais educados e ganharem mais dinheiro, são em sua maioria do sexo
feminino. Porém, como é o caso da idade, os resultados sobre gênero ainda estão
longe de serem conclusivos. As pesquisas de Paço e Raposo (2010) e Afonso (2010), por exemplo,
identificaram que a variável sexo não é significante para diferenciar segmentos
relacionados ao marketing verde em Portugal.
Numerosos estudos também têm abordado o papel da renda como um preditor na
segmentação dos consumidores verdes (Afonso, 2010; Anderson & Cunningham, 1972; Anderson
et al., 1974; Antil, 1978; Kinnear et al., 1974; Paço & Raposo, 2010; Roberts,
1996; Roberts & Bacon, 1997; Roper, 1992). A renda é geralmente positivamente correlacionada com a
sensibilidade ambiental (Kinnear et al., 1974; Roper, 1992). A justificativa mais comum para essa
crença é que os indivíduos podem, em níveis mais altos de renda, suportar o
aumento marginal nos custos associados ao apoio às causas verdes, favorecendo assim a oferta de
produtos ambientalmente corretos (Straughan & Roberts, 1999). Porém, alguns estudos têm
encontrado o contrário, ou seja, uma correlação negativa entre a renda e as
preocupações ambientais (Roberts, 1996; Samdahl & Robertson, 1989). Outros estudos têm
mostrado um efeito direto da renda na conscientização ambiental não-significativo
(Afonso, 2010; Anderson et al., 1974; Antil, 1978). Uma possível explicação para
isso é que as preocupações ambientais têm crescido mundialmente, atingindo todos os
níveis de renda.
Nível de escolaridade é outra variável demográfica analisada com
as atitudes e o comportamento verde (Afonso, 2010; Anderson et al., 1974; Kinnear et al.,
1974; Paço & Raposo, 2010; Roberts & Bacon, 1997; Roberts, 1996; Roper, 1992). De maneira
consistente nesses estudos, a educação é correlacionada positivamente com
preocupações ambientais e comportamento ecologicamente correto. Embora os resultados dos
principais estudos de educação e questões relacionadas ao meio ambiente são um
pouco mais consistentes do que as outras variáveis demográficas discutidas, uma
relação definitiva entre as duas variáveis ainda não foi estabelecida. A grande
maioria desses estudos tem encontrado relação positiva (Anderson et al., 1974;
Paço & Raposo, 2010; Roberts, 1996; Roper, 1992). Porém Samdahl e Robertson (1989)
constataram o contrário, que a educação é negativamente correlacionada com
atitudes ambientais. Já Afonso (2010) e Kinnear et al. (1974) não encontraram uma
correlação significativa.
Em relação à classe social, Paço e Raposo (2010) afirmam que
essa variável tem sido pouco utilizada em estudos de marketing verde. Segundo os autores, as
razões para isso podem estar relacionadas a algumas das críticas que têm sido feitas a
essa variável, como o fato de que ela é susceptível a dar origem a alguma
confusão. Ocupação, renda e escolaridade são algumas das variáveis que se
correlacionam com a classe social, mas estas, isoladamente, não constituem ou definem uma classe.
Além da classe social, o fator ocupação também não foi
analisado neste artigo, já que alguns estudos demonstram que não há uma
correlação significativa entre ele e consumidores ecologicamente corretos (Roberts, 1996).
Há também pesquisas, notadamente as mais recentes, utilizando características
psicográficas, tais como orientação política e preocupações
ambientais para identificar o consumidor verde. Segundo Afonso (2010) e Straughan e Roberts (1999), tais
características são melhores para explicar as variações no comportamento do
consumidor verde do que critérios demográficos.
A percepção de eficácia do consumidor (ou seja, a capacidade do
indivíduo em crer que seu esforço vai fazer a diferença), por exemplo, foi
particularmente apontado como sendo um dos principais fatores na predição de reais
comportamentos de compra (Afonso, 2010; Antil, 1978; Kinnear et al., 1974; Moisander, 2007;
Paço & Raposo, 2010; Roberts & Bacon, 1997). Afonso (2010), Roberts (1996) e Straughan e
Roberts (1999) constataram que esse foi o preditor mais forte do comportamento do consumidor ecologicamente
consciente, superando todas as outras correlações demográficas e psicográficas
examinadas. Especificamente, os resultados dos dois estudos sugerem que um indivíduo deve ser
convencido de que suas ações pró-ambientais serão eficazes no combate à
degradação ambiental.
Alguns estudos também têm examinado a relação entre a
preocupação ambiental que o indivíduo tem e o comportamento em
relação ao consumo de produtos ecologicamente corretos. Para Paço e Raposo (2010), a
preocupação ambiental pode ser definida como uma atitude que é relacionada com as
consequências ambientais. Essa atitude é influenciada diretamente por experiências
pessoais, pelas experiências de outros indivíduos e pela comunicação produzida pela
mídia. Isso resulta em um comportamento ambientalmente amigável com base em um número de
condições tais como preço, desempenho do produto, normas sociais e conhecimento sobre o
meio ambiente. De maneira geral, os estudos da área encontraram uma correlação positiva
entre os dois fatores (Kinnear et al., 1974; Paço & Raposo, 2010; Roberts & Bacon,
1997; Roberts, 1996; Straughan & Roberts, 1999). Porém, como assinala Maibach (1993), apesar da
preocupação ambiental alta, muitos consumidores ainda entendem que a preservação
do meio ambiente é de responsabilidade do governo e/ou grandes empresas, ou que os custos disso
são elevados. Preço, qualidade, conveniência, entre outros fatores, podem fazer com que a
preocupação ambiental não se traduza em um comportamento ecologicamente correto.
O conhecimento ambiental é outra variável que pode influenciar no
comportamento do consumidor. Ele se refere a quanto um indivíduo sabe sobre as questões
ambientais (Chan, 1999). Porém os estudos se mostram contraditórios em relação a
sua influência no comportamento ecologicamente correto. Enquanto Maloney e Ward (1973) relataram que
não havia nenhuma ligação significativa entre conhecimento ambiental e comportamento
ambiental favorável, Chan (1999) mostrou que o conhecimento sobre as questões ambientais foi uma
variável útil para predizer o comportamento ecologicamente correto.
Paço e Raposo (2010) ainda utilizaram em seu estudo a variável compromisso
verbal. Segundo Chan (1999), compromisso verbal se refere à vontade ou
intenção expressa por um indivíduo de fazer algo para o benefício do meio
ambiente. Estudos têm demonstrado que existe uma correlação significativa entre essa
variável e o comportamento correto dos consumidores em relação ao meio ambiente (Chan
& Yam, 1995; Haanpää, 2007).
3. Procedimentos Metodológicos
Na presente etapa do artigo, serão descritas todas as ferramentas que viabilizaram a
realização deste trabalho, permitindo que, por meio dos resultados obtidos, os objetivos
propostos pudessem ser atendidos.
3.1. Tipo e modelo de pesquisa
Foi realizada uma pesquisa descritiva quantitativa. Malhotra (2006) afirma que a pesquisa descritiva
é um tipo de pesquisa que tem como principal objetivo a descrição de algo, normalmente
características do objeto de estudo ou relacionamentos entre os fenômenos.
3.2. Coleta de dados
Para a coleta de dados foram utilizados questionários estruturados. De acordo com Alencar (1999), o
questionário estruturado é formado por questões fechadas e todos os entrevistados
são submetidos às mesmas perguntas e às mesmas alternativas de respostas. Essas respostas
são previamente codificadas, permitindo sua digitação direta para o programa de
análise de dados.
O questionário utilizado foi elaborado a partir do trabalho de Paço e Raposo (2010), divido em
53 questões, sendo 6 questões referentes aos dados gerais do respondente e 47 questões
referentes às variáveis relacionadas ao consumo ambientalmente consciente.
Nas questões referentes ao consumo foi utilizada uma escala do tipo Likert de cinco pontos e
balanceada, utilizando-se em seus extremos, duas expressões de significados opostos. No caso, a escala
variava de discordo fortemente até concordo fortemente.
3.3. Tratamento dos dados
Foram aplicados métodos de estatística descritiva, realizados no software
SPSS (Statistical Package for the Social Sciences) versão 17.0.
3.4. Universo e amostra de estudo
O universo da presente pesquisa compreende os consumidores da cidade de Lavras-MG, sendo esta uma cidade
localizada na mesorregião do Campo das Vertentes no estado de Minas Gerais. Sua população
urbana aferida em 2010 pelo Censo é de 92.171 habitantes.
A amostra foi constituída por consumidores com diferentes perfis (renda, escolaridade, faixa
etária, etc.). Para tanto, foi utilizada a amostragem por conveniência, com
aplicação do questionário em diferentes regiões da cidade, nos meses de dezembro
de 2010 e janeiro de 2011. No total foram 235 respondentes, todos acima de 18 anos de idade.
4. Resultados
Neste tópico são apresentados os resultados da presente pesquisa iniciando pela
caracterização geral da amostra através de análise univariada. Logo após
é demonstrada a realização da análise fatorial exploratória e a
caracterização dos fatores agrupados. Em seguida, utilizando os novos fatores, é
realizada a análise de clusters e a identificação das características dos mesmos.
Finalmente são demonstradas as variáveis que mais discriminam os clusters e as
funções da matrix estrutural e o perfil dos clusters.
4.1 Caracterização da Amostra
Após a análise dos questionários aplicados a partir da coleta de dados o número
de 235 respondentes foi considerado válido para a análise. Em relação ao
gênero, 50,4% dos respondentes são homens e a média de pessoas da família dos
respondentes foi de 3,5 pessoas (d.p.=1,4). A maior parte dos entrevistados possui idade entre 18 e 24 anos
(38%), e apresentam renda familiar acima de R$ 4.000,00 (30,4%). Solteiros na sua maioria (65,2%), os
entrevistados apresentam o nível de escolaridade do ensino médio completo (49,1%).
Dentro dessa amostra, podemos inferir que muitas pessoas estão adotando comportamentos ecologicamente
corretos, porém não somente por questões ambientais, mas também por outras
questões como a financeira, por exemplo. Enquanto 86,3% das pessoas dizem comprar aparelhos
domésticos eficientes em termos energéticos e 86,6% afirmam economizar energia desligando luzes
e aparelhos eletrônicos quando não estão utilizando (lembrando que o custo da energia
elétrica no país é alto), apenas 34,6% delas afirmam ter mudado produtos/marcas por
razões ecológicas. Além disso, apenas 24,9% dos respondentes afirmaram não comprar
produtos de empresas que poluem o meio ambiente.
Contudo, dentro dos resultados levantados, podemos perceber que a crescente preocupação das
pessoas com o meio ambiente vem se traduzindo em uma atitude favorável dos consumidores em
relação aos produtos ambientalmente corretos. Como exemplo, entre os respondentes desta
pesquisa, mais da metade (52,6%) das pessoas se mostram dispostas a pagar 10% a mais por produtos
ambientalmente corretos, sendo um dado importante para as empresas que produzem produtos direcionados a esses
consumidores que demandam maiores custos e, consequentemente, maiores preços.
4.2 Análise Fatorial Exploratória
Com a finalidade de facilitar a interpretação dos resultados obtidos, uma vez que o
número de questões utilizadas é extenso, e baseado nas diferenças entre os
indivíduos e nos possíveis agrupamentos de fatores presentes nas respostas, realizou-se a
Análise Fatorial Exploratória e para extrair os fatores foi utilizado o método dos
componentes principais e rotação ortogonal VARIMAX. O índice KMO atingiu 0,77, valor
satisfatório segundo Hair et al. (2009), e o teste de esfericidadee de Barlett apresentou o
índice de 4620,479 (p< 0.0001). O critério de corte foi o eigenvalue = 1 e o total da
variância explicada atingiu 67,383% dos casos analisados. Os principais resultados desta análise
são demonstrados na Tabela 1.
Após analisar as variáveis demonstradas como mais próximas e os níveis de
confiabilidade interna do Alfa de Cronbach considerando apenas índices superiores a 0,6 (Hair et
al., 2009), obteve-se 10 fatores descritos quanto as suas características a seguir:
Fator 1: Preocupação e irritação com relação à
degradação ambiental
O primeiro fator esta relacionado à preocupação em relação aos efeitos da
poluição assim como à forma como as empresas poluem. Ao mesmo tempo este fator
reúne também um misto de raiva e frustração em relação à
poluição ambiental. A preocupação manifesta-se também com o interesse pela
busca de informações sobre produtos ecologicamente corretos. Este fator pode ser equiparado ao
fator “preocupação ambiental” analisado por outros autores e citado no referencial
teórico deste artigo.
Fator 2: Pró-atividade em relação ao meio ambiente
O segundo fator trata da pró-atividade frente aos problemas ambientais, ou seja, esforço para
prática aliado a mobilização de pessoas próximas, assim como a
execução de medidas que despendem certo esforço em prol do ambiente.
Fator 3: Conhecimento dos efeitos da má conservação ambiental
Este fator é destacado pelo aspecto do conhecimento dos efeitos da degradação ambiental
assim como a consciência dos problemas gerados pela poluição e falta de práticas
corretas. Este fator pode ser equiparado ao fator “conhecimento ambiental” analisado por outros
autores e citado no referencial teórico deste artigo.
Fator 4: Ativismo ambiental
As ações práticas em grupo, seja através da participação ou
através do fomento de associações que lutam pela causa ambiental, destacam este fator que
agrega o conhecimento de preservação ambiental.
Fator 5: Consumo racional, econômico e consciente
O quinto fator acumula atitudes de consumo consciente e racional em relação ao ambiente.
Economia de água e energia associadas à tentativa de diminuição do lixo produzido
compõem este fator.
Fator 6: Despreocupação e alienação
O sexto fator demonstra a falta de preocupação com o ambiente e a crença de que o
ambiente se resolverá por si e que atitudes individuais não comprometerão o todo. Este
fator pode ser equiparado ao fator “percepção de eficácia do consumidor”
analisado por outros autores e citado no referencial teórico deste artigo.
Fator 7: Fator econômico-legal
Estas variáveis são marcantes pelo desejo de se pagar mais em produtos que sejam ambientalmente
corretos e pela disponibilidade em se pagar taxas ou impostos que promovam a proteção do meio
ambiente. Este fator pode ser equiparado ao fator “compromisso verbal” citado no referencial
teórico deste artigo. Outra questão presente neste grupo é a aprovação de
leis apropriadas que obriguem a reciclagem.
Fator 8: Credibilidade duvidosa
Este fator concentra questões que tratam da falta de crédito em promoções
ambientais realizadas por empresas que parecem apropriar da causa ambiental para promoverem aumento nas
vendas. A falta de clareza nos rótulos em relação a mensagens ambientais também
é aqui agrupada.
Fator 9: Compras conscientes
O nono fator agrupa decisões de compra conscientes onde produtos que são testados em animais
não são escolhidos assim como os que possuem excesso de embalagens e agentes agressores ao meio
ambiente.
Fator 10: Fiscalização de produtos e empresas ambientalmente corretos
Neste caso a ênfase deste fator é dada a fiscalização através de
rótulos assim como das empresas que devem ser ambientalmente corretos e não poluírem o
meio ambiente.

Tabela 1 - Matriz dos Componentes Rotacionados (Método Varimax)
Fonte: dados da pesquisa
Após a realização da análise fatorial e determinar os fatores
que são mais relevantes para o presente estudo, utilizamos estes dados para as demais análises.
4.3. Análise de Clusters
Em uma primeira etapa foi realizada através do software a formação de clusters de 2, 3
e 4 grupos. Após análise de coeficiente de aglomeração (Malhotra, 2006), a
opção de 3 clusters foi a mais apropriada. O método utilizado foi de Ward e o intervalo
de medida foi o Quadrado da Distância Euclidiana.
As variáveis apresentadas na Tabela 2, média e desvio padrão de cada cluster, ajudam a
explicar a inclusão dos entrevistadas nos seus respectivos clusters.
Tabela 2 – Resultados da análise de cluster

Fonte: dados da pesquisa
Foram encontrados três clusters:
- Cluster 1: “Preocupados, porém consumistas”
Reúne indivíduos pouco ativistas em relação à causa ambiental, embora com
traços de preocupação e consciência em relação ao próprio
papel no ambiente, contudo esta consciência não é a mesma nos momentos de consumo, pois
possuem pouca racionalidade e não são econômicos. Além disto, são descrentes
em relação às promoções de cunho ambiental realizadas por empresas. Ou
seja, neste grupo apesar de conhecerem e se preocuparem com as questões ambientais, as pessoas consomem
sem racionalizar sobre a causa e ainda duvidam de campanhas que utilizam deste apelo, sentindo, inclusive,
falta de regulamentação pertinente, além de não se importarem em pagar mais por
produtos ambientalmente corretos (37,4% dos respondentes).
- Cluster 2: “Consumidores ecologicamente conscientes”
Neste cluster encontramos pessoas pró-ativas em relação ao meio ambiente, que conhecem
os efeitos da má conservação ambiental. Estes indivíduos são ativistas em
relação à causa, pagariam mais por produtos ambientalmente corretos e sentem necessidades
de legislações específicas em função de uma melhora no meio ambiente. Ainda
apresentam traços de consumo racional com economia e consciência em relação a
possíveis agressões ao meio ambiente, assim como acreditam em campanhas promocionais baseadas em
causas ambientais (22,6% dos respondentes).
- Cluster 3: “Os indefinidos”
Reúne indivíduos que, apesar de apresentarem certo grau de ativismo em relação ao
meio ambiente e alguma atitude em relação ao consumo racional e consciente, são
fortemente alienados, não conhecem efeitos da má conservação ambiental e ainda
não estão dispostos a pagar mais por produtos ecologicamente corretos e não são
favoráveis a leis que regulamentam a causa ambiental (40% dos respondentes).
Assim, nota-se a existência de um segmento de consumidores verde que se destaca dos demais
(Consumidores ecologicamente conscientes), apresentando pessoas pró-ativas, conhecedoras das causas
ambientais e dispostas a pagar mais por produtos ambientalmente corretos, além de sentirem falta de
legislação adequada. Pode-se observar, ainda, no terceiro grupo (Os indefinidos)
indivíduos que, mesmo não possuindo muito conhecimento em relação à causa
ambiental, são ativistas e apresentam consumo racional e consciente, embora estes não estejam
dispostos a pagar mais por produtos ambientalmente corretos.
4.4. Anova e Discriminante
Com o intuito de descobrir quais variáveis apresentam diferenças significativas entre os
grupos foram realizadas a analise de variância (Anova) e análise discriminante. Ao analisarmos os
dados apresentados na Tabela 3, podemos rejeitar a hipótese de igualdade entre os grupos, exceto para
as variáveis “compras conscientes” e “fiscalização de produtos e
empresas ambientalmente corretos” que não apresentaram diferenças significativas. Todas as
demais se apresentaram diferentes entre os grupos. Já quanto ao Wilks´lambda, estatística
utilizada para determinar a função discriminante que maximiza o quociente entre a
variação explicada pela diferença entre as médias dos grupos e a
variação dentro dos grupos, observa-se que as variáveis que mais diferenciam os grupos
são as de maiores coeficientes, ou seja, “Ativismo em relação ao meio
ambiente” e “Despreocupação e Alienação”. “”.
Já as variáveis que menos diferenciam os grupos são “Pró-atividade em
relação ao meio ambiente” e “Preocupação e irritação com
relação à degradação ambiental”.
Tabela 3 - ANOVA e Discriminante
|
Variáveis
|
Wilks´ Lambda
|
F
|
Sig.
|
|
1. Preocupação e irritação com relação
à degradação ambiental
|
0,257
|
6,688
|
,002
|
|
2. Pró-atividade em relação ao meio ambiente
|
0,233
|
6,100
|
,003
|
|
3. Conhecimento dos efeitos da má conservação ambiental
|
0,338
|
15,310
|
,000
|
|
4. Ativismo em relação ao ambiente
|
0,767
|
35,286
|
,000
|
|
5. Consumo racional, econômico e consciente
|
0,288
|
12,185
|
,000
|
|
6. Despreocupação e alienação
|
0,584
|
32,250
|
,000
|
|
7. Fator econômico-legal
|
0,413
|
16,753
|
,000
|
|
8. Credibilidade duvidosa
|
0,493
|
18,183
|
,000
|
|
9. Compras conscientesa
|
|
0,969
|
,381
|
|
10. Fiscalização de produtos e empresas ambientalmente corretos
|
0,223
|
2,698
|
,069
|
|
aVariável excluída pela análise.
|
|
|
|
Fonte: dados da pesquisa
A análise discriminante identificou duas funções, demonstradas na Tabela 4, em que a
contribuição individual de cada variável será demonstrada. É
possível avaliar que as variáveis “Despreocupação e
alienação” e “Conhecimento dos efeitos da má conservação
ambiental” apresentam maiores correlações na primeira função discriminante.
Já na segunda função, são as variáveis “Ativismo em
relação ao ambiente” e “credibilidade duvidosa”.
Tabela 4 - Matriz Estrutural
|
Variáveis
|
Função 1
|
Função 2
|
|
6. Despreocupação e alienação
|
-0,453*
|
0,039
|
|
3. Conhecimento dos efeitos da má conservação ambiental
|
0,288*
|
0,148
|
|
7. Fator econômico-legal
|
0,282*
|
0,201
|
|
1. Preocupação e irritação com relação
à degradação ambiental
|
0,205*
|
0,033
|
|
9. Compras conscientesa
|
-0,099*
|
0,031
|
|
4. Ativismo em relação ao ambiente
|
-0,239
|
0,499*
|
|
8. Credibilidade duvidosa
|
-0,098
|
-0,397*
|
|
5. Consumo racional, econômico e consciente
|
-0,117
|
0,308*
|
|
2. Pró-atividade em relação ao meio ambiente
|
0,109
|
0,201*
|
|
10. Fiscalização de produtos e empresas ambientalmente corretos
|
0,085
|
-0,122*
|
|
*.Maiorcorrelação absoluta
entrecadavariávelequalquerfunçãodiscriminante
a.Variávelnãoutilizada naanálise.
|
Fonte: dados da pesquisa
4.5 Perfis dos Clusters
Logo em seguida executou-se uma série de cruzamento em tabelas entre os clusters e as
variáveis demográficas a fim de identificar as diferenças entre os clusters. O teste de
qui-quadrado de Pearson foi realizado a fim de avaliar o nível de significância. Apenas as
variáveis demográficas “sexo” e “escolaridade” apresentam
diferenças significativas (0,21 e 0,42, respectivamente).
Apesar de significativo, o nível de escolaridade das pessoas que compõem os clusters 1 e 2
é bastante semelhante, com cerca de 95% distribuídas entre o ensino médio, ensino
superior e pós graduação, sendo que a maioria (mais de 50% dos componentes de cada grupo)
respondeu que possuí o ensino médio completo, enquanto que apenas 39,1% do cluster 3 afirmam o
mesmo. Apesar de pouca diferença, o cluster 2 é o grupo que possui uma maior parte de
consumidores com pós-graduação, sendo 24,5% deles, enquanto que o cluster 1 tem 20,7% e o
cluster três 17,4%. O cluster 3 é o grupo que possui uma maior parte de consumidores com ensino
superior completo, sendo 30,4% deles, enquanto que o cluster um tem 19,5% e o cluster dois 13,2%. Porém
o cluster 3 é o grupo que possui uma maior parcela de respondentes com ensino fundamental incompleto e
completo, sendo 13% deles, enquanto que o cluster um tem 5,7% e o cluster dois 3,8%.
Os clusters 2 e 3 têm maioria feminina (55,8% e 57,5%, respectivamente), enquanto o cluster 1 tem
maioria masculina 62,1%. Sendo assim, existem evidências que as mulheres são mais ecologicamente
conscientes do que os homens.
5. Conclusões
Com a crescente preocupação das pessoas com as conseqüências do consumismo
desenfreado no meio ambiente, fazem-se necessários estudos sobre o marketing verde para que as
organizações possam traçar estratégias de acordo com o comportamento do
consumidor. Muitos estudos vêm sendo feitos nesse sentido, porém a grande maioria nos Estados
Unidos e na Europa, sendo raros estudos qualificados no Brasil. Com essa consciência, este estudo foi
realizado na intenção de diminuir a carência dos estudos brasileiros na área.
Com os resultados da pesquisa, percebe-se que a crescente preocupação das pessoas com o meio
ambiente vem se traduzindo em uma atitude favorável dos consumidores em relação aos
produtos ambientalmente corretos. Resta saber se essa atitude vai se traduzir em comportamento
favorável às eco-empresas.
Na intenção de contribuir para a evolução dos estudos de
segmentação de consumidores em relação ao consumo ecologicamente consciente, podem
ser feitas algumas afirmações de acordo com os resultados apresentados. Os resultados corroboram
estudos anteriores que afirmam que os fatores “preocupação ambiental”,
“percepção de eficácia do consumidor”, “conhecimento ambiental”,
“compromisso verbal” e as variáveis demográficas “escolaridade” e
“sexo” são significativos para diferenciar segmentos de consumidores. Porém, as
outras variáveis demográficas analisadas (“idade”, “renda”,
“número de familiares” e “estado civil”) não foram significativas.
Apesar de significativo, não podemos sugerir estratégias de marketing em relação
ao fator escolaridade, já que o nível de escolaridade dos três segmentos identificados
é semelhante, principalmente entre os clusters 1 e 2, que agrupam os menos e mais favoráveis ao
consumo ambientalmente correto, respectivamente. Porém, em relação ao sexo, este estudo
apresenta evidências de que as mulheres são mais ecologicamente conscientes do que os homens.
Contudo sugerimos que as empresas ambientalmente corretas dirigam suas estratégias para os
componentes do cluster 2, que apresenta pessoas que têm maior preocupação, conhecimento e
compromisso ambiental, além de maior percepção de eficácia no combate a
degradação ambiental. Essas pessoas são, em sua maioria, do sexo feminino e estão
mais antenadas aos meios de comunicação que tratam do tema, tendem a boicotar empresas que
contribuem para a degradação do meio ambiente, participam de grupos que lutam pela causa
ambiental e estão dispostas a pagar mais por produtos ecologicamente corretos.
Outra sugestão é que as empresas que praticam o marketing verde devem convencer os
consumidores de que o comportamento de cada um deles vai fazer a diferença em relação ao
meio ambiente, para que eles passem a considerar isso no momento da compra, além de poder aumentar a
parcela de consumidores verdes.
Entre as limitações do estudo está a amostragem não probabilística, que
não permite a generalização dos resultados. Nesse sentido, ainda como sugestão
para os próximos estudos, fica a de ampliação da amostra, já que a amostra
utilizada neste engloba apenas consumidores de uma cidade brasileira. Além disso, as medidas utilizadas
foram de auto-relato. Apoiar estas medidas com as pesquisas observacionais poderá aprofundar os
resultados aqui alcançados.
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