1. Introdução
Para Nakajima (1988) o indicador de Índice do Rendimento Operacional Global (IROG) deve ser
considerado como um indicador operacional e pode ser aplicado em diversos níveis dentro de um sistema
de manufatura. Num primeiro momento o IROG pode ser usado como benchmarking para medir o nível de
desempenho de um sistema produtivo de forma global. Ou seja, o IROG é medido inicialmente e comparado
com um IROG futuro após o sistema ter passado por um programa de melhorias ou então comparado
com o desempenho de outros sistemas semelhantes.
O IROG também pode ser calculado em sistemas de manufatura com diversas linhas de
produção, proporcionando verificar quais os reais níveis de utilização dos
ativos da indústria (Muthiah e Huang, 2007; Muthiah et al., 2008; Garza-Reyes et al., 2010). Outra
perspectiva de adoção do cálculo do IROG é no contexto de equipamentos
individuais. Nesse caso de aplicação o IROG resulta em uma métrica quantitativa de
produtividade que possibilita identificar quais equipamentos possuem desempenho alto ou baixo em
relação a uma dada meta. Sendo considerado assim, como um relevante elemento dentro da abordagem
da Total Productive Maintenance (Braglia et al., 2008; Mathur et al., 2011; Muthiah e Huang, 2007).
De forma geral, tal indicador é importante porque permite mensurar a real capacidade produtiva dos
equipamentos para um período de tempo pré-determinado ou demanda conhecida. Nesse sentido,
torna-se relevante explorar o conceito do IROG para a discussão da capacidade tanto de equipamentos, de
forma específica, como de sistemas produtivos complexos, de forma mais ampla. Os estudos de Wakjira e
Singh (2012) e Ahuja e Khamba (2008), por exemplo, evidenciaram em suas pesquisas a melhoria de desempenho
operacional que a organização como um todo pode obter após a aplicação
integral ou parcial da TPM.
Por outro lado, a Teoria das Restrições criada por Goldratt (1984) propõe uma
metodologia para identificar a restrição de capacidade que define o desempenho global do sistema
produtivo e, a partir daí, explorá-la a fim de elevar a capacidade instalada e o ganho global
desse sistema. A restrição de capacidade é o gargalo do sistema, que é definido
como sendo o recurso cuja capacidade disponível é menor do que a capacidade necessária
para atender a demanda imposta a ele, num determinado período de tempo, o qual é geralmente
longo (Antunes, 1998). O método Tambor-Pulmão-Corda é o algoritmo usado para explorar a
capacidade do gargalo e será posteriormente detalhado nesse estudo.
Nesse sentido, é possível perceber um certo grau de convergência entre os temas em
discussão nesse artigo. Ou seja, por um lado, tem-se o IROG que sobretudo permite: i) avaliar se o
desempenho do sistema produtivo é alto ou baixo, ao medir o nível de desempenho de forma global;
ii) avaliar se o desempenho de um dado equipamento é alto ou baixo, medindo-o isoladamente, e; iii)
verificar quais os reais níveis de utilização dos ativos. De maneira complementar, a TOC
identifica a restrição de capacidade que define o desempenho global do sistema produtivo e a
explora a fim de elevar a capacidade global. Parece ser possível então concluir que as duas
abordagens podem ser integradas, visando a melhor gestão da capacidade dos sistemas produtivos à
luz da Engenharia de Produção e da Gestão de Operações.
Assim sendo, esse artigo discute e apresenta um modelo de gerenciamento da capacidade produtiva em sistemas
produtivos integrando os conceitos da Teoria das Restrições e da Total Productive Maintenance
(TPM). O objetivo do presente trabalho é discutir e sugerir um modelo de gerenciamento da capacidade,
capaz de responder às seguintes questões centrais: i) quais indicadores de capacidade devem ser
considerados e como medi-los para mensurar a capacidade de sistemas de manufatura? ii) qual é a real
capacidade do sistema produtivo em análise frente a uma determinada relação entre
capacidade e demanda do mercado. Para atender a tal propósito esse artigo esta estruturado da seguinte
maneira: as seções 2, 3 e 4 apresentam objetivamente a revisão da literatura sobre
capacidade produtiva, TPM, IROG e Teoria das Restrições; a seção 5 apresenta e
descreve as etapas do modelo proposto; e a seção 6 descreve as conclusões e as
sugestões para trabalhos futuros.
2. Capacidade produtiva na manufatura
Hayes et al. (2008) argumentam que medir a capacidade de sistemas produtivos é uma tarefa complexa,
devido à ação dos seguintes fatores associados à variabilidade: políticas
da empresa, confiabilidade dos fornecedores, confiabilidade dos equipamentos, taxas de produção
e o impacto dos fatores humanos. Para Hopp e Spearman (2001) a variabilidade existe em todos os sistemas de
produção e pode causar um grande impacto no seu desempenho. Por esta razão, a habilidade
de medir, compreender e gerenciá-la torna-se crítica para uma administração eficaz
da produção.
Hopp e Spearman (2001) também apresentaram os seguintes pressupostos sobre o gerenciamento da
capacidade produtiva em sistemas: i) uma linha de fluxo desequilibrada com um gargalo conhecido é mais
fácil de administrar e demonstra um comportamento logístico melhor quando comparado com uma
linha em equilíbrio, onde os tempos de processamento das operações são
semelhantes; ii) a capacidade está geralmente disponível apenas em tamanhos incrementais
pré-determinados, ou seja, podemos comprar um ou dois recursos, mas não um e meio e pode ser
impossível ajustar idealmente a capacidade de determinada operação com a meta de
produção; iii) o custo da capacidade, geralmente, não é o mesmo em cada
estação de trabalho e é mais barato manter capacidade em excesso em algumas
estações do que em outras.
Avançando na discussão sobre capacidade, segundo Antunes et al. (2008) a capacidade e
a demanda de um dado recurso, em unidades de tempo, podem ser determinadas respectivamente, de acordo com as
Equações 1 e 2 a seguir:
[1]
Onde:
C: Capacidade de produção para a produção; Tt: Tempo total disponível para
a produção (tempo); μg: Índice de Rendimento Operacional Global do equipamento (IROG).
Já a demanda, em unidades de tempo, de um dado recurso pode ser calculada de acordo com o que determina
a Equação 2.
[2]
Onde:
D: Demanda de produtos no equipamento (tempo); Tpi: Taxa de processamento da peça i no equipamento
(tempo por unidade de produção); qi: Quantidade produzida da peça i no equipamento
(unidades de produção).
3. Total Productive Maintenance (TPM) e o
Índice de Rendimento Operacional Global (IROG)
O conceito de eficiência dos equipamentos e o termo IROG foram apresentados por Nakajima (1988). Sua
discussão é central para o cálculo da capacidade porque determina, a priori, a capacidade
prática e não teórica dos equipamentos e sistemas. A Equação 3 apresenta a
equação genérica de cálculo do IROG:
[3]
Onde:
μg: Índice de Rendimento Operacional Global do equipamento (IROG); tp: é o tempo de ciclo ou
tempo padrão do produto X; q: é a quantidade de produtos X processados; T: é o tempo
disponível para a produção.
Verifica-se nesta equação, que a multiplicação do tempo de ciclo de um produto
pela quantidade produzida deste produto em um determinado equipamento corresponde ao tempo de
agregação de valor deste equipamento no processo de produção sobre o prisma das
práticas enxutas (Antunes, 1998). Ou seja, trata-se do tempo em que o equipamento efetivamente
funcionou adicionando valor ao produto. O tempo de ciclo é o tempo que um operador devidamente treinado
processa uma peça em um equipamento específico, de forma a realizá-la normalmente. Isto
é, sem realizar esta atividade velozmente, de maneira a não conseguir manter o mesmo ritmo
durante o seu período de trabalho, e sem realizá-la de forma muito lenta, como ocorre
normalmente quando um operador se encontra em fase de treinamento ou não está familiarizado com
a operação. Apesar de ser considerado um medidor otimizado, o IROG indica qual é a
direção para a realização de melhorias no equipamento ou então do sistema
produtivo em análise (Braglia et al., 2008; Mathur et al., 2001). O cálculo do IROG, segundo
Antunes et al. (2008), também pode ser feito considerando os seguintes aspectos:
a) Se o posto de trabalho é um recurso gargalo: neste caso, o indicador IROG é
denominado de TEEP, ou seja, Produtividade Efetiva Total do Equipamento (Total Effective Equipment
Productivity). Nesse caso, o tempo T considerado na equação 3 é o tempo total – no
caso dos recursos críticos gargalos, 24 horas/dia (Mathur et al., 2011). Isto se explica pelo fato de
que, sendo o posto de trabalho um gargalo, todo o tempo disponível deve ser utilizado na
produção. Este índice indica o tempo que pode ser ganho para produzir e corresponde
à produtividade real do sistema produtivo a partir da capacidade do gargalo.
b) Se o posto de trabalho é um recurso não gargalo: neste caso, o indicador
IROG é denominado de OEE, ou seja, Índice de Eficiência Global (Overall Equipment
Efficiency). O tempo T considerado na equação 3 é o tempo disponível, obtido pela
diferença entre o tempo total e o tempo das paradas programadas. Por não se tratar de um posto
de trabalho gargalo, é possível programar certas paradas como: parada para almoço,
ginástica laboral, etc., uma vez que a não paralisação deste equipamento geraria
estoques intermediários antes do gargalo. Este índice indica a eficácia do equipamento
durante o tempo de operação programado.
As considerações acima consistem no cálculo da eficiência global dos equipamentos
através da equação geral, devendo ser desdobradas, segundo Nakajima (1988) com a
finalidade de identificar as principais causas das ineficiências observadas no posto de trabalho. O
cálculo da eficiência global é então definido pelos seguintes índices de
eficiência, conforme a Equação 4 que são descritos a seguir:
[4]
Onde:
μ1: Índice de Tempo Operacional – ITO;
μ2: Índice de Performance Operacional – IPO;
μ3: Índice de Produtos Aprovados – IPA.
O indicador ITO corresponde ao tempo em que o equipamento ficou disponível, excluindo-se as paradas
não programadas. É relacionado, portanto, com a paralisação do equipamento. Isto
é, quando a velocidade do mesmo cai para zero como no caso de quebras, trocas de ferramentas e ajustes
(Mathur et al., 2011; Muthiah e Huang, 2007). Quanto menor for o valor do ITO, maior será o potencial
de aumento da utilização do posto de trabalho. Isso ocorre porque um baixo valor indica que o
equipamento sofre muitas paradas não programadas. E os recursos que processam pouca variedade de
peças, tendem a ter um ITO elevado devido à baixa necessidade de trocas de ferramentas,
preparações e ajustes.
O IPO mede o desempenho operacional do recurso, sendo calculado em função do tempo
disponível e à redução da velocidade do mesmo, operação em vazio e
paradas momentâneas (Muthiah e Huang, 2007). É relacionado, portanto, com a queda de velocidade
do recurso (velocidade diferente da nominal e diferente de zero). As causas que geram valor baixo do IPO podem
ser: i) do tipo técnicas, como operações em vazio por falta de alimentação
de peças (não havendo assim agregação de valor) ou tempo de ciclo alto com a
consequente redução da velocidade do processamento; ii) de rotina, como o não registro
dos dados no diário de bordo ou sistema de coleta (por exemplo, paradas pequenas e sucessivas, onde o
somatório tem impacto significativo no valor final do IPO). O último indicador analisado
é o IPA que mede a qualidade das peças produzidas, sendo calculado em função do
tempo de operação real, excluindo-se o tempo gasto com refugos ou retrabalhos (Mathur et al.,
2011; Muthiah et al., 2008).
A literatura evidencia que após o surgimento do IROG a partir da obra de Nakajima (1988), surgiram
outros medidores, os quais derivam essencialmente do IROG. Nesse caso, é relevante para esse trabalho
citar o OFE (Overall Factory Effectiveness) e o OTE (OverallThroughput Effectiveness), que foram elaborados
para avaliar o desempenho de sistemas ou subsistemas inteiros (Muthiah et al., 2008; Muthiah e Huang, 2007;
Mathur et al., 2011). Uma perspectiva mais ampla de implantação e desdobramentos de tais
indicadores pode ser encontrada em Scott e Pisa (1998), Muthiah et al. (2008) e em Muthiahe Huang (2007).
É importante também salientar que a discussão integrando TPM, IROG e a TOC, foi sugerida
e analisada na literatura por alguns autores (Jeong e Phillips, 2001; Rose et al.,1995; Chakravorty e Atwater,
2006). A discussão proposta por tais autores corrobora com os esforços de pesquisa do modelo
alternativo proposto no presente trabalho. Conforme Jeong e Phillips (2001), por exemplo, a TPM enfatiza a
manutenção autônoma e os recursos gargalos deveriam ter maior prioridade em detrimento dos
recursos não gargalos dos sistemas produtivos. O IROG segundo Rose et al.(1995), quando
aplicado ao recurso gargalo, pode aumentar o ganho do sistema. Portanto, medir a eficiência e a
previsibilidade das eficiências do recurso gargalo do sistema produtivo é fundamental para o
gerenciamento de tal sistema (Agi, 2010). Ronen e Pass (2010), corroboram com esta afirmação
enfatizando que devem ser prioritárias as atividades que resultarão em maior ganho para a
organização. Sendo assim, de forma geral, pode-se concluir que o gerenciamento de gargalos
sugerido pela TOC, somando-se ao indicador IROG oriundo da abordagem da TPM, podem contribuir não
só para efetivo aumento da produtividade, como também para elevar o ganho de sistemas
produtivos.
4. Teoria das Restrições
Segundo Cox e Spencer (2002) a Teoria das Restrições pode ser entendida a partir dos seus
seguintes componentes:
a) Uma abordagem Logística e de Operações, que envolve os seguintes métodos: i)
Os cinco passos envolvendo o foco na melhoria dos processos; ii) O processo de programação da
produção envolvendo o gerenciamento via a lógica TPC (Tambor, Pulmão e Corda) e o
gerenciamento dos pulmões no sistema produtivo; iii) A análise dos sistemas produtivos adotando
a classificação V-A-T.
b) A proposição de um Sistema de Indicadores de Desempenho, que passa pela: i)
Definição dos Ganhos, Inventários e Despesas Operacionais da Empresa; ii)
Definição do mix de produtos que deverá ser produzido visando maximizar os resultados;
iii) A lógica dos Ganhos por dia e dos Inventários por dia.
c) E por fim, a TOC pode ser entendida como um Processo de Pensamento visando à solução
de problemas, que envolve as seguintes técnicas: i) Os diagramas de efeito-causa-efeito, que
são: a Árvore da Realidade Atual, Árvore da Realidade Futura, Árvore dos
Pré-Requisitos e Árvore de Transição; ii) O método da
Evaporação das Nuvens.
Os cinco passos de melhoria contínua dos processos da TOC podem ser aplicados para o gerenciamento do
gargalo do sistema. Por isso o detalhamento desse método é relevante na discussão dessa
pesquisa sobre gerenciamento da capacidade produtiva. De forma objetiva, os cinco passos da TOC para melhoria
de processos segundo Goldratt (1996) são:
1. Identificar a(s) restrição(ões) do sistema: elas podem ser internas
ou externas à empresa. Quando a demanda total de um dado mix de produtos é maior do que
a capacidade da fábrica se diz que existe um gargalo de produção. Todavia, quando a
capacidade de produção é superior à demanda de produção, a
restrição é externa ao sistema.
2. Explorar da melhor forma possível a(s) restrição(ões) do
sistema: se a restrição é interna à fábrica, a melhor
decisão consiste em maximizar o ganho no(s) gargalo(s), fazendo que o maior número
possível de produtos pré-definidos pelo critério de maior geração de ganho,
passem pelo gargalo.
3. Subordinar todos os demais recursos à decisão tomada no passo 2: a
lógica deste passo, independentemente da restrição ser externa ou interna, consiste em
reduzir ao máximo os inventários e as despesas operacionais e ao mesmo tempo garantir o ganho
teórico máximo do sistema de produção.
4. Elevar a capacidade da(s) restrição(ões): se o gargalo for interno
é necessário aumentar sua capacidade produtiva. Isso pode ser feito através de
mudanças de leiaute, compra de equipamentos, uso de horas extras, redução da
variabilidade, redução de setup, aplicação das técnicas da
manufatura enxuta, etc.
5. Voltar ao passo 1 para não deixar que a inércia tome conta do sistema: ao
elevar a capacidade produtiva da restrição o sistema torna-se, a priori, um sistema
genérico, o que gera a necessidade de analisá-lo novamente. O passo cinco retoma a ideia de
melhoria contínua dos processos.
4.1 O algoritmo Tambor-Pulmão-Corda (TPC) e o aumento da capacidade
Para Goldratt (1996) o TPC visa operacionalizar no chão de fábrica os cinco passos de melhoria
dos processos da TOC. A lógica central do algoritmo TPC consiste em estabelecer a
produção puxada para controlar o fluxo de inventário no sistema produtivo (Watson e
Patty, 2009). Tanto os cinco passos de melhoria de processos da TOC, já supracitados, quanto o TPC,
estão inseridos no modelo discutido nesse trabalho. Assim sendo, de forma objetiva os elementos da
lógica TPC serão descritos a seguir e estão representados no esquema da Figura 1:
- Tambor (T): é o gargalo do sistema, o qual determina sua capacidade produtiva
total (Watson e Patty, 2009; Umble e Umble, 1999). Portanto, define o ritmo da produção e
restringe a capacidade, ou seja, é o Tambor do sistema, uma vez que dita o seu ritmo de
produção (Dettmer, 2001; Rahman, 1998).
- Pulmão (P): é a proteção colocada antes do tambor para evitar
interrupções no tambor devido ao impacto das variabilidades, como quebra de máquinas,
variação no tempo de processo, problemas de qualidade, falta de matéria prima para
produzir, etc. Em outras palavras, pulmão é um elemento estratégico que busca proteger
o ganho do sistema sobre as variações do mesmo (Watson e Patty, 2009; Rahman, 1998). Há
três tipos de pulmão que podem ser usados nesse caso: pulmão de tempo, inventário
ou pulmão de capacidade.
- Corda (C): tem o objetivo de sinalizar a necessidade de entrada de materiais no sistema,
para alimentar o pulmão e o gargalo, limitando a quantidade de matéria-prima liberada para a
fábrica. Assim sendo, a função da corda, que pode ser um fluxo físico ou de
informação, é liberar os materiais em função do consumo de materiais do
gargalo (Watson e Patty, 2009).
Figura 1 – Algoritmo TPC. Fonte: Antunes (1998).

O algoritmo TPC sincroniza a utilização dos recursos e materiais, os quais são usados
apenas em um determinado nível para a geração de ganho no processo (Umble e Umble, 1999;
Rahamn, 1998). As vantagens de uso do TPC são corroboradas com a evidência de resultados de
implantações presentes na literatura (Goldratt, 2009). A pesquisa de Mabin e Baderstorne (2003)
evidenciou estes benefícios a partir da melhoria de desempenho no lead time, nos tempo de
ciclo e na ampliação das receitas, ou ganho na lógica da TOC, de
organizações que aplicaram o TPC. Corroborando com estas evidências, Patty e Watson (2008)
concluíram que empresas que utilizam TPC alcançam maiores ganhos gerando menos estoques. Na
mesma linha de discussão, Ifandoudas e Chapman (2009) afirmam que este processo busca determinar o que,
quando e como a produção será coordenada de forma a reduzir inventário e maximizar
as vendas. Sendo assim, o TPC é um algoritmo que objetiva, por meio dos cinco passos de
focalização da TOC, coordenar sistemas produtivos (Gupta e Boyd, 2008). Sendo assim,
considerando as contribuições da TOC, pode-se afirmar que as organizações
são sistemas que devem gerar ganho em função de uma restrição inerente a
tal sistema (Walsh, 2010). Logo, se primeiramente monitorarmos tal restrição e posteriormente
executarmos atividades voltadas para o aumento da eficiência da restrição, através
da utilização de IROG, estaremos caminhando em direção a maximização
do ganho do sistema, ou seja, maximizando o ganho da organização.
5. Modelo de gerenciamento da capacidade produtiva
O modelo proposto nessa pesquisa possui alguns pressupostos considerados no desenvolvimento do método,
os quais devem ser avaliados na sua aplicação empírica. Em primeiro lugar, o modelo
considera que a restrição da empresa é interna ao sistema produtivo, podendo ser um
recurso físico, equipamento, linha de produção, célula, etc. Outro pressuposto do
modelo é que a variedade de produtos fabricados em qualquer recurso do sistema não impacta nos
resultados apresentados. Ou seja, o método pode ser aplicado em ambientes de manufatura de alto ou
baixo nível de customização dos produtos fabricados.
O modelo também se adapta tanto para sistemas de manufatura de produção puxada quanto
para ambientes sob a lógica empurrada. Um aspecto positivo do modelo é que o tamanho do
período de tempo em análise não influencia no modelo. Pode-se analisar um dia, um
mês, um ano e assim por diante. Um aspecto fundamental a considerar antes de se aplicar o método
é que as informações de entrada como: quantidades demandadas e principalmente os tempos
de processamento sejam confiáveis. Esse aspecto relacionado com a acuracidade das
informações é um pré-requisito para se definir com precisão qual recurso
é a restrição do sistema. Será analisado a seguir um caso teórico em uma
linha de produção composta de cinco recursos onde são manufaturados um tipo de produto,
denominado de X, composto de dois componentes (A e B). O modelo proposto é composto pelas seguintes
etapas, conforme Figura 2:
Figura 2 – Etapas do modelo de gerenciamento da capacidade produtiva
integrando TOC e TPM.
Fonte: elaborado pelos autores (2012).
A seguir, serão apresentadas e descritas as etapas do modelo proposto na Figura 2 que está em
debate no presente estudo:
- Identificar a restrição do sistema: nessa etapa do modelo é
identificada a restrição do sistema, cuja capacidade é inferior à demanda
imposta, a partir das análises do passo 1 da TOC. Nesse caso, a análise baseou-se na abordagem
de Capacidade x Demanda proposta por Antunes et al. (2008) e fez a proposição de algumas
alterações nesse método de análise dos autores, visando seu
aperfeiçoamento. As alterações sugeridas de forma a aperfeiçoar o modelo de
Capacidade x Demanda proposto por Antunes et al. (2008) podem ser evidenciadas ao se comparar a Tabela 1,
que traz valores hipotéticos, com os novos indicadores IPAC e o IROGC propostos na Tabela 2.
Tabela 1 – Método de Capacidade x Demanda. Fonte: Antunes et al.
(2008).
Tabela 2 – Novos indicadores propostos para o método de
Capacidade x Demanda. Fonte: elaborado pelos autores (2012).
- Explorar a restrição: nessa etapa o gargalo do sistema é explorado
visando maximizar o ganho do sistema, porém, sem investimentos adicionais, conforme preconiza o passo
2 do processo de focalização da TOC.
- Subordinar os demais recursos à restrição: nessa etapa os recursos
que estão dispostos no leiaute do sistema produtivo, tanto à jusante quanto à montante
do gargalo, são subordinados ao gargalo, de acordo com o passo 3 da TOC. O objetivo dessa etapa do
modelo é assegurar que a capacidade do gargalo irá definir o planejamento e controle da
produção no sistema produtivo.
- Definir o IROG (Índice de Rendimento Operacional Global) da restrição:
nessa etapa do modelo calcula-se o TEEP do gargalo conforme apresentado e discutido previamente na
seção 3. O objetivo principal dessa etapa é avaliar o nível atual de desempenho
do recurso gargalo do sistema.
- Definir o novo Índice de Produtos Aprovados Corrigido (IPAC) do sistema: nessa
etapa do modelo, calcula-se o IPA de todos os recursos dispostos no fluxo de
produção após o gargalo e efetua-se a multiplicação entre esses
índices calculados, obtendo-se assim um valor único, denominado de IPA Corrigido (IPAC). Ao
mensurar a quantidade de produtos rejeitados no fluxo após o gargalo, é possível medir
o real índice de produtos conformes quanto à qualidade, que são produzidos após
o gargalo contribuindo para um dimensionamento mais acurado da capacidade global de saída do sistema.
Esse aspecto do modelo, é uma das principais lacunas que o presente estudo pretende preencher dentre
os modelos de gerenciamento de capacidade até então apresentados no campo da Engenharia de
Produção e da Gestão de Operações.
- Definir o IROG Corrigido do sistema (Índice de Rendimento Operacional Global
Corrigido): nessa etapa do modelo é obtido o novo IROG do sistema, a partir da
visão de capacidade dos gargalos da TOC, denominado nesse estudo de IROGC. O resultado é
obtido multiplicando-se o IROG calculado na etapa 4 pelo indicador IPAC obtido na etapa 5.
- Definir a capacidade real do sistema: nessa etapa do modelo define-se a capacidade real
do sistema em atender à demanda a partir da capacidade do gargalo. O resultado é obtido
multiplicando-se o tempo disponível para a produção no recurso gargalo pelo valor do
IROGC obtido na etapa 6. Dessa maneira, a partir da análise da diferença temporal resultante
da análise, é possível avaliar se o sistema possui capacidade ou não de atender
à demanda imposta que está sendo analisada nos recursos.
- Calcular a quantidade teórica de produtos não atendidos pelo sistema: essa
etapa do modelo consiste em dividir a diferença temporal do gargalo pelo somatório dos tempos
de processamento do produto no recurso gargalo. Para fins de tomada de decisão gerencial, sugere-se
que o resultado obtido seja arredondado para cima para minimizar o efeito de adição
incremental da capacidade, conforme argumentam Hopp e Spearman (2001) e Umble e Srikanth (1995). O valor
então obtido é a quantidade de produtos não atendida pelo sistema. O resultado é
dito como teórico porque está relacionado diretamente com a confiabilidade dos dados de
entrada de cálculo nos passos anteriores do modelo. Logo, nessa etapa do modelo se evidencia a
importância de se ter uma base de dados confiável para as análises dos resultados
apresentados pelo modelo. Além disso, se define como uma quantidade teórica porque é
praticamente inviável prever com precisão o comportamento futuro de um sistema devido ao
efeito das variabilidades dos processos produtivos (Hopp e Spearman, 2001). Assim sendo, caso depois de
realizadas as etapas anteriores, seja verificado que há recursos com diferença temporal
negativa, deve-se calcular novamente a quantidade teórica de produtos não atendida. Nesse
caso, a quantidade de produtos não entregues pelo sistema, será o somatório da
quantidade de produtos não entregues em todos os equipamentos cuja diferença temporal é
negativa.
- Elevar a capacidade do gargalo: nessa etapa são realizadas ações,
caso sejam necessárias, para elevar a capacidade do gargalo de acordo com o passo 4 da TOC. Nesse
ínterim, diversas estratégias gerenciais podem ser adotadas, tais como: aplicar as
técnicas enxutas de redução de perdas, reduzindo a variabilidade, reduzindo os tempos
de setup, adquirindo outros recursos, usando horas extras, contratação de novos trabalhadores,
usar roteiros alternativos reduzindo o tempo de operação dos produtos no gargalo, e assim por
diante.
- Voltar à etapa 1: a lógica dessa etapa do modelo consiste em
reavaliá-lo, aplicado o sentido de melhoria contínua de processos. Pretende-se nessa etapa,
à luz da TOC, evitar que a inércia tome conta do sistema produtivo, de acordo como passo 5 da
TOC.
6. Conclusões
O presente artigo apresentou um modelo de gerenciamento da capacidade em sistemas produtivos integrando os
conceitos da Teoria das Restrições com uma abordagem para o uso do IROG do TPM diferente da que
consta na tradicional literatura. O estudo apresentou quais indicadores de capacidade devem ser considerados e
como medi-los para mensurar a real capacidade de sistemas de manufatura. O presente estudo também
sugeriu um modelo dividido em etapas, as quais cada etapa é pré-requisito para as demais, para
dimensionar a real capacidade de um sistema produtivo frente a uma determinada relação entre
capacidade e demanda.
Nesse sentido, acredita-se que estudo atendeu ao primeiro objetivo proposto nessa pesquisa ao explicitar a
real capacidade de um sistema produtivo. Da mesma maneira, pode-se dizer que a presente pesquisa também
atendeu ao segundo objetivo proposto ao apresentar novos indicadores (IPAC e IROGC) que devem ser considerados
na gestão da capacidade produtiva e ao descrever a maneira sugerida de calculá-los.
O modelo proposto é então apresentado como uma abordagem que não apenas contribui com o
processo de tomada de decisão sobre os níveis de capacidade em sistemas produtivos, como
também possibilita o melhor gerenciamento dos recursos e suas capacidades, da programação
da produção no chão de fábrica e do atendimento às demandas programadas em
ambientes da manufatura. Como extensão natural dessa pesquisa, sugere-se a aplicação de
estudos de casos reais em empresas de diferentes segmentos de atuação, a fim de avaliar a
abrangência de aplicação do modelo proposto, bem como a análise de outros elementos
que possam ser inseridos no modelo proposto visando aperfeiçoa-lo.
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