1. Introdução
O desenvolvimento do conceito do Green Supply Chain Management ainda não está consolidado na
literatura e diversos autores vêm debatendo o tema em busca de melhor compreendê-lo. Da mesma
maneira, as práticas para suportar a GSCM precisam ser tratadas e investigadas. Nesse sentido, a
escassez dos recursos naturais e o aumento dos índices de poluição têm levado o
debate da sustentabilidade ambiental para diversos segmentos da sociedade como: empresas, governos, ONGs e a
população em geral. Na concepção de Walker et al. (2008), pressões
políticas e governamentais a partir de leis e a busca por uma nova vantagem competitiva tem levado
organizações a adotarem algumas práticas green ambientalmente amigáveis.
Atualmente a GSCM vem sendo discutida como uma importante alternativa no ambiente das
organizações de uso das práticas de sustentabilidade. Routroy (2009) afirma que hoje a
GSCM é considerada ser um pré-requisito para o desenvolvimento sustentável. Em busca de
uma definição sobre GSCM, pode-se afirmar, segundo Routroy (2009), que GSCM é um
método para projetar e re-projetar a Supply Chain, o qual incorpora reciclagem e remanufatura dentro do
processo de produção.
Já Srivastava (2007), definiu GSCM como a integração do pensamento ambiental em Supply
Chain Management, que inclui os seguintes elementos: design de produto, seleção e fornecimento
de material, processos de manufatura, entrega do produto final ao cliente e o gerenciamento do fim da vida do
produto após seu descarte. Essa definição de GSCM é a adotada nesse trabalho.
Já na visão de Qingua et al. (2008) a prática da GSCM deve contemplar desde os processos
de compras verdes, passando pelos fornecedores, fabricantes, consumidores e fechando a cadeia com a
logística reversa. Walker et al. (2008) apontou algumas práticas de GSCM, entre as quais se
destacam: reuso de embalagens e materiais, reciclagem de produtos e uso de embalagens
recicláveis, coleta de dados ambientais dos vendedores da cadeia, redução da
emissão de poluentes gerados no transporte.
Na visão de Zhu et al. (2004) são cinco as principais práticas: gerenciamento do
ambiente interno, compras verdes, eco-design, cooperação com o cliente e investimento em
recuperação. Srivastava (2007) cita os seguintes programas como práticas proativas:
re-uso, retrabalho, reciclar, remanufaturar e logística reversa. Práticas de green design foram
apresentadas em Zhang et al. (1997), planejamento e controle de produção para re-manufatura fora
sugeridas em Guide (2000) e o projeto da cadeia em Fleischmann et al. (2001).
Em busca de compreender e evidenciar as melhoras práticas de GSCM apresentadas na literatura à
realidade brasileira, esse trabalho de caráter exploratório, está assim organizado: a
seção dois apresenta brevemente a SCM e seção três detalha a GSCM; a
seção quatro descreve a metodologia de pesquisa adotada; a seção cinco apresenta a
discussão das melhores práticas de GSCM apresentadas na literatura; por fim a
seção seis faz as conclusões e sugere trabalhos futuros.
2. Referencial teórico
2.1 Supply Chain Management – SCM
Na visão de Lambert et al. (2008) a SCM compreende o alinhamento das empresas que trazem produtos ou
serviços ao mercado. Já Cristopher (1997) propõe a definição de SCM como
uma rede de organizações, conectadas tanto à montante quanto à jusante, em
diferentes processos que geram valor sob a forma de produtos ou serviços finais ao consumidor.
O escopo da SCM é amplo, abrangendo atividades como design, compras, manufatura,
distribuição e logística reversa e, portanto, a maioria das organizações
possui uma SCM. E apesar da posição da empresa dentro da SCM, as empresas adotam várias
práticas para executar seus processos da SCM (Sodano e Grandzol, 2011). Pode-se dizer que a
visão atual sobre SCM compreende todas as etapas da cadeia produtiva ou de serviços. E devido
aos diversos processos que ocorrem, como por exemplo, transporte, manufatura de materiais e compra de
produtos, o impacto no meio ambiente e no consumo de recursos naturais, é realizado de diversas
maneiras. Assim, não há dúvidas de que as aplicações de práticas
sustentáveis na SCM podem contribuir com o meio ambiente refletindo na sociedade.
Malcon (2010) defende que SCM sustentáveis necessitam de novas práticas onde o impacto sobre o
ar, água, terra e vida sejam conhecidos, gerenciados e reduzidos. Para Srivastava (2007) a SCM é
foco central para os esforços green porque o escopo das suas atividades encontra maior viabilidade pelo
uso dos conceitos sustentáveis. Assim, realizar ações na melhoria dos processos de
produção em colaboração com parceiros, projetar produtos ambientalmente corretos,
redesenhar redes logísticas e usar fornecimento sustentáveis de materiais, são algumas
estratégias essenciais para os gestores de SCM (Malcon, 2010).
2.2 Green Supply Chain Management – GSCM
Conforme Lu et al. (2007) GSCM se refere a melhorar o desempenho ambiental de companhias, dos seus
fornecedores, clientes e das relações entres eles. A GSCM tem na sua origem ao mesmo tempo, o
conceito de gerenciamento ambiental e o gerenciamento da cadeia de suprimentos. De forma similar ao conceito
de SCM, a fronteira da GSCM é dependente da meta do investigador (Srivastava, 2007).
Conforme propõe Zhu e Sarkis (2004) a definição do escopo da abrangência da GSCM
presente na literatura abrange desde o processo de compras green de materiais para integrar a Green Supply
Chain, fluindo do fornecedor, para o produtor, para o cliente e a logística reversa. Nesse sentido,
Qingua et al. (2008) afirmam que a GSCM pode ser entendida a partir das seguintes cinco dimensões:
gerenciamento ambiental interno, compra verde, cooperação com os clientes incluindo
questões ambientais, eco design e Investimento na recuperação de materiais. Dias (2006)
também corrobora com a visão mais ampla da GSCM ao afirmar que esta envolve diversos elementos
além da logística reversa. Dias (2006) sugere, por exemplo, que na fase de
definição dos materiais comprados e no desenvolvimento do produto, devem ser contemplados os
aspectos de reciclagem e reuso de materiais. Junto com o conceito de logística reversa, o conceito de
ciclo de vida do produto deve ser endereçado, e assim as organizações precisam entender a
gestão logística em conjunto com o clico de vida do produto, um circuito fechado, e não
como uma forma de disposição organizada do produto (Dias, 2006).
Apesar do uso de algumas práticas como design de produtos sustentáveis, logística
reversa e compras green, parece ser difícil implementar a GSCM (Sodano e Grandzol, 2011).
Evidências de dificuldades para implantar a GSCM foram encontradas em Narasimhan e Carter (1998).
Narasimhan e Carter (1998) perceberam que algumas organizações apesar de determinarem o risco
econômico do impacto ambiental, encontraram baixo orçamento disponível para
endereçar e dificuldade em termos de conhecimento por parte da gerência para conduzir as
ações. Bangalore (2009) reportou que muitas companhias conduziam projetos green sem
definição clara de indicadores de retorno e objetivos a serem atingidos. A revisão
realizada por Sodano e Grandzol (2011) evidenciou que apesar de existir na literatura algumas práticas
e modelos para implementar a GSCM, há uma disparidade entre o que estes guias orientam para as
organizações agirem e o que as organizações realmente fazem. A literatura
trás um número relativamente baixo de investigações sobre os fatores de sucesso e
insucessos em projetos de GSCM e desde já, essa questão é endereçada como uma
oportunidade de pesquisas futuras.
3. Procedimentos metodológicos
O método de elaboração dessa pesquisa se divide em duas estratégias. A primeira
envolve propor um debate explorando o tema da GSCM e suas práticas, foco de discussão ainda
incipiente na literatura. A segunda estratégia, a partir da exploração dos achados da
literatura, visou apresentar evidências das melhores práticas em GSCM à academia e,
sobretudo, à realidade brasileira. Para atender às duas estratégias, foram analisados
trabalhos que discutem o temas das práticas em GSCM. O critério de seleção dos
trabalhos resultou da combinação entre dois fatores: data de publicação recente e
aderência ao objetivo dessa pesquisa. Para conduzir essa estratégia usou-se a abordagem da
pesquisa bibliográfica.
Segundo Gil (2010, p.29), a pesquisa bibliográfica é elaborada com base em material já
publicado, seja impresso ou digital como: artigos, teses, revistas, dissertações etc.
“Praticamente toda pesquisa acadêmica requer em algum momento a realização de
trabalho que pode ser caracterizado como pesquisa bibliográfica (Gil, 2010 p. 29).” Quanto
à abordagem essa pesquisa é qualitativa conforme Yin (2004), visto que as relações
de análise e a interpretação das evidências da literatura são feitas de
maneira indutiva. Quanto aos objetivos, esse trabalho tem características de exploratório e
descritivo conforme definido em Marconi e Lakatos (2008). Exploratório porque o propósito dessa
pesquisa é gerar proximidade com o tema, visando melhor compreender e gerar possíveis
hipóteses. Descritivo, porque a presente discussão descreve características da GSCM e
tenta estabelecer relações entre os elementos que a compõe.
4. Identificando e discutindo as melhores práticas em Green
Supply Chain Management - GSCM
Seuring e Muller (2008) após uma pesquisa de revisão da literatura de 191 artigos sobre Supply
Chain e Sustentabilidade, identificaram lacunas e apontaram os principais direcionamentos que devem ser
considerados no desenvolvimento das melhores práticas em GSCM. A primeira lacuna evidenciada é
que o desenvolvimento sustentável é frequentemente reduzido a melhorias ambientais, quando na
verdade se faz necessário incluir aspectos técnicos, uma compreensão positiva e uma
abordagem de ciência social. Logo, uma perspectiva integrada é necessária onde a
visão de ciência social tenha destaque, assim como a integração das três
dimensões supracitadas. Outra lacuna evidenciada que deve direcionar o desenvolvimento das melhores
práticas é o uso de um consistente embasamento teórico; a revisão da literatura
evidenciou que estudos de caso e surveys dos artigos analisados, necessitavam de uma melhor base
teórica para que os desdobramentos possam chegar na prática em uma SCM ou na gestão de
operações das organizações.
Sodano e Grandzol (2011) a partir de um survey agruparam e identificaram o uso das melhores práticas
em GSCM em classes: i) ênfase estratégica: focar a sustentabilidade como direcionador da agenda
da SCM; adotar a logística reversa; direcionar recursos no budget para a GSCM; ii) recursos
organizacionais: criar padrões para GSCM; articular GSCM com a missão da empresa; ter um
líder executivo responsável pelas iniciativas de GSCM; desenvolver times multifuncionais para
GSCM; iii) práticas habilitadoras da GSCM: quantificar custos e benefícios da GSCM; usar claros
padrão de performance para a GSCM; usar ferramentas de análise do ciclo de vida para investigar
total impacto na Supply Chain; inserir GSCM nas métricas gerenciais e integrá-lo nas
práticas de melhorias existentes; iv) green manufacturing práticas: plano de ação
para reduzir uso de água, energia, emissões, materiais; usar métodos de
produção puxada; adotar programa de reciclagem; v) GCSM: colaborar com os parceiros para
melhorar o desempenho green; incluir a visão green no procurement; adotar critérios green de
avaliação dos fornecedores; vi) Logística e transportes Green e embalagens: ter
ações para minimizar rotas, entregas e emissões; redesenhar embalagens para minimizar uso
de materiais; usar embalagens reusáveis ou recicláveis.
Nunes e Bennett (2010) investigaram as práticas sustentáveis na indústria automotiva se
concentrando em estudos de caso na Toyota, GM e Volks. Nos achados referentes à GSCM, melhores
práticas foram percebidas e podem servir de base para outros segmentos e indústrias. De forma
geral, o estudo evidenciou uma tentativa de mudança de uma postura reativa para proativa, estendendo o
controle sobre outras atividades da SCM e assim tomando ações dentro de um contexto de maior
incerteza dos seus negócios. As melhores práticas em GSCM envolvem fornecedores e a
logística de in-bound e out-bound. Dentre essas ações se destacam incorporar
critérios ambientais nas decisões de compra e nas relações com fornecedores. Tais
práticas também envolvem compartilhar riscos ao longo da SCM, transferir tecnologia e a
redução de perdas e custos em fornedores. Essas achados também estão presentes em
Kleindorfer et al. (2005), Sarkis (1998) e Zhu et al. (2007).
Diferentes práticas de GSCM são adotadas entre as três montadoras. A Toyota por exemplo
possui o manual green para a SCM (Greener Supplier Guidelines Green Purchasing Guidelines) o qual é
adotado em todas as operações ao redor do mundo. Outra prática adotada pela Toyota
é a otimização de rotas e cargas das entregas e coletas dos caminhões.
Evidenciou-se também o desenvolvimento de embalagens sustentáveis e o uso de container de
movimentação e entrega de metal de maior vida útil em detrimento ao uso de container de
papelão ou pallets de madeira.
Já as práticas de GSCM encontradas na GM contemplam: parcerias sustentáveis com os
fornecedores; a transferência de tecnologias sustentáveis ao longo da SCM; melhorias ambientais
em embalagens, materiais químicos e a exigência da certificação ISO 14000 para
todos os fornecedores. Já na Volks, as práticas contemplam: a exigência de requerimentos
sustentáveis e eventos de treinamentos para seus fornecedores; ações para a troca do meio
de transporte da SCM de rodoviário para aéreo e naval; otimização via software de
rotas viajadas para a entrega e coleta de materiais; práticas de logística interna focadas na
redução de uso de embalagens de papelão e plástico.
Nunes e Bennett (2010) atribuíram à logística reversa um escopo mais amplo de
atuação, a partir das práticas de GSCM na indústria automotiva. A Toyota se
destaca por: adotar práticas de análise do ciclo de vida final dos veículos desde o
projeto do produto; usar sistemas para garantir a correta seleção, reciclagem e tratamento de
airbags e gases causadores do efeito estufa; práticas para coletar e reciclar peças em final de
vida útil a partir de parcerias como revendedores e distribuidores dos componentes. A General Motors
além de possuir na Europa um grupo dedicado a coordenar as ações de final de ciclo de
vida de veículos, também contempla no projeto dos produtos essa visão. A meta da empresa
é ter em 2015 a proporção de materiais em final ciclo de vida (FCV) que devem ser
reusados ou recuperados, na faixa de 95% do peso do veículo, liderando as melhores práticas do
segmento quanto à FCV. A Volks além de possuir sistemas avançados de reciclagem na SCM
também adota tais práticas na manufatura. A empresa coordenando um novo processo para aumentar a
taxa de reciclagem dos materiais em FCV para 95%. As três companhias vêm adotando energias verdes,
como os carros flex, para redução da dependência do petróleo e de forma geral as
ações de GSCM estão focadas na seleção de fornecedores, na
transferência de tecnologia e em sistemas logísticos mais eficientes (embalagens, rotas,
otimização de cargas, etc).
O estudo de Hsu e Hu (2008) realizado na manufatura de eletrônicos evidenciou diversas práticas
para sustentar a GSCM. Entre elas se destacam: compras verdes, auditorias ambientais para fornecedores,
desenvolvimento de produtos colaborativo com fornecedores, parcerias com organizações locais de
reciclagem e colaboração com indústrias do mesmo setor sobre produtos recicláveis,
manuais de desmontagem de produtos. Dentre as práticas relacionadas aos fatores humanos se destacam:
educação e treinamento ambiental, suporte da alta gerência, integração entre
setores, envolvimento da força de trabalho. Dentre as práticas na SCM evidenciou-se:
comunicação efetiva dentro da companhia e com fornecedores, estabelecimento de sistema de
gerenciamento de riscos ambientais, seleção e avaliação de fornecedores e
portfólio de produtos sustentáveis.
Routroy (2009) propôs as seguintes práticas como antecedentes para implantar a GSCM: i) apoio da
alta gerência: é definido como o primeiro e mais crítico fator para a
implementação e sucesso da GSCM, conforme evidências da literatura; ii) iniciativas
governamentais: conforme o autor, além de efetuar pressões sobre as empresas, o governo pode
promover inovações green em significantes áreas da GSCM adotando regulações
ambientais transparentes (dados sobre outras empresas, empresas violadoras) e o reconhecimento das empresas
green; o governo poderia abrir um instituto de excelência green para promover treinamento e pesquisa
sobre GSCM; sensibilizar as pessoas em geral sobre questões sustentáveis.
Holt e Ghobadian (2009) pesquisaram uma amostra de 149 indústrias do Reino Unido e concluíram
que a maioria das práticas de GSCM foca redução de custos das atividades internas
à organização, havendo menos esforços nos processos de in-bound e out-bound. Como
forma de ampliar o uso da GSCM os autores sugerem aumentar a comunicação e disseminar as
melhores práticas que quantificam custos e benefícios. Além do apoio gerencial, a
construção da comunicação, as melhores práticas e a criação
de grupos de compras de materiais green, podem ampliar a cultura green interna e externa à
organização. Holt e Ghobadian (2009) também evidenciaram que o foco de melhoria nas
operações internas, a partir das eficiências operacionais em detrimento a uma
relação proativa com a SCM, leva as empresas a adotar auditorias nos fornecedores ao
invés de estabelecer uma relação ganha-ganha.
Em busca do estado da arte em GSCM Srivastava (2007), pesquisou 227 artigos datados de 1990 a 2005. Os
principais achados do autor referente ao tema das melhores práticas foram no sentido de apresentar as
práticas mais frequentes e as oportunidades de melhorias na GSCM. Dentre as melhores práticas
evidenciaram-se os seguintes grupos: i) relacionadas a projetos green: o projeto de material e a
recuperação de produtos manufaturados, projeto orientado para a desmontagem do produto, projeto
visando a minimização de perdas, análise do ciclo de vida do produto, projeto voltados a
legislações, projeto voltado à remanufatura, projeto voltado à reciclagem e o
projeto ambientalmente consciente; ii) operações verdes: manufatura verde e remanufatura de
produtos (minimizam o uso de energias e matérias virgens), reciclagem e recuperação e
reuso de materiais e produtos, reuso de produtos, logística reversa e projeto da SCM, gerenciamento de
perdas, redução de inventário, planejamento e controle da produção.
Segundo Zucatto et al. (2008), implementar a GSCM significa operar considerando aspectos ambientais, de
lucratividade e de qualidade. As abordagens para implantar a GSCM sugeridas pelos autores são as
propostas originalmente por Nunes et al. (2004): ambiental, estratégia e logística. A
logística se dá pelas ações de compra, transformação, processos
internos, distribuição, estocagem, disposição final de produtos e retorno
após o fim da vida útil destes. Já a abordagem estratégica se relaciona às
decisões de longo prazo, formação de parcerias duradouras, escolha de
fornecedores, processos, produtos e mercados.
O estudo de Moore e Manring (2009) diferentemente da maioria dos trabalhos em GSCM pesquisou as
práticas de sustentabilidade no ambiente das pequenas e médias empresas (PMEs). Os autores
evidenciaram algumas práticas para otimizar a GSCM. A primeira delas é o desenvolvimento de
redes de cooperação entre as PMEs em mercados onde grandes empresas possuem menos
atuação, para direcionar os problemas sistemáticos que surgem na GSCM e na ecologia
industrial. Na visão dos autores, a construção de redes de cooperação
é importante, não só porque as PMES representam a maioria do número de empresas,
como também rapidamente envolvem tecnologias de comunicação que seguem por várias
rotas. Além disso, através do sucesso das redes onde estão inseridas, as PMEs podem se
beneficiar individualmente do desempenho global. Moore e Manring (2009) afirma que a força
multiplicadora das redes irão se tornar essenciais para o endereçamento dos problemas
sistemáticos da GSCM e da sustentabilidade global, pois podem alavancar os esforços
sustentáveis iniciados pelo poder público, privado e ONGs.
5. Conclusões
O desenvolvimento do conceito de Green Supply Chain Management (GSCM) está em desenvolvimento na
literatura e seu debate é importante para o contexto da sociedade atual. Nesse sentido, o principal
objetivo desse artigo foi apresentar as melhores práticas de Green Supply Chain Management (GSCM) para
ambientes de manufatura evidenciadas na literatura. De forma geral foi possível identificar uma
convergência de tratamento das práticas de GSCM para atividades internas à
organização visando à melhoria e redução de custos, conforme preconizam
Srivastava (2007), Zucatto et al. (2008), Routroy (2009).
Foi possível evidenciar o foco de discussão da GSCM direcionado para organizações
de grande porte e SCM complexas. Entretanto, a pesquisa realizada por Moore e Manring (2009) que abordam as
pequenas e médias empresas (PMEs) pode emergir práticas importantes ao contexto das demais
empresas e segmentos como o comércio e serviços. Destaca-se nesse contexto, como prática
sugerida para a GSCM sua organização em redes de cooperação para explorar mercados
onde grandes empresas possuem menos atuação.
Esse trabalho permitiu apresentar um amplo conjunto de melhores práticas adotadas pelos diversos
níveis organizacionais para desenvolver e manter o desempenho da GSCM. Percebeu-se como prática
recorrente a nível gerencial e estratégico: a necessidade do apoio gerencial conforme visto em
Holt e Ghobadian (2009), Routroy (2009), a necessidade de focar estrategicamente a implantação
da GSCM (Sodano e Grandzol, 2011; Wisner et al., 2005; Mentzer et al., 2001; Nunes e Bennett, 2010; Holt
e Ghobadian, 2009). Já para as áreas de manufatura e demais áreas envolvidas com a GSCM,
as melhores práticas estão relacionadas a: i) uso, reuso e reciclagem de matérias primas,
produtos, embalagens, e recursos como água, ar e assim por diante; ii) desenvolvimento de produtos
sustentáveis, desenvolvimento de fornecedores parceiros sustentáveis.
As discussões realizadas estão longe de se esgotar nesse trabalho e, portanto, como
encaminhamento de trabalhos futuros sugere-se pesquisas em dois pontos. O primeiro são estudos que
investiguem quais indicadores devem ser adotados para suportar determinado conjunto de melhores
práticas GSCM. O segundo foco de pesquisas futuras, que emerge a partir do número baixo de
investigações, é a proposição de fatores críticos de sucesso e
insucessos em projetos de implantação da GSCM.
6. Referências
Dias, S. L. F. (2006); Há vida após a morte: um (re)pensar estratégico para o fim
da vida das embalagens. Gestão e Produção, Vol.13, No. 3, pp. 463-474, set.-dez.
Fleiscmann, M.; Krikke, H.R.; Dekker, R., Flapper, S. (2000); A characterization of logistics networks for
product recovery. Omega, Vol. 28 No. 6, pp. 653–66;
Gil, A. C. (2010); Como elaborar Projetos de pesquisa. São Paulo: Atlas.
Grandzol, J. C.; Sodano, H. Jr. (2011); Deployment of Green Best Practices in Supply Chain Processes Keystone
Journal of Undergraduate Research 1(1): pp.25-36.
Hsu, C.W.; Hu. A. H. (2008); Green Supply Chain Management in the Electronic Industry, International Journal
of Environmental Science and Technology, Vol. 5, No. 2, pp. 205-216.
Kleindorfer, P.R.; Singhal, K.; Van Wassenhove, L.N. (2005); Sustainable operations management”,
Production and Operations Management, Vol. 14 No. 4, pp. 482-92.
Lambert, D.M. (2008); Supply Chain Management: Processes, Partnerships, Performance (3rd ed.). Supply Chain
Management Institute, Sarasota FL.
Malcon, J. (2010); Keeping orangutans out of the supply chain. Inside Supply
Management 21(5): 22.
Mentzer, J. T.; De Witt, W.; Kebler, J. S.; Min, S.; Nix, N.W; Smith, C. D.; Zacharia, Z. G. , (2001);
Defining Supply Chain in management. Journal of Business Logistics. V. 22. n.2
Nunes, B.; Bennett, D. (2010); Green operations initiatives in the automotive industry. Benchmarking: An
International Journal Vol. 17 No. 3, pp. 396-420.
Nunes, B. T. S.; Marques Jr, S.; Ramos, R. E. B.
(2004); A theoretic approach for green supply chain. 2nd World Conference on
Production and Operation Management. Cancun - México. Maio.
Qinghua, Z.; Sarkisb, J.; Laic, K.H. (2008); Confirmation of a
measurement model for green supply chain management practices implementation.
Int. J. Production Economics, Vol.111, pp. 261–273.
Routroy, S. (2009); Antecedents and Drivers for Green Supply Chain Management Implementation in Manufacturing
Environment. The Icfai University Journal of Supply Chain Management, Vol. VI, No. 1.
Seuring, S.; Muller, M. (2008); From a literature review to a conceptual framework for sustainable supply
chain management. Journal of Cleaner Production 16, 1699–1710.
Zucatto, L. C.; Veiga, C. H. A.; Evangelista, M.L. (2008); Estudo comparativo entre as abordagens de Supply
Chain Management e Green Supply Chain Management na perspectiva da sustentabilidade. XXVIII ENCONTRO NACIONAL
DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO. Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 13 a 16 de outubro.
Yin, R. K. (2004); Estudo de Caso: Planejamento e Métodos,
Porto Alegre, Bookman, 2ª edição.
Zhu, Q.; Sarkis, J.; Lai, K.H. (2007); Green supply chain management: pressures, practices and performance
within the Chinese automobile industry, Journal of Cleaner Production. Vol. 15 Nos 11/12, pp. 1041-52.
Walker, H.; Sistob, L. D.; Mcbainc, D. (2008); Drivers and barriers to environmental supply
chain management practices: Lessons from the public and
private sectors. Journal of Purchasing e Supply Management, Vol. 14, pp.
69–85.
|