1. Introdução
O Processo de Desenvolvimento de Produto (PDP) é essencial para manter uma empresa de produtos e/ou
serviços competitiva no mercado. Griffin (1997) demonstra que empresas bem-sucedidas em termos de
desenvolvimento de produtos realizam atividades similares entre si, denominadas de melhores práticas.
Uma melhor prática representa a maneira comprovada e eficaz de realizar uma atividade de forma obter os
melhores resultados (Rozenfeld et. al., 2006). A utilização de melhores práticas pode ser
considerada um indicador do nível de maturidade no PDP das empresas.
Cristofari et. al. (2010) construíram um método para avaliar a maturidade do PDP pela
relação entre a frequência de ocorrência de problemas e as melhores práticas.
Nesse método, embora haja rigor matemático para a obtenção dos níveis de
maturidade, não se observa o mesmo em relação à construção do
questionário usado para a coleta de dados sobre a frequência de ocorrência de problemas. O
questionário foi o resultado da adaptação das propostas de Echeveste (2003) e Gusberti
(2006), não tendo sido realizados testes exaustivos relacionados à sua construção,
adequação semântica ou validação, a exemplo do que acontece nos trabalhos de
Slater et. al. (2003), Fonseca et. al. (2005), Costa e Samulski (2005), Mendonça e Guerra (2007) e
Goursand et. al. (2008). Por esse motivo, é possível que haja falhas nessa ferramenta que
prejudiquem a confiabilidade das respostas e, consequentemente, do resultado do próprio método.
O objetivo deste trabalho é avaliar a fase de coleta de dados do método proposto por Cristofari
et. al. (2010), a fim de investigar possíveis falhas no questionário e sugerir melhorias. Este
artigo apresenta uma breve descrição do método de Cristofari et. al. (2010), os
procedimentos metodológicos empregados para a avaliação, a discussão dos
resultados, sugestões de melhoria e as considerações finais.
2. Método de análise de maturidade de Cristofari et. al. (2010)
O método de análise de maturidade do PDP proposto por Cristofari et. al. (2010) apresenta-se
dividido em duas macro etapas. Inicialmente, é realizada uma coleta de dados e a análise da
maturidade da empresa. Em seguida, as oportunidades de melhoria detectadas são priorizadas e é
definido um portfólio de melhorias. O desdobramento das macro etapas, fases e ferramentas empregadas no
método estão apresentados na Figura 1.

Figura 1 – Método para análise de maturidade. Fonte:
Cristofari et. al. (2010).
O método inicia na aplicação de um questionário para avaliar a frequência
de ocorrência de 52 problemas típicos do PDP. Para determinar esta frequência, os autores
recomendam a realização de um Grupo Focal (GF) composto por uma equipe multidisciplinar de
profissionais envolvidos com o PDP da empresa. O preenchimento é realizado utilizando a escala
contínua apresentada na Figura 2.

Figura 2 – Frequência de ocorrência dos problemas. Fonte:
Cristofari et. al. (2010).
Em seguida, as frequências obtidas no questionário são inseridas na Matriz do
Índice de Maturidade (M), que apresenta o grau de relacionamento entre os problemas (j) e uma
lista de melhores práticas de gestão do PDP (i), agrupadas em dez áreas de
conhecimento. Os valores de relacionamento (rij) são pré-definidos em M, tendo sido
obtidos por meio de uma série de GFs com especialistas (Cristofari et. al. 2010). Como resultado,
obtém-se o índice de desenvolvimento para cada uma das melhores práticas (IDi) e
um índice de desenvolvimento para cada área do conhecimento (IDk). Esses
relacionamentos indicam como uma prática influencia na redução da frequência de
ocorrência dos problemas de PDP. Assim, o grau de maturidade para cada área é dado em
função de IDk e caracterizado por níveis que variam entre (1) e (5); quanto mais
baixo o nível, menor é o grau de maturidade.
Após a definição do nível de maturidade para cada área, são
indicadas as oportunidades de melhoria mais relevantes para a minimização dos problemas de
gestão do PDP da empresa. As demais fases do método estão ligadas à
priorização das melhorias e à geração de um portfólio com as mesmas.
Como apresentado, a matriz M é a base para determinar o grau de maturidade da empresa em
relação à gestão do PDP. Os autores explicam que a aplicação do
método é simples e pode ser feita em empresas de qualquer porte, sendo necessário apenas
determinar a frequência de ocorrência dos problemas e empregar as matrizes pré-elaboradas.
Dessa forma, o questionário constitui uma peça fundamental do método, visto que todas as
etapas posteriores dependem do seu resultado.
3. Procedimentos metodológicos
Este trabalho é uma pesquisa exploratória, uma vez que seu objetivo é proporcionar maior
familiaridade com o problema e torná-lo mais explícito (Diehl, Tatim, 2004). Em
relação ao procedimento técnico foi utilizado um estudo de caso.
O método adotado no estudo contempla cinco etapas: (1) caracterização da empresa, (2)
coleta de dados, (3) análise da qualidade dos dados, (4) análise das respostas e (5)
sugestão de melhorias para a fase de identificação da periodicidade de ocorrência
de problemas do PDP. A Figura 3 apresenta um resumo do método.

Figura 3 – Etapas do método de pesquisa utilizado no estudo.
A etapa inicial (1) de caracterização da empresa e do seu PDP, é importante para
conhecer a cultura e os procedimentos em que os respondentes estão inseridos, facilitando a
compreensão dos resultados.
A etapa seguinte, de coleta de dados (2) apresenta algumas alterações em relação
à proposta de Cristofari et. al. (2010). Ao invés de realizar um único GF para determinar
a frequência de ocorrência dos problemas, o questionário é aplicado a vários
GFs heterogêneos. A intenção é verificar se há divergência nas
respostas, o que poderia ser mascarado pela aplicação do questionário a um único
GF, com a prevalescência da opinião de um ou mais colaboradores.
Além disso, acredita-se que possa haver dificuldades de deslocamento de todos os envolvidos no PDP em
um mesmo momento, o que resultaria na ausência de colaboradores no GF. Considera-se que a quantidade de
GFs e a definição dos participantes dependem das características da empresa e da
disponibilidade dos funcionários, mas alguns aspectos devem ser considerados, como o grau de
envolvimento no PDP, o tempo de empresa e a relação hierárquica. Desta forma, cada GF
deve ter, pelo menos, um participante muito envolvido com todo o processo e um com mais tempo de empresa para
evitar o desconhecimento das respostas. Além disto, devem ser evitadas relações de
hierarquia direta (chefe e subordinado) para que não haja constrangimentos durante a
realização do GF.
O questionário utilizado é fechado e baseia-se na proposta de Cristofari et. al. (2010), sendo
que algumas questões estão reescritas a fim de facilitar o seu entendimento, mas sem alterar o
seu sentido. O Apêndice A apresenta as questões originais e as alterações
realizadas. Após a aplicação do questionário, os participantes são
convidados a dar uma opinião em relação à estrutura do questionário, a
indicar problemas específicos do PDP da empresa que não estão contemplados, a comentar
sobre a prática de registrar as lições aprendidas durante os projetos e a avaliar a
facilidade de memorizar fatos de sucesso ou insucesso no PDP.
Os dados obtidos do questionário fechado são, então, submetidos a dois testes de
qualidade (3). O teste de consistência de Alfa de Cronbach (Hair et.al., 2005; Malhotra et.al., 2006)
é realizado a fim de avaliar a qualidade da interpretação das questões pelos
respondentes enquanto o teste W de Kendall (Daniel, 1978; Siegel, Castellan, 2006) é conduzido para
verificar a concordância nas respostas entre os GFs, testando a hipótese de que há
divergência entre eles.
Na etapa (4), as respostas e comentários obtidos são analisados pelos pesquisadores na busca de
falhas. Para facilitar essa análise, as questões são reordenadas e agrupadas nas
categorias: Estratégia da corporação (Q01 a Q03), Estratégia do produto (Q04 a
Q06), Gestão do portfólio (Q07 a Q11), Pesquisa de mercado (Q12 a Q19), Sistemática (Q20
a Q31), Pessoas (Q32 a Q36), Organização do PDP (Q37 a Q44) e Cultura (Q45 a Q52). O
Apêndice A apresenta as questões reordenadas de acordo com essas categorias . A última
etapa (5) consiste em indicar sugestões de melhoria para a fase de identificação da
frequência dos problemas do PDP do modelo de Cristofari et. al. (2010).
4. Resultados e discussão
O estudo foi realizado em uma empresa familiar de médio porte, fabricante de medicamentos e
cosméticos, localizada na cidade de Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil. A seguir, os resultados
obtidos pela aplicação do método são apresentados e discutidos.
4.1 Caracterização da empresa e do PDP
A linha farmacêutica é composta por medicamentos de prescrição médica e de
venda livre, os OTCs (over-the-counter). A linha de cosméticos é composta por
dermocosméticos (ou cosmecêuticos) e por cosméticos convencionais. A empresa tem um
portfólio de mais de 50 produtos e 80 apresentações.
A empresa investe em infraestrutura e possui uma moderna unidade industrial que atende a padrões
internacionais de qualidade para a produção de medicamentos, sendo certificada nas Boas
Práticas de Fabricação e na norma ISO 9001. Sob ponto de vista gerencial, anualmente
é realizada uma revisão dos processos de produção, apoio e gestão,
necessária para a manutenção da certificação ISO 9001, bem como a
revisão do planejamento estratégico da empresa. Em relação à
estratégia de desenvolvimento de produtos, a empresa pode ser considerada como seguidora (second
mover) uma vez que investe especialmente na melhoria e produção de produtos preexistentes
no mercado.
O PDP da empresa apresenta-se dividido nas seguintes etapas: 1) investigação da ideia de
produto, 2) abertura e planejamento do projeto, 3) execução do projeto, 4) lançamento do
produto, 5) acompanhamento do produto no mercado e 6) encerramento do projeto.
Na primeira etapa, as sugestões de produtos são enviadas ao Marketing (MKT) por qualquer
colaborador e analisadas pelos gestores de MKT, Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) e pela Diretoria. As
ideias potenciais são registradas em um banco de ideias. Caso seja proposta uma melhoria ou
adequação de um produto do portfólio da empresa, é aberta uma
solicitação de estudo diretamente para o P&D; se for um produto novo para a empresa,
é elaborado um briefing pelo MKT e encaminhado ao P&D. Por se tratar geralmente de um
produto novo para a empresa, mas não de um produto radicalmente novo, se desencadeiam as seguintes
atividades: (i) desenvolvimento teórico; (ii) simulação do custo do produto; (iii) estudo
da rentabilidade; (iv) estudo de mercado com ênfase na análise do portfólio, estimativas
de volume de vendas e preço de venda; (v) análise de produtos concorrentes; e (vi)
aprovação da ideia. Os critérios utilizados para avaliação e
aprovação das ideias são rentabilidade mínima de 10%, volume de vendas e/ou
decisão da diretoria.
Após a aprovação da ideia, é realizada a segunda etapa, de abertura e
planejamento do projeto. A abertura do projeto é formalizada por um documento redigido pelo MKT e
aprovado pela Diretoria Comercial. Em seguida, o gerente de projetos, em conjunto com os gestores de MKT e
P&D, elabora o cronograma, estabelecendo as atividades, responsabilidades e prazos para cada etapa do
projeto.
A terceira etapa é caracterizada pela execução do projeto, envolvendo o desenvolvimento
do produto, do método analítico, da embalagem, a realização dos estudos e testes
pertinentes ao produto em questão, o registro na Agência Nacional de Vigilância
Sanitária e a transferência de tecnologia.
Na sequência, é realizada a quarta etapa do processo, que consiste no lançamento do
produto, com a comunicação da liberação das vendas para a equipe comercial.
Após, inicia-se a etapa de acompanhamento do produto no mercado realizada pelos setores de MKT, Vendas
e Trade Marketing. O acompanhamento técnico é feito principalmente pelas áreas de
P&D, Controle de Qualidade, Garantia da Qualidade e Serviço de Atendimento ao Cliente. Caso seja
detectada a necessidade de alteração no produto, é feita uma solicitação
para o P&D.
Por fim, após um ano do lançamento, é realizada a última etapa do processo, com o
encerramento formal do projeto. As equipes de MKT e P&D apresentam um relatório de encerramento
para a Diretoria e demais partes envolvidas no projeto. Nessa etapa deve ser realizado o registro das
lições aprendidas. É relevante destacar que esta última etapa foi incluída
recentemente no PDP da empresa e, portanto, poucos produtos haviam passado por ela quando este estudo foi
realizado.
4.2. Coleta de dados
Após o entendimento do PDP da empresa, foi realizada a coleta dos dados, envolvendo a
definição dos GFs e a aplicação do questionário.
4.2.1 Definição dos grupos
Foram criados 7 GFs com 2 a 4 integrantes. Foi verificado quanto tempo os integrantes dos grupos trabalhavam
na empresa e quanto tempo eles trabalhavam no PDP. O mais novo respondente estava a cinco meses na empresa e o
mais antigo, há 12 anos, embora o máximo de experiência que os respondentes têm com
o PDP seja 4 anos.
A Tabela 1 apresenta a formação dos grupos multidisciplinares, indicando os setores envolvidos,
o número de participantes de cada setor, os gestores e o tempo de envolvimento com o PDP. Como proposto
no método, cada GF teve, pelo menos, um participante muito envolvido com todo o processo e um com mais
tempo de empresa e sem relações hierárquicas diretas.
Tabela 1: Composição dos grupos focais. 
É importante ressaltar que, em função da divisão, alguns grupos incluem pessoas
mais envolvidas no PDP do que outros, especialmente gestores, como é o caso dos grupos G1 e G7. Assim,
embora alguns grupos sejam compostos por um número menor de participantes, eles incluem pessoas que
conhecem melhor o processo.
4.2.2 Aplicação do questionário
Os grupos responderam o questionário, adaptado de acordo com o descrito na seção 3. O
método utilizado foi o dos GFs para que houvesse discussão sobre os assuntos abordados e os
participantes chegassem a uma resposta consensual em cada grupo. Durante a aplicação do
questionário, foram registrados comentários e sugestões dos respondentes, bem como as
impressões do moderador.
O questionário foi aplicado com os problemas na sequência original proposta por Cristofari et.
al. (2010) e posteriormente reordenado de acordo com as categorias indicadas na seção 3. A
Figura 4 apresenta uma parte do questionário preenchido, com as questões já reordenadas.

Figura 4 – Visão parcial das respostas ao questionário.
4.3 Verificação da qualidade dos dados
O teste de consistência das respostas pelo Alfa de Cronbach resultou em um valor de 0,950, superior ao
valor mínimo recomendado de 0,7 (Hair et. al., 2005), que o questionário apresenta-se
consistente.
O Coeficiente W de Kendall foi calculado usando o SPSS®, obtendo-se o resultado apresentado na Figura 5.
De acordo com Daniel (1978), quando há uma concordância nas observações, W
apresenta um valor próximo de 1, situação em que se rejeita a hipótese nula de que
não há concordância entre as respostas. No caso de haver uma baixa concordância, o
valor de W é próximo de zero. Portanto, o resultado obtido não fornece evidências
suficientes para rejeitar a hipótese nula, ou seja, não é possível afirmar que as
respostas dadas pelos diferentes grupos são divergentes.
|
N
|
Coeficiente W de Kendall
|
Qui-quadrado
|
gl
|
Nível de significância
|
|
7,000
|
0,452
|
161,383
|
51
|
0,000
|
Figura 5 – Resultado do teste de concordância W de Kendall.
4.4 Análise das respostas
Vinte e uma questões foram comentadas pelos entrevistados, sendo que em algumas foram levantadas
dúvidas, feitos esclarecimentos e dados detalhes. Algumas questões não foram consideradas
como problemas para a empresa. A questão ‘Q04 - O produto do concorrente é lançado
primeiro que o da empresa’ não constitui um problema para uma empresa seguidora, pois esta
é a sua estratégia. E sendo ela seguidora, a questão Q13 não é fundamental
porque a necessidade do cliente já é conhecida (‘Q13 - Não há uma
preocupação sistemática em estabelecer contato com os clientes durante o PDP’). A
questão ‘Q47 - Falta de informações/conhecimento sobre os produtos em
desenvolvimento e em comercialização entre os colaboradores da empresa’ também
ocorre por questões estratégicas, pois a empresa não tem interesse em divulgar os
produtos em desenvolvimento a todos os colaboradores, apenas os lançamentos e produtos em
comercialização que estão apresentados na intranet. Estas questões não se
aplicavam à empresa, pois não eram vistas como problema, porém não havia como
indicar isso no questionário.
Na opinião dos respondentes nem todas as questões são adequadas, havendo dificuldade
para responder 20 das 52 questões. A Tabela 2 apresenta essas questões, seguidas da dificuldade
identificada e de sugestões de melhoria. Algumas questões são semelhantes, como Q06 e
Q21; outras poderiam ser desmembradas, como Q09 e Q48. Há casos em que as questões não
traduzem o problema real da empresa, como Q48 e Q50. Além disso, os respondentes consideraram que
algumas questões poderiam ser mais claras porque geraram dúvidas sobre o seu objetivo, a exemplo
de Q12 e Q15.
Tabela 2: Problemas identificados no questionário e sugestões de
melhoria.
|
N
|
Questão
|
Dificuldade identificada
|
Sugestão
|
|
Q05
|
Falta de um planejamento estratégico para os novos produtos da
empresa
|
Os respondentes desconheciam o significado de “planejamento
estratégico de novos produtos”.
|
Explicar "planejamento estratégico de novos produtos".
|
|
Q06
|
Falta de definições estratégicas no início do
processo de desenvolvimento de produto (PDP)
|
Os respondentes desconheciam o significado de
“definições estratégicas”. Esta questão está semelhante a
Q21.
|
Explicar “definições estratégicas”.
Reescrever a questão para que não se confunda com Q21.
|
|
Q08
|
Os projetos de novos produtos não são viáveis
economicamente
|
Foram considerados apenas os projetos aprovados porque, antes da
aprovação, a inviabilidade econômica não é um problema, mas sim um
item a ser avaliado.
|
Incluir "projetos aprovados".
|
|
Q09
|
O produto desenvolvido não é competitivo em termos de
preço, custo e qualidade
|
A linha de medicamentos é competitiva em termos de preço,
já a de dermocosméticos, em termos de qualidade. A questão não abrange esta
diferença entre as linhas.
|
Desmembrar em três questões, uma para cada foco:
preço, custo e qualidade.
|
|
Q12
|
Falta de uma política definida de pesquisa de mercado
pró-ativa que oriente as fases iniciais do PDP (verificação de tendências de
mercado)
|
Os respondentes desconheciam o significado de "política
definida de pesquisa de mercado pró-ativa".
|
Explicar "política definida de pesquisa de mercado
pró-ativa”.
|
|
Q14
|
O projeto do novo produto não atende as necessidades dos clientes
|
Houve dúvida sobre como saber se o projeto do novo produto
não atende as necessidades dos clientes e sobre quais são as necessidades dos clientes.
|
Exemplificar as necessidades dos clientes (o cliente não compra ou
reclama; o projeto não atende aos requisitos do cliente identificados em pesquisas, SAC ou por
outro meio).
|
|
Q15
|
Os produtos desenvolvidos são ultrapassados em termos de tecnologia
e qualidade
|
Não está clara a abrangência desta questão.
Foram considerados os processos de fabricação e de controle de qualidade, além do
produto em si.
|
Deixar claro se a pergunta aborda apenas a tecnologia do produto (produto
inovador) ou se também considera os processos de produção e qualidade.
|
|
Q21
|
Falta definição/detalhamento no PDP em relação
às estratégias, ao mercado e no planejamento do produto
|
Esta questão está semelhante a Q06.
|
Reescrever a questão para que não se confunda com Q06.
|
|
Q25
|
Falta de uma sistemática formal para o armazenamento do
conhecimento gerado nas fases do PDP (registro das decisões tomadas e das lições
aprendidas)
|
Esta questão está semelhante a Q27.
Foi preciso esclarecer que esta questão se refere ao registro do
histórico de cada produto e do conhecimento que foi gerado ao longo do processo de
desenvolvimento dele: informações importantes sobre o produto, decisões,
mudanças, falhas, soluções, lições aprendidas e outras.
|
Reescrever a questão para que não se confunda com Q27.
Pode-se incluir o registro do histórico do produto.
|
|
Q27
|
Não há uma estrutura formalizada para a troca de
informações, o controle e o armazenamento de conhecimento inter e intraprojeto que suporte
a utilização das experiências dos projetos anteriores
|
Esta questão está semelhante a Q31.
|
Reescrever a questão para que não se confunda com Q31.
|
|
Q28
|
Falta análise de desempenho durante as etapas intermediárias
e no final do PDP
|
Esta questão está semelhante a Q25.
|
Reescrever a questão para que não se confunda com Q25.
|
|
Q29
|
Controle das atividades do PDP é baseado exclusivamente no
cronograma
|
Houve dúvida sobre quais são as demais formas de controle.
Para a empresa, o cronograma é a principal forma de controle das atividades do PDP, mas ocorrem
reuniões periódicas de acompanhamento também.
|
Exemplificar as outras formas de controles. Inserir “não
são realizados controles como...”.
|
|
Q31
|
Falta uma sistemática para avaliar o desempenho do projeto por meio
de indicadores durante o PDP
|
Esta questão está semelhante a Q28.
|
Reescrever a questão para que não se confunda com Q28.
|
|
Q37
|
Falta de gerenciamento de equipes entre as áreas funcionais e
intrafuncional (equipes multifuncionais)
|
Houve dúvida se a questão se refere ao gestor de projeto, ao
gestor dentro de cada setor envolvido no PDP ou ao gerenciamento de trabalhos em grupo com outras
áreas. Foram consideradas todas estas possibilidades.
|
Reescrever a questão para torná-la mais clara.
|
|
Q39
|
Falta integração no sistema de informação da
empresa, sendo que este não atende as necessidades dos projetos
|
Houve dúvida se o sistema de informação se refere ao
fluxo de informação em registros, softwares ou outro. Foram consideradas todas
estas possibilidades.
|
Tornar mais claro a que se refere o sistema de informação.
|
|
Q42
|
Falta de equipamentos adequados (os computadores utilizados precisam ser
atualizados em termos de hardware e software)
|
Os exemplos entre parênteses não são suficientes.
Foram considerados, também, os equipamentos usados para a produção de lotes
pilotos, testes de qualidade e equipamentos de transferência de tecnologia.
|
Alterar para “Falta de recursos materiais adequados (equipamentos,
insumos, instrumentos, software, etc)”.
|
|
Q43
|
Pouca utilização de ferramentas da qualidade aplicadas ao
desenvolvimento de produto (QFD, FMEA, Experimentos, matrizes...)
|
Os setores envolvidos utilizam como ferramentas de qualidade WBS,
Microsoft Project, SAP e PMB; mas as outras ferramentas citadas na questão são
desconhecidas. Houve dúvida se a questão se refere à quantidade de ferramentas
aplicadas ou à quantidade de projetos em que há aplicação de ferramentas. Se
a questão se refere ao número de ferramentas, é preciso ter uma referência
para afirmar que há ou não “pouca utilização”, e não
há nenhuma neste questionário. Se a questão é sobre a quantidade de projetos
em que se aplicam as ferramentas, então isso será indicado pela frequência apontada
pelo respondente.
|
Considerar ferramentas de qualidade tudo o que for usado para analisar,
medir e tomar ações no PDP.
Tornar claro se a questão refere-se à quantidade de
ferramentas ou de projetos onde se usam as ferramentas.
Substituir “pouca” por “falta” ou
“não há”.
|
|
Q48
|
Não há envolvimento e comprometimento da alta
administração e dos investidores nas fases de planejamento tornando as decisões
tardias
|
Os respondentes comentaram que o problema existente é o oposto do
proposto na questão. A alta administração intervém independente das etapas e
procedimentos estabelecidos, tomando suas próprias decisões que, por vezes, geram produtos
que precisam ser retrabalhadas após o lançamento ou geram atrasos no cronograma.
|
Desmembrar a questão em duas. Em uma, avaliar o envolvimento
inadequado (ausente ou excesso de envolvimento), e na outra a falta de comprometimento.
|
|
Q50
|
Falta de preparação do coordenador do projeto e dos
envolvidos no PDP para executar suas funções, gerando improvisação
|
A improvisação ocorre por diversos motivos e em diferentes
casos. Por exemplo, a mudança do produto em véspera de lançamento, falta de
espaço, problema em equipamento, problema com fornecedor.
|
Contemplar as demais razões do improviso no PDP.
|
|
Q51
|
Falta de conhecimentos para a aplicação das ferramentas da
qualidade durante o PDP
|
Esta questão pode ser uma causa para Q43. É possível
que as ferramentas da qualidade não sejam utilizadas porque falta o conhecimento sobre as mesmas.
|
Excluir esta questão.
|
Foram acrescentados dois problemas por um dos GFs, mas que puderam ser relacionados com questões
existentes no questionário ("falta comprometimento com o real sucesso do produto" e
"falta comunicação entre os envolvidos"). Foram apontados quatro novos problemas pelos
respondentes: o excesso de burocratização e a geração de atraso em
função das alterações da alta direção nos projetos, da sobrecarga de
atividades e da falta de tempo (Q34, Q48 e Q24 respectivamente). É importante ressaltar que a
alteração ou inclusão de novas questões no questionário gera a necessidade
repetir a avaliação dos especialistas para obter novos valores de relacionamento para a matriz M
de Cristofari et. al. (2010).
Quando questionados sobre a existência de registro formal de lições aprendidas, houve
muita divergência entre os grupos. Este procedimento era recente no momento da aplicação
do questionário, sendo que poucas reuniões haviam sido realizadas e nem todos tinham o
conhecimento dessa prática. Sobre a frequência da reunião de lições
aprendidas, três grupos responderam que era trimestral e dois grupos, após o lançamento do
produto. Três grupos afirmaram que o foco das reuniões eram os casos de insucesso e outros dois
afirmaram que as reuniões também tratam dos casos de sucesso. Dois grupos, incluindo
colaboradores do P&D, não tinham certeza sobre a ocorrência da reunião de
lições aprendidas, mas acreditavam que elas ocorriam porque é um procedimento documentado
da empresa. Um destes grupos reclamou que esta reunião não é divulgada a todos os
envolvidos, nem para quem desenvolveu o produto e esteve presente na maioria das fases e que poderia
acrescentar mais sobre esse assunto. Conforme o procedimento da empresa, a reunião de
lições aprendidas ocorre um ano após o lançamento do produto.
Esta diferença entre os grupos pode ser ilustrada pelas respostas dadas à questão
‘Q25 – Falta de uma sistemática formal para o armazenamento do conhecimento gerado nas
fases do PDP (registro das decisões tomadas e das lições aprendidas)’. Para G7 este
problema nunca ocorre ao passo que para G1, G4 e G6 o problema ocorre raramente ou poucas vezes. G5 acredita
que o problema ocorre algumas vezes, enquanto G3 afirma que ocorre frequentemente e G2 admite que o problema
ocorre quase sempre.
No estudo de caso apresentado por Cristofari et. al. (2010), o método de análise de maturidade
e priorização de melhorias, que inclui a aplicação do questionário fechado
(Apêndice A), foi considerado de simples aplicação e não foram apontadas
dificuldades na utilização do mesmo. No entanto, no trabalho que realizamos, verificamos que a
estrutura do questionário e as questões apresentam pontos a serem melhorados. Não
há como registrar os comentários em cada questão, nem indicar quando o respondente
desconhece a resposta ou quando a questão não se aplica. Há questões semelhantes,
outras que abordam vários pontos diferentes, algumas não são claras e dificultam entender
seus reais objetivos. As questões não foram suficientes para tratar de todos os problemas da
empresa, porém a inclusão de novas questões requer uma nova avaliação por
especialistas para estabelecer as relações entre os problemas e as melhores práticas.
Esta relação entre os problemas e as melhores práticas pode ser comprometida,
também, pela alteração das questões.
Em relação aos GFs, o trabalho com diversos grupos permitiu verificar a diferença de
percepção do PDP entre os diferentes atores do processo, embora o teste de concordância
utilizado não tenha sido conclusivo. Consideramos que essas diferenças possam ser indício
de um baixo grau de maturidade do PDP da empresa, uma vez que não há uma uniformidade nas
respostas nem no entendimento dos problemas que ocorrem no processo. O pequeno número de participantes
em cada grupo (no máximo quatro participantes) favoreceu a condução dos GFs pelo
moderador, sendo fácil encorajar os participantes mais retraídos a darem suas opiniões
assim como conter os mais faladores, mantendo o foco sobre as questões.
O fato de não haver pessoas com relação hierárquica direta no mesmo grupo foi
positivo porque os funcionários tiveram liberdade para expressar suas opiniões. Isso pode ser
observado nos comentários relacionados à questão ‘Q49 – Há
desmotivação nos trabalhos em equipe’, que demonstram haver frustração por
atrasos, cancelamento ou reprovação dos projetos, especialmente na área de P&D.
É possível que este tipo de comentário não fosse feito por um subordinado na
frente de seu chefe por constrangimento. Mesmo havendo pelo menos um participante com maior tempo de
experiência e mais envolvido com o PDP em cada GF, isso não foi suficiente para que todos os
grupos tivessem pleno conhecimento dos problemas apresentados nas questões.
5. Sugestões de melhoria
Com base nos resultados obtidos, esta seção apresenta algumas sugestões que
poderão ser empregadas no futuro para a melhoria questionário. A intenção aqui
não é formalizar uma proposta de melhoria para o método de Cristofari et. al. (2010),
pois se considera a necessidade da realização de estudos mais aprofundados.
A respeito da estrutura do questionário, sugere-se a inclusão de campos ‘não se
aplica’ e ‘desconheço’ em cada questão, bem como campos para o registro de
comentários. Em função da existência de questões que podem
não ser aplicáveis a uma determinada empresa, pode ser conveniente aplicar o questionário
a um GF inicial ou a um indivíduo com larga experiência no PDP. Isso permitiria excluir essas
questões e adequar o questionário à empresa, tornando a sua aplicação
posterior menos cansativa.
Em relação à falta de conhecimento dos assuntos abordados no questionário,
é possível atuar de duas maneiras. A primeira sugestão é mapear o PDP e
torná-lo conhecido por todos os envolvidos, para que tenham uma visão geral do processo antes de
realizar o GF multidisciplinar. A segunda sugestão é separar as questões por área,
para que sejam respondidas apenas pelos funcionários da empresa que têm conhecimento daqueles
problemas específicos, obtendo respostas mais próximas da realidade. Nesse sentido, a
categorização das questões realizada para fins de análise poderia ser útil.
Em qualquer um dos casos, é importante que os respondentes tenham domínio sobre os assuntos
abordados e que se chegue a uma única resposta final para cada questão, visando à
obtenção do índice de maturidade e a priorização de melhorias.
Quanto à aplicação do questionário e à condução dos GFs,
sugere-se que em estudos de validação do método, a moderação seja feita por
uma pessoa da própria empresa. Dessa forma, o método seria validado em condições
mais próximas à realidade das empresas, sem a participação de um especialista.
Essa questão foi evidenciada pelas dificuldades enfrentadas na aplicação do
questionário neste trabalho, que não foram detectadas por Cristofari et. al. (2010), sugerindo
que a presença do pesquisar poderia mascarar essas dificuldades em função de
esclarecimentos dados durante o GF.
O uso ou não de GFs, a quantidade de grupos empregada e o número de respondentes dependem da
realidade de cada empresa. Essas definições podem estar sujeitas às
características da empresa e/ou do seu PDP, da questão (se específica ou genérica)
e da capacidade de condução do moderador. Para decidir sobre isto, é importante
considerar a disponibilidade dos respondentes, a logística envolvida (local para a
aplicação do questionário, deslocamento dos participantes, recursos materiais, etc),
tempo envolvido na organização e na aplicação da pesquisa e os custos (Barbour,
2009). Por exemplo, pode-se aplicar o questionário a um único grupo com todos os principais
envolvidos no PDP, sendo que haverá questões em que todos poderão opinar e outras em que
apenas alguns terão o conhecimento da resposta. Também é possível realizar algumas
entrevistas individuais e outras, em grupo. De qualquer forma, parece muito relevante incluir uma etapa
prévia para avaliar qual a melhor forma de aplicação do questionário.
6. Considerações finais
A avaliação realizada neste trabalho permitiu que fossem levantadas fragilidades importantes na
fase de coleta de dados proposta por Cristofari et. al. (2010). A ocorrência de falhas nesta fase pode
comprometer toda a análise de maturidade e priorização de melhorias, levando a resultados
distantes da realidade.
Um aspecto crítico verificado nessa avaliação foi a falta de domínio dos assuntos
abordados pelos grupos respondentes, especialmente porque o questionário demanda uma resposta e
não considera situações em que o grupo não saiba a resposta. Outro aspecto crucial
foi a existência de questões pouco claras, que deram margem a diferentes
interpretações e dificultaram a compreensão dos respondentes. Isso compromete a
confiabilidade das respostas e indica haver a necessidade de reelaborar o questionário sob
condições metodológicas mais rigorosas. Além disso, ressalta-se que as
alterações ou inclusões de novos problemas ao questionário demandam uma
revisão das relações entre os problemas típicos do PDP e as melhores
práticas na matriz M do método de Cristofari et. al. (2010).
A caracterização da empresa foi uma etapa relevante para compreender as respostas e os
comentários realizados durante a aplicação do questionário, especialmente para
fundamentar a razão de certas questões não serem consideradas problemas pela empresa. A
realização dos GFs foi útil para identificar as diferenças na
percepção dos respondentes e nas dificuldades suscitadas pelo questionário.
Lamentavelmente, durante a realização dos GFs, foram registrados apenas os comentários
relacionados ao entendimento das questões e não foram exploradas as possíveis causas para
a falta de compreensão dos participantes.
Assim, como sugestões para trabalhos futuros estão a reconstrução e
validação do questionário, a reavaliação das relações
internas na matriz M e a validação do método ajustado pela aplicação em
empresas com diferentes níveis de maturidade.
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