1. Introdução
Frente ao constante aumento da exigência do mercado por maior produtividade, inovação de
valor, diferenciação competitiva e melhores padrões de qualidade na
produção de bens e serviços, emergem algumas razões para acreditar que existem
maiores possibilidades de crescimento industrial através da atuação em redes de
cooperação horizontal. Isso se deve, principalmente pelas potencialidades e sinergias
despertadas através do trabalho em grupo, envolvendo entrosamento, cooperação e
coordenação dentre os membros participantes, com o objetivo de aumentar a competitividade
coletivamente (Carvalho, 2010).
Uma rede de cooperação horizontal é aquela que possui um número significativo de
empresas que atuam em torno de uma mesma atividade produtiva assim como de empresas correlatas e
complementares em um mesmo espaço geográfico, com identidade cultural local e vínculo,
mesmo que incipiente de articulação, interação, cooperação
(HOFFMANN; MORALES e FERNANDÉZ, 2007). Desta forma, com a intensificação de tais
ações, há consequentemente um aumento da competitividade dos envolvidos e da
região onde esses estão alocados (GEROLAMO, 2007; LESK e PARKER, 2007; BRAGA et al., 2010).
O aumento de competitividade por meio de ações de cooperação entre empresas
é resultante da união de ações direcionadas ao fomento da competitividade das
empresas que constituem a rede, refletindo em seu desenvolvimento evolutivo individual e conjunto à
rede, denominado por coopetição, tomado por este trabalho como o fator condicionante do
desenvolvimento evolutivo da competitividade destas empresas.
Da mesma forma, a competitividade de redes de cooperação horizontal de empresas também
pode ser abordada através da análise das competências internas e/ou competências
essenciais de cada empresa, das quais estabelecem a capacidade de geração de competitividade
daquela empresa, que se somando na coletividade, reflete na competitividade da rede de empresas.
Neste trabalho, propõem-se um modelo para avaliação da competitividade de redes de
cooperação horizontal - RCH de empresas tanto por meio das dimensões de
cooperação quanto das competências internas das empresas constituintes da rede. Diversos
estudos (Neves, 2009; Kim et al., 2010; Llapa et al., 2011) vêm buscando discutir, identificar e
desenvolver as relações interorganizacionais, assim como propor variáveis e indicadores
capazes de mensurar a competitividade das empresas constituintes de uma rede.
Dessa forma, a mensuração do desempenho de uma rede de cooperação se diferencia
da mensuração do desempenho de uma empresa isoladamente. Se a competitividade de uma empresa
pode ser avaliada pelas suas competências internas, quando inserida em uma rede a
mensuração do desempenho deve ser realizada, além disso, mas também com base nas
ações fronteirais entre as empresas, ou seja, por meio das ações de
cooperação entre as empresas da rede.
É por meio destes pressupostos que emerge a necessidade do desenvolvimento de um modelo de
medição de competitividade próprio para uma rede de cooperação horizontal,
com a identificação clara das características e variáveis específicas para
a análise desse modelo de atuação organizacional.
2. Referencial teórico
2.1. Redes de cooperação horizontal
Uma rede de cooperação horizontal só é caracterizada como tal se entre seus
atores exista uma intensa movimentação de informações técnicas. Esse tipo
de rede possui um escopo mais amplo de gestão, expandindo-se até o tratamento de
organizações, indivíduos, seus objetivos, valores e interesses (SORDI et al., 2009;
CARVALHO,2010).
Carvalho (2010) argumenta que uma rede de cooperação horizontal trata-se de um agrupamento
geográfico e setorial de empresas onde haja a realização de ações conjuntas
de cooperação e de economias externas, gerando um ganho na eficiência coletiva para os
atores participantes da rede, fomentando as vantagens competitivas e consequentemente a entrada em mercados
externos, onde esses os atores individualmente não conseguiriam entrar.
Assim, Chennamaneni e Desiraju (2011) argumentam que essas empresas são beneficiadas por meio dos
ganhos obtidos através da especialização e da concentração do setor,
gerando e obtendo vantagens competitivas por meio da cooperação interfirmas e do aumento da
eficiência coletiva, as quais são capazes de provocar a inserção dessas empresas em
novos mercados, entre outros ganhos.
2.2. A Cooperação e a Competição: a Coopetição
A coopetição está fundamentada no conceito de que é possível,
simultaneamente, competir e cooperar gerando competitividade, já que organizações rivais
se completam, possibilitando a cooperação mútua com o objetivo de potencializar
forças competitivas.
No que tange à cooperação interfirmas em uma RCH, Tidd; Bessant e Pavitt (2005),
Verschoore e Balestrin (2008) descrevem que as organizações geralmente cooperam visando motivos
bem específico como: redução de custos de investimento para o desenvolvimento
tecnológico; redução de barreiras visando novos mercados; redução de riscos
no processo de desenvolvimento; aumento de escala de produção; redução do tempo
para os processos de inovação e desenvolvimento de produtos ou ainda, promoção do
aprendizado em grupo.
No modelo cooperativo de atuação em redes, a relação entre seus atores é
de parceria. No dizer de Martinelli e Joyal (2004) e Lui et al. (2009) isso significa compartilhar um
interesse comum com um ou vários atores, cada qual apresentando uma contribuição relativa
às características que lhe são próprias.
Já no tangente à competição interfirmas de uma RCH, Porter (2005) salienta que
este resultado de ações individuais das empresas, é gerado por meio da magnitude da
inter-relação sinérgica entre as empresas, sendo ele um fator determinante para o
desenvolvimento de novos processos, produtos e tecnologias.
Tendo por base a fusão dos conceitos de competição e cooperação, Dagnino e
Padula (2002) argumentam que a ação da coopetição se trata de uma nova
conceituação para a interdependência entre organizações, onde ocorre a
convergência de objetivos e interesses, cruzamento este que dá forma ao sistema
“coopetitivo de criação de valor”.
Fundamentados na identificação de oportunidades, os principais benefícios gerados por
este molde de atuação são a divisão dos riscos e o compartilhamento das
oportunidades. Estudos como os de Verschoore (2010) e Maia & Maia (2011) elencam ainda como
benefícios da atuação industrial em RCHs: Ganhos de Escala e de Poder de Mercado;
Aprendizagem e Inovação; Redução de Custos e Riscos.
Porém, uma rede de cooperação horizontal somente conseguirá atingir estes
benefícios quando atingir um nível de desenvolvimento considerado maturo, onde a
governança da rede seja capaz de articular, formular e alinhar estratégias potencializadoras da
competitividade da rede. Entretanto, são necessários instrumentos de medição dessa
maturidade das redes, a fim de que possam conhecer-se melhor, e melhor explorar seus potenciais.
Partindo deste pressuposto, faz-se necessário a construção de uma estrutura de
análise (um modelo) capaz de prospectar uma visão generalizada das ações de
coopetição (competição + cooperação) existentes em redes de
cooperação de empresas.
2.3. Base Teórica para a Estrutura de Análise da Coopetição de RCH
Para estruturar o modelo proposto por esta pesquisa, foram identificados e estruturados sistematicamente os
fatores e variáveis que fundamentam a construção teórica-conceitual para
análise do desempenho coopetitivo de redes de cooperação horizontal através de uma
extensa pesquisa bibliográfica. A partir desse arcabouço teórico, foram propostos quatro
níveis, categorizados hierarquicamente por meio da abrangência dos fatores e variáveis
vinculados em cada nível, classificados como descrito a seguir.
Para o nível mais alto da hierarquia, tem-se o grupo dos Fatores Sistêmicos, um conjunto de
fatores e variáveis compositores da análise macroscópica da competitividade da
indústria. Para a análise desse nível, baseando-se em alguns autores (Hunger &
Wheelen, 2002; Casarotto Filho, Minuzzi & Santos, 2006 e Hitt; Ireland & Hoskisson, 2008) definiu-se
como fatores fundamentais: políticos, econômicos, internacionais, socioculturais,
socioeconômicos e tecnológicos.
Em um segundo nível, foi proposto o grupo dos Fatores Setoriais, agrupando as variáveis
diretamente ligadas à análise da competitividade de um determinado setor em específico.
Baseou-se em alguns autores (Porter, 2005; Amato Neto, 2009) para a análise desses fatores, definidos
como: geográficos, econômicos, estratégicos, tecnológicos, ambientais,
internacionais e concorrenciais.
Para o nível dos Fatores de Inter-Relação, relacionados à análise da
competitividade gerada especificamente por meio da atuação em rede de cooperação
horizontal, foi utilizada a ferramenta de Análise do Desenvolvimento de
Clusters/APLs, desenvolvida por Amato Neto (2009) em conjunto com outros autores, permitindo
a construção do arcabouço de fatores, sendo eles: confiança e reciprocidade;
complementaridade e comprometimento; troca de experiência e aprendizagem; histórico e identidade;
adaptabilidade e alinhamento; interdependência e igualdade; incompatibilidade e conflitos;
concorrência e rivalidade; controle e padronização; desempenho individual;
independência e autonomia e; governança.
No quarto nível tem-se o grupo de Fatores Internos, que compõem a análise da
competitividade gerada internamente às empresas constituintes de uma rede. Para essa análise,
propôs-se, em conjunto com a revisão bibliográfica o uso da Análise SWOT (Porter,
2005), construindo o seguinte conjunto de fatores: estratégia e gestão;
capacitação produtiva; capacitação para inovação; recursos
intangíveis e; recursos tangíveis.
Assim nessa estrutura em 4 níveis, são propostos os 30 fatores citados, aqui denominados como
Fatores Críticos de Sucesso – FCSs - para análise do desempenho coopetitivo de redes de
cooperação horizontal de empresas. A figura 1 sintetiza a estrutura de análise da
coopetição de redes de cooperação horizontal de empresas, reunindo assim todas as
ferramentas e demais fontes de fatores das quais estruturam o arcabouço de FCSs propostos.
A proposição desta estrutura busca traduzir a hierarquia dos níveis de
interferência e abrangência de cada um dos grupos de fatores sobre os demais e sobre a
coopetição de redes de cooperação horizontal, além de separá-los em
duas grandes famílias de fatores: (1) fatores condicionantes da competitividade sistêmica e (2)
fatores condicionantes da competitividade da rede.

Figura 1 - Estrutura da proposição de análise da
coopetição de redes de cooperação horizontal
Fonte: Autoria Própria.
Assim, os Fatores Sistêmicos abrangem e interferem no sistema macroscópico, como por exemplo, as
características econômicas, culturais, sociais de um país ou de uma região. Estes
também são os condicionantes dos Fatores Setoriais, que se adaptam aos fatores sistêmicos
e estabelecem as regras e diretrizes para a atuação competitiva, administrativa, produtiva e
política de determinado setor/segmento em específico. O agrupamento desses dois conjuntos de
fatores (sistêmico e setorial) forma a família de fatores aqui denominados como Condicionantes da
Competitividade Sistêmica.
Ainda, os fatores setoriais são os condicionantes da atuação de uma rede de
cooperação horizontal, a qual adaptará seus Fatores de Inter-Relação
às regras e diretrizes estabelecidas em nível setorial.
Foi estabelecido ainda um terceiro nível de fatores, aqueles relativos ao inter-relacionamento entre
as empresas, ou o que se pode denominar de fatores condicionantes de cooperação na rede. Por
fim, estabeleceu-se o nível interno às empresas da rede de cooperação,
condicionados às regras e diretrizes dos fatores em nível de Inter-Relação.
Ao analisar as interações de um nível sobre o outro da estrutura, percebe-se que entre o
nível de Fatores de Inter-Relação e o nível Fatores Internos às empresas da
rede, existe uma interação das ações dos fatores entre os dois níveis,
explicitando o fato da interferência direta do desenvolvimento evolutivo competitivo de cada empresa
sobre o desenvolvimento evolutivo competitivo da rede de cooperação. Compondo assim a
família de fatores condicionantes da competitividade da rede.
Dessa forma, para que ocorra o desenvolvimento evolutivo competitivo de uma rede de cooperação
horizontal, são igualmente relevantes tanto às ações de cooperação
do nível de Inter-Relação quanto as de competências internas do Nível dos
Fatores Internos às empresas da rede. Com base nisso, forma-se a coopetição da rede de
empresas, sendo esta o pilar fundamental do desenvolvimento evolutivo competitivo de uma RCH.
Com base nessa bibliografia, propôs-se então para os FCSs elencados na figura 1, suas
variáveis, que traduzem as ações que concretizam / constroem cada um dos FCSs
especificamente em uma rede de cooperação horizontal.
3. Proposta de Análise da Coopetição de RCH por meio de
FCSs
A abrangência da proposta para análise da coopetição de RCH por meio de FCSs e
suas variáveis foram delimitadas aos níveis de Fatores de Inter-Relação e dos
Fatores Internos às empresas constituintes de uma rede, visto serem esses os mais significativos para o
desenvolvimento evolutivo competitivo de uma rede de cooperação horizontal, tendo por base de
que os outros dois níveis não são controláveis pela rede de empresas ou por suas
empresas constituintes.
Desta forma, os níveis de desempenho coopetitivo atingidos pelas empresas participantes de uma rede de
cooperação horizontal estão condicionados ao status quo dos grupos de Fatores
Setoriais e aos Fatores Sistêmicos no momento de aplicação do modelo
teórico-conceitual (ferramenta) aqui proposta, sendo estes considerados como influenciadores diretos do
desempenho coopetitivo da rede em análise.
Assim, para cada FCS a proposta é que cada um seja analisado por meio das variáveis que o
compõe relativamente à sua existência, disponibilidade, intensidade, qualidade, custo e
influência sobre a coopetição da RCH. As variáveis para cada um dos FCSs foram
definidas através de revisão bibliográfica, descritos nos quadros 1 e 2. Ainda, a
proposta de análise da coopetição de RCH, foi fundamentada em duas grandes
dimensões: a cooperação, vinculada ao nível de Fatores de
Inter-Relação e as competências, vinculadas ao nível de Fatores Internos. Estas
darão estrutura ao modelo teórico-conceitual para mensuração do desempenho
coopetitivo a ser proposto.
Quadro 1 – Conjunto de FCSs em Nível de
Inter-Relação inerentes à Coopetição de RCH
|
Fatores de Inter-Relação
|
|
Dimensão: Cooperação
|
|
FCS
|
Variável
|
Autores
|
|
Confiança e/ou Reciprocidade (Sinergia)
|
Nível de interação entre as empresas da rede
|
Galdámez et al. (2009); Lin & Sun (2010); Niu (2010); Chang et al. (2010);
Ramström (2008); Ditillo (2008); Li & Gao (2008); Li & Gao (2008); Luo (2008); Costa;
Frankema & Jong (2011); Rank; Robins & Pattison (2010); Castro; Bulgacov & Hoffmann (2011);
Tálamo & Carvalho (2010); Sacomano Neto & Truzzi (2009); Gerolamo et al. (2008); Zeng;
Xie & Tam (2010); Pansiri (2008); Radu (2010); Luo & Deng (2009); Buckley at al. (2009); Zhang
(2008); Kong & Kong (2010); Chow & Yau (2010); Buckley et al. (2009); Battaglia et al. (2010);
Osarenkhoe (2010); Fierro (2011); Lundberg (2010); Lin & Lin (2010); Jaouen & Gundolf (2010);
Abodor (2011); Yan, Xu & Wang (2008); Moeller (2010); Peng (2011).
|
|
Afinidade entre as empresas da rede
|
|
Cooperação entre as empresas da rede
|
|
Coesão interna
|
|
Complementaridade e Comprometimento
|
Relacionamento cooperativo entre as empresas da rede em relação a
complementaridade e compartilhamento.
|
Galdámez et al. (2009); Niu (2010); Chang et al. (2010); Costa; Frankema &
Jong (2011); Rank; Robins & Pattison (2010); Sacomano Neto & Truzzi (2009); Balbinot &
Marques (2009); Pansiri (2008); Buckley at al. (2009); Fang (2011); Battaglia et al. (2010); Osarenkhoe
(2010); Fierro (2011); Lundberg (2010); Lin & Lin (2010); Abodor (2011); Yan, Xu & Wang (2008);
Qin & Xu (2010); Moeller (2010); Peng (2011).
|
|
Tempo e esforços investidos partidos de cada empresa da rede.
|
|
Colaboração efetiva de cada empresa da rede.
|
|
Troca de experiências e Aprendizagem
|
Aprendizagem coletiva.
|
Galdámez et al. (2009); Lin & Sun (2010); Wua et al. (2009); Chang et al.
(2010); Ward; Stovel & Sacks (2011); Sammarra & Biggiero (2008); Vélez; Sánchez
& Dardet (2008); Li & Gao (2008); Jiang & Li (2008); Britto & Stallivieri (2010);
Castro; Bulgacov & Hoffmann (2011); Magalhães; Daudt & Phonlor (2009); Sacomano Neto
& Truzzi (2009); Camisón & Forés (2011); Pansiri (2008); Luo & Deng (2009);
Buckley at al. (2009); Fang (2011); Ji, Zhang & Huang (2010); Kong & Kong (2010); Buckley et al.
(2009); Battaglia et al. (2010); Osarenkhoe (2010); Fierro (2011); Kock, Nisuls & Söderqvist
(2010); Lundberg (2010); Yan, Xu & Wang (2008); Peng (2011); Espallardo, Pérez &
López (2011).
|
|
Formas de comunicação.
|
|
Estímulo à geração e difusão do conhecimento.
|
|
Histórico e Identidade (Cultura)
|
Histórico comum antecedente a rede.
|
Lin & Sun (2010); Niu (2010); Wua et al. (2009); Ward; Stovel & Sacks (2011);
Vélez; Sánchez & Dardet (2008); Li & Gao (2008); Luo (2008); Pansiri (2008); Radu
(2010); Fang (2011); Ji, Zhang & Huang (2010); Lundberg (2010);
|
|
Identidade cultural.
|
|
Perfil das empresas.
|
|
Interdependência e Igualdade
|
Igualdade de direitos e deveres;
|
Wua et al. (2009); Chang et al. (2010); Ward; Stovel & Sacks (2011); Vélez;
Sánchez & Dardet (2008); Ditillo (2008); Li & Gao (2008); Luo (2008); Fang (2011);
Osarenkhoe (2010).
|
|
Respeito a divergências dos parceiros;
|
|
Aumento de estabilidade;
|
|
Expressão de objetivos comuns.
|
|
Dependência recíproca entre as empresas associadas.
|
|
Incompatibilidade e Conflitos
|
Incompatibilidade entre as empresas parceiras;
|
Chang et al. (2010); Li & Gao (2008); Luo (2008); Tálamo & Carvalho
(2010); Sacomano Neto & Truzzi (2009); Pansiri (2008); Radu (2010); Vedal & Mouzas (2010); Ji,
Zhang & Huang (2010); Lundberg (2010); Qin & Xu (2010).
|
|
Resolução de conflitos internos à rede;
|
|
Diferentes práticas, atitudes e posturas no mercado.
|
|
Concorrência e Rivalidade
|
Comportamento competitivo dos parceiros;
|
Lin & Sun (2010); Niu (2010); Li & Gao (2008); Luo (2008); Jiang & Li
(2008); Castro; Bulgacov & Hoffmann (2011); Tálamo & Carvalho (2010); Zeng; Xie & Tam
(2010); Oprime, Tristão & Pimenta (2011); Abodor (2011); Moeller (2010).
|
|
Atitudes oportunistas;
|
|
Ações de rivalidade.
|
|
Controle e Padronização
|
Mecanismos de gestão e controle.
|
Niu (2010); Wua et al. (2009); Luo (2008); Costa; Frankema & Jong (2011); Rank;
Robins & Pattison (2010); Pansiri (2008); Radu (2010); Verschoore (2010); Moeller (2010).
|
|
Diversidade dos parceiros.
|
|
Padronização de posturas.
|
|
Desempenho Individual
|
Diferentes níveis de força de mercado entre as empresas;
|
Niu (2010); Wua et al. (2009); Pansiri (2008); Chow & Yau (2010); Moeller (2010).
|
|
Diversas formas de gestão;
|
|
Adaptabilidade e Alinhamento
|
Capacidade de adaptação e mobilização;
|
Niu (2010); Wua et al. (2009); Li & Gao (2008); Verschoore (2010).
|
|
Alinhamento estratégico;
|
|
Remoção dos obstáculos, restrições e
limitações.
|
|
Independência e Autonomia
|
Independência e autonomia das empresas na gestão do negócio;
|
Sammarra & Biggiero (2008); Ditillo (2008); Gerolamo et al. (2008); Peng (2011).
|
|
Governança
|
Legitimidade e formalização e o nível de ação efetiva
(cumprimento de seu papel de organização, catalisação das
ações das empresas da rede) de uma governança dentro da rede.
|
Ward; Stovel & Sacks (2011); Sammarra & Biggiero (2008); Ditillo (2008); Luo
(2008); Castro; Bulgacov & Hoffmann (2011); Sacomano Neto & Truzzi (2009); Gerolamo et al.
(2008); Pansiri (2008); Oprime, Tristão & Pimenta (2011); Zhang (2008); Osarenkhoe (2010);
Lin & Lin (2010); Qin & Xu (2010).
|
|
Ligação (links) externos à rede (fornecedor-cliente).
|
|
Eficiência Coletiva
|
Resultados por meio da cooperação.
|
Chang et al. (2010); Sammarra & Biggiero (2008); Vélez; Sánchez &
Dardet (2008); Jiang & Li (2008); Castro; Bulgacov & Hoffmann (2011); Balbinot & Marques
(2009); Pansiri (2008); Kock, Nisuls & Söderqvist (2010); Moeller (2010).
|
|
Localização Geográfica
|
Infraestrutura disposta às empresas (fornecedores, energia, facilidade de
escoamento da produção, etc.)
|
Stovel & Sacks (2011); Sammarra & Biggiero (2008); Luo (2008); Rank; Robins
& Pattison (2010); Sacomano Neto & Truzzi (2009); Battaglia et al. (2010); Fierro (2011);
Lundberg (2010); Jaouen & Gundolf (2010); Yan, Xu & Wang (2008); Qin & Xu (2010); Moeller
(2010).
|
|
Proximidade entre as empresas da rede
|
Fonte: Os autores.
------
Quadro 2 – Conjunto de FCSs em Nível Interno inerentes à
Coopetição de RCH
|
Fatores Internos
|
|
Dimensão: Competências
|
|
FCS
|
Variável
|
Autores
|
|
Estratégia e Gestão
|
Formalização, profissionalização e manutenção
de atividades administrativas básicas na empresa.
|
Lin & Sun (2010); Niu (2010); Wua et al. (2009); Chang et al. (2010); Ditillo
(2008); Sacomano Neto & Truzzi (2009); Oprime, Tristão & Pimenta (2011); Fierro (2011);
Lundberg (2010); Jaouen & Gundolf (2010); Abodor (2011); Moeller (2010); Espallardo, Pérez
& López (2011).
|
|
Poder da empresa para identificação e conversão de seus pontos
fracos em fortes.
|
|
Estratégia e Gestão
|
Potencialidade da empresa para identificação, tradução e
conversão de suas competência essenciais em vantagens competitivas.
|
Lin & Sun (2010); Niu (2010); Wua et al. (2009); Chang et al. (2010); Ditillo
(2008); Sacomano Neto & Truzzi (2009); Oprime, Tristão & Pimenta (2011); Fierro (2011);
Lundberg (2010); Jaouen & Gundolf (2010); Abodor (2011); Moeller (2010); Espallardo, Pérez
& López (2011).
|
|
Capacidade de geração e retenção de lucros por meio do uso
dessas competências pela empresa.
|
|
Capacidade de desenvolvimento de benchmarking estratégico.
|
|
Capacitação Produtiva
|
Capacitação tecnológica da produção
|
Lin & Sun (2010); Niu (2010); Pansiri (2008); Oprime, Tristão & Pimenta
(2011); Kong & Kong (2010); Lundberg (2010); Jaouen & Gundolf (2010); Abodor (2011); Abodor
(2011); Yan, Xu & Wang (2008); Moeller (2010).
|
|
Capacidade de produção
|
|
Capacitação para inovação
|
Capacidade de adequabilidade às especificidades pontuais provindas da demanda de
mercado. (pensamento, atitudes, ações, etc. inovadoras)
|
Lin & Sun (2010); Wua et al. (2009); Chang et al. (2010); Sammarra & Biggiero
(2008); Britto & Stallivieri (2010); Magalhães; Daudt & Phonlor (2009); Gerolamo et al.
(2008); Zeng; Xie & Tam (2010); Camisón & Forés (2011); Luo & Deng (2009);
Haeussler, Patzelt & Zahra (2010); Oprime, Tristão & Pimenta (2011); Fang (2011); Ji,
Zhang & Huang (2010); Zhang (2008); Kong & Kong (2010); Battaglia et al. (2010); Fierro (2011);
Yan, Xu & Wang (2008); Peng (2011); Espallardo, Pérez & López (2011).
|
|
Capacitação para inovação
|
Capacidade de adequabilidade às especificidades pontuais provindas da demanda de
mercado. (pensamento, atitudes, ações, etc. inovadoras)
|
Lin & Sun (2010); Wua et al. (2009); Chang et al. (2010); Sammarra & Biggiero
(2008); Britto & Stallivieri (2010); Magalhães; Daudt & Phonlor (2009); Gerolamo et al.
(2008); Zeng; Xie & Tam (2010); Camisón & Forés (2011); Luo & Deng (2009);
Haeussler, Patzelt & Zahra (2010); Oprime, Tristão & Pimenta (2011); Fang (2011); Ji,
Zhang & Huang (2010); Zhang (2008); Kong & Kong (2010); Battaglia et al. (2010); Fierro (2011);
Yan, Xu & Wang (2008); Peng (2011); Espallardo, Pérez & López (2011).
|
|
Recursos Tangíveis
|
Necessidade das empresas da rede de realizarem empréstimos.
|
Niu (2010); Wua et al. (2009); Sacomano Neto & Truzzi (2009); Balbinot & Marques
(2009); Pansiri (2008); Haeussler, Patzelt & Zahra (2010); Fang (2011); Ji, Zhang & Huang
(2010); Lundberg (2010); Abodor (2011).
|
|
Capacidade de geração de lucros internos à empresa.
|
|
Capacidade do controle formal de produção
|
|
Tecnologia disponível em equipamentos
|
|
Recursos Intangíveis
|
Produtividade e qualidade dos recursos humanos disponíveis pelas empresas.
|
Galdámez et al. (2009); Niu (2010); Wua et al. (2009); Chang et al. (2010); Ward;
Stovel & Sacks (2011); Ditillo (2008); Gerolamo et al. (2008); Balbinot & Marques (2009);
Camisón & Forés (2011); Pansiri (2008); Oprime, Tristão & Pimenta (2011);
Ji, Zhang & Huang (2010); Zhang (2008); Battaglia et al. (2010); Kock, Nisuls & Söderqvist
(2010); Jaouen & Gundolf (2010); Abodor (2011); Yan, Xu & Wang (2008); Qin & Xu (2010);
Moeller (2010).
|
|
Reputação desta em vista dos clientes, de sua marca, sobre sua
percepção de qualidade, confiança e durabilidade de seus produtos, frente a seus
fornecedores.
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Fonte: Os autores.
Partindo da proposição dos FCSs para análise do desempenho coopetitivo de redes de
cooperação horizontal e das variáveis que os compõem, faz-se necessário a
validação destes, como também a construção dos valores dos quais os
agregarão um peso de importância de cada FCS e variável sobre a coopetição
de RCHs. Este processo trata-se de um processo metodológico do qual fundamenta a
construção do modelo teórico-conceitual, estando descrito no item 3.3 deste trabalho.
4. Procedimentos metodológicos para a construção do
modelo teórico-conceitual
A partir da definição dos FCSs e sua divisão nos grupos de cooperação e
competição, definiu-se a necessidade de valorar esses itens em termos de importância e
relevância, extratificando-os com pesos característicos para cada um, conseguindo assim
classificá-los em relação à sua importância para a análise do
desempenho coopetitivo de redes de cooperação horizontal.
Para construção dessa classificação, buscou-se quatro grupos de indivíduos
ligados direta ou indiretamente à atuação de redes de cooperação
horizontal, quais sejam:
- Grupo A: Especialistas, pesquisadores e professores ligados direta ou indiretamente com o
tema “redes de cooperação horizontal de MPEs”;
- Grupo B: Membros de instituições de apoio e governamentais relacionados a
políticas fomentadoras de desenvolvimento regional e políticas de gestão para micro e
pequenas empresas;
- Grupo C: Representantes e membros de associações e sindicatos de classe e
patronais envolvidos com as MPEs constituintes das redes a serem pesquisadas, composto este por no
mínimo dez indivíduos.
- Grupo D: Gestores de empresas participantes das redes de cooperação
horizontal de MPEs a serem pesquisadas;
O número de indíviduos para cada grupo selecionado foi definido por meio de um método
probabilístico, a fim de garantir a homogeneidade das amostras dentre os quatro grupos selecionados.
Assim, a escala proposta para os FCSs baseou-se na importância de cada FCS em relação
à estruturação da análise do desempenho coopetitivo de redes de
cooperação horizontal.
Para a mensuração quantitativa destes níveis de importância foi proposta uma
escala Likert de 5 (cinco) pontos, classificados estes da seguinte maneira:
- Peso 5 (cinco) pontos: é de essencial importância para a análise do
desempenho da coopetição;
- Peso 4 (quatro) pontos: é muito importante para a análise do desempenho da
coopetição;
- Peso 3 (três) pontos: é importante para a análise do desempenho da
coopetição;
- Peso 2 (dois) pontos: é pouco importante para a análise do desempenho da
coopetição;
- Peso 1 (um) ponto: não possui nenhuma importância para a análise do
desempenho da coopetição;
Com essa escala, foram atribuídos os pesos de cada FCS. A obtenção do peso e/ou do valor
da importância de cada FCS foi realizada por meio da utilização do cálculo de
média ponderada sobre a frequência de respostas.
Utilizar-se-á a equação estatística 1 (Eq.1), para o cálculo da
importância de cada FCS, com base no valor atribuído pelos grupos respondentes, dentro do limite
de 5 (cinco) pontos da escala Likert elencada a estes.

Onde:
= média;
f = frequência de respostas para cada valor.
Assim, a partir do valor da importância obtido por meio do cálculo da média ponderada de
cada FCS, definiu-se o coeficiente de multiplicação para cada um dos FCSs.
5. Proposta do modelo teórico-conceitual
Com base nos pressupostos expostos no item 3, foi proposto um modelo teórico-conceitual para
análise de desempenho e posicionamento coopetitivo de uma RCH, a partir da análise individual
das empresas constituintes da rede estudada.
Com isso objetiva-se ter o diagnóstico de desempenho e posicionamento coopetitivo das empresas
constituintes da rede de cooperação horizontal analisada e, consequentemente do cenário
coopetitivo da rede. Com isso será possível identificar quais variáveis estão
comprometendo o desempenho coopetitivo, seja de uma empresa particularmente, assim como o da rede
conjuntamente.
O modelo teórico-conceitual proposto está fundamentado em duas dimensões fundamentas,
que vinculam-se entre si para construir a competitividade de uma rede de empresas: a competência interna
de cada empresa e a capacidade de cooperação da empresa em relação às
demais empresas da rede. Essas duas variáveis podem ser colocadas como as variáveis de dois
eixos cartesianos de ações, tendo-se para o eixo X as ações de
cooperação existentes entre as empresas de uma rede de cooperação horizontal e
para o eixo Y as competências internas e/ou as competências essenciais de cada uma das empresas
constituintes da rede.
A mensuração dessas duas dimensões se dará por meio do desenvolvimento de um
questionário estruturado, composto por perguntas fechadas vinculadas às variáveis de
interesse (identificadas na literatura e expostas nos quadros 1 e 2 desse trabalho).
Para cada variável vinculada a um FCS também foi atribuído um peso. Para tanto
definiu-se uma escala com 4 (quatro) valores de intensidade, que identificam como a variável atua sobre
o fator crítico de sucesso a que está elencada. A definição de peso 0 (zero)
identifica um nível neutro na relação entre a variável e o FCC. Um peso 5 (cinco)
foi designado quando há apenas um nível superficial de relação entre
variável e FCC. Quando a interação variável – FCC for intermediária,
definiu-se um peso 7,5 (sete e meio) para a variável. E ainda, um peso 10 (dez) quando ocorra uma
relação de profundidade entre variável e FCS.
A partir da aplicação do questionário é que serão reunidos os dados
necessários à mensuração do desempenho coopetitivo da rede de
cooperação horizontal. Este se dará por meio da compilação dos dados
obtidos na aplicação dos questionários aos gestores das empresas da rede analisada.
Esta compilação, inicialmente, será feita por meio do cálculo da média
ponderada referente às variáveis apontadas pelos gestores em relação a seu FCS por
meio dos seguintes procedimentos estatísticos:
Equação 2 (Eq.2): cálculo da média ponderada entre o valor das variáveis
apontadas e o peso de seu FCS para determinada dimensão.

Onde:
= média
ponderada do FCS;
P = peso do FCS;
V = valor (intensidade) apontado para a variável.
Partindo da obtenção da média ponderada das variáveis de cada fator
crítico de sucesso, realiza-se novamente o cálculo de média ponderada, porém nesse
momento, entre os fatores críticos de sucesso de cada dimensão, ou seja, dos FCSs da
cooperação e dos FCSs das competências. Obtendo-se assim como resultado, o valor do
desempenho em cada eixo da empresa estudada. Para isto utilizar-se-á a equação 3 (Eq. 3):

Onde:
= valor da
dimensão no eixo do diagrama;
V = médias ponderadas
das variáveis;
P = peso dos FCSs da dimensão.
Com a obtenção dos valores resultantes da execução da estatística
apresentada, faz-se possível montar o diagrama de dispersão por quadrantes da
avaliação do desempenho coopetitivo da rede de cooperação horizontal estudada, por
meio da mensuração do desempenho coopetitivo de cada uma das empresas constituintes desta.
6. Considerações finais
O modelo de atuação em redes de cooperação horizontal fomenta a
construção de uma base consolidada para o desenvolvimento evolutivo dos níveis de
competitividade das empresas que a constituem, com vistas à sua sobrevivência e
diferenciação frente aos embates gerados pelo processo de globalização que se
mantêm em constante mutação evolutiva.
Assim, se faz necessário a geração de ferramentas que traduzam quantitativamente o
construto da cooperação interfirmas e das competências internas das quais as empresas
constituintes de uma rede necessitam deter. Partindo disso, tal construto pode ser traduzido por meio da
identificação, construção e descrição de fatores mensuráveis
em torno das esferas cooperação interfirmas e competências internas.
Tais fatores para esta pesquisa tratam-se dos fatores críticos de sucesso ao escopo estrutural das
ações de cooperação interfirmas e das competências internas (geradoras de
competitividade) dos atores participantes de uma RCH. São esses que caracterizam a possível
colaboração ou não da atuação em rede, no que tange à
interferência sobre o desenvolvimento evolutivo dos níveis de competitividade destes atores em
particular, como também da rede.
Para que esta colaboração seja tangível, é evidente a necessidade da
proposição de ferramentas das quais sejam capazes de realizar a mensuração do
desempenho da coopetição de uma rede de empresas, por meio da análise isolada de cada uma
das empresas constituintes desta.
Faz-se necessário assim, uma ferramenta capaz de ultrapassar o limite do diagnóstico de
cenário atual da rede de cooperação, como também identificar pontualmente as
lacunas e falhas das quais limitam seu bom desempenho coopetitivo, causando retardamentos significativos no
desenvolvimento evolutivo competitivo desta.
Assim, a proposição do modelo teórico-conceitual desta pesquisa abarca estas
necessidades, realizando inicialmente o diagnóstico do desempenho coopetitivo por meio da
geração do diagrama de dispersão por quadrantes e, em um segundo momento, composto este
por uma análise sistêmica dos FCSs, consequentemente das variáveis que o compõe, a
detecção de deficiências no desempenho tanto na dimensão cooperação
interfirmas como na dimensão competências internas de cada empresa da rede.
Ainda, a ferramenta para mensuração do desempenho da coopetição de redes de
cooperação horizontal proposta por esta pesquisa, possui uma estrutura básica, sendo ela
de caráter genérico, fazendo-se nesse momento do desenvolvimento das pesquisas em torno de redes
de cooperação horizontal, de considerável relevância. Tendo este, ao final de sua
aplicação um diagnóstico preciso e eficaz do nível de desempenho e posicionamento
coopetitivo da rede na qual foi aplicado e das empresas que a compõe.
Por fim, a presente pesquisa colabora com o preenchimento da lacuna informacional existente em torno do
escopo de coopetição e da inexistência de instrumentos capazes de mensurar o desempenho
coopetitivo da atuação em redes de cooperação horizontal.
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