1. Introdução
A competitividade ampliou-se de forma irrestrita à inserção num contexto econômico
cada vez mais globalizado, expondo setores e regiões à forte concorrência por fatias de
mercado, não apenas o interno, mas também o externo (LAGES e TONHOLO, 2006).
Desta forma, o fomento da gestão da produção de maneira cooperativa é essencial.
Em virtude dessa necessidade organizacional, a qualidade dos relacionamentos de uma empresa, e desta com
outras, pode impulsionar a operacionalização de um ambiente empresarial dinâmico. A
criação de valor depende cada vez mais de colaboração entre empresas. Portanto,
habilidades de intraempreendedores (ou empreendedores corporativos) são aquelas que impulsionam todos
à inovação, criatividade, abertos à mudança, expandindo mercados, assumindo
riscos e direcionando a prática do networking dentro e fora das empresas. Fazem o que precisa
ser feito, solicitam ajuda dos outros e são capazes de desenvolver e implantar novos negócios ou
processos nas empresas (DRUCKER, 2005; CHIAVENATO, 2005; KICKUL et al., 2011).
Para Pinchot e Pellman (2004), faz-se necessário a cada dia, o uso pela empresa do talento criativo
dos líderes e colaboradores intraempreendedores. Chiavenato (2005) afirma que isso acontece
através de uma coleção de habilidades. Segundo Glaeser et a., (2010), o
crescimento econômico está fortemente atrelado pelo aumento de pequenas e médias empresas,
e isso está relacionado ao fator empreendedorismo em todas as suas vertentes, inclusive
intraempreendedorismo.
Este artigo propõe fazer uma análise das habilidades dos empreendedores internos baseados nas
características do empreendedorismo corporativo (intraempreendedorismo). Para tanto, utilizou-se como
campo de estudo, as empresas que compõem o Aglomerado Produtivo de Móveis de Metal e Sistema de
Armazenagem e Logística de Ponta Grossa - PR, onde foram analisados aspectos tais como incentivo a
inovação, cooperação, estratégia de mercado, normalização,
interação com clientes e fornecedores, qualificação da mão-de-obra,
comunicação interna, motivação, criatividade, qualidade de vida no trabalho (QVT),
liderança (externa e interna às empresas) e resiliência organizacional. As
questões de pesquisa foram respondidas pelos líderes e lideradas no ambiente empresarial. Neste
trabalho, a ênfase do empreendedorismo corporativo é norteada por esses atributos.
2. Habilidades de líderes e colaboradores no contexto
empresarial
Em virtude das grandes mudanças pelas quais passa à economia mundial, o sistema de
gestão das empresas necessita responder mais adequadamente a uma realidade marcada de sobressaltos e
inconstâncias nos mercados (KOTLER, 2009). Para tal circunstância, a grande oportunidade para as
empresas atualmente é construir um pensamento inovador envolvente, assim como desenvolver as
habilidades e retenção de seus valiosos talentos.
Portanto, neste contexto, é importante a implementação de estratégias
concorrências que possam promover mudanças radicais na estrutura das empresas. É
imprescindível existir a fonte de inovação em rede, envolvendo as internas
(colaboradores) e externas (clientes, fornecedores, distribuidores, entre outros) às empresas
(HASHIMOTO, 2007). A cooperação afeta diretamente a produtividade das empresas; por isso, deve
haver uma interdependência entre diversos atores, produtores e usuários de bens, serviços
e tecnologias, através de ação conjunta, ganhando assim eficácia e
eficiência estratégica (GATTORNA, WALTERS, 1996; IRELAND, WEBB, 2007; KICKUL et al.,
2011).
A estratégia de mercado desempenha um item crucial para as empresas serem competitivas. Quanto
à precificação dos produtos e serviços oferecidos ao cliente, Kim e Mauborgne
(2005) salientam que se faz necessário aplicar a estratégia de inovação de valor
(diferenciação e menor custo concomitantemente). Isso gera fidelização ao cliente.
Para Kotler (2009), não só deve reduzir custos, mas também agregar valor a vida de seus
consumidores. No aspecto da comercialização as empresas precisam ser orientadas aos mercados,
aos nichos e ao resultado.
Quanto à questão da normalização, isso tem se demonstrado relevante no atual
momento em que as empresas, principalmente as de pequeno porte, têm a possibilidade de se mostrarem com
mais desenvoltura ao mercado externo. O uso das normas é um meio de se organizar o mercado interno e
instrumento de inserção no mercado externo. No entender de Krugman (1998), um dos elementos
fundamentais das empresas está em obterem constante participação no comercio
internacional.
No item qualificação da mão-de-obra nas empresas, Porter (2009) afirma que a falta desse
investimento prejudica grandemente a competitividade das empresas. Da mesma forma, Chiavenato (2005) enfatiza
que as empresas devem ser transformadas em agências de aprendizagem.
Na análise da comunicação interna nas empresas, Pinchot e Pellman (2004) preconizam que
as empresas inovadoras são aquelas em que as informações fluem livremente entre os
colaboradores e seus líderes. Segundo Drucker (2005), quando a direção chega mais perto
dos liderados, ouvindo suas aspirações e escutando o que eles têm a contribuir, aumenta a
interação entre eles.
No atributo motivação, os fatores motivacionais estão estritamente relacionados com o
sentimento de crescimento do indivíduo, de reconhecimento profissional e de suas necessidades de
auto-realização (DRUCKER, 2005). Para se produzir melhor, Katrin et al. (2006)
enfatizam que o elemento motivação é o impulsionador de todo processo criativo.
Na questão da QVT, Friedman et al.,(1998) salienta que se deve possibilitar equilíbrio
entre trabalho e vida pessoal, sendo essas instâncias complementares e não concorrentes em termos
de prioridades. Segundo Fernandes (1996, p.43) a QVT abrange a “[...] conciliação
dos interesses dos indivíduos e das organizações, ou seja, ao mesmo tempo em que melhora
a satisfação do trabalhador, melhora a produtividade da empresa”.
A liderança é de extrema importância, pois os líderes precisam saber liderar tanto
do lado de ‘fora das empresas’, com fornecedores, clientes, comunidades, governo, dentre outros,
assim como internamente entre os colaboradores. O líder deve ser um ativador de rede, ou seja, um ator
com habilidades de relacionamento junto ao grupo de referência (DRUCKER, 2005).
O fator resiliência está atrelado à mudança e ao compromisso de se estar na
dianteira dos desafios. Para Kotler (2009), nessa nova era do caos, as empresas necessitam se posicionarem
melhor, pois os golpes vêm de todos os lados, e Drucker (2005) enfatiza que deve acontecer planejamento
de cenários.
3. Procedimentos metodológicos
O método do procedimento aplicado foi o levantamento (Survey) orientado por uma escala de
Likert. A amostra utilizada foi a não probabilística por acessibilidade, realizada
junto a 14 empresas das 18 que compõem o Setor; sendo uma de grande porte, quatro de porte médio
e nove de pequeno porte. A coleta de dados foi realizada in loco, com 14 proprietários ou
sócios-gerentes e 251 colaboradores do aglomerado produtivo. O instrumento utilizado na coleta de dados
foi um questionário para os líderes e um questionário para cada colaborador (média
aritmética proporcional por empresa), contendo perguntas estruturadas e fechadas. Os
questionários resultaram de ampla discussão entre os condutores da pesquisa com base no
referencial teórico e submetidos a crítica externa de um empresário do setor. Com base
nesse instrumento, foi calculada a pontuação do perfil intraempreendedor dos líderes e
colaboradores de cada empresa. Em seguida, foi calculada a pontuação do perfil intraempreendedor
do Setor. Foram formuladas 25 perguntas para os líderes e 24 para os colaboradores, tendo sido
abordados os itens ilustrados nos Quadros 1 e 2.
|
BLOCOS
|
PERGUNTAS
|
|
Inovação
|
1- A inovação é vista como algo abrangente dentro da empresa, envolvendo todos
os setores?
2- Sua empresa busca as inovações em seus produtos, processos e serviços?
3- Sua empresa procura desenvolver novos produtos aos seus clientes?
|
|
Cooperação
|
4- Sua empresa colabora com outras empresas do mesmo setor no processo produtivo, complementando a
sua atividade de inovação?
5- Sua empresa tem parcerias externas tais como: fornecedores, clientes, usuários, consultores,
sócios, universidades, centro de pesquisa, agencias de fomento e outras
instituições de apoio?
|
|
Estratégia de mercado
|
6- Sua empresa tem uma política de explorar novos mercados além da
concorrência?
7- Quando sua empresa busca diferenciação, ela alinha com baixos custos?
8- Sua empresa busca referência em líderes de mercado para definir suas
estratégias?
|
|
Normalização
|
9- As normas (ISO 9000-2000 ) como padrão de qualidade estão sendo utilizadas na
sua empresa?
10- Sua empresa tem estratégia de internacionalização?
|
|
Relações com clientes
|
11- Os clientes estão percebendo qualidade e inovação nos produtos e
serviços?
12- Está havendo fidelização dos clientes?
13- Na sua empresa os preços que os clientes estão dispostos a pagar é que define
os custos de produção?
|
|
Comunicação Interna
|
14- Os colaboradores compartilham informações sobre clientes e tecnologia
livremente no ambiente da sua empresa?
15- As decisões empresariais são tomadas em ação conjunta com os
colaboradores?
|
|
Relação com fornecedores
|
16- Sua empresa tem parcerias com fornecedores especializados de bens e serviços situados na
mesma região?
17- Sua empresa procura gerar consistentemente uma atitude prática de inovação
com seus fornecedores, induzindo-os a procurar soluções inovadoras de grande impacto no
seu negócio?
|
|
Qualificação de mão-de-obra
|
18- Sua empresa estimula o aperfeiçoamento contínuo da mão-de-obra dos
colaboradores?
19- Está havendo aumento da qualificação na contratação de
mão-de-obra ao longo dos anos?
|
|
Liderança
|
20- Sua empresa tem proporcionado intercâmbio de informações e idéias
entre os colaboradores e centros de aprendizagem?
21- Sua empresa tem criado condições para que se manifeste o potencial de
liderança nos seus colaboradores em todos os setores da empresa?
22- Sua empresa busca oportunidades e articula até obter interação relevante com
os colaboradores?
|
|
Resiliência organizacional
|
23- Sua empresa tem a capacidade de transformar o insucesso numa fonte de aprendizagem?
24- Faz parte da empresa escutar os colaboradores insatisfeitos?
25- A cultura da empresa é de não evitar as mudanças?
|
Quadro 1 - Questionário aos líderes
Fonte: os autores, dados da pesquisa
------
|
BLOCOS
|
PERGUNTAS
|
|
Motivação
|
1-A empresa está preocupada em mantê-lo motivado?
2- A empresa conhece suas necessidades e aspirações no seu trabalho?
3- Sua empresa reconhece todos os seus esforços e talentos que você faz para melhorar o
desempenho da empresa?
4- Você é treinado para trabalhara melhor?
|
|
Comunicação interna
|
5- A comunicação na empresa é de fácil entendimento para vocês?
6- Você tem informações no ambiente da empresa sobre mudanças, clientes e
fornecedores?
|
|
Criatividade
|
7- Você é incentivado a participar com idéias novas, melhorando o desempenho da
empresa?
8- As novas idéias propostas por vocês são aceitas?
9- A empresa recompensa a criatividade de vocês para melhorar algum produto ou processo?
10- Em caso de erro e/ ou fracasso na sua idéia para melhorar a inovação na
empresa, você continua sendo incentivado?
11- Pessoas de diferentes setores em sua empresa se reúnem para elaborar idéias
criativas?
|
|
Qualidade de vida no trabalho
|
12- Está satisfeito com as suas condições de trabalho (jornada, ambiente seguro
e saudável)?
13- Você consegue equilibrar o tempo dedicado ao trabalho com o tempo dedicado ao lazer e a
família?
14- Seu trabalho permite o desenvolvimento e o uso de suas capacidades, oferecendo crescimento e
segurança?
|
|
Liderança
|
15- O seu líder tem proporcionado troca de idéias entre os colaboradores?
16- O seu líder procura se relacionar de maneira aberta, escutando o que você tem a
dizer?
17- Você é incentivado a tomar atitudes e buscar soluções sem precisar ser
mandado?
18- Seu líder dá oportunidade desenvolver-se na sua profissão?
19- O seu líder facilita a sua adaptação as mudanças ?
|
|
Resiliência organizacional
|
20- Você aceita as mudanças na empresa?
21- A sua ansiedade é moderada no ambiente de trabalho?
22- Você se sente motivado no ambiente de trabalho?
23- Você apresenta calma diante das dificuldades no trabalho?
24 - Você está aberto a novas experiências, ao novo e a criatividade?
|
Quadro 2 - Questionário aos colaboradores
Fonte: os autores, dados da pesquisa
Para as respostas dos questionários, utilizou-se a escala proposta por Likert, com cinco
opções para os respondentes, com intensidade de pontos variando de 4; 3; 2; 1 e 0,
correspondendo as alternativas: Sempre, Frequentemente, Raramente, Não Sabe e Nunca,
respectivamente.
Em seguida, foi elaborado um quadro utilizando a escala de Likert para verificar o perfil
intraempreendedor por empresa baseado no fato de que existiram 49 perguntas feitas (25 + 24). Ao se considerar
as respostas dadas pelos representantes (líderes) de cada empresa e pela média das respostas
dadas pelos colaboradores nos questionários, os seguintes valores de referência podem ser
calculados segundo o Quadro 3:
|
Sempre
|
Freqüentemente
|
Raramente
|
Não Sabe
|
Nunca
|
|
4 x 49 = 196
|
3 x 49 = 147
|
2 x 49 = 98
|
1 x 49 = 49
|
0 x 49 = 0
|
Quadro 3 - Escala de Likert « perfil intraempreendedor por
empresa»
Fonte: os autores, dados da pesquisa
Assim, por exemplo, o valor 196 corresponderia à condição ideal em que todas as
respostas, dos representantes das empresas (líderes) e dos colaboradores optassem, naquela empresa,
pela resposta Sempre. Com base nesses valores de referência foi constituído o Quadro 4, no qual
se definem faixas para o perfil intraempreendedor por empresa e suas devidas características:
|
Intervalo
|
Características
|
|
147 a 196
|
A empresa já possui habilidades intraempreendedoras
|
|
98 a 146
|
Possui algumas habilidades intraempreendedoras.
|
|
Menos de 98
|
A empresa não possui habilidades intraempreendedoras e precisa urgentemente reavaliar suas
fragilidades para ser mais competitiva.
|
Quadro 4 - Características do perfil intraempreendedor por empresa
Fontes: os autores, dados da pesquisa
A metodologia propõe a análise do Setor utilizando o mesmo critério usado na
análise individual das empresas, apenas multiplicando os limites do Quadro 4 pelo número de
empresas que forma o aglomerado a ser analisado. Considerando-se que a amostra da presente pesquisa consta de
14 empresas, o Quadro 5 pode ser construído semelhantemente multiplicando-se por 14 os valores de
referência:
|
Sempre
|
Freqüentemente
|
Raramente
|
Não sabe
|
Nunca
|
|
196 x 14 = 2.744
|
147 x 14 = 2058
|
98 x 14 = 1.372
|
49 x 14 = 686
|
0 x 14=(zero)
|
Quadro 5 - Escala de Likert «perfil intraempreendedor do Setor»
Fonte: os autores, dados da pesquisa
O Quadro 6 apresenta as faixas para se avaliar o perfil intraempreendedor do Setor e suas devidas
características:
|
Intervalo
|
Características
|
|
2.058 a 2.744
|
O Setor já é intraempreendedor
|
|
1.372 a 2.257
|
O Setor possui algumas habilidades intraempreendedoras
|
|
Menos de 1.372
|
O Setor não possui habilidades intraempreendedoras, e se continuar assim, possivelmente
não sobreviverá à concorrência acirrada dos mercados.
|
Quadro 6 - Características do perfil intraempreendedor do Setor
Fonte: os autores, dados da pesquisa
4. Apresentação dos resultados
Em relação à pontuação total do Setor em todos os blocos de perguntas, os
resultados estão salientados na Tabela 1 no que se refere às habilidades intraempreendedoras sob
o prisma dos líderes empresariais:
Tabela 1
Resultado da pontuação obtida nos blocos sob a ótica dos líderes
|
Blocos
(1- 10)
|
Pontuação Máxima por Bloco*
|
Pontuação Adquirida no Bloco
|
Porcentagem Adquirida por bloco (%)
|
Porcentagem Adquirida por Questão (%)
|
|
INOVAÇÃO
|
168 = (14x4x3)
|
100
|
59,52%
|
1.1) 58,25%
1.2) 65,00%
1.3) 58,20%
|
|
COOPERAÇÃO
|
112=(14x4x2)
|
20
|
17,85%
|
2.1) 08,33%
2.2) 31,67%
|
|
ESTRATÉGIA DE MERCADO
|
168=(14x4x3)
|
84
|
58,00%
|
3.1) 43,33%
3.2) 63,33%
3.3) 46,67%
|
|
NORMALIZAÇÃO
|
112=(14x4x2)
|
17
|
15,17%
|
4.1) 18,33%
4.2) 15,00%
|
|
CLIENTES
|
168=(14x4x3)
|
93
|
55,35%
|
5.1) 70,00%
5.2) 56,67%
5.3) 41,67%
|
|
COMUNICAÇÃO INTERNA
|
112=(14x4x2)
|
42
|
37,35%
|
6.1) 41,67%
6.2) 35,00%
|
|
FORNECEDORES
|
112=(14x4x2)
|
19
|
16,96%
|
7.1) 11,65%
7.2) 30,00%
|
|
QUALIFICAÇÃO MÃO-DE-OBRA
|
112=(14x4x2)
|
53
|
47,32%
|
8.1) 50,00%
8.2) 46,67%
|
|
LIDERANÇA INTERNA
|
168=(14x4x3)
|
90
|
53,57%
|
9.1) 20,00%
9.2) 68,33%
9.3) 73,33%
|
|
RESILIÊNCIA ORGANIZACIONAL
|
168=(14x4x3)
|
128
|
76,19%
|
10.1) 81,67%
10.2) 78,33%
10.3) 73,33%
|
|
Total (Setor) > Líderes
|
1400 
|
646 
|
46,14%
|
* 14 = nº de empresas; 4 = pontuação (sempre); 3 ou 2 =
nº de questões.
Fonte: Os autores, dados da pesquisa
A Tabela 2 ressalta o resultado sob o prisma dos colaboradores do Setor:
Tabela 2 - Resultado da pontuação obtida nos blocos sob a
ótica dos colaboradores
|
Blocos
(1- 6)
|
Pontuação Máxima por Bloco*
|
Pontuação Adquirida no Bloco
|
Porcentagem Adquirida por bloco (%)
|
Porcentagem Adquirida por Questão (%)
|
|
MOTIVAÇÃO
|
224=(14x4x4)
|
151,89
|
67,80%
|
1.1) 74,10%
1.2) 71,60%
1.3) 65,55%
1.4) 64,65%
|
|
COMUNICAÇÃO INTERNA
|
112=(14x4x2)
|
98,58
|
88,01%
|
2.1) 75,40%
2.2) 36,12%
|
|
CRIATIVIDADE
|
280=(14x4x5)
|
153,94
|
54,97%
|
3.1) 67,68%
3.2) 60,52%
3.3) 49,77%
3.4) 63,03%
3.5) 44,43%
|
|
QUALIDADE DE VIDA NO TRABALHO
|
168=(14x4x3)
|
131,76
|
78,42%
|
4.1) 72,95%
4.2) 79,55%
4.3) 83,20%
|
|
LIDERANÇA
|
280=(14x4x5)
|
214,28
|
76,52%
|
5.1) 68,15%
5.2) 76,10%
5.3) 83,70%
5.4) 81,50%
5.5) 72,65%
|
|
RESILIÊNCIA ORGANIZACIONAL
|
280=(14x4x5)
|
222,87
|
79,59%
|
6.1) 74,30%
6.2) 70,37%
6.3) 75,93%
6.4) 81,60%
6.5) 93,67%
|
|
Total (Setor) > Colabor
|
1344 
|
937,32 
|
69,74%
|
* 14 = nº de empresas; 4 = pontuação (sempre); 5, 4, 3 ou 2 =
nº de questões.
Fonte: os autores, dados da pesquisa
Segundo os resultados obtidos, conforme o Quadro 7, o resultado das habilidades intraempreendedoras do Setor
apresenta-se da seguinte forma:
|
Empresa já possuidora de habilidades intraempreendedoras
|
Empresa com
algumas
habilidades intraempreendedoras
|
Empresas que não possuem habilidades intraempreendedoras
|
|
|
- 04 de médio porte
- 06 de pequeno porte
|
|
Quadro 7
Resultado das habilidades intraempreendedoras do setor
Fonte: os autores, dados da pesquisa
Verificou-se que o Setor atingiu uma pontuação de 646 no perfil intraempreendedor sob a
ótica das lideranças, conforme Tabela 1, e 937,32 no perfil intraempreendedor sob a ótica
dos colaboradores, segundo Tabela 2. Sendo assim, conforme a metodologia aplicada, o Setor pontuou 1583,32,
possuindo dessa forma algumas características de habilidades intraempreendedoras, mas ainda não
pode ser considerado decididamente intraempreendedor. Haja vista que um setor intraempreendedor é
aquele que pelo menos a maioria de suas empresas já tem esse perfil conforme metodologia proposta.
5. Análise e discussão
No aspecto da inovação, o Setor apresentou um percentual de 58,25% de abrangência
inovativa envolvendo todos os departamentos das empresas. Apesar desse percentual, observou-se que a
concentração de um grupo de pessoas em projetarem novidades no mercado ainda é vivenciado
nas empresas. Para Pinchot e Pellman (2004) e Hassimoto (2007), é questão de habilidade
estratégica envolver todos os colaboradores no processo de inovação. Nesse aspecto, as
empresas de médio e grande porte atuam mais eficientemente em virtude de sua organização
da produção, sua constante preocupação com o meio ambiente através de
reaproveitamento de resíduos químicos e sólidos, além da
implementação de melhorias nos serviços internos.
A inovação nos produtos, processos e serviços alcançou um percentual de 65,00%.
Na pesquisa in loco, percebeu-se que a inovação na maioria das empresas do Setor
está relacionada mais especificamente ao produto. Nesse aspecto, aborda Hashimoto (2007, p. 34) que,
“[...] engana-se quem acha que a inovação só pode existir onde está o
produto. A inovação tem espaço em qualquer lugar na empresa”. Para Gattorna e
Walter (1996), crescer e prosperar exige que cada colaborador faça alguma coisa melhor a cada dia no
ambiente empresarial. Segundo Ireland e Webb (2007), novas formas de organizar o trabalho em uma empresa para
produzir produtos é fundamental para o sucesso.
No que tange à cooperação, constatou-se que grande parte das empresas atua muito
independente prejudicando a competitividade, já que a maioria é de pequeno porte. É de
extrema importância que o líder seja um ativador de rede. Para Shimitz (1999) e Cassaroto e Pires
(2001), a cooperação afeta diretamente a produtividade das empresas, ganhando eficiência e
eficácia estratégica. Na pesquisa, somente 8,33% cooperam complementando a atividade de
inovação e 31,67% têm parcerias externas com fornecedores, clientes, consultores,
universidades, agências de fomento, centro de pesquisa e outras instituições de apoio.
Salienta também Amato Neto (2009), que as aglomerações produtivas possuem um significado
mais maduro, tendo a presença de instituições de ensino e pesquisa gerando
inovações na região onde as empresas estão localizadas.
No item relação com os fornecedores, observou-se um índice extremante deficitário
com as bases de fornecimento nas empresas. Somente 11,65% das mesmas têm parcerias com fornecedores
especializados de bens e serviços situados na mesma região e 30,00% buscam
inovações conjuntas com fornecedores, gerando soluções diferenciadas no mercado.
Na visão de Garcia (2006), os fornecedores são responsáveis por incrementarem a
competitividade através de máquinas, matéria-prima, equipamentos e outros
serviços. Deve-se ter uma conexão eficiente entre fornecedor-empresa, pois através dessa
interação conjunta, pode-se atender melhor o cliente.
Evidenciou-se que no aspecto fidelização dos clientes, o Setor pontuou 56,67%. Deve-se
priorizar para oferecer aos clientes soluções integradas. No Setor, mais da metade das
empresas desenvolve seus custos de produção sem a consideração do que realmente o
mercado (consumidor) pode pagar. Somente 41,67% se inserem nessa estratégia competitiva. Para Kim e
Mauborgne (2005), os preços que os consumidores estão dispostos a pagar é que define os
custos de produção. O Setor precisa também atentar que quem faz a maior imagem do produto
é o cliente. Autores como Gattorna e Walters (1996) salientam que é necessário fazer do
cliente, o maior vendedor dos produtos e serviços, e não apenas o comprador, pois
não existe ‘um mercado’, mas ‘o cliente’, cada um específico e
único. Fortalece o contexto ganha-ganha.
No tocante à estratégia de mercado, referente à questão sobre a
precificação dos produtos ou serviços atrelados ao equilíbrio entre
diferenciação (inovação) e baixo custo, o Setor atingiu 63,33%. Entretanto, na
pesquisa evidenciou-se que, algumas empresas, a estratégia de preço (isoladamente) ainda
é marca de competitividade. Para atingir o cliente, alvo de toda empresa, faz-se necessária a
estratégia de diferenciação e menor custo concomitantemente, pois isso gera salto de
valor ao cliente (KIM; MAUBORGNE, 2005). Em relação à política de explorar
mercados além da concorrência, o Setor atingiu 43,33%, sendo que 46,67% das empresas afirmaram
terem suas estratégias próprias de competitividade. Percebeu-se que um pouco mais da metade das
empresas estão com estratégia da reação. Isso pode prejudicar a competitividade,
pois os concorrentes inovadores ganham mercados com mais velocidade.
Outro fator importante é a questão da normalização. Na pesquisa, somente 18,33%
das empresas estão utilizando as normas ISO 9000-2000 como padrão de qualidade e 15,00%
têm estratégia de internacionalização. Para Krugman (1998), a
participação no comércio internacional explica muito as vantagens competitivas das
empresas. O uso das normas é essencial para organizar o mercado interno e instrumento de
inserção no mercado externo, eleva a escala de produção, desenvolve
relações duradouras com os clientes e também impulsiona a produção de
produtos diferenciados. Nesse aspecto, o Setor se encontra com índices bastante deficitários. Na
visão de Casarotto e Pires (2001), a qualidade é uma variável base no incremento da
competitividade. É uma forma de garantir o mercado atual e permitir agressão de novos mercados.
Nisso, as lideranças empresariais desse aglomerado necessitam ser mais proativas.
No contexto da qualificação da mão-de-obra, verificou-se que 50,00% das empresas ainda
não estimulam o aperfeiçoamento contínuo dos colaboradores e 46,67% promovem o aumento da
qualificação na contratação da mão-de-obra ao longo dos anos. Porter (2001)
aborda que a falta de investimento em qualificar os colaboradores prejudica grandemente a competitividade das
empresas. Segundo Chiavenato (2005) e Garcia (2006), as empresas devem ser transformadas em agências de
aprendizagem. Isso representa diminuição de custos de desperdícios na
geração de produtos e serviços.
Na análise da comunicação interna das empresas, percebeu-se que, em
relação à disseminação de informações sobre mudanças
estratégicas, interações com clientes, fornecedores e tecnologia, o Setor atingiu um
percentual de 35,00% e 36,12% sob a ótica dos líderes e colaboradores respectivamente. Isso pode
representar entraves na comunicação, impossibilitando os colaboradores de contribuírem no
crescimento das empresas, tornando-os parceiros na gestão do negócio. Para Pinchot e Pellman
(2004), as informações estratégicas devem fluir livremente entre todos na empresa nos
variados centros de resultados. Quando se perguntou aos líderes se as decisões empresariais
são tomadas em ação conjunta com a participação dos colaboradores, o
índice atingido foi de 41,67%. Segundo Drucker (2005), quando a direção chega mais perto
dos liderados, ouvindo suas aspirações e escutando o que eles têm a contribuir, aumenta a
interação entre eles, incentivando-os a apresentar idéias e sugestões. Na
pesquisa, houve divergência entre líderes e colaboradores, quando esses (colaboradores),
pontuaram 75,40% em termos de comunicação aberta e de fácil entendimento para eles,
conforme análise já demonstrada nesse parágrafo.
Em relação à motivação, percebeu-se um certo desequilíbrio no
aspecto motivacional dos colaboradores, pois, em um momento eles se posicionam afirmando que as empresas
estão preocupadas em mantê-los motivados (74,10%); esta avaliação diminui de 9% a
10% quando se pergunta se as empresas reconhecem os esforços deles (colaboradores) para melhorar o
desempenho da empresa e se eram treinados para trabalhar melhor. Os fatores motivacionais estão
estritamente relacionados com o sentimento de crescimento do indivíduo, do reconhecimento profissional
e de suas necessidades de auto-realização (DRUKER, 2005). Os índices de
motivação apresentados não são corroborados com o bloco qualificação
da mão-de-obra, que ainda apresenta índices menores, em torno de 50,00%.
No bloco criatividade também se percebe um decréscimo nos índices demonstrados. O valor
mais baixo apresentado foi o que se refere ao trabalho em equipe para elaborar idéias criativas
(44,43%). Segundo Gattorna e Walter (1996), a criatividade deve estar enraizada na cultura organizacional e
refletida no estilo de liderança quando a empresa responde às pressões externas e
internas. Percebeu-se, entretanto, um índice um pouco maior no que se refere à questão da
tolerância de erro ou fracasso no processo criativo (63,03%). Em relação a esse fato,
Pinchot e Pellman (2004) afirmam que as empresas devem permitir tolerância a erros e falhas e que o
segredo para desenvolver produtos econômicos é não evitar erros.
No tocante à QVT, houve índices registrados acima de 70,00%. Observou-se na maioria das
empresas um ambiente amistoso dos líderes e colaboradores, envolvendo companheirismo, amizade, respeito
e prestatividade. Nesse aspecto, a QVT não deve ser somente do ponto de vista técnico, mas
também do humano. Para Fernandes (1996, p.43) a QVT abrange a “[...]
conciliação dos interesses dos indivíduos e das organizações, ou seja, ao
mesmo tempo em que se melhora a satisfação do trabalhador, melhora a produtividade da
empresa”. Entretanto, de acordo com o cruzamento de informações com outras
variáveis analisadas, como comunicação interna e qualificação da
mão-de-obra, esse percentual de 70,00%, relativamente elevado de QVT, necessita de aprimoramento
sustentável.
No aspecto da liderança, a ótica dos colaboradores é superior à dos
líderes, o que pode indicar uma certa falta de sincronia nas respostas. 83,70% dos colaboradores
disseram que são incentivados a tomar atitudes sem a necessidade de serem mandados, 81,50% afirmaram
que os líderes oferecem oportunidades de crescerem e se desenvolverem nas suas profissões e
72,65% afirmaram que os líderes facilitam a adaptação deles à mudança.
Entretanto, na visão dos líderes, somente 20,00% afirmaram que permitem intercâmbio de
informações e centros de aprendizagem aos colaboradores, 68,33% proporcionam
condições para que se manifeste o potencial de liderança e 73,33% proporcionam
oportunidades e articulações com os colaboradores até obterem informações
relevantes. Percebeu-se que, no aspecto relacional o Setor se encontra com índices relativamente
satisfatórios. Todavia, o índice mais deficiente apresentado (20%) é o da
liderança proporcionar maior capacitação aos liderados. Assim, observa-se que o
líder deve possibilitar treinamentos contínuos aos colaboradores, valorizando a oportunidade de
crescerem junto com a empresa.
No fator resiliência organizacional, notou-se a presença de índices maiores de 70%
atingidos pelo Setor. Esses percentuais apresentados tanto pelos líderes quanto pelos colaboradores,
podem sinalizar que existe um bom equilíbrio das tensões emocionais nas empresas, mesmo diante
de uma conjuntura bastante adversa por que passam os mercados atualmente, assim como também uma
capacidade bastante proativa diante das adversidades. Entretanto, precisa se coadunar mais com os
vários blocos analisados anteriormente, principalmente na qualificação e aprendizado dos
colaboradores e ao exercício de seu comprometimento nas habilidades empreendedoras.
5.1 Relação das habilidades intrapreendedoras com o crescimento e decrescimento das
empresas no que tange ao número de colaboradores entre 2005-2007
Foi verificado que, das 14 empresas analisadas na pesquisa, nove delas apresentaram crescimento na
geração de emprego quando analisadas entre 2005 a 2007 (estão inseridas nessa
classificação uma empresa de grande porte, quatro de médio porte e quatro de pequeno
porte), variando esse crescimento de 12,5% a 200,00%. Entretanto, para o restante das empresas de pequeno
porte, cinco decresceram em relação à geração de emprego, conforme Quadro
8.
|
Empresa
Porte
|
Variação do número de funcionários
|
|
A PP
|
200,00%
|
|
B MP
|
89,80%
|
|
C GP
|
58,22%
|
|
D PP
|
50,00%
|
|
E PP
|
36,36%
|
|
F MP
|
29,41%
|
|
G PP
|
18,10%
|
|
H MP
|
15,38%
|
|
I MP
|
12,50%
|
|
J PP
|
-16,60%
|
|
L PP
|
-21,00%
|
|
M PP
|
-27,00%
|
|
N PP
|
-36,36%
|
|
O PP
|
-68,75%
|
Quadro 8 - Percentual de variação do número de
funcionários do Setor nos anos de
2005-2007
* A, B, C, D, E, F, G, H, I, J, L, M, N e O= Empresas do aglomerado produtivo
GP: Grande Porte; MP: Médio Porte; PP: Pequeno Porte
Fonte: Os autores, dados da pesquisa
6. Conclusão
Nessa pesquisa, se estabelece a importância das habilidades intraempreendedoras de líderes e
colaboradores como um fator de competitividade na gestão empresarial, e evidenciam-se as
constatações de que investir no desenvolvimento desses aspectos é questão
fundamental.
A metodologia adotada na pesquisa mostrou-se adequada, permitindo uma análise detalhada do
desenvolvimento das habilidades para o aprimoramento do perfil intraempreendedor dos líderes e
colaboradores nos ambientes empresariais. A correlação entre o resultado da pesquisa e o
desempenho das empresas nos últimos três anos mostra, por extensão, ser a metodologia
aplicável para análise de qualquer empresa ou outros setores.
O Setor analisado apresentou um perfil de habilidades sobre empreendedorismo interno moderado,
enfatizando-se, porém, em todos os aspectos de análise, que as empresas precisam de
aprimoramentos substanciais e ações estruturantes mais agressivas para o enfrentamento dos
mercados acirrados e competitivos do mundo global. Evidenciou-se que os atributos delineados na metodologia
foram constatados como eficientes e eficazes em termos de geração de emprego. Percebeu-se
também que a pouca diferença de percentuais das empresas nos questionários aplicados aos
colaboradores é conseqüência imediata da insuficiente qualificação da
mão-de-obra, direcionando-os, assim, a um posicionamento passivo diante dos vários
questionamentos analisados.
Apesar de, em termos proporcionais, ser um dos maiores aglomerados de empresas em beneficiamento de
aço no segmento de armazenagem no Brasil, com presença no mercado há quase duas
décadas para a maioria das empresas; evidenciou-se, entretanto que, no perfil de habilidade
intraempreendedora está faltando mais visão holística e sistêmica, dentre outros
fatores, por parte das lideranças empresariais, o que afeta grandemente a visão dos liderados.
Com o presente trabalho, espera-se haver suscitado o interesse quanto a um importante aspecto das
habilidades do empreendedorismo corporativo no aspecto relacional, principalmente pelo fato dos mercados
atualmente vivenciarem um momento de inconstância e turbulência, onde a inovação
é prioritária, devendo ser construído um pensamento inovador por toda a empresa. Para
tal, a importância da gestão dos talentos é primordial para alavancar as empresas,
impulsionando-as aos mercados, aos nichos, aos clientes, parceria com fornecedores, sociedade, dentre
outros. A questão das habilidades intraempreendedoras não deve ser relegada a segundo
plano nas análises empresariais, sob pena de se deixar de se considerar uma importante fonte de
motivação para o aumento da qualidade, produtividade, geração de emprego e renda,
assim como a competitividade das empresas.
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