ISSN 0798 1015

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Vol. 38 (Nº 17) Año 2017. Pág. 31

Certificação Sustentável para café: Revisão sistemática da literatura e lacunas de pesquisa

Sustainable certification for coffee: systematic review of the literature and research gaps

Mary Fernanda de Sousa de MELO 1; Roberta de Castro SOUZA 2; Willerson Lucas de CAMPOS-SILVA 3; João AMATO NETO 4

Recibido: 20/10/16 • Aprobado: 20/11/2016


Conteúdo

1. Introdução

2 Certificação sustentável na cafeicultura

3 Métodos de pesquisa

4 Análise dos resultados

5 Considerações finais

Referências


RESUMO:

Este artigo tem como objetivo analisar a produção científica nacional e internacional sobre o tema certificação sustentável do café, em artigos publicados em periódicos indexados ao Scielo e ao Web of Science. Neste artigo são identificados os trabalhos relevantes na área e as lacunas de pesquisa existentes na literatura. Como principais resultados têm-se: a construção de uma tabela com a síntese das principais características das certificações sustentáveis para o café com maior representatividade na amostra analisada e, a proposição de uma agenda de pesquisa sobre o tema de estudo a partir das lacunas observadas.
Palavras-chaves: cafeicultura; normas de sustentabilidade voluntárias; sustentabilidade.

ABSTRACT:

This paper aims to analyze the national and international scientific literature concerning to sustainable coffee certification, which is published in journals indexed to Web of Science and Scielo. A systematic review of the literature was used to obtain an overview and propose some perspectives for the development of Sustainable coffee certification. The main achievements are the construction of a summary of the key features of sustainable certifications for coffee with greater representation in the sample and, to propose a research agenda from to the observed gaps.
Keywords: coffee; voluntary sustainability standards; sustainability.

1. Introdução

A mudança de paradigma que o termo sustentabilidade traz sugere a existência de um novo valor organizacional, denominado valor sustentável. De acordo com Hart e Milstein (2004), este valor que visa simultaneamente à riqueza do acionista e a busca por um mundo mais sustentável, compreende, dentre outros, a harmonia entre as expectativas das partes interessadas, sejam elas internas ou externas à organização, a preocupação além da vertente econômica, valorizando o lado social e ambiental, o reconhecimento da escassez de recursos, o alinhamento entre as estratégias e a transparência organizacional (Angell & Klassen, 1999; Olsthoorn, Tyteca, Wehrmeyer, & Wagner, 2001).

A afirmativa de Nidumolu, Prahalad, e Rangaswami (2009, p. 2 tradução nossa) que diz que “no futuro, apenas as empresas que fazem da sustentabilidade uma meta vão conseguir vantagem competitiva”, cria um alerta para uma mudança na estratégia das organizações produtivas. Tal alerta foi compreendido pelos produtores de café numa abrangência nacional e internacional, fato demonstrado pelo aumento do número de certificações e normas voltadas à sustentabilidade da cadeia global do café (Bitzer, Glasbergen, & Arts, 2012).

A certificação sustentável, entendida para fins deste estudo como abrangendo um ou mais pilares do tripé da sustentabilidade (Triple Botton Line) proposto por Elkington (2001), é um mecanismo de mercado que busca diferenciar os produtos e sistemas de produção de acordo com sua atuação sócio-ambiental (Pinto, Gardner, McDermott, & Ayub, 2014). Dietsch e Philpott (2008) apresentam que é crescente, porém não tão simples, os esforços rumo à certificação sustentável, sendo que esta pode ser melhor alcançada através da cooperação entre diferentes stakeholders, tais como organizações certificadoras, setores produtivos e pesquisadores multidisciplinares. Ainda não estão claros os impactos da certificação sobre as cadeias produtivas de alimentos, principalmente sobre produtores. É sabido que a adoção de certificação envolve o atendimento a uma série de exigências o que envolve a realização de investimentos. Mas, não há consenso sobre os possíveis ganhos para os produtores advindos deste investimento (Henson & Humphrey, 2009; Kolk, 2013b; Raynaud, Sauvee, & Valceschini, 2005).

A partir do exposto é formulada a seguinte questão de pesquisa: qual o panorama e as perspectivas das pesquisas científicas nacionais e internacionais com foco nas certificações sustentáveis para o café?

Diante desse contexto esta pesquisa tem como objetivo analisar a produção científica nacional e internacional quanto ao tema certificação sustentável do café e as lacunas de pesquisa existentes na literatura. E para alcançá-lo foi desenvolvida uma revisão sistemática da literatura tendo como base de consulta artigos publicados em periódicos nacionais e internacionais, indexados ao Scielo e ao Web of Science.

2. Certificação sustentável na cafeicultura

O setor cafeeiro é considerado pioneiro em certificação de sustentabilidade (Reinecke, Manning, & von Hagen, 2012). Tal certificação confere aos cafés um rótulo geralmente ecológico, sendo estes cafés também considerados cafés especiais (Bacon, 2005). Em relação ao conceito, o café sustentável pode ser definido como um "café cultivado de modo benéfico tanto para o meio ambiente quanto para a sociedade" (Coffee Research Institute, n.d.).

Sendo um dos primeiros produtos agrícolas a receber certificação no comércio internacional, o café possui certificações que são aplicadas a nível global (Pinto et al., 2014), sendo que cada uma tem como foco um aspecto diferente e/ou complementar do tripé da sustentabilidade (ambiental, econômico e social). Dados do ano de 2010, demonstram que diante da produção mundial de café, 16% do total foi representado por café certificado e, em relação ao consumo total, este número foi de 9%, ressaltando que as projeções apontam para uma duplicação nas porcentagens apresentadas nos próximos cinco anos (Panhuysen & van Reenen, 2012).

O café não é o único produto que tem se diferenciado em relação a boas práticas sociais e ambientais, porém ele é, dentre as commodities, o que possui maior visibilidade quanto as suas diferenciações (Heidkamp, Hanink, & Cromley, 2008). Tais diferenças na realidade do café se deram em especial em três aspectos: denominação de origem; tipo de produção (orgânica, eco-friendly) e; tipo de comercialização (comércio justo) (Giovannucci & Ponte, 2005).

3. Métodos de pesquisa

Este trabalho não visa realizar de uma análise crítica e nem comparativa entre as publicações selecionadas, mas sim identificar trabalhos relevantes, bem como lacunas de pesquisa existentes na literatura.

A base de dados ISI Web of Knowledge foi selecionada pois nela é possível localizar todos os periódicos indexados cujo fator de impacto é calculado no Journal Citation Report (JCR). A base de dados Scielo foi escolhida por permitir aumentar o escopo da pesquisa a medida em que foram selecionados artigos também em português. Assim, permitiu-se identificar os autores nacionais que têm trabalhado com o tema em questão.

A presente pesquisa é caracterizada por uma revisão sistemática da literatura (Tranfield, Denyer, & Smart, 2003) e considera para sua formulação a definição de Waddington et al. (2012, p. 360 tradução nossa) que diz que tal revisão possui “um protocolo claro para a busca sistemática em bancos de dados, com um período de tempo definido, com critérios transparentes para a inclusão ou exclusão de estudos, bem como a análise e elaboração de relatórios dos resultados do estudo”. Os critérios utilizados para elaborar a pesquisa, bem como os autores que serviram como base para as escolhas são apresentados a seguir:

A partir dos termos supracitados foram construídos dois conjuntos de termos de busca. Para o Web of Science (Termo de busca 1)utilizou-se: *Coffee* (Tópico) AND *Sustain* (Tópico) AND *Certificat* OR Label* OR Certified OR Standard*(Tópico). Quanto ao Scielo (Termo de busca 2) o termo de busca foi o seguinte: (Cafe OR Café OR Cafeicultura) (Todos os índices) AND (*Certifica* OR Rótul*) (Todos os índices).

3.1 Critérios de exclusão

Inicialmente foi feita a exclusão dos artigos duplicados. A partir da amostra encontrada, o refinamento foi executado através da leitura dos abstracts, sendo considerados os seguintes critérios de exclusão: aqueles trabalhos que não abordavam os três temas principais desta pesquisa - certificação, sustentabilidade (ao menos uma das vertentes do Triple Botton Line) e café. A amostra refinada a partir desses critérios de exclusão foi submetida à leitura dos textos completos para se executar as etapas da análise dos dados. No entanto, caso o estudo não apresentasse aderência ao tema de pesquisa, bem como a ausência dos elementos necessários para sua classificação, ele também seria excluído.

3.2 Protocolo de análise

A análise dos dados foi feita em três etapas conforme sugerido por Varandas Junior, Miguel, Carvalho, e Zancul (2015). Na primeira etapa, análise descritiva dos artigos, os dados foram analisados utilizando-se uma das técnicas de análise de conteúdo, a análise categorial (Bardin, 1977). Foram utilizadas para a classificação dos estudos selecionados as categorias: nacionalidade dos autores, países pesquisados, revistas, ano e procedimentos metodológicos.

A segunda etapa, chamada de análise exploratória, consistiu na identificação dos tipos de certificação mais utilizados no setor do café, as definições de sustentabilidade, o foco dado a partir do Triple Botton Line (Elkington, 2001), e o elo dentro da cadeia produtiva mais abordado nas pesquisas. Nesta etapa foi realizada uma análise de conteúdo mostrando as diferentes definições de sustentabilidade apresentadas nos artigos analisados. A terceira etapa é constituída pela composição de um quadro resumo das certificações analisadas que tenham demonstrado maior expressividade para o setor cafeeiro. Já as lacunas de pesquisa são tratadas nas considerações finais.

4. Análise dos resultados

As consultas foram realizadas em abril de 2015. Os resultados das buscas apresentaram um total de 62 artigos para o termo de busca 1 e 8 para o termo de busca 2. Após a identificação de 70 trabalhos, foi executada a primeira etapa de exclusão a qual consistiu na leitura dos abstracts onde foram retirados 35 artigos. Na sequência, incluiu-se os artigos encontrados por meio da execução das etapas do método snowballing (7 artigos no total)e, a partir daí a amostra refinada a partir dos critérios de exclusão, foi submetida à leitura dos textos, a fim de se realizar as etapas da análise dos dados. Aqueles estudos que não apresentavam aderência ao tema de pesquisa, bem como não possibilitavam a identificação dos elementos requeridos para consecução das etapas de análise, também foram descartados. Nesta fase foram excluídos mais 5 trabalhos, resultando em uma amostra final de 37 artigos para análise.

4.1 Análise descritiva dos artigos

A primeira etapa consiste no conhecimento categorial dos artigos analisados. Dentre as categorias analisadas estão: nacionalidade dos autores, países pesquisados, journals, ano de publicação e procedimentos metodológicos.

A primeira categoria: nacionalidade dos autores foi considerada com o intuito de verificar quais os países que estão tendo como foco de pesquisa a questão da certificação sustentável do café. A análise, tal como apresentado no Gráfico 1, mostrou que a maioria dos autores (38%) são dos Estados Unidos, tal expressividade nos estudos deste país se justifica pelo fato de se tratar de um dos maiores importadores de café a nível mundial (Brasil, 2014). Além disso, grande parte dos artigos cuja parte empírica foi desenvolvida em países latino americanos produtores de café, desenvolveram os trabalhos de pesquisa em universidades norte-americanas, algumas vezes sob supervisão de acadêmicos norte-americanos. Esse fato também explicaria a grande presença de autores dos Estados Unidos encontrados no grupo de artigos.

Gráfico 1 - Nacionalidade dos autores da amostra

Em relação aos países que são foco das pesquisas sobre certificação sustentável do café, destaca-se Nicarágua, Peru e México (Gráfico 2). O interesse por tais países se justifica pelo fato de que estes estão presentes no ranking dos principais produtores e exportadores de café do mundo (Brasil, 2014). Destaca-se a ausência de expressividade na quantidade de estudos que analisem o maior produtor e exportador de café em abrangência mundial, o Brasil (Brasil, 2014).

Gráfico 2 - Países pesquisados nos artigos analisados

Quanto aos principais Journals presentes na amostra, observou-se uma concentração de aproximadamente 65% (Gráfico 3) das publicações referentes à certificação sustentável do café em seis Journals, como segue em ordem decrescente de representatividade, com os respectivos valores absolutos de artigos: Ecological Economics (6); World Development (6); Globalizations (4); Agriculture and Human Values (3); Food Policy (3) e; Journal of Business Ethics (2). Dentre estes seis principais Journals, três deles (Ecological Economics; Agriculture and Human Values e; Food Policy) figuram na primeira posição em suas áreas de acordo com o ranking do Journal Citation Reports, o que reforça a qualidade dos artigos selecionados para tal análise.

Gráfico 3 – Journals contidos na amostra analisada

A distribuição dos artigos por ano, mesmo não tendo sido colocada nenhuma restrição quanto ao período de busca, se apresentou a partir do ano de 2005, tendo seu auge no ano de 2012.

Há indicações de que a quantidade expressiva de artigos publicados nesse ano acompanhou a relevância do ano de 2012 para a sustentabilidade. No ano de 2012 aconteceu a Conferência Rio+20 onde chefes de Estado se reuniram para o estabelecimento de diretrizes para orientar o desenvolvimento sustentável (Brasil, 2012).

Quanto a análise dos métodos de pesquisa que foram aplicados nos estudos identificados, seguiu-se a subdivisão utilizada por Holtbrügge e Dögl (2012). Tais autores dividiram primeiramente entre pesquisas teóricas e empíricas e posteriormente entre qualitativas ou quantitativas.

Os resultados apontaram que a maior parte dos estudos acerca do tema foram empíricos (86%), porém em relação a utilização de métodos qualitativos ou quantitativos a amostra analisada se apresentou bem dividida, com 51% e 49% respectivamente. A principal técnica utilizada nos estudos quantitativos é a survey (55%), já os estudos qualitativos foram conduzidos principalmente por meio de estudos de caso, sendo utilizados por 50% dos trabalhos pesquisados.

4.2 Análise exploratória dos artigos

A expansão dos sistemas de certificação no setor de alimentos em âmbito global reflete as preocupações quanto ao meio ambiente e a sociedade na questão produtiva e, dentre os setores com crescimento mais rápido quanto às certificações tem-se o café (Raynolds et al., 2007). Com o intuito de transmitir ao consumidor uma imagem positiva em relação aos padrões de sustentabilidade, algumas certificações (Gráfico 4), tais como Fairtrade, Orgânico e normas denominadas amigas do meio ambiente, têm tido sua utilização ampliada, com destaque para o Fairtrade (Giovannucci & Ponte, 2005).

Gráfico 4 - Tipos de certificações sustentáveis para o café citadas na amostra analisada

4.2.1 Análise de Conteúdo

As certificações sustentáveis acompanham as diferentes vertentes contidas no termo sustentabilidade, sendo que nem todos os programas de certificação são adequados, ao mesmo tempo, tanto para o contexto cultural quanto para o ecológico (Dietsch & Philpott, 2008). Assim, buscou-se verificar no contexto de cada estudo quais as definições de sustentabilidade que estavam sendo consideradas. Observou-se que apenas uma minoria dos artigos analisados (18%), apresentavam alguma definição de sustentabilidade, as quais serão explicitadas a seguir.

Ingenbleek e Reinders (2013) entende o termo sustentável como sendo o cumprimento das normas para os aspectos sociais e ambientais da produção e do comércio. Reinecke et al. (2012) complementam afirmando que um padrão de sustentabilidade pode ser definido como um conjunto de regras voluntárias pré-definidas, procedimentos e métodos para avaliação sistemática, mensuração, auditoria e comunicação do comportamento social e ambiental ou ainda do desempenho das empresas.

Já Manning, Boons, von Hagen, e Reinecke  (2012) e Kolk (2013a) consideram sustentabilidade na perspectiva do Triple bottom line, abrangendo aspectos econômicos, ambientais e sociais, no intuito de proteger e melhorar o ambiente natural. Para Kolk (2013a) a sustentabilidade visa salvaguardar os direitos do trabalho e da saúde das comunidades locais; promover práticas produtivas, eficientes e competitivas através de projetos que ajudam os pequenos agricultores a melhorar a qualidade dos seus produtos; se apropriar de uma parcela maior do preço de exportação através da melhoria do acesso ao mercado e logística e; obter uma renda justa e crescente para os futuros cafeicultores.

Para Linton (2008), café sustentável é aquele cultivado de forma agradável tanto ao meio ambiente quanto a sociedade. Na visão de Giovannucci e Ponte (2005) o conceito de sustentabilidade na agricultura geralmente se refere a aspectos chamados de viabilidade econômica para os agricultores, conservação ambiental e responsabilidade social.

Por fim, Vermeulen e Kok (2012) restringe o entendimento do conceito para um objeto de estudo específico, os sistemas de governança em cadeia de suprimentos sustentáveis. Tal autor define como sendo formas de cooperação de agentes de mercado em cadeias de suprimentos internacionais, possivelmente em conjunto com agentes não-mercantis, na melhoria das condições ambientais e sociais de operações produtivas.

4.2.2 Foco das Pesquisas Dentre os Agentes da Cadeia

As análises mostraram que 43% dos estudos focam no pequeno produtor, os outros se subdividem entre consumidor, produto final, cadeia de valor global do café, relação comprador-fornecedor, cafés especiais, as próprias certificações, o mercado para cafés sustentáveis e apenas um artigo tem como objeto de estudo uma multinacional. O foco no pequeno produtor se justifica pelo fato de que a produção de café em todo o mundo tem predominância dos pequenos produtores (Elder, Zerriffi, & Le Billon, 2013). Estima-se que pequenos produtores produzam 75% do café originado de países dos continentes Africano, Asiático e Americano (Bacon, 2005).

4.3. Composição do quadro resumo

Com a análise dos artigos percebeu-se a ausência de um quadro que sintetizasse as principais características das certificações sustentáveis para o setor cafeeiro. Partindo desta lacuna foi elaborada a sequência de quadros a seguir. Estes quadros compilam as informações encontradas de forma dispersa na literatura, a respeito das cinco certificações com maior representatividade na amostra analisada. Com isso espera-se facilitar o entendimento e a comparação entre as certificações sustentáveis que se destacam para o produto café.

Primeiramente, o Quadro 1 faz a caracterização das principais certificações sustentáveis para o café com o intuito de apresentá-las em relação a sua criação e propósito. Na sequência, a Quadro 2 traz um resumo de como acontece o processo de certificação, apresentando a certificadora, a questão financeira, rigor e monitoramento. Por fim a Quadro 3 apresenta a abrangência, as estratégias de marketing e as especificações sociais e ecológicas.

Os certificados podem ser criados a partir de movimentos sociais, como é o caso do Fairtrade e do Orgânico, mas também há aqueles criados por empresas ou grupo de empresas, como é o caso do UTZ. Neste último caso, a empresa Ahold verificou a importância de se estabelecer padrões ao longo da cadeia produtiva de maneira a garantir o tripé da sustentabilidade. Já a certificação Fairtrade e Orgânica se destacam por construir redes de produção e consumo alternativas. Segundo Bacon (2005) o certificado Fairtradese destaca ao criar um modelo de trabalho que coloca os seus princípios em prática e ajuda os consumidores de café a alinhar a sua preferência por cafés especiais com valores de justiça social. Ele também é o certificado mais antigo e seu ponto de origem foi o suporte a pequenos produtores. Os certificados Orgânico e Rainforest têm suas origens relacionadas a proteção do ecossistema e da biodiversidade (Kolk, 2013b).

Empresas como Sara Lee e Nestlé passaram a atuar na cadeia exigindo de seus fornecedores alguns certificados. A Sara Lee passou a exigir Fairtrade e UTZ (Kolk, 2012). A Nestlé exige de seus fornecedores para os produtos da marca Nespresso o selo AAA que tem como pré-requisito a certificação Rainforest. Há também casos de empresas que usam certificações diferentes em mercados distintos. O McDonalds usa café certificado Rainforest no Reino Unido e na Alemanha o café certificado UTZ, fornecido pela Sara Lee.  Por fim, vale lembrar que os certificados Fairtrade, Orgânico e Rainforest são aqueles que possuem monitoramento e certificação independente (Kolk, 2013b).

Quadro 1 – Principais certificações sustentáveis para o café: caracterização

 

Fairtrade (32%)

Organic (23%)

Rainforest Alliance (15%)

UTZ (13%)

Bird Friendly (6%)

Rótulo

Ano e País

1988 / Holanda

1972 / Alemanha

1986(1) / EUA

1999 / Guatemala

1996 / 1997 / EUA

Foco / Objetivo

Melhorar a posição dos pequenos agricultores, garantindo preços mínimos para compra quando os mercados estiverem em baixa. Busca promover relações de longo prazo entre os importadores e as cooperativas de agricultores. Foca no desenvolvimento dos produtores e na redução da pobreza.

Desenvolver padrões para a agricultura orgânica e facilitar a sua adoção. Unir o movimento orgânico em todo o mundo.

Sustentabilidade

 

Melhorar o meio ambiente e as condições sociais em agricultura tropical, focando a biodiversidade.

Possui normas sociais, ambientais e econômicas. Busca-se alcançar as cadeias de fornecimento sustentáveis, encontrando as necessidades dos agricultores, da indústria e dos consumidores. Visa criar transparência ao longo da cadeia de suprimento e recompensar os produtores de café responsáveis.

Fornecer um habitat agradável como a floresta para aves com o plantio de café embaixo de árvores. Cafés com certificação Bird Friendly são cultivados organicamente.

Preservar o habitat de pássaros migratórios.

Missão

Garantir acordos comércio equitativo para os produtores desfavorecidos

-

Integrar a agricultura produtiva, conservação da biodiversidade e o esenvolvimento humanos.

Permitir que os produtores de café e as marcas mostrem seu compromisso com o desenvolvimento sustentável voltado para o mercado.

-

Promotor da ideia

Movimentos sociais/ONGs

Movimentos sociais/ONGs

Movimentos sociais/ONGs/

pesquisadores

Empresa (Ahold Coffee Company) em cooperação com um fornecedor de café da Guatemala

The Smithsonian Migratory Bird Center (Instituto de pesquisa)

Fonte:   baseado em Giovanucci e Ponte (2005), Ingenbleek e Reinders (2013), Linton (2008), Manning et al. (2012), Raynolds, Murray e Heller (2007), Reinecke, Manning e Von Hagen (2012) e, Ruben e Zuniga (2011).
Nota: (1) Esta foi a data do início da certificação de forma geral, para o café a primeira aconteceu em 1995.

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Quadro 2 – Principais certificações sustentáveis para o café: como acontece

 

Fairtrade (32%)

Organic (23%)

Rainforest Alliance (15%)

UTZ (13%)

Bird Friendly (6%)

Certificadora

Fairtrade Labeling Organizations International (FLO)

International Federation of Organic Agricultural Movements (IFOAM)

Auditores locais (internos) e

ONG (rede de agricultura sustentável)

UTZ Kapeh (é uma organização independente sem fins lucrativos).

Smithsonian Migratory Bird Center

Viabilidade Financeira

Consumidor está pagando o preço mais elevado para permitir que os agricultores se diferenciem do mainstream de produção

-

Certificação ajuda a aumentar a eficiência e melhorar a qualidade. Preços premium podem ser recebidos por melhoria na qualidade.

Varejistas e torradores de café devem internalizar custos mais altos. UTZ objetiva oferecer café à preços competitivos.

-

Quem paga os custos

Os produtores pagam a certificação e o monitoramento dos custos. FLO fornece alguns subsídios para compensar os custos de certificação.

Os produtores pagam certificação e custos de monitoramento.

-

Os produtores pagam para inspeções anuais por monitores de terceiros aprovados pela UTZ KAPEH.

Produtores pagam a certificação e os custos de monitoramento. Certificação de orgânico é necessário.

Ênfase sustentável

Preço Premium fixo e movimento de justiça social.

-

Conservação da biodiversidade e movimento verde.

Transparência na cadeia de abastecimento e produção responsável.

Aves canoras e café orgânico cultivado à sombra.

Nível de rigor

Alto: Prêmio para aspectos sociais e econômicos. Certificação por terceiros.

-

Alta: Prêmio para os aspectos ambientais. Certificação por terceiros.

Médio: através de pilares. Certificação por terceiros.

Alto: Prêmio para os aspectos ambientais. Certificação por terceiros.

Monitoramento

Monitoramento anual e certificação dos grupos de produtores e importadores.

Monitoramento anual e certificação de terras; cadeia de monitoramento de custódia.

Monitoramento anual e certificação de fazendas.

Monitoramento anual e certificação das fazendas; cadeia de monitoramento de custódia.

Monitoramento anual e certificação de terras.

Fonte: baseado em Giovanucci e Ponte (2005), Ingenbleek e Reinders (2013), Linton (2008), Manning et al. (2012), Raynolds, Murray e Heller (2007), Reinecke, Manning e Von Hagen (2012) e Ruben e Zuniga (2011).

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Quadro 3 – Principais certificações sustentáveis para o café: abrangência, estratégia de marketing e especificações

 

Fairtrade (32%)

Organic (23%)

Rainforest Alliance (15%)

UTZ (13%)

Bird Friendly (6%)

Cobertura geográfica

Global, mas uma quantidade considerável de café Fairtrade comprado vem da África. Apenas os pequenos proprietários.

Global, mas maior parte do café orgânico vem da América Latina, especialmente México; todas as fazendas.

Somente países da América Latina, principalmente propriedades, mas também algumas cooperativas.

Principalmente em países da América Latina, mas também crescendo na Ásia e na África; propriedades, mas também cooperativas.

Padrão aplicado somente para o café latino-americano até agora; principalmente propriedades.

Grupo de foco

Estreito: Apenas pequenos produtores.

Produtores de café de todos os tamanhos

Propriedades de grande e médio portes de café cultivado à sombra apenas.

Ampla: Produtores de todos os tamanhos e tipos de produção.

Estreito: apenas orgânico + produtores de café de shadegrown.

Estratégia de marketing

Uso de etiquetas voltadas ao consumidor.

Uso de etiquetas voltadas ao consumidor.

Uso de etiquetas voltadas ao consumidor.

Uso de etiquetas voltadas ao consumidor.

Uso de etiquetas voltadas ao consumidor.

Especificações sociais

Normas para organização democrática, uso coletivo de prêmio social, considerando os 10 acordos da Organização Internacional do Trabalho.

Não há critérios sociais necessários para a certificação, mas esperasse que os membros da IFOAM mantenham os padrões sociais fundamentais.

Normas para o tratamento justo e boas condições de trabalho. Mantendo os acordos da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Normas que sustentam convenções da OIT (direitos de associação e negociação coletiva, livre de discriminação, ausência de trabalho forçado ou infantil, condições sociais e laborais mínimas).

-

Especificações ecológicas

Normas para a redução do uso de agroquímicos, redução e compostagem de resíduos, promoção da fertilidade do solo, prevenção de incêndios e prevenção de organismos geneticamente modificados.

Normas de restrição do uso de herbicidas sintéticos, fungicidas e pesticidas; organismos geneticamente modificados e plantas tratadas quimicamente; de compensação terra.

Normas para conservação do ecossistema e da vida selvagem, gestão integrada das culturas e gestão integrada de resíduos.

Normas para a proteção das florestas primárias e secundárias.

Requer a certificação orgânica. Normas adicionais para crescimento à sombra com diversidade vegetal secundária.

Fonte: baseado em Giovanucci e Ponte (2005), Ingenbleek e Reinders (2013), Linton (2008), Manning et al. (2012),
Raynolds, Murray e Heller (2007), Reinecke, Manning e Von Hagen (2012) e, Ruben e Zuniga (2011).

5. Considerações finais

O objetivo deste artigo foi analisar o panorama das pesquisas científicas nacionais e internacionais sobre certificação sustentável para café e suas perspectivas. Para tanto foi realizada uma revisão sistemática tendo como base de consulta artigos publicados em periódicos nacionais e internacionais, indexados ao Scielo e ao Web of Science.

Diante da análise apresentada propõe-se uma agenda de pesquisa a partir das lacunas observadas na amostra. Pode-se observar que há poucos trabalhos que comparem populações que receberam certificação sustentável e que não receberam. Entende-se que uma das maiores dificuldades é o estabelecimento de indicadores que possam medir o impacto da adoção da certificação sustentável na população de produtores de café. Há tentativas neste sentido (Silva, Castro Jr., Costa, & Andrade, 2014), mas ainda são poucas.

Outro aspecto importante é a pouca atenção dada aos certificados estabelecidos pelas grandes redes varejistas. Apesar de haver trabalhos mostrando como a cadeia de valor do café sustentável está estruturada e a importância dos grandes varejistas determinando certificados sustentáveis privados, não há trabalhos destacando o impacto da ação destes sobre os outros agentes da cadeia de valor, principalmente produtores. Uma exceção é o trabalho de Kolk (2012) que destaca a experiência da Divisão Internacional de café da Sara Lee´s, maior compradora mundial de café certificado UTZ.

Há grande atenção em analisar o impacto dos projetos relacionados a café sobre as comunidades (Kolk, 2013a), mas muito pouco foi encontrado a respeito do impacto destes programas no Brasil, maior produtor mundial de café. Há trabalhos sobre outros países do continente americano, como Nicarágua (Bacon, 2005; Valkila, 2009), Costa Rica (Blackman & Naranjo, 2012), México e Peru (Barham & Weber, 2012), também sobre países africanos, como é o caso de Uganda (Chiputwa, Qaim, & Spielman, 2013), mas apenas um publicado por autor brasileiro em uma revista internacional (Pinto et al., 2014), a Ecological Economics e outro publicado em uma revista nacional (Silva et al., 2014), a Revista de Economia e Sociologia Rural.

Em relação à sustentabilidade poucos trabalhos deixaram explícito o conceito de sustentabilidade que estavam adotando, contudo, ao analisar o referencial teórico e métodos dos artigos estudados, percebeu-se a predominância do conceito do Triple Botton Line. No entanto, notou-se uma ausência de trabalhos que cruzem a vertente econômica com a ambiental e a social, sugerindo assim caminhos para novos estudos.

Em complemento, observou-se a ausência de artigos que façam um paralelo entre certificação e desempenho. Os poucos trabalhos que tratam do assunto, colocam como variável de medida os preços prêmios (Hira & Ferrie, 2006) e a produtividade (Kilian, Jones, Pratt, & Villalobos, 2006), bem como índice de diminuição de pobreza e lucratividade (Beuchelt & Zeller, 2011) o que apresenta boas perspectivas de pesquisa.

Como limitação desta pesquisa tem-se a restrição das buscas a duas bases de dados (Web of Science e Scielo), o que pode ter reduzido a amostra e com isso as possíveis conclusões. Contudo ressalta-se que a amostra compreendeu publicações dos principais journals nacionais e internacionais, se mostrando assim, mesmo que restrita, com alto potencial qualitativo para tal estudo.

Referências

Andrade, F. S., & Jung, C. F. (2013). Análise de referências utilizadas por pesquisadores na revista Gestão & Produção. Transinformação, 25(1), 19–25.

Angell, L. C., & Klassen, R. D. (1999). Integrating environmental issues into the mainstream: an agenda for research in operations management. Journal of Operations Management, 17(5), 575–598.

Bacon, C. (2005). Confronting the coffee crisis: Can Fair Trade, organic, and specialty coffees reduce small-scale farmer vulnerability in Northern Nicaragua? World Development, 33(3), 497–511. http://doi.org/10.1016/j.worlddev.2004.10.002

Bardin, L. (1977). Análise de conteúdo. Lisboa: Edições 70.

Barham, B. L., & Weber, J. G. (2012). The Economic Sustainability of Certified Coffee: Recent Evidence from Mexico and Peru. World Development, 40(6), 1269–1279. http://doi.org/10.1016/j.worlddev.2011.11.005

Beuchelt, T. D., & Zeller, M. (2011). Profits and poverty: Certification’s troubled link for Nicaragua’s organic and fairtrade coffee producers. Ecological Economics, 70(7), 1316–1324. http://doi.org/10.1016/j.ecolecon.2011.01.005

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1. Doutoranda, Departamento de Engenharia de Produção Escola Politécnica, Universidade de São Paulo. E-mail: marymelo@usp.br

2. Professora Assistente, Departamento de Engenharia de Produção Escola Politécnica, Universidade de São Paulo. E-mail: robertacsouza@usp.br

3. Doutorando, Departamento de Engenharia de Produção Escola Politécnica, Universidade de São Paulo. E-mail: willerson.silva@usp.br

4. Professor Titular, Departamento de Engenharia de Produção Escola Politécnica, Universidade de São Paulo. E-mail: amato@usp.br


Revista ESPACIOS. ISSN 0798 1015
Vol. 38 (Nº 17) Año 2017

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