ISSN 0798 1015

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Vol. 38 (Nº 16) Año 2017. Pág. 26

Diferentes embalagens na conservação pós-colheita de Cajá-Manga

Different packaging in conservation Caja-Mango Post-harvest

Luiz Henrique Costa VASCONCELOS 1; Zeuxis Rosa EVANGELISTA 2; André José de CAMPOS 3; Itamar Rosa TEIXEIRA 4

Recibido: 05/12/16 • Aprobado: 18/12/2016


Conteúdo

1. Introdução

2. Material e Métodos

3. Resultados e Discussão

4. Conclusões

Referências Bibliográficas


RESUMO:

Este estudo objetivou avaliar as características pós-colheita do cajá-manga sob diferentes embalagens. Os frutos foram adquiridos de Hidrolândia/GO e analisados no laboratório de Pós-colheita da Universidade Estadual de Goiás. Foi utilizado delineamento inteiramente casualizado, com 3 repetições e esquema fatorial 5x8 (embalagens x dias de análise). Avaliou-se firmeza, índice de maturação, luminosidade e aceitabilidade. Os dados foram submetidos a análise de variância (P<0,05) e quando significativos aplicou-se Tukey a 5% de probabilidade. Concluiu-se que a embalagem de PEBD possibilitou manutenção das características desejáveis de pós-colheita, permitindo ao fruto conservar, com maior estabilidade, as propriedades físico-químicas e o tempo de vida útil.
Palavras-chave - Spondias dulcis Forst. Qualidade. Atmosfera modificada passiva.

ABSTRACT:

This study aimed to evaluate the caja-manga postharvest characteristics under different packaging. The fruits were acquired of Hidrolândia/GO and analyzed in Postharvest Laboratory of the State University of Goiás. Was used completely randomized design, with three replicates and 5x8 factorial design (packaging x test days). Was evaluated firmness, maturation index, luminosity and acceptability. Data were subjected to analysis of variance (P <0.05) and significant when we applied Tukey at 5% probability. It was concluded that the LDPE packaging enabled maintenance of the desirable characteristics of post harvest fruit preserve allowing for stability, physicochemical properties and lifetime.
Keywords - Spondias dulcis Forst. Quality. Passive modified atmosphere.

1. Introdução

A fruticultura é um ramo econômico que vem crescendo em todo o Brasil e fornece produtos tanto para a exportação quanto para o consumo interno. Neste panorama, encontra-se o fruto da cajazeira (Spondias dulcis Forst), de árvore frutífera pertencente à família Anacardiaceae, produzida, comercializada e difundida principalmente, nas regiões Norte e Nordeste, onde há crescente demanda, e também em biomas como a Mata Atlântica, sendo seus frutos conhecidos popularmente como cajá, cajá-manga, cajá-mirim, cajazinho ou taperebá (OLIVEIRA et al., 2013).

O cajá-manga apresenta-se com alto rendimento de polpa (40 a 60%), tem alta aceitabilidade no mercado por seu sabor e aroma exótico, com elevado valor comercial como matéria-prima para sucos, sorvetes, picolés, licores e geleias (CAVALCANTE et al., 2009).

No entanto, observa-se inúmeras perdas pós-colheita, o que evidentemente, gera prejuízos. Portanto, há a necessidade de estudos e desenvolvimento de novas técnicas e processos que permitam reduzir perdas, e que favoreçam o agronegócio, trazendo incremento na renda dos produtores. Uma das alternativas para que isto ocorra é o uso de técnicas pós-colheita a partir de frutas nativas ou daquelas que facilmente se propaguem no solo brasileiro, e que possibilite maior vida pós-colheita (OLIVEIRA et al., 2011; SANTOS et al. 2011;  MANOLOPOULOU et al., 2012).

Segundo Mattietto e Lopes (2007), há vários fatores que podem ser capazes de influenciar a qualidade pós-colheita e a vida de prateleira dos frutos, como as condições de processamento, tipo e propriedades das embalagens, temperatura e tempo de estocagem, tipo de produto e carga microbiana e enzimática inicialmente presentes.

Sendo economicamente mais interessante, a atmosfera modificada passiva atua na atmosfera interna das embalagens modificando-as, de modo a atingir os níveis de CO2 e O2 através da respiração do próprio produto e de acordo com a permeabilidade do material da embalagem (RODRIGUES et al., 2008).

O uso de embalagens com atmosfera modificada passiva interfere nos processos bioquímicos e fisiológicos do fruto, e também permitem retardar a senescência e diminuir a proliferação de agentes microbianos (ARRUDA et al., 2011). Como auxílio para reduzir a acelerada perda da qualidade dos frutos, emprega-se a atmosfera modificada e o armazenamento refrigerado, podendo ser aplicadas juntas ou isoladamente. Sendo o armazenamento refrigerado imprescindível para retardar a deterioração fisiológica, química e física dos produtos in natura (VIVIANI e LEAL, 2007).

Segundo Kohatsu et al. (2011), o cajá-manga por se tratar de um produto que é consumido in natura principalmente, há a necessidade do emprego da atmosfera modificada e do uso de refrigeração, que prolongam o período de conservação dos frutos durante o armazenamento, podendo diminuir a incidência de danos oriundos pela transpiração e respiração, como mudança de aparência e perda de massa. E ainda infere que conhecer e aplicar técnicas adequadas são de suma importância e asseguram a manutenção da qualidade deste produto.

Desta forma, objetivou-se avaliar as características de pós-colheita do cajá-manga submetidos a diferentes embalagens, verificando a manutenção das variáveis de qualidade: físicas e físico-químicas.

2. Material e Métodos

Os frutos foram colhidos na propriedade produtora de cajá-manga, Fazenda e Vinícola Jabuticabal, localizada em Nova Fátima, distrito do município de Hidrolândia - Goiás, a 16º54'24"S e 49º19'90"W, a 673m de altitude, cidade do Estado de Goiás, entre os meses de março e abril de 2014.

Para as amostras dos frutos, os mesmos foram selecionados de forma manual, quanto à uniformidade do estádio de maturação com frutos verdes, com completo desenvolvimento fisiológico e ausência de defeitos, em potencial consumo comercial. Após colhidos, os frutos foram transportados em caixas de poliestireno expandido (EPS), de 16 litros, refrigeradas com uma barra de gelo-x no interior de cada.

Antes da montagem dos experimentos, os frutos foram armazenados em câmara fria a 10ºC durante 12 horas, visando à diminuição do metabolismo dos mesmos. Posteriormente, os frutos foram levados para o laboratório de Secagem e Armazenamento Pós-colheita da Universidade Estadual de Goiás - UEG, Campus de Ciências Exatas e Tecnológicas, na cidade de Anápolis - Goiás, para a montagem dos experimentos, armazenamento e análises físicas e físico-químicas.

Os frutos, antes da aplicação dos tratamentos, foram colocados no interior do protótipo de radiação ultravioleta C (UVC) e receberam 2 minutos de irradiação em todas as faces, objetivando a desinfecção superficial dos mesmos. Após a radiação, os frutos, de cada tratamento, foram separados por diferentes embalagens em delineamento inteiramente casualizado, em esquema fatorial 5x8 (embalagens x dias de análise), e as análises realizadas com 3 repetições.

Os tratamentos foram divididos em: (1) embalagem de polipropileno (PP), (2) embalagem de polietileno de baixa densidade (PEBD), (3) embalagem de cloreto de polivinila (PVC) + poliestireno expandido (EPS), (4) embalagem de polietileno tereftalato (PET) e (5) controle (sem embalagem). As amostras foram armazenadas refrigeradas em B.O.D. (8° C e 85±5% UR), durante 21 dias e analisados a cada três dias (0, 3, 6, 9, 12, 15, 18 e 21 dias).

A firmeza foi determinada pelo uso do texturômetro CT3 (Brookfield), utilizando ponteira proube tipo agulha, com distância de penetração de 5 mm e velocidade de penetração de 6,9 mm seg-1. Foi procedida a leitura em lados opostos da seção equatorial dos frutos, sendo que o valor obtido para se determinar à firmeza, em cN (centiNewton), foi definido como a máxima força requerida para que uma parte do ponteira penetre a polpa do fruto.

O índice de maturação (IM) foi determinado pela razão entre sólidos solúveis (SS) e acidez titulável (AT) (IAL, 2008). Esse parâmetro mede a qualidade e aceitação do fruto durante o armazenamento.

Na coloração foi verificado os valores de luminosidade L*, medidos por refletância, utilizando-se colorímetro ColorQuest XE, onde a coordenada L* indica quão escuro e quão claro é o produto (valor zero cor preta e valor 100 cor branca), seguindo recomendações de Minolta (1994).

Para a aceitabilidade, utilizou-se de uma equipe de 50 provadores, não treinados, para provar uma parcela do fruto, de cada tratamento, e avaliar tal atributo (WANG, 1999), do cajá-manga, nos dias 3, 12 e 21 do experimento. De acordo com a seguinte escala de notas hedônicas de 9 pontos, ancorados em seus extremos nos termos: gostei muitíssimo (9) e desgostei muitíssimo (1).

Os dados originados das análises dos frutos foram submetidos a análise de variância (P<0,05) e quando significativos foi feito o teste de comparação de médias Tukey a 5% de probabilidade (P<0,05) para todos os parâmetros. Para as análises estatísticas foi utilizado o Software SISVAR 5.3.

3. Resultados e Discussão

Os valores das firmezas do cajá-manga em função das diferentes embalagens e dos dias de armazenamento são apresentados na Tabela 1. Observa-se que a firmeza dos frutos apresentou decréscimo ao longo do período de armazenamento, constatando diferença significativa entre os frutos com e sem embalagem, e também diferenças entre as embalagens utilizadas, corroborando com o trabalho de Oliveira et al. (2010).

Tabela 1 - Valores médios de firmeza (cN) de cajá-manga (Spondias dulcis Forst),
em função de diferentes embalagens e dias de armazenamento.
Table 1 - Average firmness values (cN) caja-manga (Spondias dulcis Forst),
for different packaging and days of storage.

Dias

Tratamentos

PP

PEBD

PVC+EPS

PET

Controle

Média

0

1235,833aA

1235,833aA

1235,833aAB

1235,833aA

1235,833aA

1235,833

3

1242,50abA

1091,6abAB

1353,333aA

1049,16abAB

949,166bA

1137,16

6

1077,083aA

1185,833aA

1193,33aAB

1362,50aA

1015,83aA

1166,91

9

930,416aA

1290,166aA

966,66aABC

1175,00aAB

1114,27aA

1095,30

12

960,000aA

1224,166aA

981,66aABC

1170,00aAB

963,333aA

1059,83

15

389,166bB

977,766aAB

1057,5aABC

1030,00aAB

408,333bB

772,553

18

288,333bB

979,166aAB

674,166abC

992,50aAB

310,833bB

649,000

21

205,833cB

664,800abB

807,500aBC

793,333aB

270,83bcB

548,460

Média

791,146

1081,175

1033,750

1101,042

783,554

 

Médias seguidas pela mesma, letra minúscula na linha e maiúscula na coluna,
não diferem estatisticamente entre si pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade (P>0,05).
Means followed by the same lower case letter in the row and column capital,
are not statistically different by Tukey test at 5% probability (P> 0.05).

O efeito da embalagem pode ser observado em detrimento das diferenças entre as 5 embalagens utilizadas, onde o tratamento PET e PEBD registraram as maiores médias de firmeza, 1101,04 e 1081,17 cN, respectivamente, mostrando que esses tratamentos têm potencialidades na manutenção da firmeza do cajá-manga. Possivelmente, devido a lignificação do tecido, catalisada principalmente pelas enzimas fenilalanina amônia-liase e peroxidase (CAMARGO et al., 2012).

Não distante, encontra-se o tratamento PVC+EPS, com média de 1033,75 cN durante os 21 dias de análise. Ao decorrer do armazenamento, todos os tratamentos foram sofrendo amaciamento e amadurecendo, conforme exposto por Ishak et al. (2005), onde inferem que o avanço da maturidade traz diminuição da firmeza, visto que pectinas solúveis contribuem para o amolecimento do fruto.

De acordo com Prasanna et al. (2007), este  parâmetro  vai  sofrendo  alterações  durante o amadurecimento do fruto essencialmente provocadas pela degradação do  amido e modificações no metabolismo das paredes celulares, sendo assim, as modificações sofridas nos frutos principalmente nos tratamentos controle e PP foram mais evidentes, não sendo efetivas na manutenção da firmeza do produto.

Houve acentuada diferença entre os tratamentos das embalagens de PP para as demais testadas, diferenciando do exposto por Sanches et al. (2011), que trabalhando com nêsperas nas embalagens PP e PEBD, não observaram alteração da firmeza. No entanto, corrobora com Oliveira et al. (2010), onde a embalagem de PP não proporcionou tantos benefícios, comparando-se com a embalagem de PVC+EPS, em detrimento de um equilíbrio entre os gases de CO2 e O2, acarretando perda da firmeza.

Portanto, tanto os tratamentos PET e PEBD tiveram resultados próximos e mais estáveis na redução da perda de firmeza, além de permitir aos frutos maior conservação pós-colheita. Ramos et al. (2010), relata que as determinações de firmeza, teor de sólidos solúveis e acidez são fundamentais porque além de influenciarem as características sensoriais dos frutos, dão importantes indicações sobre a sua capacidade de armazenamento.

A Tabela 2 traz os valores médios do índice de maturação em detrimento das diferentes embalagens testadas. Com base nos resultados, constatou-se a estabilidade dos frutos armazenados na embalagem PET até o 18º dia e a menor média deste índice ao longo dos dias para PEBD. Não descartando também o armazenamento em atmosfera modificada passiva da embalagem de PVC+EPS, que demonstrou certa estabilidade ao longo do armazenamento. Porém no tratamento PP e controle, comparando-se com os demais, observou-se elevação dos índices de maturação, fato esse que pode ser notado já no 9º dia, para o tratamento PP, e no 12º dia, para o controle, devido provavelmente ao comportamento característico de maturação e amadurecimento do cajá-manga analisado (LIMA et al., 2009).

Tabela 2 - Valores médios de índice de maturação (SS/AT) de cajá-manga (Spondias dulcis Forst),
em função de diferentes embalagens e dias de armazenamento.
Table 2 - Average maturity index values (SS / AT) caja-manga (Spondias dulcis Forst),
for different packaging and storage days.

Dias

Tratamentos

PP

PEBD

PVC+EPS

PET

Controle

Média

0

6,065aC

6,065aAB

6,065aAB

6,065aAB

6,065aB

6,065

3

5,053aC

5,677aAB

5,763aAB

5,332aB

5,581aB

5,481

6

6,854aBC

5,702aAB

5,300aB

5,355aB

5,890aB

5,820

9

8,592aB

5,287bAB

7,120abAB

5,313bB

5,398bB

6,342

12

6,780aBC

3,988bB

6,624aAB

5,967aAB

6,159aB

6,035

15

11,103aA

6,910bA

7,557bA

6,135bAB

10,103aA

8,362

18

11,208aA

6,210bcA

7,817bA

5,889cAB

9,777aA

8,180

21

11,264aA

6,836bA

6,842bAB

8,004bA

11,829aA

8,955

Média

8,365

5,834

6,636

6,090

7,600

 

Médias seguidas pela mesma, letra minúscula na linha e maiúscula na coluna,
não diferem estatisticamente entre si pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade (P>0,05).
Means followed by the same lower case letter in the row and column capital,
are not statistically different by Tukey test at 5% probability (P> 0.05).

Os valores médios do índice de maturação observados para cajá-manga, nas condições desse experimento, foram de 3,988 a 11,829. Yamashita et al. (2001), trabalhando com mangas 'Tommy Atkins' embaladas com filme de PVC, observaram que a relação SS/AT foi de 16,5 para frutos com embalagem PVC, enquanto a controle obteve 23,3, sendo observado aumento menos expressivo de sólidos solúveis e maior redução na acidez.

Cia et al. (2007), trabalhando com amora-preta, observaram que a embalagem PEBD não influenciou de forma significativa o índice de maturação. Semelhante ao deste trabalho, pois houve aumento na relação SS/AT em todos os tratamentos, exceto no PEBD onde ocorreu apenas oscilação dessa variável.

Segundo Souto et al. (2004), o uso de embalagens de PVC e PEBD em abacaxi 'Pérola' não apresentaram diferença significativa na relação SS/AT durante o armazenamento de 29 dias. No entanto, para este estudo nota-se o contrário, pois observou-se que o menor índice de maturação foi na embalagem de PEBD, tendo uma diferença em 13,74% em relação aos frutos embalados em PVC.

Para o parâmetro luminosidade (L) do cajá-manga, ao longo do armazenamento, foram observadas pequenas diferenças nos frutos (Tabela 3), sendo que os valores apresentaram ligeiro aumento para os tratamentos PP e PET, enquanto que para os frutos embalados com PEBD e PVC+EPS os valores oscilaram, se mantendo praticamente estáveis do início ao final do armazenamento, exceção apenas para o controle que apresentou redução dos valores observados.

Tabela 3 - Valores médios do parâmetro de luminosidade L de cajá-manga (Spondias dulcis Forst),
em função de diferentes embalagens e dias de armazenamento.
Table 3 - Average values of L brightness parameter caja-manga (Spondias dulcis Forst),
for different packaging and storage days.

Dias

                                                           Tratamentos

PP

PEBD

PVC+EPS

PET

Controle

Média

0

43,631aBCD

43,631aA

43,631aAB

43,631aAB

43,631aA

43,631

3

41,425aCD

40,298aAB

39,158aAB

39,085aBC

37,736aABC

39,540

6

39,502aD

40,011aAB

39,882aAB

36,939aC

36,643aBC

38,595

9

46,239aABC

41,011abAB

38,880bB

37,544bBC

36,092bBC

39,953

12

43,740aBCD

39,109aAB

42,841aAB

42,009aABC

40,870aAB

41,714

15

50,378aA

36,957cdB

45,308abA

42,640bcABC

34,456dBC

41,948

18

49,803aAB

44,900abA

41,546bAB

42,866bABC

32,976cC

42,418

21

49,468aAB

42,487bAB

41,938bAB

46,062abA

35,663cBC

43,124

Média

45,523

41,051

41,648

41,347

37,258

 

Médias seguidas pela mesma, letra minúscula na linha e maiúscula na coluna,
não diferem estatisticamente entre si pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade (P>0,05).
Means followed by the same lower case letter in the row and column capital,
are not statistically different by Tukey test at 5% probability (P> 0.05).

Os resultados do presente estudo tiveram comportamento diferente aos de Silva et al. (2009), onde observaram que não houve diferença significativa da luminosidade para os tratamentos controle e PVC, sendo que, no decorrer dos dias de análise, o tratamento controle apresentou lento processo de escurecimento, ocasionando decréscimo da luminosidade durante o armazenamento, fato esse constatado para esse experimento. Esse comportamento pode ser devido às limitações de trocas gasosas causadas pela embalagem, que retarda as transformações bioquímicas, como a degradação da clorofila e aparecimento de pigmentos carotenoides responsáveis pelo escurecimento da polpa (SILVA et al., 2009).

Nota-se que não ocorreram acentuadas diferenças no tratamento PEBD, como também observado por Tibola et al. (2007), onde trabalhando com morangos, verificaram a não ocorrência de diferença significativa para essa embalagem nos parâmetros de cor L*, a*, b* e ºHue. Vilas Boas et al. (2012), não observaram diferença significativa quanto as embalagens de PVC e PP para pimentões. Para as embalagens PET e PP, Miguel et al. (2007), observaram o incremento de L em tomates.

A Tabela 4, expressa a aceitabilidade dos frutos de cajá-manga. Nota-se a impossibilidade de avaliação, desta variável, no 21º dia, pois os frutos de todos os tratamentos, exceto PEBD e PVC+EPS, não estavam aptos para o consumo, apresentando podridões de origem fúngica em diversas amostras. Observa-se que nesta análise não houve diferença significativa entre os dias, apenas entre tratamentos, apontando o PVC+EPS com a menor nota na avaliação e o controle com a maior nota entre os dois dias avaliados.

Entre as avaliações, os provadores relataram de forma verbal que os frutos com sabor mais doce e melhor apreciados eram do tratamento controle. Tal aspecto torna-se evidente devido a própria manutenção da qualidade e atraso na senescência que as embalagens proporcionaram nos demais tratamentos com atmosfera modificada passiva (ARRUDA et al., 2011), fazendo com que os frutos apresentassem sabor mais adstringente, por não desenvolver completamente a maturação, recebendo assim pontuações inferiores.

Tabela 4 - Valores médios de notas de aceitabilidade de cajá-manga (Spondias dulcis Forst),
em função de diferentes embalagens e dias de armazenamento.
Table 4 - Average values of notes acceptability caja-manga (Spondias dulcis Forst),
for different packaging and days of storage.

Dias

Tratamentos

PP

PEBD

PVC+EPS

PET

Controle

Média

3

6,620aA

6,700aA

6,640aA

6,800aA

7,000aA

6,752

12

6,840abA

6,620abA

6,420bA

6,740abA

7,320aA

6,788

21

-

-

-

-

-

-

Média

6,730

6,660

6,530

6,770

7,160

 

Médias seguidas pela mesma, letra minúscula na linha e maiúscula na coluna, não
diferem estatisticamente entre si pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade (P>0,05).
Means followed by the same lower case letter in the row and column capital, are not
statistically different by Tukey test at 5% probability (P> 0.05).

4. Conclusões

Com base nas avaliações realizadas, conclui-se que a embalagem de PEBD foi responsável por manter as características desejáveis de pós-colheita, permitindo ao fruto conservar, por maior período, a qualidade física e físico-química com maior estabilidade, além de apresentar maior tempo de vida útil.

Conclui-se também que a embalagem de PVC+EPS, destacou-se na manutenção da qualidade do fruto de cajá-manga, porém com pequenas restrições em algumas variáveis.

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1. Doutorando pela Universidade Federal de Goiás, luishcvasconcelos@gmail.com

2. Mestre pela Universidade Estadual de Goiás, zeuxis_zre@hotmail.com

3. Professor Doutor da Universidade Estadual de Goiás, andre.jose@ueg.br

4. Professor Doutor da Universidade Estadual de Goiás, itamar.texeira@ueg.br


Revista ESPACIOS. ISSN 0798 1015
Vol. 38 (Nº 16) Año 2017

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