ISSN 0798 1015

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Vol. 38 (Nº 15) Año 2017. Pág. 2

Criatividade no contexto educacional: Uma análise comparativa em alunos universitários

Creativity in educational background: A comparative analysis in university students

Ana Cláudia COSTA 1; Edicleide da Silva MARINHO 2; George André Souza SANTIAGO 3; Raimundo Alberto REGO Júnior 4; Waleska Cristina EUFLAUSINO 5; Mario Orestes Aguirre GONZÁLEZ 6

Recibido: 15/10/16 • Aprobado: 12/11/2016


Conteúdo

1. Introdução

2. Criatividade

3. Método da pesquisa

4. Resultados

5. Conclusão

Referências


RESUMO:

O estudo tem como objetivo realizar uma análise comparativa do desempenho criativo de alunos de graduação em engenharia de produção de uma instituição de ensino superior do Brasil. Para tanto, foi realizada uma pesquisa do tipo survey de caráter exploratório com duas amostras: alunos no período inicial do curso e; alunos concluintes do curso. Os três indicadores cognitivos, relacionados ao pensamento divergente propostos por Torrance (fluência, flexibilidade e originalidade) permitiram comparar o desempenho criativo dos indivíduos. Como resultado, constatou-se que o ambiente educacional influencia negativamente no desempenho criativo dos estudantes, pois a partir da análise dos dados, os ingressantes apresentam índices de criatividade superiores aos alunos que estão próximos da conclusão.
Palavras-chave: criatividade; criatividade no ambiente educacional; características do indivíduo criativo; teste Torrance

ABSTRACT:

The study aims to conduct a comparative analysis of the creative performance of undergraduate students in engineering production of a higher education institution in Brazil. Therefore, a search of the exploratory survey type with two samples was performed: students in the initial period of the course and; were graduating students. The three cognitive indicators related to divergent thinking proposed by Torrance (fluency, flexibility and originality) possible to compare the performance of creative individuals. As a result, it was found that the educational environment negatively influences the creative performance of students because from the data analysis, the freshmen have creativity rates higher than students who are nearing completion.
Keywords: creativity; creativity in the educational environment; characteristics of the creative individual; Torrance test

1. Introdução

A criatividade corresponde a um objeto de estudo em expansão e que caracteriza-se como uma competência chave para gerar ideias novas e úteis. Em particular, a criatividade é percebida como um ponto de partida que traz inovação para as organizações e, assim, muitos estudos têm sido realizados sobre o tema (Han et al., 2015). De acordo com Nakano e Wechsler (2006), a criatividade é atualmente reconhecida pela sua importância para o desenvolvimento completo do indivíduo, o que a torna uma característica essencial e que deve ser estimulada e valorizada na sociedade.

Contudo, perante amplas formas de manifestação da criatividade, a mensuração deste construto é vista pela literatura como um desafio, pois envolve diversas variáveis referentes as características cognitivas e emocionais. Em face de tal amplitude sobre o que representa a criatividade, o surgimento de ferramentas, qualitativas e quantitativas, possibilitou mensurar o nível de criatividade e a relação de diversas características que podem influenciar o potencial criativo do indivíduo.

Dentre os contextos que a criatividade vem sendo estudada, o espaço educacional apresenta destaque por ser o âmbito que potencializa o conhecimento e, consequentemente, favorece o desenvolvimento pessoal e profissional. Para Alencar (2002) e Martinez (2002), o ambiente escolar influencia no processo de desenvolvimento da criatividade, sendo importante o estímulo e desenvolvimento dessa habilidade no processo de ensino e aprendizagem. Por esse motivo, é importante que pesquisas a respeito de diferentes aspectos compreendidos nesse contexto, o qual envolvem pessoas, ambiente e processos que favoreçam a expressão e o desenvolvimento da criatividade, sejam desenvolvidas.

Frente ao exposto, este artigo apresenta o seguinte problema de pesquisa:O ambiente educacional de ensino superior de engenharia potencializa a criatividade do indivíduo? A luz da problemática apresentada, o objetivo desta pesquisa é realizar uma análise comparativa do desempenho criativo de graduação em engenharia de produção de uma instituição de ensino superior do Brasil. O intuito é avaliar se as características pessoais destes indivíduos como a idade, nível de conhecimento intelectual e sexo, se relacionam de maneira positiva com três características cognitivas (Fluência, Flexibilidade, Originalidade) propostas por Torrance (1987).

Embora o próprio Torrance estude o assunto desde de 1966 e tenha publicado estudos com treze características que envolvem aspectos emocionais e análises interpretativas a partir de desenhos, o estudo utiliza as três características inicias, pois essas podem ser analisadas de forma quantitativa sem levar em consideração a interpretação subjetiva dos dados.

O artigo estar distribuído em cinco seções. A primeira seção é introdutória, a segunda inclui a apresentação do método de pesquisa utilizado para a elaboração deste estudo. A terceira seção é composta pelo referencial teórico no qual são abordadas as seguintes temática: criatividade, criatividade no ambiente educacional, características do indivíduo criativo e o teste Torrance. Na quarta seção, os resultados da pesquisa são apresentados, com as considerações finais e as recomendações para futuros trabalhos de pesquisa sobre os temas contemplados na quinta seção.

2. Criatividade

A capacidade de adaptação tornou-se um atributo essencial para a sustentabilidade de quem vive em um contexto de alta dinamicidade presente no mundo contemporâneo. É essa capacidade de adaptação que tem feito com que a criatividade seja vista como fator essencial em um ambiente composto por revoluções tecnológicas, mudanças constantes, velocidade, instabilidade e alto volume de informações. É nesse cenário que estudos relacionados a temática vem sendo desenvolvidos com o objetivo de identificar meios que possibilitem a integração e potencialização dessa habilidade no indivíduo o qual faz parte dos mais diversos setores, seja ele econômico ou educacional.

Entretanto, para ampliar a compreensão sobre a capacidade criativa dos indivíduos, é necessário o conhecimento dos conceitos relacionados ao assunto abordado. Segundo De Masi (2000), a criatividade consiste em um processo mental e prático, ainda bastante misterioso, graças ao qual uma só pessoa ou um grupo, depois de ter pensado algumas ideias novas e fantasiosas, consegue também realizá-las concretamente. Já Tremblay (2011), argumenta que a criatividade se refere à capacidade dos indivíduos ou grupos para criar, inventar, imaginar algo novo.

Para Pantaleão e Pinheiro (2009), a criatividade pode ser definida como a capacidade de se pensar ao reverso das regras, de designar coisas novas a partir da combinação singular e coerente do saber existente. Assim, considera-se a criatividade como um fenômeno multifatorial e multidimensional, que não leva em consideração apenas os aspectos individuais e cognitivos, mas também os psicossociais, como as influências ambientais sobre o conjunto de relações implicadas no processo de criar (GURGEL, 2006).

Sternberg (1988) destaca que atributos de personalidade, inteligência e estilo cognitivo caracterizam alguns elementos presentes em um indivíduo criativo. Em adição, Fernandes (2013) apresenta a curiosidade, a autoconfiança, a percepção dos problemas de diferentes pontos de vista, o uso da abstração, a combinação e sintetização de ideias, como características de um indivíduo criativo.

Contudo, apenas características próprias não definem se uma pessoa é criativa. O ambiente e elementos externos devem ser levados em consideração. Para Oliveira (2010), fatores como família, escola, ambiente de trabalho, contexto sociocultural e a saúde podem influenciar de forma positiva no desenvolvimento do potencial criativo do indivíduo. Em contraste, Alencar (1999), a inibição, timidez, falta de tempo e oportunidade, repressão social e falta de motivação como barreiras que dificultam o indivíduo tirar proveito de seu potencial.

Diante disso, pode-se verificar o grau de complexidade da criatividade e que existem diversos elementos que contribuem para melhoria e desenvolvimento do potencial criativo do indivíduo. Embora já se tenha caminhado para a compreensão do tema no último século, por meio de estudos e pesquisas sistematizadas, um outro foco de discussão que envolve a temática criatividade centra na elaboração de indicadores, critérios e instrumentos de medição desse constructo (NAKANO e WECHSLER, 2006).

Nesse contexto, os testes de Torrance caracterizam-se como os instrumentos de avaliação quantitativa mais presentes na literatura. O pesquisador Paul Torrance propôs estudos e testes com referência a criatividade no âmbito escolar, dentre eles o teste de Pensamento Criativo cujo intuito é avaliar a criatividade mediante o uso de testes que se baseiam na estima de vertentes do pensamento criativo envolvendo características cognitivas e não cognitivas.

As primeiras publicações do Teste focavam apenas em quatro características cognitivas, tais como fluência, flexibilidade, originalidade e elaboração. Após a evolução das pesquisas outras 13 características criativas foram incorporadas contemplando vertentes emocionais da criatividade. Devido a sua composição ter características cognitivas e não-cognitivas, esses testes mais recentes são considerados os mais adequados para a avaliação da criatividade. Estes são as ferramentas mais utilizadas, no que tange a descoberta e estimulação de talentos criativos, com uso para seleção e treinamento pessoal, orientação vocacional, identificação de liderança e avaliação de programas destinados ao desenvolvimento do potencial criativo em demais áreas de conhecimento.

2.1. Criatividade no Contexto Educacional

Pesquisas relativas ao potencial criativo de estudantes universitários ainda são pouco exploradas, no qual o foco de estudo é direcionado à professores e alunos do primeiro grau e em menor escala com alunos do segundo grau. De acordo com Alencar (1997), os estudos no contexto universitário têm se restringido sobretudo à investigação de métodos e técnicas voltados para o desenvolvimento de habilidades criativas.

O desenvolvimento da criatividade no âmbito educacional não deve ser visualizado como um esforço restrito somente às escolas, sendo recomendada sua ampliação para diferentes espaços de educação que poderiam compartilhar da função do desenvolvimento de tal fenômeno (SILVA; NAKANO, 2012). Um indivíduo encontra possibilidades ou estímulos para expressar o seu potencial criativo, por meio de estilo (s) preferencial (is), em um espaço maior entendido como familiar, educacional e social, ele terá maiores chances de encontrar a sua auto realização pessoal (WECHSLER, 2007).

O âmbito educacional pode estimular, ou inibir o potencial criativo dos indivíduos, dependendo de como se insere a criatividade no ambiente (RUNCO, 2007). O potencial criativo existe em todas as pessoas, porém o estímulo mediante técnicas e estratégias é necessário, pois auxiliam no desenvolvimento da criatividade.

De acordo com Runco (2007) a família, escola, ambiente de trabalho, contexto sociocultural e saúde são agentes influenciadores no desenvolvimento, ou inibição da criatividade. As primeiras pesquisas no campo científico apresentaram este constructo oriundo apenas a indivíduos privilegiados conhecido como superdotados. Entretanto, o avanço das pesquisas retrata o comportamento criativo como algo que pode ser aprendido e estimulado (FLEITH, 2007). Dentro do ambiente escolar faz-se necessário que o educador conheça e utilize técnicas de criatividade que estimulem o desenvolvimento do potencial criativo do aluno.

Diante disso, as hipóteses relacionada ao ambiente educacional e potencial criativo são:

Ho:O ambiente educacional universitário não influencia no desempenho criativo dos alunos.

H1:O ambiente educacional universitário influencia no desempenho criativo dos alunos.

 

3. Método da pesquisa

3.1. Caracterização

A pesquisa caracteriza-se quanto ao método como uma survey (FORZA, 2002), e ao gênero como teórica e prática.  Quanto ao seu objetivo é caracterizada como exploratória (MIGUEL, 2010), quanto à abordagem científica é classificada como quantitativa (CRESWELL, 2010), uma vez que os dados numéricos serão tabulados e servirão de base para análise das características de estudo.

3.2. Participantes

Para o estudo, foram utilizadas duas amostras o qual totalizaram 51 respondentes. A primeira amostra é composta por 26 indivíduos (23,7% mulheres; 76,93% homens) que cursavam o primeiro e segundo período. Já na segunda, participaram 25 alunos (40% mulheres; 60% homens) do 8º ao 12º período do curso.

3.3. Instrumento de Pesquisa

O material utilizado no estudo foi um questionário no qual contemplou situações que permitiram avaliar três indicadores cognitivos, relacionados ao pensamento divergente proposto por Torrance: 1) Fluência: quantidade de ideias expressas 2) Flexibilidade: diversidade no tipo de ideia apresentada; 3) Originalidade: ideias incomuns. O questionário  integrava 12 perguntas divididas em dois blocos: o primeiro era referente a informações pessoais: idade, sexo, período, se estava cursando a primeira graduação, se participa ou participou de algum projeto de pesquisa, se trabalha ou faz estágio, se a pessoa se acha criativa; o segundo bloco foi composto por perguntas abertas que pudessem estimular o pensamento criativo do indivíduo.

3.4. Procedimento

A aplicação do questionário foi dividida em três etapas. A primeira é composta pela escolha das turmas que seriam objeto de estudo. Dessa forma, identificou as disciplinas oferecidas no semestre e realizou um sorteio aleatório para escolha de duas: a primeira seria uma turma que estaria iniciando o curso e a segundo, finalizando o curso. A segunda etapa é referente ao contato com os indivíduos objetos de estudo, a fim de explicar-lhes o objetivo da pesquisa é obter o seu consentimento para posteriormente, aplicar o questionário. A aplicação foi realizada durante dois dias.  Na terceira etapa, com as informações obtidas, tabulou-se os dados e realizou sua análise para identificar a possível relação entre as variáveis de estudo. Para a primeira e terceira característica foi feito uma análise individual das ideias, utilizando o software R como ferramenta auxiliar. Para a segunda característica, não foi possível empregar a mesma ferramenta, pois como a definição da flexibilidade está relacionada com a diversidade, quando feito um estudo individual, essa característica se “iguala” a fluência, já que individualmente não existe repetições de ideias.

4. Resultados

Mediante a pesquisa realizada com os estudantes universitários, obteve-se os seguintes resultados. Na amostra 1 69% estavam cursando a primeira graduação e 31% já tinham feito outra graduação que abrangeram os cursos de engenharia civil, comunicação social-jornalismo, ciência e tecnologia, engenharia têxtil, engenharia mecânica, direito, engenharia química e matemática. Na participação de projetos, 96% nunca integraram um projeto de pesquisa. Em contrapartida, 4% fizeram parte de algum projeto pesquisa. No que se refere a estágio\trabalho, 27% estagiavam ou trabalhavam na indústria e produção do petróleo, segurança do trabalho, logística e consultoria, enquanto que 69% só estudava.

Na segunda amostra, 84% cursavam a primeira graduação e 16% já tinha feito outra graduação antes de iniciar o curso, tais como publicidade, engenharia dos materiais, tecnólogo em construção civil e ciências econômicas. No tocante a participação de projeto de pesquisa, 60% dos respondentes negaram, enquanto que 40% afirmaram participação. Dos 40%, 60% participaram de projeto direcionado para o estudo da criatividade. Com relação a estágio\trabalho, 16% não estavam no mercado de trabalho, enquanto que 84% estavam ativos e integravam as mais diversas áreas da engenharia de produção como logística, PCP, qualidade, estratégia e gestão de processos.

No segundo bloco de perguntas, utilizou o teste de Torrance para definir as variáveis que seriam base de estudo e para desenvolver as questões relacionadas a criatividade. Os questionamentos tiveram como finalidade estimular a criatividade do participante e promover novas abordagens e soluções para as problemáticas propostas. Assim, fez-se a integração das variáveis do primeiro bloco de pergunta (sexo, período) com o objetivo de identificar a relação destas com a fluência, flexibilidade e originalidade.

1) Fluência

Para identificar se os fatores de estudo (sexo e período) exerciam influência na variável fluência, realizou uma análise de variância utilizando como ferramenta de auxilio o software R. Contudo, antes de verificar se existe diferença significativa entre as médias e se os fatores exerciam influência significativa na variável dependente (fluência), fez o teste de normalidade shapiro-wilk a fim de identificar se a distribuição dos dados era normal. Como resultado, tem-se que o p-valor é equivalente a 0,5348, em outras palavras, esse número é maior que o nível de significância (0,05), portanto, a população vem de uma distribuição normal. Entretanto, quando fez a análise de normalidade por questão, observou que apenas a questão 5 tinha uma distribuição normal como apresentado na Figura 1.

Figura 1 - Teste de Shapiro-Wilk – Fluência

Uma análise exploratória dos dados é denotada no gráfico 1. Percebe-se uma alta variabilidade na maioria dos grupos, particularmente os discentes do sexo masculino pertencentes ao grupo 1. Além disso, é constatado a presença de Valores discrepantes que fogem do comportamento padrão das observações da amostra, denominados outliers. No grupo 1, os homens apresentam níveis médios iguais ou maiores na quantidade de ideias geradas do que o das mulheres. Diferentemente do primeiro grupo de estudo, no grupo 2, as mulheres apresentam níveis médios iguais ou maiores que os homens.

Gráfico 1 - Boxplot - Fluência

A Figura 2 apresenta a análise de variância das observações no qual a variável resposta é explicada pelas variáveis dependentes. Observa-se que o fator grupo é significativo, valor p < 0,05, nas questões 1, 2 e 4. Assim, o grupo ao qual está inserido influencia na fluência dos universitários nas questões 1 e 4. Em relação a questão 2, a interação entre grupo e sexo também foi importante, p valor menor que o nível de significância. Logo, a quantidade média de ideias para os níveis do grupo pode depender do sexo do discente. Por isso, a questão 2 não pode ser explicada pelo grupo, 1 ou 2, isoladamente.

Figura 2 - Resultado da ANOVA (Fluência) questão 1, questão 2, questão 3, questão 4, questão 5

Devido à presença de interação significativa, é interessante o uso do método gráfico, gráfico de interação, para corroborar com o resultado da análise de variância em relação a questão 2.

Gráfico 2 – Gráfico, questão 2, de interação entre os grupos e o sexo da variável resposta Fluência.

Os valores médios da questão 5 para o fator sexo vai depender do fator grupo. Por exemplo, a média da fluência são influenciadas pelo sexo feminino conjuntamente com o grupo ao qual o respondente está inserido (Gráfico 3).

Gráfico 3 – Gráfico, questão 5, de interação entre os grupos e o sexo da variável dependente Fluência.

A disposição dos resíduos versus preditos, Gráfico 4A, denota o comportamento da variância dos dados. A disposição das observações sugere que a variância é constante e supri uma das suposições da distribuição F. A normalidade dos dados é observada no gráfico de probabilidade normal dos resíduos, Gráfico 4B. As afirmações referentes as Figuras dos resíduos, fortalecem o resultado da ANOVA que utiliza da variabilidade das variáveis explicativas para detectar influência dos fatores na variável dependente Fluência. O comportamento dos resíduos da questão 5 foi similar ao gráfico 4.

Gráfico 4 – Comportamento dos resíduos dos dados da variável resposta Fluência.

2) Flexibilidade 

A flexibilidade refere-se à diversidade no tipo de ideia apresentada. Assim, para cada questionamento foi realizado uma análise para identificar as diferentes ideias e soluções apresentadas pelos participantes. Para isso, respostas que eram semelhantes foram inseridas em um mesmo grupo e consideradas como unidade. O gráfico 5 apresenta os resultados referentes as duas amostras. Diante dos dados observados, verificou que o grupo 1 (216 ideias) apresenta menor diversidade de ideias que o grupo 2 (238 ideias).

Gráfico 5 - Quantidade de ideias diversas

No tocante ao número de ideias diversas por sexo, verificou que o grupo de mulheres teve um decréscimo na geração de ideias quanto a diversidade, diferente do grupo de homens.

Gráfico 6 - Total de ideias diversas (homens e mulheres)

3) Originalidade

A originalidade está relacionada a oportunidade de expressar ideias novas e/ou na capacidade de elaborar respostas incomuns ao óbvio. Para o estudo foi questionado que utilidades teriam os seguintes objetos: caneta, grampeador e garrafa. Em seguida, foram questionadas soluções para o problema de lotação do transporte da universidade e como as aulas poderiam se tornar mais produtivas. Portanto, para avaliar as ideias incomuns aos objetos foi definido cada objeto de estudo.

A caneta é um utensílio comumente utilizado para escrever, desenhar ou rabiscar utilizando tinta, enquanto que o grampeador, é uma ferramenta manual que permite grafar (grampear) folhas de papel ou cartão umas às outras através de um pequeno pedaço de arame em forma de “U” denominado de agrafo ou grampo. Já a garrafa, é recipiente com gargalo mais estreito que o corpo que tem finalidade de reter líquidos e/ou sólidos de pequenas partículas. O resultado obtido é apresentado na Tabela 1.

Tabela 1 - Resultado obtido a partir da análise das respostas

Assim como para a fluência, verificou se existe diferença significativa entre as médias e se os fatores exerciam influência significativa na variável dependente (originalidade). Como resultado, tem-se que o p-valor é equivalente a 0,5348, em outras palavras, esse número é maior que o nível de significância (0,05), portanto, a população vem de uma distribuição normal. Entretanto, quando fez uma análise de normalidade por questão, observou que apenas a questão 2 e 3 não tem uma distribuição normal como apresentado na Figura 3.

Figura 3 - Teste de Shapiro-Wilk - Originalidade

O comportamento dos dados é vislumbrado no gráfico 7.  A média tem similaridades dentro de cada questão, independente do grupo ou sexo. A maior variabilidade é percebida nos homens do grupo 1 e nas mulheres do grupo 2. Há alguns outliers em todas as questões.

No grupo 1, em 80% das questões os homens apresentam níveis médios iguais ou maiores do que o das mulheres. Já o grupo 2, as mulheres apresentam, em 80% das questões, níveis médios maiores que os homens.

Gráfico 7 - Boxplot - Originalidade

A Figura 4 apresenta os resultados obtidos no software R referentes a análise de variância. Observa-se que o valor p das questões 1, 2 e 5 apresentam um valor menor que o nível de significância (0,05), portanto a hipótese Ho é rejeitada.

Figura 4 - Resultado da ANOVA (Originalidade) questão 1, questão 2, questão 3, questão 4, questão 5

A resposta Originalidade da questão 1 depende da interação entre o grupo e o sexo, como visualizado no Gráfico 8. Há proporcionalidade inversa entre os fatores sexo e grupo.

Gráfico 8 – Gráfico, questão 1, de interação entre os grupos e o sexo da variável dependente Originalidade.

Na questão 2 da diversidade de ideias, Originalidade, o grupo influencia nessa diversidade. Contudo, a interação entre grupo e sexo também foi significativo na resposta. Portanto, fica impossível mensurar a importância da variável explicativa grupo isoladamente.

Gráfico 9 – Gráfico, questão 2, de interação entre os grupos e o sexo da variável dependente Originalidade.

A interação significativa da questão 5 reflete o comportamento da questão 2 no qual o respondente está no início ou fim da graduação depende do gênero. Ao observar o Gráfico 10, o sexo masculino tem a média modificada bruscamente quando muda de grupo.

Gráfico 10 – Gráfico, questão 5, de interação entre os grupos e o sexo da variável dependente Originalidade.

Os resíduos das respostas da questão 1 da variável dependente Originalidade comporta-se com um possível padrão para as extremidades (Gráf. 11A). Já os resíduos plotados no Gráfico 11B sugerem o comportamento normalizado. O comportamento dos resíduos da variável resposta Originalidade é análoga em todas as questões.

Gráfico 11 – Gráfico, questão 1, de interação entre os grupos e o sexo da variável dependente Originalidade.

5. Conclusão

Este estudo retrata os indicadores das duas amostras estudadas tais como, a amostra 1 composta por graduandos ingressantes no ensino superior e amostra 2 com alunos que estão no fim do curso de Engenharia da Produção. Após a aplicação do questionário nas duas amostras, compreende-se a relação de fatores pessoais do indivíduo com as seguintes variáveis propostas para essa pesquisa: fluência, flexibilidade e originalidade.

Nas três variáveis de estudo constatou-se que a Ho é rejeitada, portanto o ambiente educacional influencia no desempenho criativo dos alunos.  Além disso, observa-se que os homens apresentam uma fluência, flexibilidade e originalidade maior que o das mulheres no início do curso. Contudo, para os homens, a fluência e originalidade é reduzida quando observado o grupo 2.

Na variável Flexibilidade, a análise foi realizada com o propósito de mensurar as diferentes ideias e soluções apresentadas. Para a amostra 1 foram tabuladas 216 ideias, enquanto a amostra 2 possui 238 ideias. Sendo assim, o grupo de alunos ingressantes (amostra 1) apresenta menor diversidade de ideias quando comparado com os alunos que estão no término do curso (amostra 2). Nessa etapa do estudo também verificou uma diminuição na diversidade da geração de ideias do público feminino.  No tocante a originalidade, 80% das questões respondidas pelo público masculino apresenta níveis médios iguais ou maiores do que o das mulheres. Já o grupo 2, as mulheres apresentam, em 90% das questões, níveis médios maiores que os homens.

As suposições para emprego do método Análise de Variância (ANOVA), apesar de não serem exigidas pela robustez da distribuição F, são respeitadas com sutis desvios. A ANOVA constatou a dependência entre os grupos de alunos que estão no início ou final da graduação e o gênero ou vice-versa para explicar a quantidade de ideias (Fluência) e diversidade das ideias (Originalidade) nas questões 1, 2, 4 e 5.

Os resultados desta pesquisa demonstram a necessidade da universidade propor iniciativas que estimulem a criatividade dos alunos, pois de acordo com os dados coletados os ingressantes apresentam índices de criatividade superior aos alunos que estão próximos de terminar a graduação. Caso as técnicas e ferramentas adequadas não sejam utilizadas na fomentação dessa criatividade, o aluno terá a universidade como um fator inibidor do seu potencial criativo. Sendo assim, devemos ressaltar a importância do universo acadêmico proporcionar aos discentes um ambiente favorável ao desenvolvimento da criatividade, a fim de que estes alunos desenvolvam atividades e aprendizados que possam contribuir de forma direta, ou indireta com a academia e também sociedade.

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1. Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) - anaclaudiacostaaraujo@gmail.com

2. Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) - edicleidesm@gmail.com

3. Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) - geosantiago@yahoo.com.br

4. Universidade Federal Rural do Semiárido (UFERSA) - albertojuniorpdf@hotmail.com

5. Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) - waleuflausino@yahoo.com.br

6. Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) – mario@ct.ufrn.br


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