ISSN 0798 1015

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Vol. 38 (Nº 15) Año 2017. Pág. 1

Pedagogia empresarial: Uma revisão narrativa

Business pedagogy: A narrative review

Bruna de MEDEIROS Leite Vicente 1; Loidebenezer VICENTE 2; Genesis ZOLIN Vicente 3; Vicente MANASSÉS 4; Humberto de Faria SANTOS 5; Paulo Roberto de SANT'ANNA 6

Recibido: 10/11/16 • Aprobado: 12/12/2016


Conteúdo

1. Introdução

2. Desenvolvimento

3. Comentários

Referências


RESUMO:

O presente trabalho levanta os desafios da educação, seus reflexos positivos e negativos na construção do conhecimento no espaço empresarial. A metodologia e ideologia empregadas na formação dos profissionais pedagogos, tem seu ponto de inflexão no ambiente empresarial, onde a organização do trabalho, pedagógico ou não, costuma diferir nos valores adquiridos em sala de aula. Com toda a carga teórica-metodológica na formação do pedagogo, com ênfase nos mecanismos do modelo de gestão democrática, é possível ter profissionais pedagogos exercendo suas profissões com excelência em um ambiente empresarial? A atuação do pedagogo no ambiente empresarial baseado em sua formação pedagógica pode e deve sofrer alterações e evoluções para que se alcance resultados de qualidade, quando a empresa onde ele está inserido é configurada hierarquicamente.
Palavras-chave: pedagogia empresarial; gestão democrática; formação pedagógica.

ABSTRACT:

This study raises the challenges of education, its positive and negative effects on the construction of knowledge in the business space. The methodology and ideology employed in the training of educators professional, has its turning point in the business environment, where the organization of work, educational or not, usually differ in the values acquired in the classroom. With all the theoretical and methodological burden in the formation of the pedagogue, with emphasis on mechanisms of democratic management model, you can have professional teachers exercising their profession with excellence in a business environment? The role of the teacher in in their pedagogical training based business environment can and should be changed and developments for achieving quality results when the company where it is inserted is configured hierarchically.
Keywords: business pedagogy; democratic management; pedagogical training.

1. Introdução

1.1. O caráter ideológico intrínseco ao modelo de gestão democrática.

O contexto educacional contemporâneo representado pela escola pública, vem construindo significativo grau de autonomia de forma gradual. Essa autonomia faz parte dos princípios da gestão, e seu estabelecimento se dá pela descentralização da tomada de decisão, ou pelo estabelecimento do que se conhece como gestão democrática.

Para Andrade (2005, pag 22):

[...]estabelecendo fortes medidas de impacto na gestão escolar, tendo a “escola como ponto de partida” (SEDUC, 1998a), através de proposta intitulada de “Gestão Colegiada”, pautada pelos princípios de participação, democracia, descentralização e autonomia. Estes princípios, por sua vez, tal como proclamados, evidenciam que tomaram por base uma perspectiva ampliada de democracia, respaldada no pensamento de autores como Bobbio (1986) Nogueira (2004) e Santos (2001) que, dialeticamente, defendem a conciliação entre a democracia representativa e a democracia participativa, com a participação política dos sujeitos.

A afirmação que a escola pública é a principal, senão exclusiva, representante da gestão democrática decorre da facilidade na identificação dos valores da gestão democrática no cotidiano dessas escolas, tais como: eleição direta para diretores; organização dos tempos, processos e espaços escolares, com o rompimento da seriação e a implantação de ciclos de idade de formação; a valorização do método qualitativo nas avaliações em detrimento do quantitativo; Secretarias Municipais de Educação com funções e responsabilidades em relação às creches comunitárias e as pré-escolas municipais; a educação especial reintegrada dos alunos portadores de necessidades especiais ao ensino regular; a garantia ao acesso e continuidade dos estudos através da educação de jovens e adultos, entre muitas outras proposituras.

De acordo com SILVA at al. (2008, pag 7 – 8, grifo nosso):

Para se almejar e obter um pleno e efetivo sucesso de democratização da gestão do ensino torna-se essencial o fortalecimento dos canais de participação dos pais e das comunidades nas tomadas de decisões públicas e também uma conscientização da comunidade de que a participação é essencial para uma política mais justa. Estes dois elementos são indispensáveis para o combate ao modelo político hegemônico e excludente, levando a constituição de uma Nação que estabeleça pleno exercício da cidadania e da democracia

[...]a escola democrática é possível, porém depende muito da participação de toda comunidade e administração pública para que se consiga romper com o tradicional modelo discriminador. Sendo assim, devemos buscar estratégias para levar a democracia e a justiça social a todos, para que a educação possa se tornar efetivamente um instrumento de lutas e conquistas, garantindo a equidade social.

A medida que há avanços e conquistas em um modelo de gestão implementado, nota-se suas bases ideológicas e suas implicações no campo da política. A gestão das escolas deixa de concentrar seus esforços e investimentos em educação, ciência, organização e inovação tecnológica, e passa a desempenhar um papel político juntamente com sindicatos de professores e outras agremiações ideológico-partidário.

O cidadão com perfil crítico, é a base da democracia, de acordo com Freire (1975, pag 95, grifo nosso):

Cada vez mais nos convencemos, aliás, de se encontrarem na nossa experiência democrática, as raízes deste nosso gosto da palavra oca. Do verbo. Da ênfase nos discursos. Do torneio da frase. É que toda essa manifestação oratória, quase sempre também sem profundidade, revela, antes de tudo, uma atitude mental. Revela a ausência de permeabilidade característica da consciência crítica. E é precisamente a criticidade a nota fundamental da mentalidade democrática.

A crítica vale aos dois modelos de gestão, visto que nenhum é perfeito, sendo o contraponto à gestão democrática encontrado nos argumentos de URBANO (2006):

A ciência e a cultura científica foram, ao longo de trinta anos, desvalorizados por uma ideologia disparatada que tem resistido a todos os apelos do espírito e da razão. Essa ideologia assenta em pressupostos absurdos, entre os quais destaco os seguintes: os estudantes não devem ser confrontados com desafios intelectuais, porque isso pode danificar irreparavelmente a sua autoestima; mais do que aprender, é preciso aprender a aprender; uma boa prática pedagógica permite a quem desconhece uma ciência, ensiná-la a quem não a quer aprender! Até quando será possível continuar neste caminho de deseducação?

Entre as muitas variáveis, a cultura do consumismo, a crescente deseducação observada, a permanente mutação da sociedade, trazem consigo desafios civilizatórios e educacionais enormes. Ideologias românticas e completamente fora de contexto, tendem a florescer no caos e em um ambiente que busca responder aos grandes desafios.

O ato decisório tomado por pessoas que desconhecem princípios de gestão, desamparadas das teorias da administração, comprometem a governabilidade das instituições de ensino e falham em proporcionar aos discentes as ferramentas apropriadas ao desenvolvimento intelectual do seu corpo docente.

A entrega da gestão para pessoas que na maioria das vezes não tem nenhum conhecimento de gestão, pelo simples fato de ser um modelo democrático e participativo, e desse modo ser um modelo de gestão melhor que a gestão burocrática e representativa, nem sempre proporcionam a resposta mais adequada aos problemas cotidianos da escola, e grande parte das vezes se revela, argumentos e ferramentas políticos.

2. Desenvolvimento

2.1. A caracterização do ambiente empresarial

Em um mundo cada vez mais globalizado e competitivo, é necessário a busca por alternativas de formação e informação afim de capacitar melhor os profissionais a serem inseridos no mercado de trabalho, treinados à realidade atual do mercado, que solicita esse profissional em diversas áreas do conhecimento, um profissional “especialista generalista”.

De acordo com ALANIZ (1999, pag 3):

Na atual sociedade capitalista, os processos produtivos têm sofrido profundas transformações no que se refere ao modo como está organizada a produção, devido, sobretudo, ao avanço tecnológico, bem como a própria necessidade de manutenção do capitalismo.

As organizações empresariais que se destacam em sua maioria possuem como valor, a busca do crescimento e fortalecimento organizacional, a valorização do trabalho dentro da organização afim de proporcionar qualidade total a seus serviços e produtos. Normalmente são instituições que exercem o poder de forma burocrático-organizacional.

Outras instituições com maior grau de maturidade na gestão, observa-se uma tendência na busca por outros valores que não aqueles baseados em princípios econômicos. A responsabilidade social com a comunidade a qual a empresa está inserida, com os demais stakeholders, a responsabilidade para com o meio ambiente, são implementados desde que tecnicamente e economicamente viáveis, de modo a agregar valor à marca. Nessas organizações nota-se um enfoque na gestão do conhecimento.

A qualificação profissional inserida nesse contexto de transformação, por um lado, é alterada e ampliada havendo maior valorização do componente intelectual em detrimento do manual. Porém é esse ponto onde existe a separação dos profissionais com formação técnica e institucional de nível, daqueles que não tem escolaridades mínimas, uma vez que é preciso uma formação e conhecimentos suficientes para controlar as tecnologias empregadas no processo de produção de cada empresa.

Amplia-se a demanda pelo profissional que está integrado e adaptado com a tecnologia de processos autômatos, que exigem qualidades de conhecimentos complexos visto serem necessárias adequações ou alterações dos processos de produção, com muito mais frequência, e com isso a prudência, a atenção e a análise são fundamentais. Isso não é uma realidade absoluta, logo o paradoxo é inevitável, de acordo com DAL RI (1997, pag. 166)

[...] a automação baseada na eletromecânica opera com equipamentos cujo comando vem embutido na máquina e não pode ser modificado. Este substitui e esvazia a capacidade de reflexão dos trabalhadores cujas funções, agora, reduzem-se a abastecer a máquina, vigiá-la e outras operações tão simples que só exigem capacidades humanas elementares. Esta automação é provocadora de grande rotatividade da força de trabalho adequada à produção em grande escala, mas para as diversificações dos produtos que caracterizam a sociedade tecnizada.

O potencial de criação e participação do profissional acaba sendo um diferencial perseguido pelas empresas, uma vez que é cada vez mais comum, formas diferenciadas na organização do trabalho, onde se faz necessário propostas de soluções aos problemas ou inovações em processos. Assim, para que assumam tais responsabilidades, esses profissionais devem ter algum grau de desenvolvimento intelectual, pois ele será desafiado constantemente e de várias formas possíveis, na sua capacidade de saber, aprender, conhecer. Para tal ele necessitará continuamente aprimorar-se buscando conhecimentos em todas as formas possíveis. De acordo com ALANIZ (1999, pag 8):

À medida que para trabalhar o trabalhador precisa de mais conhecimento, consequentemente ele se torna capaz de compreender o processo produtivo como um todo, então a secular diferença entre trabalho manual e intelectual, agora, aproxima-se de um trabalho de certa forma mais cooperativo e criativo. No momento em que o componente intelectual do profissional é mais valorizado, esse profissional adquire maior autonomia na realização do seu trabalho que não se limita à execução, mas a capacidade de elaboração.

Os profissionais com maior autonomia favorecem a cooperação entre categorias profissionais no interior da fábrica já que necessitam discutir, trocar ideias sobre o trabalho para estabelecer diretrizes conjuntas para aplicar na produção. Essa cooperação entendida enquanto troca de conhecimentos teórico e prático dá-se no estreitamento entre engenheiro e os demais quadros de profissionais (os técnicos) e ambos têm de dialogar entre si, trocar experiência da prática do trabalho subsidiada de conhecimento teórico das atividades que realizam.

As empresas que buscam diferenciar-se, proporcionam para este perfil profissional um ambiente de aprendizagem contínua, com incentivos convincentes, com ferramentas adequadas, possibilitando que o conhecimento seja empregue efetivamente na geração de valor aos produtos das empresas, e, em consequência disso, uma valorização profissional de seus funcionários .

2.2. A pedagogia empresarial

As exigências do mercado de trabalho apontam para uma maior qualificação e, para tanto, o pedagogo pode contribuir, nesse processo, na qualificação do trabalhador. Porém, de acordo com URBANO (2003, pag 2):

Há muitas pessoas que pensam que, tal como nas universidades onde receberam a sua formação, a gestão democrática deve assentar no confronto e na anulação mútua dos interesses corporativos de profissionais com graus de conhecimento e cultura muito diferentes. Por essa razão, entendem que devem ser atribuídas iguais competências a todas as partes: aos conhecedores e aos ignorantes, aos experientes e aos inexperientes, aos que podem e aos que não podem assumir a responsabilidade dos seus actos. Julgam que, em gestão democrática, todos são pares de todos, para todos os efeitos, incluindo os da gestão do conhecimento científico.

É utópico pensar que na atual conjuntura mundial cada vez mais globalizada e com instituições com elevado nível de maturidade, o modelo de gestão democrática avance e seja adotado com todas as suas propostas e seu arcabouço ideológico. Nessa linha de raciocínio o próprio SILVA at al. (2008, pag 3, grifo nosso) alerta:

Para Azevedo (1999) nos afirma que “apesar das diferentes tipificações históricas, o autoritarismo, o clientelismo, a hegemonia dos interesses privados e sua apropriação pelas elites são traços permanentes do Estado brasileiro” (p. 144). Assim nos resta entender e discutir se essas novas teorias e programas de gestão democrática na escola e demais órgãos gestores da política educacional realmente trazem o caráter democrático de forma ampla, ou são apenas pacotes de uma ideologia político partidária numa nova faceta da dominação adquirida no atual momento pelo Neoliberalismo como forma de legitimar sua hegemonia.

Se os princípios de participação, democracia, descentralização e autonomia não são princípios da gestão empresarial, em consequência disso é possível ter profissionais de pedagogia com sérios problemas ideológicos e sistêmicos. Isso porque a função do Pedagogo Empresarial é intermediar ações educativas dentro da gestão do conhecimento intrínseco nas empresas. Como articulador, ele terá que buscar posturas e valores novos para a organização, considerando a maturidade de cada empresa nesse processo.

Ao trabalhar com os colaboradores, buscando maximizar os resultados coletivos, ele precisa ter seus anseios e ideais compatíveis com os valores empresariais, pois assim seus objetivos pessoais e profissionais satisfarão as questões éticas, e com isso ele terá um maior sucesso em seus intentos profissionais.

Porém, há uma longa distância das discussões dos pensadores de educação para os executores de educação, isso faz com que os executores muito provavelmente não tenham preparo para os novos desafios propostos pela educação. Sem contar, que não existe uma formação específica de pedagogos para as séries iniciais, assim como não os há para a pedagogia empresarial.

No atual momento o caráter das discussões ideológicas precisa deixar de ser o social e passar a ser humanas.  De acordo com KRUSCHEWSKY:

A educação é uma prática social humana. Ou seja, característica dos seres humanos, e realizada por todo e qualquer cidadão, em todas as instituições sociais. A educação tem por finalidade possibilitar o crescimento das pessoas como seres humanos; é processo de humanização. Tornar-se humano significa tornar-se partícipe do processo civilizatório, dos bens que historicamente foram produzidos pelos homens em sociedade e dos problemas gerados por esse mesmo processo.

Nesse sentido, a educação tem uma dimensão de continuidade que se traduz na transmissão dos conhecimentos, da cultura e dos valores, e, ao mesmo tempo, de ruptura, ou seja, de produzir-se novos conhecimentos, novas culturas, novos valores, a partir não apenas do avanço do conhecimento, mas da análise crítica dos resultados desse processo civilizatório, produto de grupos de interesses dominantes nas sociedades. Nesse sentido, a educação é, ao mesmo tempo, permanência e transformação, em busca de condições para o desenvolvimento humano de todas os sujeitos que nascem, garantindo-lhes o usufruto dos bens da civilização e dotando-os de uma perspectiva analítica e crítica a fim de que se coloquem como construtores de novos modos de se processar a civilização.

É preciso refletir no educador como intermediador do processo de aprendizagem e suas novas funções dentro das empresas, assim como na dinâmica do conhecimento aliado de novas ferramentas tecnológicas. Cabe questionar se a reflexão necessária fugirá a idealismos capitalistas, socialistas ou humanistas, e, se conseguirá se livrar de conceitos puramente utópicos. Ancorados em HAMELINE:

Luto, pois, aqui, pela imaginação contra estes três adversários: o utopista, que se contenta em sonhar gentilmente com o fim feliz; o realista defensivo, que reduz a realidade àquilo que toca; o fazedor de utopia, que burocratiza o imaginário ao serviço da sua necessidade de organizar.

A reflexão do profissional do saber não deve ser tolhida em apoiar-se também nas ideologias utópicas, mas acima de tudo em buscar proporcionar uma formação que aceite as diferenças, inclusive de modelos de gestão. De acordo com HAMELINE:

Ora eu sei quanto, nos nossos meios isentos ou que fazem questão em aparentá-lo, esta última palavra possui todas as conotações de um termo impronunciável. Mas não será possível por muito tempo, em nome de uma recusa legítima do “moralismo”, continuarmos sem colocar as questões da moralidade própria desta atividade humana singular que constitui a educação. Preferir falar de ética, não muda, decididamente, grande coisa à questão: como diminuir a maleficência das nossas intervenções no destino dos nossos semelhantes? Mas se evocar esta questão temível conduz a fazer crescer a culpabilidade e a impotência, é porque o próprio questionador não mediu a dimensão da sua própria maleficência e teria sido melhor se se calasse...

A aceitação de teorias antagônicas no ambiente educacional, proporcionando aos discentes e futuros profissionais do ensino, o entendimento que seus valores e atitudes não estarão livres de entraves, contudo, esses entraves não serão percebidos como perseguição política ou pessoal, mas sim como uma divergência de pensamentos contrários que precisam coexistir.

O que outrora era conservador e integrado na organização, ou subversivo e marginalizado pela organização, acaba tendo cada vez mais uma convivência pacífica, possibilitando a busca por um comportamento previsível, mas sempre dando oportunidades ao imprevisível, que faça florescer a inovação. Em HAMELINE:

O passado recente opôs as duas atitudes: de um lado o “gestor” que racionaliza e do outro o “artista” que cria. O presente endurece esta posição: os gestores obcecados pela redução de custos desprezam as “boas almas” aos olhos de quem “nada é demasiado belo para a infância”. As “boas almas” exprimem-lhes o seu desprezo. Um professor não tem escolha. Racionaliza, cria. Racionaliza: pura e simplesmente porque está ali para obter efeitos que não são uns efeitos quaisquer, que sejam, portanto, descontáveis, avaliáveis, corrigíveis. Cria: sem a pretensão de fazer uma obra digna de elogio das gerações futuras, permanece o artesão de "não-sei-o-quê" sem o qual, numa aula, não se passa nada que valha a pena. Também ali permanece uma incerteza: viver esta contradição no quotidiano, entre racionalidade e criatividade, não é confortável, exceto para recompor a imagem identitária do professor, integrando nela “o desconforto vivível”. Será pedir demais? E sobretudo: pedi-lo em nome de quê?

Logo, a carência desses profissionais e a demanda do mercado pelos mesmos, torna-se preponderante pensar o mais rapidamente possível, na sistematização pedagógica, em novas abordagens nos diversos cenários onde a educação é inserida, principalmente no meio empresarial.

Analisar a prática pedagógica atual, e, chamar à discussão de novas metodologias específicas, além de discutir a identidade do pedagogo empresarial e suas incertezas, proporcionará um melhor posicionamento do pedagogo que tratará da educação dentro da especificidade de cada empresa, levando em consideração o seu nível de maturidade em gestão e educação.

3. Comentários

Embora não seja necessária a descrição dos procedimentos metodológicos nesse tipo de estudo, o enfoque na educação contínua, e a possibilidade de viés leva a considerar a afirmação de ROTHER:

Os artigos de revisão narrativa são publicações amplas, apropriadas para descrever e discutir o desenvolvimento ou o "estado da arte" de um determinado assunto, sob ponto de vista teórico ou contextual. As revisões narrativas não informam as fontes de informação utilizadas, a metodologia para busca das referências, nem os critérios utilizados na avaliação e seleção dos trabalhos(1) Constituem, basicamente, de análise da literatura publicada em livros, artigos de revista impressas e/ou eletrônicas na interpretação e análise crítica pessoal do autor.

A Tabela 1 detalha as características de estudos que façam Revisão Narrativa, e que de acordo com a autora acima citada, são constituídos de:

...Introdução, Desenvolvimento (texto dividido em seções definidas pelo autor com títulos e subtítulos de acordo com as abordagens do assunto), Comentários e Referências.

Tabela 1 - Características de Estudos baseados em Revisão Narrativa

Itens

Revisão Narrativa

Questão

Ampla

Fonte

Frequentemente sem especificação e potencialmente com viés

Seleção

Frequentemente não especificada e potencialmente com viés

Avaliação

Variável

Síntese

Qualitativa

Inferências

Às vezes baseadas em resultados de pesquisas

Fonte: Adaptado de ROTHER.

Quanto ao tipo de pesquisa, são estudos qualitativos mesmo sem possuírem uma metodologia capaz de proporcionar a reprodução dos dados. Por ser qualitativo, não fornecerá respostas quantitativas para o problema em estudo ou para as questões específicas analisadas. Contudo, a revisão narrativa possui um papel fundamental na educação continuada a medida que possibilita que o leitor atualize (ou adquira) o conhecimento, em tempo exíguo, a respeito de um tema específico.

Referências

ALANIZ, Erika Porceli. O pedagogo e a qualificação profissional. 1999. Dissertação (Graduação) - Universidade Estadual Paulista, Marília, 1999.

ANDRADE, Maria Edgleuma. Gestão Democrática na escola Pública: um estudo em escolas do município de Juazeiro do Norte - CE. 2005. Dissertação (Mestrado) - Universidade Federal de Pernambuco, Recife, 2005.

AZEVEDO, J.C. Escola cidadã: a experiência de Porto Alegre. In: OLIVEIRA, D. A . & DUARTE, M. R. T. política e trabalho na escola: administração dos sistemas públicos de educação básica. Belo Horizonte: Autêntica, 1999.

BOBBIO, N. O futuro da democracia. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1986.

DAL RI, Neusa Maria. Sindicato, autonomia e gestão democrática na Universidade. 1997. Tese (Doutorado) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 1997.

FREIRE, Paulo. Educação como prática da liberdade.  Rio de Janeiro: Paz e terra, 1975.

HAMELINE, Daniel. Os professores: Prisioneiros, Cúmplices? Que Nova Profissionalidade? Disponível em: http://www.abaporueducacional.com.br/web/templates/abaporu/pdfs/profprisio_danielhameline.pdf.

KRUSCHEWSKY, Eliana. Pedagogia de Valores para Empresas. Disponível em: http://site.suamente.com.br/colunistas/eliana-kruschewsky/pedagogia-de-valores-para-empresas .

NOGUEIRA, M. A. Um Estado para a sociedade civil: temas éticos e políticos da gestão democrática. São Paulo: Cortez, 2004.

SANTOS, B. S. A crítica da razão indolente: contra o desperdício da experiência. São Paulo: Cortez, 2001.

SEDUC. Gestão Escolar: Construindo uma prática coletiva. Ceará 95/98. Fascículo nº 03, 1998a. (Série Educação).

SILVA, F. P. et al. Gestão democrática popular na escola: Experiências e desafios. Trabalho e Educação em Perspectiva – Nº 2 da Revista eletrônica UFMG, 2008.

URBANO, José Dias. Ávido:Educação!? Disponível em: http://avidodiva.blogspot.com/2006/01/educao.html .

______. O Vírus da Paridade, o Corporativismo e a Desagregação das Instituições. Disponível em: http://www.fcsh.unl.pt/docentes/cceia/documentos-cceia/docsceia/urbano_2003.doc/view?searchterm=portugueses .

ROTHER, Edna Terezinha. Revisão sistemática X revisão narrativa. Acta Paulista de Enfermagem, 2007. Disponível em http://dx.doi.org/10.1590/S0103-21002007000200001 .


1. Graduada, Universidade Estácio de Sá - UNESA

2. Graduada, Faculdade Internacional de Curitiba - FACINTER

3. Pós-Graduada em Mídias na Educação, Colégio Estadual de Iporã – CEI

4. M.Sc., Universidade Federal Fluminense - UFF. email: manassesvicente@gmail.com

5. M.Sc., Universidade Federal Fluminense - UFF

6. D.Sc., Universidade Grande Rio - UNIGRANRIO


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Vol. 38 (Nº 15) Año 2017

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