Espacios. Vol. 35 (Nº 4) Año 2014. Pág. 21


Fatores de bloqueio à criatividade e inovação: Um estudo com acadêmicos de engenharia da região do Vale do Paranhana

Analysis of the level of productivity and competitiveness in a cluster of companies

Daniele dos Santos Guidotti PEREIRA 1 y Carlos Fernando JUNG 2

Recibido: 12/01/14 • Aprobado: 02/03/14


Contenido

RESUMO:
Este artigo apresenta os resultados de uma pesquisa que teve por finalidade investigar a existência e identificar os fatores de bloqueio à criatividade em acadêmicos da área da Engenharia de Produção de uma Instituição de Ensino Superior da Região do Vale do Paranhana e compará-los com os resultados obtidos a partir do estudo realizado por Jung, Frank e Caten (2010) com pesquisadores de um Polo de Inovação Tecnológica da mesma região. Para tanto, foi utilizado o mesmo método para coleta e análise dos dados proposto por estes autores. O estudo estabelece uma relação entre os resultados obtidos com os acadêmicos e os pesquisadores e contribui para a proposição de novas ideias e métodos aplicados ao desenvolvimento da criatividade e, consequente, maior geração de inovações tecnológicas na região.
Palavras chave: Criatividade, Inovação, Engenharia, Desenvolvimento

ABSTRACT:
This paper presents the results of a survey that aimed to investigate the existence and identify the factors blocking the creativity in academic area of Production Engineering from an College of the Paranhana Valley region and compare them with the results obtained from the study by Jung, Frank and Caten (2010) with researchers from a Innovation Technological Center from the same region. Thus, the same method for collection and analysis of data proposed by these authors was used. The study establishes a relationship between the results obtained with academics and researchers and contributes to propose new ideas and methods applied to the development of creativity and, consequently, greater generation of technological innovations in the region.
Key words: Creativity, Innovation, Engineering, Development


1. Introdução

A inovação é tema cada vez mais recorrente, especialmente nos últimos anos, quando passou a ser percebida como fator fundamental para o êxito das organizações, uma vez que está fortemente associada ao empreendedorismo, ao desenvolvimento econômico e a produtividade.

Alencar (1996) refere que inovação é o processo através do qual uma nova ideia é introduzida, adotada e implementada em uma organização como resposta a determinado problema. E junto ao conceito de inovação situa-se o de criatividade, entendida igualmente como processo, cujo resultado é um novo produto, percebido como satisfatório, útil e ao qual atribuímos valor. Logo, inovação exige criatividade, bem como desenvolvimento e aplicação de conhecimentos (Benedetti, Carvalho, 2006). Corroborando, Anderson (1992) considera que o indivíduo criativo é aquele que consegue ir além das fronteiras da tecnologia, conhecimento, normas sociais e crenças.

No tocante à busca por inovações, Siegel, Westhead e Wrightsmall (2003) ressaltam a importância do fomento direto de investimentos e isenções fiscais, bem como a promoção de acordos entre governo, universidades e empresas para a geração de inovações tecnológicas.

Além disso, sabe-se que o ambiente no qual o sujeito está inserido também tem fortes implicações no processo criativo. Alencar e Fleith (2003) referem que as inovações não são frutos exclusivos de um conjunto de habilidades cognitivas e de traços de personalidade, mas de outros fatores igualmente relevantes, tais como os sociais e culturais. O ambiente reveste-se de suma importância e pode determinar a efetividade criativa dos indivíduos, sendo um meio que pode estimular ou bloquear o processo criativo.

Nesse sentido, Xu e Rickards (2007) afirmam que a criatividade potencial se torna real sob condições favoráveis e que as características ambientais exercem forte influência no desenvolvimento e manifestação da criatividade.

Corroborando, Runco (2007) refere que todas as pessoas possuem potencial criativo, mas é necessário oportunidade para desenvolvê-lo. E Hughes e Chafin (2003) explica que o desafio é a criação de um ambiente que predisponha a criatividade, aproveitando as habilidades criativas dos indivíduos e tornando-os ainda mais criativos.

Alencar (2003) diz ser necessário que algumas condições se façam presentes para que o pensar criativo e as inovações tornem-se efetivas. Para este autor é preciso conhecer os fatores que, intervindo nesse processo, constituem-se em bloqueio à criatividade e obstam as inovações. Os fatores pessoais, tais como os emocionais, perceptuais e intelectuais podem afetar a criatividade, assim como os sociais, ou seja, aqueles ligados a valores, normas e pressupostos mantidos pela sociedade e que contribuem com a inércia do potencial criativo.

Dessa forma, como apontam Silva, Ulbiricht e Fiod Neto (1998), para que as organizações sejam capazes de promover o desenvolvimento de novos produtos, é fundamental conhecer os fatores que bloqueiam a criatividade e romper com essas barreiras, proporcionando, assim, um ambiente criativo.

Este artigo apresenta os resultados de uma pesquisa que teve por finalidade investigar a existência e identificar os fatores de bloqueio à criatividade em acadêmicos da área da Engenharia de Produção de uma Instituição de Ensino Superior da Região do Vale do Paranhana e compará-los com os resultados obtidos a partir do estudo realizado por Jung, Frank e Caten (2010) com pesquisadores de um Polo de Inovação Tecnológica da mesma região. Para tanto, foi utilizado o mesmo método para coleta e análise dos dados proposto por estes autores. O estudo estabelece uma relação entre os resultados obtidos com os acadêmicos e os pesquisadores. O trabalho possui a seguinte estrutura: a seção 2 apresenta o referencial teórico, a seção 3 o estudo aplicado, a seção 4 a análise e a seção 5 traz as conclusões do estudo.

2. Referencial teórico

2.1 Criatividade e inovação

Para compreender o que vem ser “habilidade criativa” é necessário associar conceitos antes percebidos de forma autônoma (Quinn et. al. 2003). Para Alencar e Feith (2003), a inovação e a invenção se relacionam na medida em que a primeira representa o êxito comercial da segunda. Calantone e Garcia (2002) explicam que a habilidade de inovar significa a invenção gerada pelo pensamento criativo em um produto novo e útil para a sociedade.

Segundo Cornella e Flores (2007) não se pode pensar em inovação sem indivíduos criativos, pois, independentemente do tipo de organização, do setor e mesmo do produto, o fator determinante para a inovação são as ideias e iniciativas criativas. Oliveira (2010) considera a inovação como um processo estratégico onde a cultura presente na organização deve favorecer a produção de novas ideias e novas formas de pensar e fazer.

Arieti (1976) refere o papel da cultura, tanto na promoção como no bloqueio da criatividade. Para Durand (2000), a forma de gestão da organização é o fator de bloqueio determinante. Já para Schwatz (1992), os aspectos ambientais são os mais relevantes. Além disso, Koberg e Bagnall (1974) mostram que a crença pessoal de que não se é criativo configura-se, igualmente, como um fator de bloqueio.

Em um de seus estudos a esse respeito, realizado entre os anos de 1996 e 1997, com uma amostra de 184 profissionais da área da educação, Alencar (1999) concluiu que os fatores emocionais, seguido dos socioculturais, dos motivacionais/personalidade, dos relacionados à disponibilidade de tempo e dos intelectuais foram apontados como as mais importantes barreiras internas à expressão da capacidade pessoal para criar.

Amabile (1997) propôs meios que podem estimular a criatividade no ambiente de trabalho, tais como: (i) incentivar a autonomia dos indivíduos; (ii) cultivar a independência, destacando os valores em vez das regras; (iii) ressaltar as realizações; (iv) enfatizar o prazer de aprender; (v) evitar a competição; (vi) proporcionar aos indivíduos experiências que estimulem a criatividade; (vii) incentivar o questionamento e a curiosidade; (viii) utilizar o feedback informativo; (ix) dar aos sujeitos opções de escolha; e (x) apresentar pessoas criativas como referência.

Corroborando, Robinson (2000) afirma que existem fatores externos que motivam a inovação, a saber: (i) necessidade de satisfazer as exigências dos clientes; (ii) necessidade de obtenção de lucro; (iii) necessidade de estabelecer uma forte teia relacional; (iv) avanços no níveis tecnológicos; e (v) redução do ciclo de vida dos produtos.

Assim, no contexto empresarial, a criatividade desponta como uma necessidade premente e está relacionada não apenas às mudanças sociais e a adaptação às mesmas, mas, igualmente, à sobrevivência no mercado, cada vez mais competitivo e exigente. Por esse motivo, faz-se indispensável um ambiente que predisponha a criatividade e a inovação, como meios de desenvolvimento econômico, lucratividade e empreendedorismo.

2.2 A abordagem macro-ergonômica

A macro-ergonomia busca entender as organizações como um sistema sócio-técnico, o qual inclui quatro subsistemas: (i) o tecnológico, formado pela infraestrutura física, máquinas, equipamentos, instrumentos, informações científicas e tecnológicas, recursos e insumos existentes, etc.; (ii) o social, que integra grupos formais e informais que estabelecem conexões entre o indivíduo e a organização; (iii) o ambiente externo, o qual inclui todos os elementos externos aos limites da organização; e (iv) o do trabalho/organizacional, definido pela interação com os outros anteriores, considerando a natureza do trabalho, a forma e as peculiaridades do processo de gestão, a variedade de atividades e tarefas e suas respectivas relevâncias (Trist, 1978; Pasmore, 1988; Hendrick, Kleiner, 2000).

Diferentemente das fases anteriores da ergonomia, a macro-ergonomia refere-se a um contexto ampliado, não mais restrito a aspectos pontuais, mas com uma atuação no processo organizacional igualmente, focando o ser humano, o processo de trabalho e a organização (Brown Jr., 1990; Hendrick, Kleiner, 2000). Assim, essa abordagem amplia a compreensão das relações do homem com o meio e permite uma análise sistemática a partir dos subsistemas referidos.

Além dos fatores presentes nos subsistemas que podem exercer influência sobre a criatividade, convém acrescentar a proposta de Emery (1964, 1976) e Trist (1978), os quais propõem a análise da organização do trabalho a partir das propriedades que podem estimular e comprometer os indivíduos com a melhora do desempenho da organização.

Emery (1964, 1976) e Trist (1978) afirmam que o trabalho deve apresentar atributos para que os colaboradores sintam-se comprometidos com o mesmo, a saber: (i) a variedade e o desafio, segundo o qual o trabalho deve ser razoavelmente exigente e variado, apresentando novos desafios, permitindo o exercício das competências envolvidas na resolução de novos problemas; (ii) a aprendizagem contínua, o qual estabelece que o trabalho deve oferecer oportunidades de aprendizagem contínua, favorecendo o crescimento e uma educação permanente; (iii) uma margem de manobra e a autonomia, pois o trabalho deve invocar a capacidade de decisão do sujeito e a responsabilidade pela mesmas, bem como oferecer a oportunidade de exercer a autonomia; (iv) o reconhecimento e o apoio, uma vez que o trabalho deve ser reconhecido e apoiado por todos, fortalecendo o vínculo entre indivíduo e organização; (v) uma contribuição social que faz sentido, de modo que o trabalho permita a união entre o exercício de atividades e suas consequências sociais, demonstrando a importância de contribuir para a sociedade; (vi) um futuro desejável, devendo o trabalho permitir a perspectiva de um futuro melhor.

Além destes atributos existem importantes propriedades relacionadas às condições de trabalho e que devem ser igualmente atendidas, quais sejam: (i) salário justo e aceitável; (ii) estabilidade no emprego; (iii) vantagens apropriadas; (iv) segurança; (v) saúde; e (vi) processos adequados (Emery, 1976; Trist, 1978).

A partir disto pode-se entender o quanto o trabalho e a forma como este é proposto e desenvolvido podem impactar o comprometimento dos trabalhadores e, consequentemente, os resultados e o futuro da organização.

3. Estudo Aplicado

3.1 Cenário

O estudo foi realizado com acadêmicos de um curso superior de graduação em Engenharia de Produção de uma Instituição de Ensino Superior localizada na cidade de Taquara, na região do Vale do Paranhana, RS. Todos acadêmicos participantes da pesquisa residem e atuam profissionalmente nesta região.

A região é composta por seis municípios: Taquara, Parobé, Igrejinha, Três Coroas, Rolante e Riozinho. O território abrange parte das regiões geomorfológicas do Litoral, Depressão Central, Patamares da Serra e Serra Geral. No aspecto econômico, a região está servida por indústrias de pequeno, médio e grande porte, destacando-se, as indústrias de calçados, produtos alimentícios, móveis, metalurgia, madeira, têxteis, possuindo uma maior concentração no setor calçadista (FEE, 2009).

Segundo Dorr (2013) o Vale do Paranhana emprega aproximadamente cinquenta e três mil pessoas, sendo que 63% dos trabalhadores atuam na indústria, 21,34% no comércio e 10,82% na prestação de serviços.

Nesta mesma região Jung, Frank e Caten (2010) realizaram um estudo com pesquisadores de um Polo de Inovação Tecnológica que possui a unidade gestora localizada na cidade de Taquara. Os Polos de Inovação Tecnológica, que integram o Programa de Polos da Secretaria da Ciência, Inovação e Desenvolvimento Tecnológico do RS, são resultado da parceria entre Instituições de Ensino Superior, Empresas e Governo, e têm por escopo desenvolver e transferir as tecnologias necessárias ao desenvolvimento regional sustentável, estimulando uma maior competitividade, uma produção diversificada, o aumento na renda da população, bem como a criação de novos postos de trabalho (Souza, 2006).

3.2 Procedimentos Metodológicos

O método utilizado para a elaboração do instrumento para levantamento e análise dos dados foi baseado no trabalho de Jung, Frank e Caten (2010) que utilizou os princípios da Macroergonomia. A Teoria Macroergonômica considera a existência de quatro subsistemas que exercem influência nas atividades humanas, a saber: (i) Organizacional, (ii) Técnico, (iii) Social e (iv) Ambiente Externo (Dewes et. al. 2012).

A Macroergonomia segundo Hendrick (1991; 1993) é entendida como o estudo das relações existentes a partir das interfaces entre o ser humano, máquinas, a organização e o ambiente, e avalia de forma sistêmica a influência destes subsistemas nas atividades produtivas.

A pesquisa realizada caracteriza-se por um estudo exploratório (Neto, 2002; Gil, 1995, 2002). A pesquisa teve por finalidade explorar melhor o sistema, as relações, causas, efeitos e possíveis informações que possam contribuir para a proposição de novas ideias e métodos aplicados ao desenvolvimento da criatividade e, consequente, maior geração de inovações tecnológicas na região.

Para o levantamento de dados junto aos entrevistados utilizou-se a abordagem quantitativa que segundo Marconi e Lakatos (2002) torna dinâmica a relação entre as variáveis. Na elaboração do instrumento de pesquisa e análise empregou-se a abordagem qualitativa, a qual pode descrever a complexidade do contexto em exame, assim como possibilitou a compreensão das particularidades envolvidas (Diehl, 2004; Silva, Gobby, Simão, 2005).

O universo da pesquisa era formado por 234 acadêmicos. A amostra utilizada foi de 93 indivíduos, que representa 39,74% do total. Nesta amostra, 63,22% dos acadêmicos atuam na indústria, 21,34% no comércio, 10,32% na prestação de serviços e 5,12% sem ocupação profissional.  Foi proposta uma estratificação da amostra também em relação aos setores de atuação em que os acadêmicos desempenham atividades, a saber: 65,61% no setor Administrativo, 18,27% no setor de produção e 16,12% no setor de TI - Tecnologia da Informação.

Como instrumento de pesquisa foi utilizado um questionário estruturado, composto por vinte e oito questões, com escala do tipo Lickert de cinco pontos, referentes aos quatro subsistemas: (i) social, (ii) organizacional, (iii) técnico e (iv) ambiente externo. Foram elaboradas sete questões distribuídas aleatoriamente ao longo do instrumento.  

Os participantes foram solicitados a assinalar a pontuação que melhor refletia a relevância dos aspectos referidos no tocante à criatividade, sendo 1 para o menos importante e 5 para o mais importante.

As questões propostas são apresentadas nos Quadros 1, 2, 3 e 4 de acordo com o subsistema ao qual se referem e consoante ao número correspondente no instrumento.

 

Subsistema Social

 

Eu seria mais criativo se...

(01) ...não fosse o medo que tenho das opiniões dos outros. O medo do ridículo ou de errar me faz ficar nervoso e ai não consigo nem ter ideias.

(05) ...tivesse uma melhor comunicação com os meus semelhantes, isto me permitiria debater, escutar pontos de vista interessantes, critérios que evidentemente enriqueceriam meu próprio fazer.

(09) ...em minha infância tivesse tido pais e ambiente familiar que estimulassem mais a discutir e ler sobre arte, ciência, tecnologia e inovação.

(13) ...tivesse oportunidades para explorar o meu potencial imaginário pois sempre gostei de criar e inovar, mas, fui pouco estimulado na escola (ensino fundamental - 1 grau).

(17) ...tivesse oportunidades para explorar o meu potencial imaginário pois sempre gostei de criar e inovar, mas, fui pouco estimulado na escola (ensino médio – 2 grau).

(21) ...tivesse oportunidades para explorar o meu potencial imaginário pois sempre gostei de criar e inovar, mas, fui pouco estimulado na Universidade (ensino superior - graduação).

(25) ...conseguisse eliminar barreiras originadas em estereótipos que se acham arraigados em minha pessoa, que, em ocasiões, me impedem ver os distintos lados, pela frente e por trás do mundo que me rodeia e, desta maneira, possibilitaria descobrir e redescobrir tantas coisas interessantes.

Quadro 1 – Questões referentes ao Subsistema Social

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Subsistema Organizacional

Eu seria mais criativo se...

(02) ...me libertasse de quase tudo o que é normativo na organização em que trabalho.

(06) ...tivesse mais tempo na organização em que trabalho para me dedicar ao questionamento do que realizo, para buscar novas vias para inovar e empreender em meu trabalho técnico-científico.

(10) ...a organização em que trabalho viabilizasse mais o acesso a informações profissionais e científicas pertinentes a minha ocupação.

(14) ...a organização onde trabalho estivesse constantemente me incentivando e criando oportunidades para inovar e empreender.

(18) ...o trajeto para o trabalho (organização) não fosse tão desgastante.

(22) ...a organização cobrasse mais ousadia e iniciativa de minha parte.

(26) ...tivesse um ambiente favorável à inovação na organização em que trabalho.

Quadro 2 – Questões referentes ao Subsistema Organizacional

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Subsistema Técnico

Eu seria mais criativo se...

(04) ...tivesse mais acesso a novos equipamentos e instrumentos para realização de pesquisas.

(08) ...me sentisse bastante apoiado pela organização em que trabalho à buscar informações sobre aquisição de novas tecnologias e equipamentos para pesquisa.

(12) ...o trabalho e/ou projeto não sofresse tanta influência pelo atraso e/ou falta de recursos financeiros para atualização e disponibilização de equipamentos para pesquisa.

(16) ...a infra- estrutura tecnológica para pesquisa na organização em que trabalho estivesse em melhores condições de conservação.

(20) ...não andasse tão cansado e estressado por estar pedindo constantemente para os setores responsáveis na organização a realização de manutenção nos equipamentos para pesquisa.

 (24) ...tivesse ao meu alcance maior informação técnica sobre como proceder com determinados equipamentos existentes para pesquisa na organização em que trabalho.

(28) ...utilizasse e aproveitasse mais os equipamentos e instrumentos já disponíveis na organização em que trabalho.

Quadro 3 - Questões referentes ao Subsistema Técnico

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Subsistema Ambiente Externo

Eu seria mais criativo se...

(03) ...vivesse mais em sintonia com a natureza e diversidade natural para ter novas ideias.

(07) ...as diferenças culturais entre o ambiente externo e a organização onde trabalho não fossem tão grandes.

(11) ...a legislação atual permitisse realizar mais experimentos científicos de meu interesse.

(15) ...não houvesse tantas restrições econômicas impostas pelo mercado as minhas novas ideias.

(19) ...estivesse inserido em um contexto produtivo regional que valorizasse mais a inovação.

(23) ...pudesse refletir mais sem ter que me preocupar com o cenário socioeconômico mundial.

(27) ...não houvessem ainda tantas restrições tecnológicas no mercado para colocar em prática as minhas novas ideias.

Quadro 4 – Questões referentes ao Subsistema Ambiente Externo

Cada um desses quatro subsistemas foi considerado como uma categoria, a qual foi dividida em outras sete subcategorias. Estas foram consideradas como Fatores de Bloqueio à Criatividade, com base nos estudos de Bruno-Faria e Alencar (1996), Quinn, Anderson e Flikelstein (1996), Laville e Dionne (1999) e Alencar e Fleith (2003).

Assim, na elaboração do instrumento tomou-se como base os princípios do método de análise de conteúdo de Bardin (2002), de forma inversa, os quais preveem a formulação de categorias e subcategorias numa determinada análise.

No Quadro 5 são apresentadas as categorias e subcategorias com as respectivas questões que constam no instrumento de pesquisa.

CATEGORIAS

SUBCATEGORIAS (Fatores de Bloqueio à Criatividade)

QUESTÕES

  1. Social

A.1 – Instabilidade Emocional / Insegurança

A.2 – Comunicação Interpessoal

A.3 – Estímulo Familiar à Inovação

A.4 – Estímulo à Inovação no Ensino Fundamental

A.5 – Estímulo à Inovação no Ensino Médio

A.6 – Estímulo à Inovação no Ensino Superior

A.7 – Ideias Pré-Concebidas / Pré-Conceitos

01

05

09

13

17

21

25

  1. Organizacional

B.1 – Normatização / Regras Pré-Existentes

B.2 – Carga Horária para Pensar em Inovações

B.3 – Acesso a Informações na Organização

B.4 – Estímulo à Inovação e Empreendedorismo

B.5 – Condições de deslocamento ao trabalho

B.6 – Exigência a Iniciativa de Inovar

B.7 – Clima Organizacional

02

06

10

14

18

22

26

  1. Ambiente Externo

C.1 – Interação com a Natureza

C.2 – Diferenças Culturais (Social e Organizacional)

C.3 – Legislação Aplicada à Pesquisa

C.4 – Restrições Econômicas do Mercado

C.5 – Contexto Produtivo Regional

C.6 – Cenário Socioeconômico Mundial

C.7 – Restrições Tecnológicas do Mercado às Ideias

03

07

11

15

19

23

27

  1. Técnico

D.1 – Acesso a Novos Equipamentos e Instrumentos

D.2 – Apoio Organizacional à Busca de Informações

D.3 – Recursos Financeiros para Atualização

D.4 – Estado de Conservação da Infraestrutura

D.5 – Deficiência da Manutenção da Infraestrutura

D.6 – Conhecimento da Infraestrutura Existente

D.7 – Utilização da Infraestrutura Existente

04

08

12

16

20

24

28

Quadro 5 – Categorias e subcategorias e respectivas questões

Responderam ao instrumento de pesquisa 93 acadêmicos, que representam 39,74% dos que cursam graduação em Engenharia de Produção. Ressalta-se que 94,88% dos acadêmicos pesquisados trabalham e 5,12% já trabalharam em organizações da região do Vale do Paranhana. Em relação aos subsistemas Organizacional e Técnico os dados refletem a opinião dos acadêmicos em relação as empresas privadas e instituições públicas em que atuam ou atuaram.

Os dados obtidos com os acadêmicos foram inseridos em uma planilha onde obteve-se uma média para cada subsistema. Na sequência, foram elaborados gráficos com resultados individuais e comparativos com os dados provenientes do estudo realizado por Jung, Frank e Caten (2010) com 13 indivíduos que representam 100% dos pesquisadores do Polo de Inovação Tecnológica do Vale do Paranhana.

4. Análise

Inicialmente foi proposta uma análise gráfica comparativa entre os resultados obtidos na pesquisa com os acadêmicos, indicados com A = Acadêmicos, e aqueles obtidos por Jung, Frank e Caten (2010) indicados por P = Pesquisadores, para cada subsistema (ver Figura 1).

Figura 1 – Média da participação de cada subsistema no bloqueio à criatividade

Verifica-se que todos os quatros subsistemas exercem algum tipo de influência, segundo os participantes. Além disso, pode-se observar que, tanto para pesquisadores como para acadêmicos, o subsistema que impacta mais a criatividade é o Organizacional, seguido pelos subsistemas Técnico, Social e Ambiente Externo, os quais, resguardas algumas variações nas médias, aparecem exatamente na mesma ordem de relevância.


Na sequência, são apresentados os resultados obtidos por Jung. Frank e Caten (2010), ver Figura 2, e os obtidos na pesquisa, ver Figura 3, para cada subsistema com a média obtida para cada questão que compõe cada um destes. Neste caso é possível identificar quais questões que impactam mais cada um dos subsistemas.

Figura 2 – Média das questões relacionadas aos respectivos subsistemas
conforme os resultados obtidos por Jung, Frank e Caten (2010)

Observa-se que não há uma grande variação nos resultados dos pesquisadores e dos acadêmicos. O Subsistema Técnico aparece, para ambos, com as médias mais significativas, especialmente no que diz respeito à relevância do apoio organizacional à busca de informações sobre novas tecnologias e equipamentos para pesquisa, aspecto mais destacado. O acesso a novos instrumentos e equipamentos também foi considerado importante.

Figura 3 – Média das questões relacionadas aos respectivos subsistemas conforme os resultados obtidos na pesquisa

Por outro lado, os pesquisadores e os acadêmicos pontuaram com as menores médias o fator deficiência na manutenção da infraestrutura. Esse resultado pode indicar que o aspecto estrutural tende a ser mais valorizado do que o humano, ou seja, há maiores investimentos no patrimônio físico em detrimento do intelectual. Contudo, em que pese a necessidade de adequadas condições físicas, sabe-se que o elemento humano é fundamental para o êxito da organização.

No tocante ao subsistema social, tanto para os pesquisadores quanto para os acadêmicos, a comunicação interpessoal obteve a maior média, ao passo que o estímulo à inovação no ensino médio e a instabilidade emocional/insegurança foram os fatores menos impactantes, respectivamente.

Com relação ao subsistema organizacional, os fatores mais relevantes foram, segundo os pesquisadores, a carga horária para pensar em inovação, e para os alunos, o clima organizacional. As condições de translado foram consideradas como menos significativas para ambos.  

No que se refere ao ambiente externo, os pesquisadores consideraram que o contexto produtivo regional impacta a criatividade, os acadêmicos afirmaram que as restrições econômicas do mercado são mais importantes. Entretanto, em ambos os resultados, a legislação aplicada à pesquisa obteve as médias mais baixas.

A partir dos dados pode-se observar que, tanto para os pesquisadores como para os acadêmicos, os subsistemas mais impactantes na criatividade e na inovação são o técnico e o organizacional. No entanto, deve-se levar em consideração na análise o que Mervis e Rosch (1981) afirmam quando referem que existe uma complexidade no tocante à análise dos fatores de bloqueio, a saber: (i) arbitrariedade das categorias, (ii) equivalência dos membros de uma categoria, (iii) determinação da representação e do relacionamento dos limites das subcategorias, e (iv) a decomposição das categorias em subcategorias é qualitativa.

Com base nestes pressupostos, deve-se considerar nesta análise qualitativa as seguintes limitações: (i) as categorias foram estruturadas com base em referencial teórico, (ii) os limites não são necessariamente precisos, e (iii) existe uma relação próxima entre os grupos de subcategorias e uma vinculação entre as categorias. Nesse caso, Gardner (1996) afirma que a análise da criatividade e dos seus fatores de bloqueio deve considerar os diferentes níveis de exame para entender o fenômeno. Este autor explica que um indivíduo não pode ser criativo num plano abstrato, ou seja, descontextualizado, sendo a criatividade sempre condicionada pela influência da interação entre indivíduo e ambiente.


Para a análise qualitativa dos resultados foram correlacionados os valores das questões (Figura 2) às subcategorias (Fatores de Bloqueio à Criatividade), com a comparação entre os resultados apresentados pelos pesquisadores (Jung, Frank, Caten, 2010) com os obtidos a partir dos dados dos alunos. Os resultados se apresentam a seguir, nas Figuras 4 e 5.

 Figura 4 – Gráfico que apresenta os Fatores de Bloqueio em função das médias obtidas no estudo de Jung, Frank e Caten (2010) realizado com os pesquisadores

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Figura 5 – Gráfico que apresenta os Fatores de Bloqueio em função das médias obtidas na pesquisa com os acadêmicos

Percebe-se que os principais fatores de bloqueio à criatividade encontram-se nos subsistemas Técnico e Organizacional, especialmente no Apoio Organizacional à Busca de Informações, na Carga Horária para Pensar em Inovações e no Acesso à Informação na Organização, apontados tanto pelos pesquisadores quanto pelos alunos. Outros aspectos apontados como relevantes são a Comunicação Interpessoal e a Exigência à Iniciativa de Inovar, destacadas pelos primeiros, e o Estímulo à Inovação e o Clima Organizacional, ressaltados pelos segundos.

Na realidade, é oportuno mencionar que embora o Apoio Organizacional à Busca de Informações situe-se no subsistema Técnico, é ele fortemente relacionado ao Organizacional. Contudo, sua inclusão no subsistema referido se deve ao fato de que as informações são de caráter técnico-científicas, bem como são necessárias para o desempenho técnico do indivíduo (Dewes et. al. 2012). A partir daí, pode-se inferir que o subsistema Organizacional é o que mais afeta a criatividade dos pesquisadores e dos alunos.

Nesse sentido, os estudos realizados por Bruno-Faria e Alencar (1996) também evidenciaram alguns aspectos que estimulam ou inibem a criatividade e que corroboram com o exposto, tais como: (i) a estrutura organizacional; (ii) o suporte da chefia, do grupo e da organização; (iii) o estilo de trabalho e de participação; (iv) os recursos tecnológicos e materiais, (v) o treinamento e o sistema de comunicação empresarial, dentre outros.

Assim, vê-se que o ambiente em que se desenvolve o trabalho e as condições de que os trabalhadores dispõem para realizá-lo são fundamentais ao processo criativo. Amabile e Gryskiewicz (1989) e Alencar (1993, 1996) destacaram o fator ambiental no desenvolvimento da criatividade, apontando aspectos como o clima organizacional, as normas culturais e as oportunidades de expressão das novas ideias.

Amabile e Gryskiewicz (1989) referem dois estímulos importantes à formação de um ambiente favorável à criatividade e que aparecem entre os fatores com as maiores médias, tanto nos resultados dos pesquisadores quanto dos alunos: (i) suporte organizacional, o qual envolve mecanismos para o desenvolvimento de novas ideias, planejamento e definição das metas de trabalho, etc., e (ii) desafios, ou seja, tarefas desafiadoras que estimulem o pensar criativo.

Os resultados obtidos vão ainda ao encontro das constatações de Alves et. al.  (2007), os quais afirmam que o primeiro passo para a criatividade é a incorporação explícita da inovação nas metas e objetivos organizacionais. Os autores destacaram igualmente a cultura e a estrutura organizacionais e a comunicação como fatores que exercem uma influência direta sobre o potencial criativo. Assim, reconhecendo-se a relevância desses fatores, a organização torna-se uma facilitadora do acesso à informação interna e externa e, ao conferir determinadas condições técnicas e ambientais aos seus trabalhadores, deve ter o apoio e a exigência de iniciativas inovadoras como partes de sua estratégia.

Isaksen et. al. (2001), ao analisarem o clima organizacional, explicaram que se trata de uma variável importante que influencia tanto no processo organizacional quanto no psicológico. Eles advertem que o clima influencia e é influenciado pela organização, em atividades tais como: (i) resolução de problemas, (ii) decisão de fazer, (iii) comunicação e coordenação, (iv) processos individuais de aprendizado e criação, e (v) níveis de motivação e compromisso.

Para Aranda (2009), o clima organizacional deve suportar o desenvolvimento, a assimilação e a utilização de abordagens e conceitos novos e diferentes, dessa forma a organização passa a ser um estímulo à inovação e a criatividade.

Por outro lado, os fatores com as médias mais baixas relacionam-se, fundamentalmente, aos subsistemas Social e Ambiente Externo, com exceção das Condições de Deslocamento ao Trabalho, integrante da categoria Organizacional. Nesse sentido, a Legislação Aplicada a Pesquisa, o Estímulo à Inovação no Ensino Universitário, as Diferenças Culturais e o Cenário Socioeconômico Mundial não aparecem como fatores de bloqueio significativos.

Quanto aos aspectos com as médias mais altas, o papel da Carga Horária para Pensar em Inovações e o Apoio Organizacional à Busca de Informações, são relativamente consoantes considerando-se os resultados dos pesquisadores e dos alunos, respectivamente.

No que tange aos pesquisadores, o destaque dado à Carga Horária para Pensar em Inovações pode ser explicado, talvez, pelo fato de a mesma ser insuficiente para uma reflexão voltada à geração de novas ideias.

Já o fator Apoio Organizacional à Busca de Informações, na segunda posição, pode ser resultado da falta de acesso às principais bases de dados internacionais de periódicos científicos. No caso, a unidade gestora do Polo de Inovação Tecnológica ainda não investiu na aquisição de acesso a qualquer base de dados internacional, inviabilizando a consulta dos pesquisadores a novas e importantes informações técnico-científicas (Jung, Frank, Caten, 2010).

Além disso, a análise revela a existência de fatores vinculados ao proceso de comunicação que podem estar interagindo e afetando a criatividade dos pesquisadores. Observa-se que os fatores Acesso a Informações na Organização e Comunicação Interpessoal estão na quarta e quinta posição respectivamente, ver Figura 5.

Uma comunicação organizacional deficiente pode influenciar o proceso criativo. Para Kreps (1990), a comunicação organizacional constitui-se em um proceso através do qual os indivíduos obtêm as informações pertinentes sobre a própria organização (situação sócio-econômica, novas propostas e estratégias), bem como sobre as mudanças que nela ocorrem. Para Kunsch (2003), a comunicação interna é planejada em torno de propósitos e estratégias claramente definidas para viabilizar uma interação entre a organização e seus colaboradores.

A Comunicação Interpessoal também foi um fator destacado como fonte de bloqueio à criatividade e foi descrita por Bruno-Faria e Alencar (1996) como ausência de diálogo, inexistência ou poucas atividades em grupo, falta de confiança entre os indivíduos e não-aceitação de novas ideias e conflitos.

É importante ponderar que determinados fatores ao serem analisados de forma integrada podem caracterizar o perfil organizacional como não favorável à criatividade. Neste caso, ressalta-se que não necessariamente o fato de uma instituição “permitir” e “possuir” atividades voltadas à inovação garante um ambiente favorável à criatividade (Dewes et. al. 2012). Isto fica evidenciado quando são destacados na pesquisa os fatores: Exigência à Iniciativa de Inovar, que ficou na terceira posição, e Estímulo à Inovação e Empreendedorismo, sexta posição.

Com relação aos alunos, o Apoio Organizacional à Busca de Informações, o Clima Organizacional e o Estímulo à Inovação obtiveram as maiores médias, sendo percebidos como fatores preponderantes no bloqueio à criatividade. Na sequência aparecem a Carga Horária para Pensar em Inovações e o Acesso à Informação na Organização como fatores que também exercem influência.

É importante mencionar que, tanto para os pesquisadores como para os alunos, o subsistema que menos impacta a criatividade é o Ambiente Externo, seguido do subsistema Social. Esse resultado comprova a relevância dos subsistemas Técnico e Organizacional no tocante ao bloqueio da criatividade e ratifica o quanto a natureza do trabalho, a forma e as características da gestão, as atividades e as tarefas são fatores que influenciam diretamente a criatividade, seja promovendo-a ou bloqueando-a.

Percebe-se que aspectos ligados à infraestrutura são mais relevantes para os acadêmicos do que para os pesquisadores, talvez porque, os acadêmicos ainda na maioria jovens em formação e menos experientes, com em média de 18 a 25 anos de idade, demandam condições infraestruturais mais estimuladoras. Recursos Financeiros para Atualização foi considerado importante barreira para os alunos, o que deve se explicar pelo fato de que ainda arcam com os custos de seu curso de graduação em andamento.

Os pesquisadores, por outro lado, destacaram a Normatização e as Regras Pré-Existentes, o Contexto Produtivo Regional e a Comunicação Interpessoal. Pode-se inferir que a experiência e a idade dos pesquisadores exercem influência na percepção desses aspectos como importantes para criatividade.  Ao trabalharem com pesquisa, esses indivíduos sentem o impacto das normas a serem respeitadas, as quais são, por vezes, limitadoras. Ademais, o Contexto Produtivo Regional pode ser um fator de bloqueio em razão das peculiaridades culturais e socioeconômicas dos municípios, bem como em razão da dificuldade de acesso às informações e dados dos mesmos. Daí talvez o motivo da Comunicação Interpessoal ser destacada como fator relevante, o que pode ser devido também à forma de trabalho do pesquisador.

Por fim, merece atenção o fato de que embora sejam convergentes em muitos pontos, os resultados dos acadêmicos apresentam uma amplitude muito maior do que a dos pesquisadores. Observa-se que os acadêmicos percebem os fatores relacionados de forma bem mais intensa do que os pesquisadores.

5. Conclusões

Este artigo apresentou os resultados de uma pesquisa que teve por finalidade investigar a existência e identificar os fatores de bloqueio à criatividade em acadêmicos da área da Engenharia de Produção de uma Instituição de Ensino Superior da Região do Vale do Paranhana e compará-los com os resultados obtidos a partir do estudo realizado por Jung, Frank e Caten (2010) com pesquisadores de um Polo de Inovação Tecnológica da mesma região. Para tanto, foi utilizado o mesmo método para coleta e análise dos dados proposto por estes autores. O estudo estabeleceu uma relação entre os resultados obtidos com os acadêmicos e os pesquisadores.

Os resultados mostraram que todos os quatro subsistemas influenciam o processo criativo dos acadêmicos. Entretanto, os subsistemas Técnico e Organizacional aparecem como os mais importantes, uma vez que os principais Fatores de Bloqueio destacados foram a Carga Horária para Pensar em Inovações (Subsistema Organizacional) e o Apoio Organizacional à Busca de Informações (Subsistema Técnico).

O Clima Organizacional, o Estímulo à Inovação e ao Empreendedorismo e o Acesso à Informação na Organização foram considerados Fatores de Bloqueio relevantes pelos acadêmicos, os quais, como visto, se encontram inseridos no mercado de trabalho e já trazem consigo os impactos dos referidos fatores. Por outro lado, os pesquisadores de acordo com os resultados de Jung, Frank e Caten (2010) ressaltaram a influência a Comunicação Interpessoal, a Exigência à Iniciativa de Inovar e o Acesso à informação na Organização.

A pesquisa mostrou o quanto as organizações podem influenciar no desenvolvimento de processos criativos e inovadores, seja facilitando-os e promovendo-os, seja dificultando-os e bloqueando-os. Em função disto, a criação de ambientes organizacionais que favoreçam a criatividade e a inovação torna-se importante.

Nesse sentido, os resultados obtidos neste trabalho são corroborados pelo estudo de Bruno-Faria e Alencar (1996) que identificaram fatores que estimulam a criatividade no ambiente organizacional e que devem ser considerados pelos gestores e trabalhadores, a saber: suporte organizacional, estrutura organizacional, suporte da chefia e do grupo de trabalho, liberdade e autonomia, participação, ambiente físico, comunicação, recursos tecnológicos, treinamentos, desafios e salários e benefícios.

O estudo demonstrou que uma vez que esses aspectos citados por Bruno-Faria e Alencar (1996) se tornam parte da cultura e da estratégia organizacional, bem como aqueles demandados pelos trabalhadores, a criatividade e as inovações podem ser potencializadas.

Os resultados obtidos contribuem para a compreensão de que a análise sistêmica de determinados fatores pode revelar um perfil organizacional não favorável ao desenvolvimento da criatividade e a inovação, muito embora possam existir nestas organizações atividades voltadas à inovação.

Por fim, destaca-se a relevância da continuidade de estudos dessa natureza, bem como de sua aplicação em contextos diversos, de modo que se favoreça a compreensão dos fenômenos que podem se constituir em bloqueios à criatividade.

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1 Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional, FACCAT daniguidotti@hotmail.com
2 Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional, FACCAT carlosfernandojung@gmail.com


Vol. 35 (Nº4) Año 2014
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