Espacios. Vol. 34 (4) 2013. Pág. 3


Metodologia para identificação de potenciais locais para a implantação de usina de reciclagem de resíduos da construção civil

Methodology for identifying potential sites for the recycling plant construction waste

Mayara Cristina Ghedini da Silva 1; Nivaldo Pereira da Silva 2; Camila Clivati Justus 3 e João Carlos Colmenero 4

Recibido: 11-11-2012 - Aprobado: 23-02-2013


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RESUMEN:
Este trabalho teve por objetivo propor uma metodologia para identificação de potenciais locais para a implantação de uma usina de reciclagem de Resíduos da Construção Civil (RCC) na cidade de Ponta Grossa. Para isto, foi realizada uma contextualização sobre sustentabilidade e desenvolvimento sustentável, norma ABNT para a implantação de usina para a reciclagem dos mesmos e o método multicritério Analytic Hierarchy Process (AHP). Buscando responder o objetivo deste trabalho, a metodologia foi estruturada em quatro etapas, sendo elas: levantamentos bibliográficos e documentais (seleção de critérios e subcritérios), definição das alternativas, desenvolvimento da estrutura hierárquica e aplicação do método AHP. A aplicação do método de localização permitiu concluir que o critério Pilar Ambiental apresenta-se como o principal fator de tomada de decisão, e o terreno localizado no bairro de Uvaranas apresenta-se como a alternativa com maior potencial para a implantação da usina de reciclagem de RCC na cidade de Ponta Grossa. A metodologia utilizada pode ser aplicada para qualquer município que tenha como objetivo a implantação de uma usina de reciclagem de resíduos sólidos.
PALAVRAS-CHAVE: Resíduos da Construção Civil; Sustentabilidade; Desenvolvimento sustentável e Analytic Hierarchy Process (AHP).

ABSTRACT:
This paper aims to propose a methodology for identifying potential sites for a waste recycling plant construction in Ponta Grossa city. For this, we developed a contextualization about sustainability and sustainable development, ABNT standard for implantation of waste recycling plant construction and the Analytic Hierarchy Process (AHP) method. In order to meet the objective of this paper, the methodology was divided into four steps, namely: bibliographic and documentary, to selection criteria and sub-criteria, definition of alternatives, development and application of the hierarchical structure of the AHP software. We conclude that the environment pillar appears as the main factor in decision making, and the land located in the neighborhood of Uvaranas, presents itself as the alternative with the greatest potential for the deployment of civil construction waste recycling plant in Ponta Grossa city. The methodology can be applied to any municipality that has as its goal the establishment of a waste recycling plant.
KEY WORDS: Civil construction waste; Sustainability; Sustainable development and Analytic Hierarchy Process (AHP).


1. Introdução

A indústria da Construção Civil apresenta-se como um setor de destaque no desenvolvimento econômico do país. Contudo, a ascensão do setor contribui para o aumento do volume de resíduos gerados no país. Segundo a ABRELPE (2011) – Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais – os municípios brasileiros coletaram, no ano de 2011, mais de 33 milhões de toneladas de Resíduos da Construção Civil (RCC), o que representa um aumento de 7,2% em relação ao volume gerado em 2010 – aproximadamente 31 milhões de toneladas.

A região sul apresentou-se como a terceira maior geradora de RCC nos anos estudados. Por sua vez, o volume de resíduos gerados em 2011 – 4.666 milhões de toneladas – representa um aumento de 3,9% em relação ao volume gerados em 2010 – 4.598 milhões de toneladas (ABRELPE, 2011).

O aumento do volume de RCC vem se mostrando como um motivo de preocupação para os setores ambientais, os quais buscam esclarecer aos governantes as consequências que virão a acontecer devido ao volume e ao descarte incorreto dos resíduos (LEVY, 2007).

De acordo com Pinto (1999), os principais impactos ambientais referentes aos resíduos estão relacionados às disposições irregulares e incorretas dos resíduos. Embora a reciclagem seja um fator relevante para minimização dos impactos ambientais, o Brasil apresenta-se como um país escasso de técnicas adequadas a um custo reduzido.

A Secretaria Municipal de Agricultura, Pecuária e Meio Ambiente da cidade de Ponta Grossa é responsável pelo controle e fiscalização dos resíduos da construção civil que são descartados na mesma. Estas atividades, por sua vez, são desenvolvidas por meio de observação in loco e preenchimento e entrega da ficha de Controle de Transporte de Resíduos (CTR). A entrega das fichas é uma atividade de responsabilidade das empresas de caçambas, e neste documento são apresentados, basicamente, dados referentes a (i) informações sobre o local de geração dos resíduos, (ii) local de descarte dos mesmo e (iii) tipo e volume de resíduos que foram descartados.

Dentro deste contexto, o presente trabalho tem como objetivo propor uma metodologia para identificação de potenciais locais para a implantação de usina de reciclagem de RCC na cidade de Ponta Grossa baseada em um modelo multicritério para tomada de decisão.

2. Referencial teórico

2.1 Sustentabilidade e desenvolvimento sustentável

A definição de sustentabilidade vem sendo aprimorada ao longo dos anos, buscando abranger cada vez mais um número maior de preocupações. As primeiras definições do tema o vinculavam apenas a manutenção de recursos renováveis para a colheita, pesca ou extração de um recurso natural (GAMBORG; SANDOE, 2005).

O Relatório Brundtland, publicado em 1987 e desenvolvido pela Word Commission on Environment, procurava apresentar a incompatibilidade entre o ritmo de produção e o desenvolvimento sustentável. O mesmo definia sustentabilidade como um processo que busca satisfazer as necessidades do presente sem comprometer a capacidade de satisfazer as necessidades das futuras gerações (QUEL, 2010; BITHAS E CHRISTOFAKIS, 2006). Essa definição de sustentabilidade é a mais conhecida e utilizada (SCHUBERT; LANG, 2005).

Por sua vez, a sustentabilidade é conceituada por Berkes e Folke (1998), como um processo socioeconômico que inclui dimensões ecológicas, sociais e econômicas. Baumgartner e Quass (2010) complementaram a definição de Berkes e Folke, afirmando que sustentabilidade é um processo que indica a forma como os seres humanos devem agir em relação à natureza, e sua responsabilidade com as gerações futuras.

Para Hacking e Guthrie (2003), sustentabilidade relaciona ecossistema e sistemas econômicos. Ainda, afirmam não existir metas padronizadas para medi-la, de modo que a mesma apenas pode ser vista dentro de um processo em andamento.

O desenvolvimento sustentável é definido por Allen (1980) como um processo que objetiva alcançar a satisfação das necessidades humanas e a melhoria da qualidade de vida, de modo que o ecossistema seja utilizado em níveis e formas que permitam sua renovação, sendo o seu objetivo o de atender as necessidades humanas preservando os sistemas de suporte da vida no planeta.

Holling (2000) buscou simplificar e diferenciar a definição de sustentabilidade e desenvolvimento sustentável, sendo para o autor: a capacidade de criar, testar e manter a capacidade produtiva, e o desenvolvimento sustentável busca criar, testar, adaptar a capacidade e criar oportunidades.

Vários autores afirmam não haver consenso nas definições de sustentabilidade e desenvolvimento sustentável, dando origem a inúmeras interpretações, onde seus proponentes diferem na ênfase do que é sustentável (BITHAS E CHRISTOFAKIS, 2006; FISCHER et. al, 2007; TANGUAY et. al, 2010; PARRIS E KATE, 2003).

Para Veiga (2005) os termos sustentabilidade e desenvolvimento sustentável estão alcançando popularidade e sendo absorvidos de uma forma surpreendentemente rápida, de modo que estão se tornando um slogan para empresas que desenvolvem atividades ambientalmente corretas.

Contudo, os conceitos e definições que envolvem sustentabilidade e desenvolvimento sustentável vem sendo contestados pela comunidade científica, que alega existir uma vacuidade nos conceitos devido ao que pode existir de válido, sério e objetivo nas ilusões que o tema difunde. Assim, o termo desenvolvimento sustentável pode tornar-se uma expressão da moda, que todos respeitam, porém há consenso de sua definição e aplicação (GRAY, 2010; VEIGA, 2005).

2.2 Pilares da sustentabilidade

Os pilares da sustentabilidade surgiram devido à preocupação ecológica e o reconhecimento da responsabilidade das organizações com o desenvolvimento sustentável. As empresas, por sua vez, identificaram um nicho de mercado frente às pressões da comunidade que permite obter vantagem competitiva frente às concorrentes ao desenvolverem atividades sustentáveis (MAHONEY; POTTER, 2004).

O desenvolvimento sustentável serve de parâmetro para os pilares da sustentabilidade, envolvendo um repensar da sociedade e de seu desenvolvimento para atingir o objetivo de integrar aspectos ambientais, econômicos e sociais. Por sua vez, a compreensão do desenvolvimento sustentável requer princípios específicos, como orientar a atividade humana para assegurar a abordagem das três dimensões. Mahoney e Potter (2004) atribuem o desenvolvimento dos pilares da sustentabilidade a mudança na ênfase dada pelas empresas, as quais priorizavam apenas o fator econômico, sem preocupar-se com os danos ambientais que estavam causando. Os pilares da sustentabilidade procuram delimitar o modo de pensar e fazer negócios, buscando respeitar a integridade e a interdependência dos fatores econômicos, sociais e ambientais.

O sucesso dos pilares da sustentabilidade está diretamente ligado aos objetivos da organização, onde a incorporação da gestão de negócios sustentáveis em sua abordagem estratégica pode apresentar um melhor desempenho a longo prazo, favorecendo assim ganhos financeiros (MAHONEY; POTTER, 2004).

2.2.1 Pilar social

Davis (1960) afirmava que responsabilidade social estava relacionada apenas a ações e decisões tomadas por razões que apresentavam maior relevância que os interesses econômicos e técnicos de uma empresa.

Com o aprimoramento dos estudos e a evolução do tema, o conceito de responsabilidade social deixou de nortear as obrigações e ações que as empresas deveriam adotar, e passou a assumir um papel de destaque na qual as empresas passam a ser mais proativas frente suas ações (CARROL, 1991).

O objetivo deste fator está relacionado ao desenvolvimento de ações que busquem valorizar os trabalhadores, as empresas e a sociedade.

2.2.2 Pilar Ambiental

A responsabilidade ambiental caracteriza-se como um pilar complexo por não apresentar fontes e fatores que possam ser mesurados independentemente, mas sim de acordo com os fatores de um ecossistema (ELKINGTON, 2001).

Vários autores apontam como responsabilidade ambiental o desenvolvimento de fatores que valorizem o desempenho ambiental com o objetivo de minimizar a emissão de poluentes, danos a recursos naturais e poluição sonora (FAIRLEY et al, 2011; GLAVIC; LUKMAN, 2007).

Elkington (2001) afirma que para o desenvolvimento eco-eficiente envolve, no contexto do pilar ambiental, o desenvolvimento de bens e serviços a preços competitivos que satisfaçam as necessidades humanas com menor índice de impactos ambientais. O fator ambiental busca desenvolver uma interação de processos com o meio ambiente sem causar danos ao mesmo.

2.2.3 Pilar Econômico

Glavic e Lukman (2007) afirmam que a responsabilidade econômica está no interesse das empresas em identificar formas de aliar a redução ou minimização dos custos com questões ambientais, com a melhoria da qualidade ambiental e a geração de lucro frente às questões ambientais.

Como objetivo principal, o fator econômico busca o desenvolvimento de produtos e empreendimentos que atendam os fatores sociais e ambientais de maneira economicamente viável.

Por meio dos pilares da sustentabilidade as empresas manifestam sua responsabilidade social visando atender as necessidades presentes sem comprometer a capacidade das gerações futuras (ONU, 1991).

2.3 Critérios para implantação de usina de RCC (ABNT NBR 15114/04)

A Norma ABNT NBR 15114, de 30 de julho de 2004, estabelece diretrizes para projeto, implantação e operação de áreas de reciclagem de resíduos da construção civil, buscando fixar os requisitos mínimos exigíveis para operação de áreas de reciclagem de resíduos sólidos da construção civil classe A (ABNT, 2004).

A Norma aplica-se a reciclagem de materiais triados para produção de agregados que possuam características para a aplicação em obras de infraestrutura e edificação, sem comprometer o meio ambiente, as condições de trabalho dos operadores das usinas e a qualidade de vida da população.

A Norma ABNT NBR 15114 apresenta condições e critérios para a implantação de usina de reciclagem de resíduos da construção e demolição, como pode ser observado no quadro 1.

Condições de implantação

Critérios

Isolamento e sinalização

- sinalização do perímetro da área em operação, construído com o objetivo de impedir o acesso de pessoas não cadastradas e animais;

- estabelecimento de uma forma de controle de acesso ao local;

- sinalizações que identifiquem o empreendimento;

- preocupação com aspectos relativos à vizinhança, ventos e estética.

Acessos

- devem ser protegidos e mantidos em condições de utilização para diferentes variações climáticas.

Iluminação e energia

- a área deve dispor de iluminação que permita ações de emergência a qualquer tempo.

Proteção das águas superficiais

- respeitar as faixas de proteção dos corpos d’água superficiais;

- previsão de um sistema de drenagem das águas de escoamento superficial na área de reciclagem.

Preparo da área de operação

- área de operação deve ter sua superfície regularizada;

- determinar local específico para armazenamento temporário de resíduos não recicláveis;

- área coberta para armazenamento temporário de resíduos da Classe D.

Quadro 1: Condições e critérios para implantação de usina de reciclagem RCC.
Fonte: Norma ABNT NBR 15114.

De maneira simplificada, o local ideal para implantação da usina deve buscar minimizar os impactos ambientais que sua instalação pode gerar; maximizar sua aceitação por parte da população da região; estar de acordo com as legislações ambientais e de utilização do solo; e principalmente, observar hidrografia, vegetação e vias de acesso ao local (ABNT NBR 15114).

2.4 Logística reversa de RCC

Na atualidade, a implantação do processo logístico reverso pode evitar ou amenizar os impactos ambientais. Barbieri e Dias (2002) explicam que a logística reversa é um instrumento que incentiva o consumo sustentável. Estas preocupações estão sendo influenciadas devido as legislações ambientais cada vez mais rígidas, onde os fabricantes são responsáveis por seus produtos durante toda a vida útil do mesmo, assim como pelos resíduos gerados no processo produtivo (DAHER; SILVA; FONSECA, 2006).

A carência de informações faz com que haja dificuldade na visualização dos custos. Não obstante, economias podem ser obtidas em operações como utilização de embalagens retornáveis e reaproveitamento de materiais para a produção (RODRIGUES et al, 2002). Para que isso ocorra, se faz necessário entender que a vida útil de um produto é contabilizada a partir do momento de sua produção até ser adquirido pelo consumidor. A vida útil pode ser prolongada desde que exista a possibilidade de aumentar sua utilização por meio de uma nova inserção na cadeia de consumo (LEITE, 2003). A figura 1 apresenta o fluxo logístico reverso dos RCC.

Figura 1: Logística reversa de RCC.
Fonte: Adaptado de Schneider (2003).

Schneider (2003) representa, na Figura 1, os canais diretos e reversos de distribuição do setor da construção civil. O autor afirma ainda não existir um ciclo fechado para o segmento por este apresentar um número limitado de resíduos que possam ser beneficiados, de modo que os mesmos são encaminhados para uma destinação final adequada.

Nunes (2004) apresenta em seus estudos um panorama sobre a logística reversa dentro da indústria da construção civil, destacando que:

  • Os canais reversos de distribuição são compostos, em sua maioria, por materiais provenientes de argamassa, concreto, tijolo e telha cerâmica;
  • Os canais reversos estão sendo pouco explorados pelos empreendedores;
  • Um grande volume de resíduos está sendo coletado e descartado incorretamente por empresas de limpeza urbana;
  • As usinas de RCC devem ser situadas próximo aos locais com maior volume de geração de resíduos e com o maior potencial de crescimento.

Entretanto, ressalta-se que a viabilidade do aprimoramento do fluxo reverso de resíduos da construção civil depende de uma parceria entre empresas privadas e o poder público (NUNES, 2004).

2.5. Analytic hierarchy process (AHP)

Os sistemas de suporte à decisão são modelos que podem auxiliar na escolha do terreno apropriado, pois através do tratamento de dados utilizando técnicas heurísticas e algoritmos, o modelo realiza uma análise comparativa para a extração de um resultado considerado mais relevante. Uma solução simplificada e alternativa é a aplicação do método AHP (Analytic Hierarchy Process).

Segundo Saaty (1980), o AHP é um método de auxilio multicritério à tomada de decisão caracterizado pelo planejamento estruturado critérios de modo a simplificar o estudo de sistemas complexos. De acordo com Wang, Chu & Wu (2007), o método permite a medição da coerência dos julgamentos dos decisores.

Diversos autores utilizaram a técnica AHP para resolver problemas de tomada de decisão. Devido ao crescente congestionamento nas áreas urbanas, Kayikci (2010) empregou o método AHP em sua pesquisa a fim de encontrar alternativas viáveis para aliviar o problema do tráfego de mercadorias em centros urbanos. Chin, Pun, Xu & Chan (2002) elencaram alternativas, critérios e subcritérios para a implantação de um programa de qualidade total em empresas estatais na China. Gan (2010) utilizou a análise multicritério para selecionar um terreno ideal para a implantação de um centro de reciclagem. Além do método AHP, Kuo, Chi & Kao (2002) utilizaram abordagens fuzzy para escolher a melhor localização de uma loja de conveniências. Ainda, Gao & Yoshimoto (2011) utilizaram o método AHP e programação linear para a implantação de lojas varejistas em uma cidade.

3. Metodologia

A presente pesquisa classifica-se como aplicada, segundo natureza, de modo a garantir conhecimentos para aplicação prática, focando na solução de problemas específicos (SILVA E MENEZES, 2001). A forma da abordagem do problema é quantitativa, buscando traduzir em números opiniões e informações para classifica-las e analisa-las (GIL, 1996).

Do ponto de vista de seus objetivos, caracteriza-se como um método exploratório que busca proporcionar maior familiaridade com o problema, de modo a promover maior conhecimento sobre o tema pesquisado, por meio de pesquisas bibliográficas e estudo de caso (GIL, 1996). O trabalho apresenta-se como uma pesquisa experimental, segundo seus procedimentos técnicos, por meio da aplicação de um modelo de análise multicritério, que traduz em pesos os dados e informações coletadas, ponderando assim a definição do local ideal para implantação da usina.

Buscando atingir o objetivo proposto neste trabalho, a metodologia foi dividida em quatro etapas:

Primeira etapa: Composição dos critérios e subcritérios

Esta etapa tem como finalidade estabelecer critérios para a seleção do local com potencial para implantação da usina de reciclagem de RCC. Buscando atingir o objetivo geral deste trabalho foram estabelecidos critérios que tivessem como foco o desenvolvimento sustentável, ou seja, a escolha do local que respeitasse os pilares da sustentabilidade para implantação da usina. Os critérios estabelecidos foram: ambiental, social e econômico. A figura 2 mostra a estrutura dos critérios.

Figura 2: Critérios – Pilares da sustentabilidade.
Fonte: Mahoney e Potter (2004).

Para cada critério, foram elencados subcritérios que objetivam especificar os itens a serem considerados no momento de se estabelecer a relevância de cada critério. Por sua vez, os subcritérios foram obtidos por meio de levantamento bibliográfico: critérios oriundos da Norma ABNT NBR 15114, de 30 de julho de 2004 e documental, coletados junto a Secretaria Municipal de Agricultura, Pecuária e Meio Ambiente e dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A figura 3 apresenta os subcritérios definidos para o modelo.

Figura 3: Subcritérios da estrutura hierárquica.
Fonte: os autores.

Segunda etapa: Definição das alternativas

Nesta etapa buscou-se identificar potenciais terrenos da prefeitura que poderiam ser utilizados para implantação da usina de reciclagem de resíduos de construção civil. Os terrenos foram selecionados junto a Secretaria Municipal de Obras e Serviços. Os terrenos e as respectivas especificações são apresentados no quadro 2:

Alternativa

Bairro

Área total em m²

Valor estimado do m²

Terreno 1

Boa Vista

7200

R$ 140,00

Terreno 2

Chapada

5622,24

R$ 110,00

Terreno 3

Uvaranas

3085,08

R$ 145,00

Terreno 4

Contorno

3857,92

R$ 160,00

Quadro 2: Alternativas para implantação.
Fonte: Secretaria Municipal de Obras e Serviços (2011).

Terceira etapa: Definição da estrutura hierárquica

A terceira etapa foi elaborada a fim de se obter uma melhor visualização do problema fragmentado, de modo que o mesmo fosse estruturado de forma hierárquica na qual é possível verificar o objetivo, os critérios, os subcritérios e as alternativas.

Quarta etapa: Aplicação do método AHP

A última etapa consiste na aplicação do método AHP com a finalidade de ranquear os possíveis terrenos (alternativas) para a implantação da usina de processamento de resíduos sólidos. Para atender os objetivos do trabalho, o modelo foi implementado no software Expert Choice 11.5.

4. Resultados

Segundo os dados divulgados pelo IBGE, no Censo 2010, o estado do Paraná apresenta uma taxa média geográfica de crescimento anual de 0,88%. Esta taxa foi determinada para o período de 2000 – 2010 e considera a população de 2010. Por sua vez, a taxa de crescimento anual estimada para o Estado apresenta-se maior do que a estimada para a região Sul do país, que é de 0,87%.

A população da cidade de Ponta Grossa é composta por 311.697 habitantes, sendo 49% homens e 51% mulheres. Do total da população 304.841 habitantes vivem na área urbana, o que representa 97,8% do total.

A quantidade de resíduos gerados na cidade de Ponta Grossa foram coletados por meio de levantamento e tabulação dos dados disponíveis nas fichas de Controle de Transporte de Resíduos, conforme a norma ABNT NBR 15.114/2004.

Foram tabuladas um total de 3396 fichas de movimentação de caçambas, no período de março de 2009 a janeiro de 2011. Os dados coletados são referentes a: (a) período, (b) bairro de origem, e (c) descrição do material predominante: capim, concreto, galhos de podas, madeira, terra e volumosos (plástico, papel e papelão). O gráfico 1, apresenta a porcentagem do volume total de resíduos gerados nos bairros da cidade de Ponta Grossa nos anos de 2009, 2010 e 2011.

Gráfico 1: Volume total de resíduos por bairro.
Fonte: os autores.

No gráfico 1 observa-se que, período estudado, o Centro foi o maior gerador de resíduos: 22% do volume total de resíduos gerados, o que representa um volume de 3495m³. O bairro de Uvaranas apresenta-se como o segundo maior gerador de resíduos, representando 14% do total, o que é caracterizado por um volume de 2282m³ de resíduos.

O gráfico 2 apresenta a porcentagem do volume total por resíduo declarado nas fichas de controle de transporte de resíduos no período coletado.

Gráfico 2: Volume total por resíduos.
Fonte: os autores.

Constata-se que o resíduo de concreto é principal resíduo gerado na cidade de Ponta Grossa, com aproximadamente 75% do total de resíduos gerados na cidade, o que corresponde a 11765m³. A média gerada em 2010 refere-se a 12 meses de dados coletados, e representa um aumento de 8,5% no volume total de resíduos gerados.

O resíduo de terra apresenta-se como o segundo maior volume de resíduos descartados na cidade de Ponta Grossa, sendo responsável por 12% do total de descartado no período pesquisado. Nos anos de 2009 e 2010, a média de geração de resíduos foi de aproximadamente 84m³ e 88m³, respectivamente.

Definição da estrutura hierárquica

A estrutura hierárquica definida com os critérios, subcritérios e as alternativas é mostrada na figura 4.

Figura 4: Estrutura hierárquica: dados da pesquisa.
Fonte: os autores.

Após o desenvolvimento da estrutura hierárquica a mesma foi aplicada, por meio de questionário, aos tomadores de decisão para validação.

Aplicação do método AHP

Os resultados apresentados nesta etapa foram obtidos por meio da aplicação da metodologia. Com o objetivo de definir a melhor alternativa entre os terrenos apresentados nesta pesquisa, o modelo de tomada de decisão multicritério foi aplicado – por meio de questionário – a dois funcionários do Departamento de Agricultura, Pecuária e Meio Ambiente, da Prefeitura Municipal de Ponta Grossa.

Os dados de análise de desempenho facilitam a identificação das alternativas que apresentam pesos abaixo da média estimada pelos decisores para cada subcritério, representando assim pontos de vulnerabilidade.

A figura 5 apresenta o desempenho de cada alternativa frente os subcritérios que compõem os critérios Pilar Ambiental. Para os decisores, o subcritério Impacto Ambiental apresenta maior relevância frente aos demais, sendo este responsável pela proteção da flora e fauna local. O Terreno 1 apresenta-se como a melhor alternativa sob a ótica do Pilar Ambiental.

Figura 5: Desempenho do pilar ambiental.
Fonte: os autores.

A figura 6 mostra o desempenho do critério Pilar Econômico em relação a seus subcritérios e alternativas. Neste critério os subcritérios apresentam pesos similares, de modo que a escolha do Terreno 3 como a melhor alternativa ocorreu devido ao volume de resíduos gerados na região analisada.

Figura 6: Desempenho do pilar econômico.
Fonte: os autores.

O desempenho do critério Pilar Social é apresentado na figura 7. Segundo os decisores, o Terreno 3 apresenta-se como a melhor alternativa.

Figura 7: Desempenho do pilar econômico.
Fonte: os autores.

A figura 8 representa o desempenho geral do modelo, com o peso médio de cada critério e as alternativas, baseado nos dados fornecidos pelos decisores frente cada critério, subcritério e alternativas.

Figura 8: Análise do desempenho geral.
Fonte: os autores.

Com a combinação dos dados, observa-se a proximidade dos pesos obtidos pelos Pilares Ambiental e Econômico (45,9% e 44,6%, respectivamente). Deste modo, identifica-se a preocupação dos decisores em satisfazer a necessidade da implantação da usina na cidade de Ponta Grossa, buscando gerar pequenos impactos ambientais durante seu processo de implantação e beneficiamento de resíduos, e priorizando a escolha de terrenos economicamente viáveis, onde a melhor alternativa não deve prejudicar negociações futuras de implantação de outros órgãos públicos no local. A aplicação do método definiu o Terreno 3 como a melhor alternativa para a implantação da usina de reciclagem de RCC.

5. Conclusões

A metodologia desenvolvida e apresentada neste trabalho pode ser adaptada à realidade de diferentes cidades que busquem a melhor alternativa para implantação da usina de reciclagem, respeitando os princípios dos pilares da sustentabilidade.

É importante ressaltar que os critérios, subcritérios e alternativas selecionadas como respostas do modelo desenvolvido neste trabalho, embora representem as preferências atuais dos decisores, é considerada decisão prescritiva, e não normativa. Ou seja, em aplicação futura do modelo, os decisores possuem liberdade para revisar, ou decidir contrariamente as respostas aqui apresentadas. Para melhor aplicação deste modelo, se faz necessário uma análise prévia sobre a realidade em que será aplicado o mesmo.

O método AHP permitiu transformar informações essencialmente qualitativas em informações quantitativas, permitindo a elaboração de uma estrutura hierárquica de modo a facilitar os processos decisórios. Entretanto, a análise multicritério é altamente sensível a variações de julgamentos de valor realizadas pelos decisores, podendo pequenas alterações nos valores da decisão alterarem completamente os resultados obtidos.

Por meio da análise de sensibilidade dinâmica, observou-se que entre os critérios selecionados, os pilares: Ambiental e Econômico receberam pesos aproximados – 45,9% e 44,6%, respectivamente – representando assim, critérios com maior fator de relevância no momento da tomada de decisão.

Com a análise de desempenho dos critérios Pilar Ambiental, Pilar Econômico e Pilar Social, obteve-se os subcritérios de maior relevância para cada critério, sendo eles: Impacto ambiental, Geração de resíduos, Valor dos terrenos e Crescimento urbano, respectivamente. Estes subcritérios representam filtros para a seleção da alternativa que melhor represente os principais critérios e subcritérios selecionados pelos tomadores de decisão.

Da combinação dos pesos coletados, concluiu-se que:

  • O critério Pilar Ambiental representa o fator principal na tomada de decisão, destacando assim a preocupação com os impactos ambientais para a escolha da melhor alternativa para a implantação da usina;
  • O Terreno 3, localizado no bairro de Uvaranas, com área total de 3085,08 m², valor estimado de R$ 145,00 m² e apresentado neste trabalho como o segundo maior gerador de resíduos, apresenta-se como a alternativa com maior potencial para a implantação da usina de reciclagem de RCC, na cidade de Ponta Grossa.

Conclui-se com este trabalho, que a implantação de uma usina de reciclagem de RCC na cidade de Ponta Grossa traria notórios benefícios ambientais, econômicos e sociais, como o aumento da vida útil dos aterros sanitários, a diminuição da extração de matéria-prima devido a aplicabilidade do processo logístico reverso nos resíduos, a diminuição da poluição visual do descarte ou coleta incorreta destes resíduos, o aumento no número de empregos e a diminuição da poluição visual.

6. Referências

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1 Universidade Tecnológica Federal do Paraná – UTFPR – Ponta Grossa – PR – Brasil E-mail: mayaraghedini@gmail.com
2 Universidade Tecnológica Federal do Paraná – UTFPR – Ponta Grossa – PR – Brasil E-mail: npsilva@ig.com.br
3 Universidade Tecnológica Federal do Paraná – UTFPR – Ponta Grossa – PR – Brasil E-mail: milajustus@hotmail.com
4 Universidade Tecnológica Federal do Paraná – UTFPR – Ponta Grossa – PR – Brasil E-mail: colmenero@utfpr.edu.br


Vol. 34 (4) 2013
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