Espacios. Vol. 28 (3) 2007. Pág. 21

Gestão da tecnologia e inovação: o caso do Departamento de Desenvolvimento de Novos Produtos de uma empresa de nobreaks

Gestión del tecnología y innovación: el caso del departamento de desarrollo de nuevos productos de una empresa de nobreaks

Innovation Technology Management: the case of project and Development Department of UPS industry

Rosane Yoshida Natume, Hélio Gomes de Carvalho, Luiz Alberto Pilatti


4. Importância da Gestão do conhecimento para a inovação

 “Quer construir uma empresa que sobreviverá à boa idéia pioneira? Crie uma cultura que valorize o aprendizado. Quer construir uma carreira que lhe permita desenvolver-se, assumindo novas responsabilidades? Cultive a fome de aprender – e associe-se a uma organização onde terá a oportunidade de aprender continuamente.” (REICH, 1998 apud KROGH, 2001)

Ao se inovar, uma organização está automaticamente criando um novo conhecimento para a empresa. Segundo Nonaka e Takeuchi (1997, p.79), “quando há interação entre o conhecimento explícito e o conhecimento tácito, surge à inovação”. Isso demonstra que o conhecimento e a inovação tornaram-se matéria-prima fundamental nos processos de desenvolvimento de novos produtos (Kruken-Pereira et al, 2002).

O tema “conhecimento” é hoje um recurso altamente importante e significativo desempenhando uma peça chave para o sucesso de muitas empresas. Muitos autores importantes da área como Ikujiro Nonaka, Peter Drucker, James Brian Quinn e muitos outros pregam a existência de uma nova sociedade: a sociedade do conhecimento, onde o conhecimento ou o aprendizado é tido como o único recurso significativo na sociedade atual para o crescimento e desenvolvimento de toda empresa. E dentro desta esfera, o processo de inovação por intermédio do conhecimento é um recurso altamente importante e o diferencial competitivo entre as empresas (REIS, 2004).

Gestão do Conhecimento significa “rever e organizar as principais políticas, processos e ferramentas de gestão e tecnologias à luz de uma melhor compreensão dos processos de geração, identificação, compartilhamento e uso dos conhecimentos estratégicos para gerar resultados (econômicos) para a empresa e benefícios para os colaboradores” (TERRA, 2003). A Gestão do Conhecimento é de fundamental importância para as empresas que atualmente já se tem claro que se constitui um ativo e é tratado como “Capital Intelectual” e como cita Reis e Aguiar (2002), “o conhecimento é a principal matéria-prima para a fabricação de produtos do século XXI”

A Gestão do Conhecimento se tornou uma forma de gestão inovadora, pois através de seu gerenciamento, pôde-se criar ambientes organizacionais mais favoráveis à ampliação e compartilhamento de conhecimentos entre os vários participantes de uma organização e para que isso se tornasse realidade é necessário rever a organização, suas estratégias, sua estrutura e cultura com base nos novos valores adquiridos (CARVALHO, 2003).  Segundo Teixeira Filho (2000 apud CARVALHO, 2003) a Gestão do Conhecimento é uma nova forma de administrar a organização, buscando dentro do processo da empresa, formas de se utilizar o conhecimento como vantagem competitiva, sendo esse conhecimento, tudo que possa trazer algum valor competitivo para a organização, como por exemplo, conhecimento sobre o mercado, a concorrência, os clientes, os processos de negócio, a tecnologia e vários outros.

Carvalho (2003) enfatiza a importância da organização estimular as pessoas através de ações a se comprometerem com essa nova visão de criação e disseminação do conhecimento. Através do comprometimento de todos acontecerá o verdadeiro crescimento da empresa, podendo essa se firmar no mercado e se tornar realmente competitiva.

É muito importante que para as empresas serem mais inovativas, é necessário que elas retenham o conhecimento qualificado de seus funcionários para o seu crescimento do capital intelectual. Isto se deve ao fato de que as mesmas perceberam que são os seus funcionários que desenvolvem a maior parte das idéias criativas, fazendo com que haja uma maior valorização ao lado humano das organizações no que diz respeito à rentabilidade e desempenho através das inovações. Assim, as empresas procuram explorar mais o lado humano através de um melhor gerenciamento do conhecimento e do crescimento de grupos que gerenciem esse conhecimento. Além disso, procuram ferramentas que propiciem aos gerentes, um cuidadoso olhar nas possíveis oportunidades de mercado (DRUCKER, 1998).

5. Metodologia

A pesquisa foi realizada no Departamento de Desenvolvimento de Novos produtos de uma empresa fabricante de equipamentos da área de Sistemas de Energia para alimentação de aparelhos eletro-eletrônicos. Localizada na região industrial da grande cidade de Curitiba, sobreviveu e cresceu com sucesso durante 18 anos no mercado, sendo desta forma, um caso muito interessante para estudo e exemplo para aquelas que almejam também sua sobrevivência no mundo atual competitivo.

A metodologia será descritiva e exploratória, pois fez-se uma avaliação da gestão das tecnologias e das inovações dentro da empresa.

A pesquisa é qualitativa descritiva e de natureza aplicada, pois o objetivo da mesma é que, a partir dos pontos negativos e positivos levantados, estes servirão de apoio para empresas, instituições de ensino e demais interessados em inovar no processo gerencial e produtivo.

É um estudo de caso e conforme Yin (2005) especifica em seu trabalho, para que se tenha um bom estudo de caso sugere-se que seis fontes sejam utilizadas como evidência: documentação, registro em arquivos, entrevistas, observações diretas, observações participantes e artefatos físicos. Procurou-se nesta pesquisa, utilizar-se de todos, porém somente não foi possível o uso de observações participantes.

Os instrumentos de pesquisa foram um questionário e entrevistas para aprofundamento, que como Yin (2005) sugere, é uma das mais importantes fontes de informações no estudo de caso.

O questionário utilizado foi uma adaptação do questionário de auto-avaliação da gestão tecnológica utilizado por Terra (1993), complementado com o questionário utilizado por Yang (2005) cujo principal objetivo foi mostrar o papel dos dirigentes das organizações como captadores de tecnologia e inovações e facilitadores da sua absorção, implantação e consolidação na empresa.

O questionário foi dividido em quatro partes e cada um subdividido com questões que indicaram através de valores quantificados o quanto a resposta era positiva ou negativa em relação a cada questão formulada. As notas variaram entre 1 a 5 com a escala especificada no questionário.

Este questionário foi aplicado ao responsável por toda a área de desenvolvimento de novos produtos e gerenciamento da área de projetos.

5.1. O caso da Indústria de nobreaks e estabilizadores

A empresa em estudo desenvolve equipamentos na área de Sistemas de Energia para alimentação dos aparelhos eletro-eletrônicos, fabricando nobreaks e estabilizadores.

Foi fundada em outubro de 1988 como uma micro empresa e hoje conta com uma fábrica de área construída de aproximadamente 1800m2, contando com capital e tecnologias exclusivamente nacionais. Hoje é uma empresa de médio porte e conta com a fabricação de 18 modelos diferentes de nobreaks, 3 modelos de estabilizadores e outros acessórios.

A Organização tem como desafio, conquistar maior espaço no segmento de Sistemas de Energia, priorizando a qualidade dos produtos a seus clientes, contando hoje com Sistemas de Gestão de Qualidades efetivos e certificados. Tanto o processo de produção quanto o de fornecimento de serviços são realimentados através de resultados de inspeções e atendimento à sugestões e reclamações de clientes, as quais servem para minimizar a ocorrência de desvios e garantir o cumprimento dos requisitos especificados. A política da qualidade da empresa visa assegurar que os requisitos dos clientes sejam atendidos com a intenção de aumentar a sua satisfação criando objetivos que incentivam o estabelecimento de indicadores em vários níveis da organização que fazem parte do planejamento da qualidade. Através da monitoração freqüente destes objetivos e indicadores os dirigentes realizam análises críticas e mantém sob controle o funcionamento eficaz do sistema de gestão. Análises críticas são o instrumento para disparar novos planos da qualidade, incluindo o estabelecimento de novos critérios, indicadores e metas para não só manter a integridade do sistema frente a mudanças, mas também a pertinente busca de melhorá-lo.

A alta direção analisa e destaca a importância da comunicação interna entre seus colaboradores bem como a comunicação com clientes e fornecedores. Segundo a empresa a comunicação eficaz é fundamental para manutenção das interfaces existentes entre processos e realimentação constante do Sistema de Gestão da Qualidade. A troca de informações diárias entre as diversas áreas da empresa é realizada através de rotinas pré-estabelecidas, utilizando-se de correio eletrônico, registros da qualidade e demais formulários específicos, contatos telefônicos e outros acordos verbais. As informações com relação a ações estratégicas e de controle da empresa são comunicadas em reuniões específicas e periódicas com gerentes, encarregados, auditores internos, líderes, bem como nas reuniões do Comitê da Qualidade, das auditorias Internas, de análise de resultados e de grupos de trabalho. A empresa utiliza um sistema eletrônico, onde são armazenados os diversos dados necessários ao fluxo de informações referentes aos produtos utilizados nas diferentes áreas da empresa, como o controle de estoque de material e produto, controle de notas fiscais, emissão de pedidos de vendas, estruturas de material e codificação de itens.

A empresa entende que o caminho para estar atuante no mercado e continuar crescendo de maneira consistente é ter como foco principal de suas atividades o atendimento às necessidades de seus clientes e reconhece que atua em um seguimento que está sujeito a evoluções constantes e que para manter sua linha de produtos em sintonia com as novas tecnologias, deverá promover melhoria contínua em seus produtos e processos para continuar atendendo os requisitos de seus clientes. Em busca de acompanhar essa contínua evolução das tendências de mercado é que a empresa mantém como uma das fontes de entrada para desenvolvimento de novos produtos a opinião de seus clientes. Os canais de comunicação existentes nas áreas de comercial e assistência técnica estão sempre abertos para receber sugestões e reclamações. As reclamações são analisadas e, sendo procedentes, são disparadas ações corretivas pelas áreas competentes. A empresa mantém controle estatístico para obter dados de produtividade e qualidade de seus produtos. Esses dados são analisados e utilizados na identificação de oportunidades de melhoria. Em busca de preservar a qualidade de sua linha de produtos, a mesma mantém sob avaliação freqüente seus fornecedores de componentes e matéria-prima. Na área de suporte técnico a empresa mantém uma equipe pronta para fornecer informações claras e serviços rápidos de manutenção e reconhece que seus colaboradores são essenciais para superar os desafios propostos e, portanto possui planos de treinamento que visam formar um grupo capaz de transformar as necessidades de seus clientes em produtos de qualidade.

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